A mesa estava posta. Ela diante de mim, os cabelos loiros, os olhos ruivos. Bem, era bonita de se ver.

Na nossa frente, dois cálices vazios esperando que algo os importunasse e os movesse silenciosamente dali.

Ela era uma visita que tinha encontrado na solidão da floresta perto do meu castelo. Digo que não me simpatizei muito com ela quando a vi, mas, pela insistência dela (parecia chorar muito e agonizar numa dor invisível) a convidei pra jantar comigo.

Agora estávamos os dois diante de... Nós mesmos.

Eu não sorria, ela não via uma expressão qualquer de motivação ainda que fosse sombria no meu rosto. Ela não entendia, pensava:

"se sou tão bonita, porque ele não me faz reverências?"

Ela realmente não me importava, o que sabia ela não sabia que eu sabia.

Até que dei o primeiro sorriso, peguei uma adaga e cortei uma das minhas veias e servi meu sangue nos cálices; de repente eles viveram, saíram do silêncio, eu peguei o dela como se fosse brindar alguma ocasião especial... Mas o atirei no seu rosto, ele ficou queimado e envelhecido; cadavérico, moribundo; e isso era típico das meninas demoníacas e infernais; não suportam nosso sangue que, genuíno, ao invés de alimentá-las as descarnam.

Vampiro, sabia que vinha do inferno e não das trevas. Ela queria ser transformada em vampira.

Com certeza, a morte, com seu cetro, aplaudiu minhas atitudes do começo ao fim, lá, de cima do crepúsculo.

Nas minhas trevas, os Vampiros abominam o inferno e as orgias que possuem insidiosamente todos os séculos.

Eu presencio isso milenares anos. Fico triste em ver que essa garota não era diferente. Bem, prefiro as mortas que se vestem de preto, elas têm aureolas negras manchando seus rostos pálidos. Essas sim, são Vampiras na alma cativa de amor e de meus inesperados abraços, sombras que voam por aí, procurando a vida e seu sol magnífico: o sangue da escuridão.

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