A Mensagem Do Mestre
4 Capítulo 3 A armadilha do vale
Capítulo Três
A armadilha do vale.
D
uncan avistou uma árvore grande perto dele, muito maior que as outras que ele já havia passado, ele parou de andar, e com isso, Dhastan que o seguia, acabou dando uma topada na sua perna:
–O quê foi? – Perguntou o menino depois de sua brusca parada.
Duncan estava a admirar a grande árvore, e só depois ele voltou a si para responder a pergunta de Dhastan:
–Essa árvore não é uma árvore comum como as outras atrás de nós. – Ele dizia encarando o topo da árvore de modo atento. – Dhastan, essa árvore mostra o início do vale dos pinheiros do norte.
–Quer dizer que chegamos onde madame Neustâcia está?! – Dhastan gritou contente levantando os braços.
–Não, ainda não... – Duncan já estava se tornando um profissional em cortar o by RewardsArcade\">barato de seu pequeno companheiro. – Neustâcia está em Eldora, nós estamos no vale dos pinheiros, que fica atrás da cidade onde ela está, ou seja já avançamos metade do caminho.
–Ahh! – Dhastan gemeu como se o argumento de Duncan não passasse de pura besteira. – Então por que você ficou tão feliz?
Dhastan voltou a andar passando a frente de seu mestre, que continuava a observar a grande árvore. Essa árvore tinha o tronco mais espesso e suas folhas eram mais juntas umas das outras, ou seja, era um pinheiro. Todas as árvores em diante tinham esta descrição.
–Dhastan tome cuidado! – Duncan gritou para Dhastan que estava mais a frente. – E não toque nos pinheiros!
Dhastan que já estava prestes a arrancar uma folha de um dos pinheiros com as mãos, mas parou de imediato quando ouviu Duncan, curioso, Dhastan perguntou por que ele não poderia fazer isso. Duncan respondeu que existia um pó presente nas folhas dos pinheiros que fazia com que as pessoas que a inalassem caíssem em sono profundo.
–Argh! – Dhastan rosnou enquanto se afastava devagar de uma das árvores. – Eu não estava pensando em fazer nada mesmo...
–Em compensação a maioria dos animais que habitavam essa área não conseguia conviver com o pó que essas árvores exalam, então a maioria fugiu para longe. – Duncan explicou. – Logo esse vale é mais calmo que qualquer outra floresta por aqui perto.
–Esse vale pode ser o caminho mais seguro a se tomar, desde que fiquemos sempre alerta para com o pó. – Completou Duncan falando como se fosse o próprio Ichiibar.
Dhastan andava mais livremente pelo vale, sempre tomando cuidado com as árvores, pois ele não estava a fim de acabar pegando no sono pelo efeito dos pinheiros. Duncan andava mais a trás, tranquilo, mas sempre prestando atenção em tudo ao seu redor. Cerca de meia hora de caminhada depois, Dhastan olhava para o lado entre os pinheiros e via algumas lebres e outros animais mais mansos dormindo, presas pelo efeito do pó, isso prendeu sua atenção por alguns instantes, pois era a prova que ele poderia ter que lhe faria acreditar inteiramente na palavra de seu mestre — Não que ele duvidasse dela, mas a mente infantil é realmente sedenta de saber-.
–Dhastan cuidado!! – Duncan gritou de longe apontando para determinada direção.
Quando Dhastan olhou para frente, avistou uma fera com aparência humanoide, que estava a cerca de quinze metros de distância deles, arquejando e babando como uma besta faminta, ele tinha pele esverdeada e orelhas pontudas e perfuradas por brincos de bronze, e carregava uma adaga feita do mesmo material. Ela ficava andando devagar de um lado para o outro encarando os dois.
A fera exibia um sorrisinho maquiavélico que corria de orelha a orelha e mesmo com uma expressão sádica em seu rosto, o monstro tinha menos de um metro de altura, ele era apenas um pouco mais baixo que Dhastan. Ele vestia uma pequena camisa cor de vinho que, provavelmente foi adquirida em outra batalha que o mostro havia travado.
–É um Gremeling? – Dhastan perguntou reconhecendo o monstro das histórias que os velhos caloteiros da estalagem da cobiça contavam, “Pelo visto aquilo não era só papo de gente bêbada!” Pensou o pequeno Dhastan com suas pernas tremendo por estar de frente com uma besta vermelha -como já foi dito anteriormente, “Besta vermelha” é apenas uma denominação para os monstros mais selvagens! Não significa que toda fera selvagem precise ter esta cor para ser considerada perigosa-. A fera começou a correr para avançar em cima de Dhastan.
Duncan continuou calmo, ele girou uma pequena manivela que tinha no cruzamento de seus cintos de ferro, e com isso uma corrente começava a desabrochar de seu braço saindo pela manga de sua camisa e ficando visível para o Gremeling que não se importou muito com isso, ele continuava a seguir na direção de Dhastan. Duncan sacou a corrente e a lançou com uma velocidade que foi desconhecida pelo monstro, na direção de Dhastan. Entretanto, a corrente não tinha rumado para a direção da fera, estava indo um pouco ao lado de Dhastan que não entendia nenhuma das intenções de Duncan.
