Agora irei contar o que aconteceu com os garotos no evento em Diumsta III. Não se preocupe, o resto da história de Cecil lhe será apresentada no futuro, caso ele chegue.

Além da grande concentração de idosas que havia no local, tinha um grande palco, onde seria iniciado o concurso de fofocas anuais. A falação deixava Cecil levemente surdo e desnorteado, pois, como se sabe, aquelas velhas não eram normais. Na confusão do momento, Lice teve a grande ideia de se aconchegar numa das salas vazias que tinha na parte de cima do estádio que, por sinal, dava uma ótima visão do evento.

–Pegue aquele binóculo e procure esta mulher. –Seu amigo lhe mostrou uma foto de uma velha muito, muito feia. Seu nariz pontudo trazia um ar sinistro, seus longos cabelos brancos possuíam algumas folhas de erva lestasa presas em si por algum motivo que até hoje não entendo. Apenas o busto era mostrado na foto, porém, dava para notar claramente que a velha era corcunda.

Cecil notou que era um folheto comemorativo que anunciava que a madame em questão não poderia participar do evento, pois, ganhava sequencialmente havia trezentos anos.

–Lice, ela não participará do evento. Olhe aqui!

–Você não leu tudo o que estava escrito. Também está dizendo que ela será uma das juízas. Cabeção...

–Hm.

–Se eu não fosse cabeção você não seria meu amigo... –Colocou novamente seus olhos no binóculo a fim de encontrar a mulher, ou velha.

–Do que está falando?

–Você sabe muito bem.

A vista que Cecil tinha era como a de um Deus que, vendo sua criação, poderia observar e determinar tudo o que deveria acontecer. Porém, diferentemente de Deus, aquele menino era insignificante. Não poderia mudar coisa alguma na vida de qualquer pessoa...

E caso tenha notado, sim, eu mudei a escrita de deus para Deus, pois, religiosos daquela igreja da cidade vizinha a essa que narro minha história mandaram-me vários e-mails ameaçando o sucesso de meu verídico conto caso não acredite nesse mito. Enfim, voltando à história.

Lá de cima, era possível ver diversas velhas sentadas e fazendo crochê, outras estavam de pé, porém, se apoiavam em bengalas. O som de máquina de costurar ainda continuava a se misturar com a desordem e falação, porém, deste ponto de vista, parecia tudo menor.

–Acho melhor ficarmos esperando até evento acabar. Ai sim poderemos nos encontrar com Yaga. –Lice sentou-se numa cadeira lendo o nome da velha atrás do folheto.

–Você tem noção do tempo dessa convenção? –O garoto tirou os olhos do binóculo e num surto de surpresa os direcionou a seu amigo.

–Sim, cinco dias.

– Cinco dias consecutivos, sem pausa... Quer ficar esperando aqui durante todo esse tempo?

–Relaaaaaxa, cara! Você sabe que nunca dura todo esse tempo. É comum as fofocas ditas por essas velhas se contradizerem com outras... E você sabe o que acontece quando uma história dessas mulheres é desmistificada por outra... Né?

–Esse ano não será como os anteriores, eu espero.

–Só quando o fogo deixar de queimar, meu amigo.

Não houve resposta, ambos os meninos sabiam exatamente o que acontecia quando um indivíduo idoso do sexo feminino daqueles era desmentido. Sim, eles sabiam muito bem.