Notas iniciais
Espero que gostem e comentem por favor!

Apenas mato havia à sua frente, enquanto a jovem de branco corria desesperadamente. O seu rosto demonstrava medo e pequenas gotas de suor manchavam o seu rosto. Era de noite, mas o ar estava tão nublado que a lua se escondeu por trás, não transmitindo a sua iluminação geral.

A jovem que fugia tinha o rosto e as pernas com pequenos cortes de sangue e o seu vestido longo já estava manchado de lama. Tropeçava por entre troncos de árvores e evitava olhar para trás. Respirava ofegante e estava esgotada, mas não iria parar até estar em segurança.

Olhava para trás, como procurando algo que parecia não existir. Os seus olhos que eram pouco iluminados pela pouca luz a lua eram de um verde pálido, sem brilho, como se à muito estivesse seco. Os seus olhos pareciam ensanguentados e aterrorizados, marcados por pequenas olheiras negras que demonstravam que à muito ela não dormia.

Sobre um pequeno vale o sol começava a se erguer, demonstrando os seus belos tons e a sua grandiosidade.

Quando viu a luz natural, a jovem parou, encostando-se a uma árvore. Os seus cabelos castanhos estavam com alguns galhos e folhas presas. Não aguentando a força nas pernas, ela desabou no chão e começou a chorar. Lágrimas escorriam pelo rosto, limpando as pequenas gotas de sangue.

E ali ela ficou parada a chorar durante horas, nada em seu redor parecia ter vida. Tremia enquanto pequenos pensamentos sobrevoavam a sua mente, até que por fim o som da sua respiração parou. Era como se tivesse morta, mas os seus olhos abertos sobre as pernas indicavam que ainda não partira para o além.

Então, como um furacão, imensas luzes azuis e vermelhas apareceram. A jovem sentiu mãos a agarrarem o seu corpo frágil e quando foi colocada sobre uma superfície macia, ela adormeceu, entrando num abismo escuro.

Xxx

— Seja bem vinda, minha querida — disse uma voz animada de uma mulher, acordando a jovem de cabelos castanhos que parecia ter acordado de um longo sonho. — Sou a Drª. Moris, e estou aqui para a ajudar — estendeu uma das suas mãos esqueléticas e cobertas de joias douradas à doente que se encontrava sentada num cadeirão preto que fazia contraste com a pequena sala pintada a branco. A jovem olhou para a mulher mais velha, mas não fez nenhum movimento, não retribuindo o cumprimento que lhe fora dado. — pode tratar-me por Elena. Então, Jennifer, como se está sentindo?

Nenhuma palavra foi dita pelos lábios cortados da jovem à sua frente. Os olhos azuis dela estavam mais destacados pelas marcas e feridas no seu rosto. Os seus olhos tinham um brilho medroso e em vez de falar, Jennifer olhava em seu redor, perdida nos seus estranhos pensamentos. A respiração dela era irregular, estando ofegante ou calma. As mãos feridas estavam entrelaçadas e tremia a perna, demonstrando o seu medo.

— Eu sei que não está capacitada de falar sobre o que aconteceu...

— O que aconteceu? — perguntou subitamente com uma voz fraca e inaudível.

— Você não se lembra? — Jennifer abanou a cabeça, negando a pergunta feita — Você fugiu do hospital. Ninguém soube o que aconteceu, apenas te encontraram ferida e assustada.

Jennifer voltou a perder-se em pensamentos. Nenhuma memória lhe ocorria àquele momento. Na realidade ela pouco se lembrava de alguma coisa.

— Você foi atacada? — perguntou a médica, inclinando-se para a frente e tocando nas mãos da jovem, que as retirou como se tivesse levado um choque elétrico.

— Não... sei — flashbacks passavam pela sua memória. Eram estranhos e confusos, mas houve um que lhe surgiu com força: uma criança de cabelos negros e olhos verdes que falava sozinha.

De repente, Jennifer levantou-se e encostou o rosto sobre a parede gelada. Uma dor a assolou, os pensamentos antigos dela em criança estavam a aterrorizar. Ela falava sozinha, mas a presenta que estava mais alguém lá era percetível.

