A Mente de Cecil
3 Capítulo 3
Caro leitor de minha humilde e verídica história, caso note que eu faço cortes de cena em minha narração, saiba que apenas lhe digo o necessário. Mas é claro que, se existe alguma curiosidade em sua mente de saber o que aconteceu com Cecil após conversar com César, venha comigo. Eu conto!
Enfim... Como lhe disse anteriormente, o estudante de filosofia, César, sabia exatamente o que ocorria com Cecil, porém, não tinha detalhes acerca da maldição.
E agora vem à parte que você não sabe.
Para relaxar os frios nervos do garoto, o homem serviu um chá feito de alguma coisa que eu não sei identificar. Nota-se que Cecil sorveu todo o líquido como se estivesse no estranho e árido deserto de Night Vale.
O mundo girou e girou, os quadros dispostos nas paredes se tornaram apenas um, as vívidas cores do demo... cachorro (Eu juro que tento me controlar!) foram se mesclando com os sons que César emitia batendo sua xícara na mesa e dando risadas. Observando todo o acontecimento de uma visão geral, o mundo do garoto se tornou BRANCO, a união de todas as coisas, a junção de todos os sons e até das diversas cores inomináveis do infinito universo no qual residimos. E, novamente citando a magistral Universidade de Lugar Nenhum, sons e cores são misturáveis. Não questione! Apenas aceite! Pois, até mesmo os cientistas se embaralham para explicar o motivo do fenômeno acontecer. E, por fim, alguns críticos que, diferentemente dos cientistas, possuem cérebro nenhum, criticam os brilhantes doutores quânticos acerca da veracidade de tais estudos. Mas caro leitor e amigo, não de ouvidos a malucos como esses quando eles tentarem, com sua sórdida retória, querer lhe convencer do contrário, pois, como bem sabemos, a ciência é inquestionável... Apenas a razão humana que não.
Enfim, voltando ao protagonista da história. Cecil acordou na porta da Casa do Infinito, já era noite e a loja estava fechada. Uma imensa interrogação pairava em sua mente sobre o porquê de César ter lhe expulsado de seu universo.
–O que faremos agora? –Estava um pouco tonto. Levou sua mão a cabeça na tentativa de deixar novamente o mundo estático.
–Você ouviu o Filósofo. Vamos atrás das Demianças. –Lice parecia não se importar com o fato de César odiar ser tachado com tal nome. Mas como novamente lhe digo, às vezes Lice parece ser arrogante, mas NÃO é.
–Como encontro uma dessas coisas? Se até mesmo o César nunca as encontrou, como um ínfimo e ignorante garoto vai encontrar? -Aquele garoto às vezes se subestimava, porém, nesse aspecto ele realmente estava certo. Seu mísero conhecimento sobre míseras coisas não valia de nada para encontrar tais entidades. Era um verdadeiro inútil. E, como de costume, deu uma rápida olhadela em seu relógio que, para sua “grande surpresa”, continuava estático.
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