A Mentirosa
1 Prólogo
Notas iniciais
Hoje posto só o prólogo, acho. Beijos.
- Conte-nos, conte-nos sua terrível história de vida. — Provoca um homem atrás do balcão com um sorriso presunçoso nos lábios.
- Tudo bem — finalmente digo bebendo o resto da minha cerveja. — Vamos lá.
Todos os bêbados do recinto — o que é igual a todas as pessoas daqui — olham para mim, ansiosos para uma desgraça maior do que as suas. Para uma desgraça que ultrapasse a repugnância em que suas vidas transformaram-se. Pouso o copo no balcão e sorrio brevemente.
- Havia uma garota — começo.
- Ah, sempre há uma garota — ri-se o atendente.
- Sim, estou certo que sim — continuo ríspido — Essa garota, chamada Brooke, era linda. Qualquer um de vocês se apaixonaria ou ao menos desejaria ela. Eu comecei desejando seus beijos, então desejei seu corpo, sua companhia, seu amor. E foi aí que eu errei.
- Como assim? — indaga um bêbado.
- Brooke não se importava em mentir. — Digo simplesmente. Ninguém parece compreender o que eu falo, por isso especifico. — Ela amava isso. Amava a adrenalina e a sensação de estar acima de todos. Sei disso porque ela própria confessou-me. Amava segredos e guardava muito bem os seus, os prendia por trás de sua íris verde.
Recosto-me na cadeira esperando que eles finalmente tenham entendido, mas isso não parece acontecer. Oh, meu Deus, bêbados burros e lentos. Suspiro.
- Quando caí em seus encantos, era perto do Natal e nevava. Ela estava absolutamente linda. — Falo com uma pontada de dor no peito. — Seus cabelos desciam por seus ombros como uma cascata dourada, seus olhos pareciam limões e sua boca o paraíso. Ela jogou a isca e eu mordi. E assim ela começou a destruir minha vida.
- Destruir? Como uma menininha pode destruir a vida de um homem? — debocha novamente o atendente. Dou uma pequena risada antes de responder.
- Ah, sim, ela me destruiu, meus caros. Esmagou minha honra e meu coração e acreditem que isso não é um exagero, afinal era pra eu ser um jornalista, não um ex-presidiário.
- Ex-presidiário? Por quê?
- É uma história longa e complicada e não acho que vocês tenham tempo para ouvir. — Concluo dando de ombros.
- Parece bem interessante para mim. — Grita um homem gordo. — Conte!
Sorrio para disfarçar a dor que cresce em meu coração e sei que precisarei fazer muito mais disso se for contar o meu drama. Estou pronto para negar quando me ocorre que talvez seja essa a única maneira de superá-lo.
- Certo. Sentem-se e aprumem os ouvidos. Começa bela, mas termina trágica. Precisarão de paciência e não digam que não avisei.
Notas finais
Sexta eu volto, acho. Beijos.
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