Um grito ecoou pela sala pequena e à e sentiu os seus braços a serem puxados. Umas mãos delicadas pousaram sobre o seu rosto molhado e os olhos castanhos de Elena encontraram os dela.

Os batimentos do coração preenchiam a sua audição, enquanto a respiração começava a acalmar.

Ela não entendia o motivo daquela reação. Talvez fosse a presença daquelas memórias, mas nada conseguia explicar a dor interior, as mãos suadas e aquele pressentimento que não estava sozinha.

Elena não quebrou o contacto visual. De certo modo aquilo acalmava a paciente. Mantiveram-se em silencio por longos minutos até a médica ajudar Jen a levantar-se e ficar confortável na cadeira. A jovem não tinha respostas para as perguntas que lhe seriam feitas.

— É ele? — perguntou Elena de maneira calma. Jennifer olhou para ela, percebendo que sabia mais do que aparentava.

— Do que está a falar?

— Você não se lembra de nada?

— Poucas coisas, como pequenas memórias. Eu em criança com...

— … Mais alguém — terminou a fala da doente.

— Como é que...

— Sei? Eu sou psicóloga no hospital psiquiatra. De onde você fugiu ontem à noite.

Muitas perguntas queriam ser feitas, mas Jen não conseguia encontrar as palavras para as fazer.

— Há quanto tempo eu estou aqui?

— Há mais de quinze anos. Não sei ao certo, mas foi depois de ter incendiado a casa dos seus pais.

Cinco anos... a casa dos seus pais? Incendiou? Palavras desconexas eram as únicas que tinha, pequenas lembranças profundas.

“ — Jen, para! — gritou uma voz masculina assustada para uma criança. Ela não tinha mais de dez anos e os seus olhos estavam negros e ensanguentados com as lágrimas escorridas pelo seu rosto. Na sua mão estava um pequeno fosforo aceso. Na outra mão tinha uma embalagem vermelha com um liquido transparente que estava espalhado pela casa. A criança encontrava-se na rua e os seus pais estavam dentro de uma pequena casa já gasta, presos por trás de uma porta de vidro. Para os proteger, lembrava-se constantemente.

Contudo o seu olhar não estava nos progenitores, mas à entrada da porta.

— Não faças isso! — a voz chorosa e suplicante da sua mãe não lhe chegou aos ouvidos.

Ela não queria, mas aquela sombra estava ali, como um pesadelo de que não poderia escapar. Ela não queria, mas fez”

— Você se lembrou? — perguntou Elena, ajoelhada à sua frente.

Em vez das lágrimas, apenas uma sensação de culpa a atingiu. Era estranho.

— Quem é “ele”?

A médica respirou profundamente antes de responder. Ela nem sabia bem o que responder.

— Por aquilo que você foi relatando ao longo dos anos, “ele” era um... amigo imaginário. Ou seja, era alguém que foi criado pela sua mente.

Ele... aquele que ela nunca via.

“O sol parecia queimar a pele da pequena criança de cinco anos. Esta brincava no pequeno jardim com umas bonecas que lhe foram dadas de presente no último aniversário. O seu rosto era inocente, não apresentava quaisquer marcas de loucura que viria em pouco tempo.

Ela não olhava em seu redor, estava concentrada em vestir a pequena barbie nas suas mãos, até ouvir uma pequena voz a falar consigo.

Jen não sabia de onde ela vinha, parecia ecoar na sua mente, como se fosse ela própria a falar.

“Oi” era o som que conseguia perceber da pequena linguagem inexistente. Ela levantou-se e tentou procurar em vão a voz que cada vez estava mais próxima.

— Oi — respondeu, dando assim o inicio da entrada de um abismo profundo”

— Ele vem da minha mente?

— Criado por você. Pela necessidade de encontrar alguém que lhe correspondesse em características.

“— Eu odeio peixe — resmungou a garota sentada na sua cama.

“Eu também” respondeu aquela voz que parecia ser a única a ouvir. “Sabe a...”

— … urina de duende — completou com uma risada.

“Não gosto que me controlem”

— Eu sei. Andam sempre a tentar ver se fazemos algo de mal para depois...

