- Existem infinitas possibilidades. Se você não pode entrar na mente dessa pessoa, é porque algo em sua própria mente, não permite. E isso, meu caro, você vai acabar descobrindo por si só – Disse ele, encerrando a conversa.

Fiquei meio perdido, mas de alguma forma, algo dentro me mim me dizia pra confiar nele.

O sinal bateu, e quando eu ia saindo da sala, esbarrei com um sujeito. Um cara aparentemente normal, mas com uma aura distinta, parecida com a do Luís, mas, muito mais agressiva e oscilante.

Foi mal – Dissemos um ao outro e continuamos andando.

Estava indo pra casa. Até agora não mencionei, mas, moro extremamente perto da faculdade. Acho que se eu fosse engatinhando eu chegaria em menos de 30 minutos. No caminho eu encontrei o André, que a propósito, faz Engenharia Química na mesma universidade que eu.

Augusto! Estava te procurando... Acabou a aula faz uma meia hora, onde você estava? – Disse ele.

Ah, eu estava conversando com o professor de matemática – Respondi, fazendo uma cara de: “Nada não, deixa pra lá.”

Hm, tudo bem, vamos indo, esqueceu que hoje agente combinou... – ele dizia, mas interrompi.

- Com o pessoal de ir naquele barzinho enfrente ao shopping – Completei.

- Dá pra sair da minha cabeça? Peça permissão antes de fazer isso, seu monstro – Disse ele, revoltado.

Fomos ao tal barzinho, mesmo com a super preguiça que eu estava.

Chegando lá, fomos nos sentar junto com a galerinha.

- Oi, meu nome é Felipe, muito prazer – Um estranho sujeito que estava na nossa mesa me dizia enquanto eu ainda me situava no local.

- Oi, sou Augusto – Respondi, quase deitando na mesa.

- Adivinha quem é?! – Ouvi, enquanto um par de mãos cobria meu rosto.

Aquelas mãos e aquele jeito meigo eram muito fáceis de reconhecer, mas não teria graça se eu simplesmente respondesse.

- Não sei. Mas pela sutileza e pela voz encantadora, deve ser a garota dos meus sonhos – Respondi envergonhado e fingindo que não sabia que era ela, mas ao mesmo tempo, ansioso pela resposta.

- Nossa, sou tão fácil de ser percebida? – Respondeu Amanda em tom irônico, como se fosse a coisa mais comum do mundo alguém tê-la como “a garota dos sonhos”.

Eu ri, e dei um grande abraço nela. Mesmo não tendo sido a resposta que eu queria ouvir, não queria criar uma situação mais vergonhosa do que acabara de criar.

Passamos a noite jogando conversa fora com a turma, mas, antes de ir embora, resolvi ir ao banheiro. Eis que vejo um sujeito que eu não esperava: Aquele cara que eu havia esbarrado ao sair da sala de aula. Ele estava chorando, e parecia muito nervoso. E não precisei perguntar a ele, pra saber o motivo. Estava claro em sua mente. Sua raiva vinha de mim. Alguma espécie de ciúmes por causa da Amanda.

Nesse momento ele não se preocupou com nada, simplesmente segurou meu pescoço com uma mão e me desferiu um soco, tão forte, mas tão forte, que pensei que todas as minhas costelas haviam quebrado naquele momento.

Caí no chão, totalmente incapacitado.

A dor parecia vir direto da minha alma! Era algo apavorante.

Nesse momento, ele segurou em minha gola e me encarou com um rosto assustador. Eu podia ver a fúria em seus olhos...

- Se você tocar nela, eu te mato! – Ele me disse, duas eu três vezes, e saiu do meu campo de visão.

Após uns vinte minutos, André veio me procurar. E pra sua surpresa, me encontrou caído, encostado na parede do banheiro.

- Meu deus, o que aconteceu? – Ele me disse, espantado.

- Acho que provoquei alguém, sem nem conhecê-lo – Respondi, ainda sentindo muita dor.

Saí carregado, sem me despedir do pessoal, apenas dizendo que tinha bebido demais e havia caído no banheiro.

Fui pro hospital. Chegando lá, fui logo fazer uma radiografia, pois eu gritava pro médico, dizendo que minhas costelas estavam quebradas! Mas pra minha surpresa, não havia absolutamente nada quebrado! Eu não tinha nenhum ferimento grave!

Após ser chamado de louco pelo André, e de ser aconselhado a ir a um psicólogo pelo doutor, fui pra casa. Deitei em minha cama, e aquilo não saía da minha cabeça! Eu não sabia se deveria me preocupar mais com o soco que levara, ou com a frase que ouvira: “Se você tocar nela, eu te mato!”

Em minha mente, essa frase só poderia vir de 3 tipos de pessoas. Ou de um cara totalmente apaixonado por ela, e que morria de ciúmes, ou do irmão dela, ou do pai dela! Mas como ele tinha minha idade, só considerei as duas primeiras.

Meu sono não vinha de maneira alguma, então resolvi procurar na internet tudo sobre essas esquisitices que eu estava passando, e vi que, ouvir pensamentos era algo que tinha muita base teórica na internet. Era algo muito superficial, e não me convencia, mas esse trecho foi o que mais me chamou atenção: “Todos possuímos uma energia dentro de nós, que varia de acordo com infinitos fatores. Essa energia pode ser usada e convertida, seja mentalmente, ou fisicamente.”

Isso se encaixava quase que perfeitamente no que eu estava passando, mas, era algo muito geral, pois não me dava nenhum caminho, apenas confirmava o obvio.

Já se passavam das 2 da manhã, então, fui me deitar. Dessa vez eu tinha que dormir.

Acordei bem melhor, minha dor havia sumido e eu sabia que teria algumas respostas ao falar com o Luís sobre isso.

Fui pra faculdade. Fiquei enrolando na cantina, pois queria saber se aquele cara realmente estudava lá. Depois de uns 15 minutos, ele passou. Fiquei com um certo medo, mas tinha muita gente ali, ele não poderia fazer nada. Terminei meu lanche, e estava indo pra sala. Ainda nas escadas, eu vejo uma pessoa que não esperava ver outra vez: A garota da farmácia. Fiquei super envergonhado, pois havia passado por louco na frente dela, mas ainda assim cumprimentei-a.

- Oi! Lembra de mim? – Disse a ela, quase escondendo o rosto.

- Oi! O cara que socou a parede! Lembro sim! – Ela respondeu, gargalhando.

Fiquei com cara de bobo.

- Eu tenho que ir. A propósito, qual seu nome? – Perguntei curioso.

- Depois que me disser o seu, eu te digo o meu – Respondeu ela, sorrindo, e indo embora.

Quanta crueldade! Eu sei que deveria ter dito o meu nome antes de perguntar o dela, mas poxa, ela precisava acabar comigo dessa forma?

Estava quase chegando à sala, quando vejo uma cena que preferia não ter visto.

Lá estava a Amanda, beijando aquele cara que me socara no banheiro do bar. Eu sei que ela não tinha nada comigo, mas aquilo doía demais. Dei meia volta e fui embora dali.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.