“...nos caçarem com castigos”.

— Ele era como eu... — admitiu ela, mais para si mesma do que para a mulher à sua frente. — mas ele não era real... foi criado por mim?

— Segundo alguns estudos que foram feitos durante o tempo que aqui esteve, ele foi um tipo de criação do seu lado mais... negativo. — explicou de uma maneira profissional, mas pela expressão da jovem, ela não entendera o que queria dizer. — Ou seja, por outras palavras, ele representa tudo o que à de mau em você. Todos os seres humanos têm um lado mais positivo, outro mais negativo. Geralmente, nos “amigos imaginários” é criada uma versão dos nossos sonhos e com as nossas qualidades mais... boas. Contudo, você criou uma versão na piores qualidades. Ele ficou com as energias negativas que não deveriam ter sido criadas.

“ “Se pudesse, eu matava todos aqueles que me odeiam” a voz da sua mente era raivosa, estava furiosa.

A jovem corria para casa, enquanto falava com “Ele” sobre as colegas que tinham zombado dela no dia anterior por causa de um livro infantil que estava a ler no pequeno recreio da sua escola.

— Eu prefiro ignorar — contrariou Jen, enquanto cumprimentava a mãe e subia em direção ao seu quarto. Nos seus oito anos já não lhe interessavam as bonecas. Apenas se via livros e mais livros de todos os géneros.

“Ignorar? Como?”

— Pensar que essas pessoas não são dignas da nossa atenção.

“ Que ingénua! Eles não passam de escumalha que se acham melhores que os outros. O que elas fizeram a você foi imperdoável. Como pode ser assim tão indiferente?””

— Mas... eu não sou uma criança. Porque eu ainda o vejo? — a sua voz era chorosa e assustada. Sentia pequenas gotas de suor no rosto pálido e marcado.

— Você sofre de uma espécie de psicose. Talvez esse... amigo, por assim dizer, tenha sido originado pela sua mente que já tinha esse problema.

— Eu sou louca — admitiu com sarcasmo. O seu olhar virou-se para o jardim daquele lugar de onde estava. Era bonito e sereno, assim como da sua antiga casa.

— Jen, você não é louca. Você está doente e eu, assim como outras pessoas, estamos aqui para a ajudar.

— Ele... voltou ontem à noite? — perguntou. Não se lembrava do seu amigo estar presente nos anos que ali esteve naquele hospital.

— Eu acho que ele nunca abandonou você de verdade. Ou, por outro significado, você nunca o abandonou. Na realidade, a sua antiga psicóloga relatou-me de alguns... incidentes que aconteceram com você.

— Quais incidentes?

— Quando veio para aqui, ainda uns meses depois, você desapareceu. Foi encontrada na beira daquele penhasco — apontou para uma grande rocha que ficava atrás de um monte coberto de árvores. — a Jennifer referiu que Ele lhe tinha dito para ir ali. Estava lá uma surpresa para você.

“ — Estou cansada — reclamou a jovem que subia o grande penhasco. Tinha uma agulha presa ao braço, indicando que tinha fugido de algum hospital.

Quando chegou ao cimo da pedra, ela esqueceu-se do que ali estava a fazer. Parecia perdida e não se lembrava como tinha chegado até ali.

“Salte” falou aquela voz que tinha desaparecido por algum tempo. Ela olhou para o lado, imaginando que “ele” ali estava.

Cada passo, cada respiração. Cada palavra que repetia “salte” ou “acabe com a dor, com a culpa”. Um pequeno riacho estava lá em baixo, mas a pedra era tão alta que a água parecia não ser mais que uma pequena lágrima caída.”

— Felizmente a encontraram a tempo, caso contrário... Olhe só! Já acabou a nossa hora — disse ela, ajudando a jovem a se erguer. — aqui estaremos à mesma hora.

— Por favor! — suplicou a voz de Jennifer, como acordando de imediato e não tivesse ouvido as últimas palavras ditas — Me ajude a combater. Por favor, me diga como me posso livrar dele!

Uns homens vestidos de branco entraram no escritório com uma cadeira de rodas. Pegaram em cada braço da jovem e a sentaram no banco. Ela agarrava o braço de Elena com força, não querendo sair sem uma resposta.

— Minha querida — a médica ajoelhou-se ao pé dela, soltando o braço que ficou avermelhado pela força que a jovem fizera e sussurrou-lhe ao ouvido: — Pense por si mesma. É a única coisa que lhe poderei dizer para a ajudar.

Xxx

“ “Eles controlam a tua vida! Faz alguma coisa”

— O quê? — a jovem estava sentada no quarto. Os seus livros que antes pousavam numa estante, estavam agora destruídos pelo quarto. A jovem olhava para o seu lado, imaginando como seria o dono daquela voz. A sua mente transmitia masculinidade. Talvez fosse um garoto igual a ela, com cabelos castanhos e olhos azuis... como se fossem idênticos.

“Eles acham que você está louca” a voz dele era preocupada e chateada ao mesmo tempo.

Jen fechou os olhos, tentando lembrar-se por que estava furiosa com os pais... Eles achavam que ela estava a apegar-se em demasia ao seu amigo imaginário. Eles disseram que ela deveria começar a fazer amigos reais e verdadeiros. Que ela já estava muito crescida para continuar a ser uma criancinha que ainda imagina que os sonhos existem.

Essa acusação não enervou só a garota, como também o seu “amigo”.

“Mata-os!”

Matar...

— O quê? — gritou furiosa, olhando para algo que não existia. — Estás louco? São meus pais.

“São vermes” as duas vozes gritavam furiosas. Um sentimento de medo apoderou-se da garota que, a certa altura, começou a ficar chateada.

— Os meus pais não são vermes! Tu é que és! — palavras sairam da sua boca sem que as pudesse conter. Palavras que não deveriam ter saído... nunca.

“Fui eu que estive aqui, eu que te ajudei durante toda a tua vida. Quem te deu coragem para enfrentar aquela idiota? Eu! Quem esteve sempre aqui para ouvir os teus problemas? Eu! Apenas eu te apoiei, por que apenas eu te amo”

— Isso não é verdade. Os meus pais amam-me.

“Eles aturam-te. Eles não te amam. Nunca amaram! Nunca ninguém te amou para além de mim!”

— Sai daqui! — os berros dela foram ouvidos pelos seus pais no andar de baixo. Estes tentaram entrar no quarto da filha, mas ela trancou à chave para não a chatearem.

“Com quem ficarás se eu sair? Eu me tornei a sua vida! Eu sou parte de ti!”

— Sai daqui! Sai!

“Nunca. Eu sou o teu inferno, sou o teu paraíso. Eu sou a única coisa que você tem. Você me deu sua alma. E eu a aceitei””

Os seus berros a acordaram do quarto escuro onde estava trancada. Ainda era de noite e o relógio a seu lado marcava a madrugada. Estava transpirada e a sua voz doía dos altos gritos que dava.

“Pense por si mesma...”. Esta frase que Elena lhe deu nunca saía da sua mente. Não fazia sentido. Como ela poderia pensar por si mesma se tal não lhe era permitido. Ele nunca a deixaria.

“Pois não” disse aquela voz que ela tanto temia. Ela parecia estar a seu lado, tão próxima de si. Jen virou-se contra a parede e tentou abafar os sons com a almofada, mas a voz masculina parecia estar cada vez mais próxima. Cada vez mais dentro de si mesma.

“Eu disse que sempre estaria aqui” o tom era temível, mas calmo ao mesmo tempo.

Por um instante, Jennifer reparou que ela própria estava calma. “Pense por si mesma.” Cada vez mais esta frase parecia fazer sentido. Ela era a sua criadora, também poderia ser a destruidora. “Pense...”

“ “Eu posso destruir o mundo”

— Como? — perguntou a jovem, enquanto estava sentada sobre o telhado daquela casa em que a tinham internado. Ela não aparentava ter mais de quinze anos.

“O mundo se destrói a si mesmo””

“Eu lhe disse” a voz parecia estar mais infiltrada, mas Jen a tenta reprimir, mesmo que não fosse possível. Tentou imaginar o aspeto daquele seu “amigo”. Cabelos castanhos, olhos verdes. Como ela. “Você não tem ninguém, está sozinha aqui. Daqui a pouco estará fugindo de si própria.”

Chega de fugir, pensou para si mesma. Chega de ser tachada de louca.

— Eu posso destruir você — disse em voz baixa, mas o seu tom lhe era desconhecido. Era determinante. Durante quase a vida inteira se deixou ser manipulada por um “amigo imaginário”. Só esse pensamento lhe parecia ridículo. Um “amigo imaginário”... Como é que uma coisa de criança pode tomar tamanhas dimensões?

“Por você é louca” respondeu Ele, como ouvindo os seus pensamentos. “Eles acham que você é uma aberração. Todos aqui são uma aberração.”

— Não. Você que é uma aberração.

“Eu fui feito por você”

— Eu o posso destruir — tentou manter-se forte, mas esta declaração foi mais para ela tentar convencer-se.

“Mas não quer. Você ficaria sozinha e eu sou o seu único amigo”

Jen tirou a almofada do rosto e levantou-se. O seu olhar manteve-se fixo no lugar de onde imaginava que Ele lá estava.

“ — Tenho medo de ficar sozinha — a garota estava agarrada a um urso de pelúchia. Parecia infantil uma adolescente estar deitada na cama e assustada. Mas não tinha vergonha.

“Você não estará sozinha. Você deseja que eu saia da sua vida?

— Nunca”.

— Não. Você não é meu amigo. — o seu tom parecia ser venenoso. Estava a pensar por si mesma. — Não é nada. Eu não o quero mais comigo. Vá!

“Você precisa de mim” a voz estava enraivecida e determinada.

— Eu pensava que precisava de você. Você é que estava sozinho e precisava de mim. Mas eu nunca precisei. Agora vá! E não volte.

“Eu vou voltar!”

— Não se eu permitir.

Xxx

A casa grande estava cheia de pessoas. Não que os conhecesse, mas pelos relatos do seu marido, eram gente importante.

Jennifer estava no auge dos seus cinquenta anos e nunca se sentiu tão feliz como naquele momento. Toda a sua família estava reunida naquele lugar para felicitar a sua saída do hospital. Um homem de um ar belo e poderoso estava de braço dado a ela e partilhavam o mesmo objeto: Uma aliança.

A sua vida mudou quando conheceu o poderoso Kevin Martins, ele formou-se em psicologia e ambos viveram uma linda história de amor, como a Elena gostava de chamar.

Casaram naquele mesmo local e em pouco tempo tiveram dois gémeos, a Mary e o Cassy.

E naquele momento ali estavam todos reunidos, os seus filhos com os pequenos netos que ficavam felizes por ver a sua avó tão bem de saúde.

— É um novo final? — perguntou o seu marido.

— Não. É um novo começo.

Xxx

Desespero. Era a única palavra que definia o seu sentimento. As urgências do hospital estavam cheias. Milhares de pessoas passaram pela sua frente, mas ela não tomava qualquer atenção aos movimentos alheios.

“ — Ele não sobreviveu. Lamento” Foram as únicas palavras lhe dirigidas. Foi apenas um acidente de carro que tirou a vida do seu marido. As suas mãos já com algumas rugas evidentes estavam molhadas das lágrimas que lhe escorriam. Não seria um novo inicio. Mas o começo de um fim.

Xxx

Solidão era a única palavra ocorrida para revelar o seu estado. Há anos que nunca saia do quarto, se sentia presa a antigas memórias. O seu rosto de setenta anos estava cansado e marcado pelo passado. Os seus olhos verdes perderam uma cor que apenas tiverem por pouco tempo. Estava sozinha, foi totalmente abandonada.

“Eu estou aqui. Você nunca esteve sozinha” sussurrou aquela voz que passou mais de trinta anos sem ouvir. Aquela voz que fez falta na sua vida. A voz Dele.

— Eu sei.

“— Você fica comigo? — perguntou com uma voz firme. Uma voz que ainda não perdera a inocência.

“Sempre””

Notas finais
Eu sei que não ficou assim algo muito bom, mas espero que gostem. Eu sou portuguesa, então qualquer coisa que esteja nessa linguagem é acidental.
Comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!