Quando o astuto Gremeling saltou para cima de Dhastan, Duncan fez agilmente um sinal com a mão que segurava a corrente, algo pouco parecido com um estalo, mas seus dedos não chegavam a se tocar, e um pequeno impulso magnético seguiu pela mão de Duncan indo por toda a corrente fazendo com que ela mudasse de direção instantaneamente.
Por meio segundo, a corrente parecia ter criado vida e mudou a direção completamente, ela virou sua ponta para o Gremeling que foi perfurado no seu estômago numa brutalidade horrenda... Duncan não se importou a mínima com isso, pelo jeito que estava parecia até normal para ele. A corrente continuou atacando a besta vermelha até que ele começasse a se debater em um dos pinheiros que estavam na frente de Dhastan. A fera, por sua vez continuou tentando forçar a sua respiração que estava cada vez mais fraca, tentando aumentar um pouco o seu tempo de vida neste mundo, a esta altura a corrente já tinha perdido o impacto magnético lançado por Duncan. Ele estava lá atrás e assim continuou desde o começo da ação que durou cerca de cinco minutos, não foi um oponente digno para ele, que já havia enfrentado ameaças bem mais poderosas. A fera, em seus últimos suspiros, arrancou a corrente que o havia atravessado com suas mãozinhas enrugadas, e fugiu rastejando pelo matagal adentro, Duncan preferiu deixa-la ir embora.
Antes de perguntar se Dhastan estava bem, Duncan tentou apenas olhar ele de costas, como Dhastan permaneceu quieto Duncan decidiu esperar até que ele dissesse alguma coisa.
–Eu sabia! Eu sabia! Você é incrível mestre Duncan! – Exclamou Dhastan enquanto se levantava com uma cara risonha completamente diferente do que a que Duncan esperaria que ele iria fazer.
–Eu não fiz nada de mais... – Duncan resmungou enquanto puxava humildemente a manivela no seu cinto pondo a corrente de volta na sua cintura.
–Eu vi tá! Você tacou a corrente em direção errada, mais lançou uma magia que fez com que a corrente mudasse de direção e acertasse o Gremeling! – Dhastan contradizia as palavras de Duncan, fazendo movimentos com as mãos no ar para representar a cena que haviam acabado de viver. – Você tem o dom de controlar as correntes!!
–Em primeiro lugar: minha técnica não controla as correntes, é algo muito mais específico que isso! Em segundo lugar: aquilo não era um Gremeling, era um Elfo reflorestano, criaturas igualmente sórdidas – Dhastan indagou, explicando para Dhastan que ele não deveria ficar feliz por tão pouco.
–Uê? Mas como você sabe Duncan? – Dhastan perguntou interessado, enquanto dava uma piscadela para trás para ver se ainda dava para ver o animal ao longe, mas a essa altura ele já havia ido embora.
–Você ficou meio nervoso quando ele apareceu, então não percebeu que diferente de um Gremeling, aquela fera tinha orelhas um tanto pontudas, um Gremeling comum teria orelhas um pouco mais arredondadas. – Duncan explicou. – Sem falar que aquele Elfo tinha apenas três dedos em cada uma das patas, e um Gremeling comum tem cinco dedos em cada uma.
–Bem eu não prestei muita atenção em tantos detalhes. – Dhastan argumentou impressionado com os olhos de águia de seu mestre.
–Você não percebeu por que ficou nervoso demais. Mas Ichiibar me ensinou que o caminho mais seguro para a vitória e conhecer seu oponente totalmente. – Duncan exclamou com pose de um grande filósofo.
–Você é incrível mesmo Duncan! Dhastan repetia impressionado. – Por favor, me ensine a lutar tão bem quanto você!
Duncan olhou para Dhastan que pulava freneticamente para cima e para baixo enquanto insistia para que ele o treinasse, e acabou aceitando o seu pedido observando a determinação com a qual Dhastan a pedia. Cada vez mais, o frívolo aprendiz de Ichiibar começava a ceder à alegria irradiante do menino:
–Já está tarde, vamos dormir aqui, e eu passarei a noite tentando te ensinar... – Disse Duncan observando o sol se por, por cima dos pinheiros. – Mas se você mostrar que não tem futuro como meu aprendiz eu serei obrigado a desistir de você na mesma hora. Entendeu?
Duncan não conseguiu estremecer a determinação de Dhastan:
–Pode deixar, mestre! – Ele gritou com todas as forças que tinha, ignorando o fato de Duncan estar bem na sua frente e não ter nenhuma doença auditiva, contente por poder chama-lo de mestre.
Já havia anoitecido, e na cidade de Modnar, a mãe de Dhastan se despedia dos últimos clientes do dia enquanto se preparava para fechar sua estalagem. Ela arrumava as cadeiras e mesas devagar, pensando em como seu filho e o aprendiz de Ichiibar iriam passar a noite, e por alguns segundos se arrependeu de ter deixado Dhastan ir sozinho com um estranho até outra cidade.
–Raios! – Ela exclamou dando um forte golpe sobre uma das mesas, para expressar sua raiva por fazer algo tão irresponsável – Parece que esta noite não conseguirei pregar os olhos!
Como já estava escuro no vale dos pinheiros, Duncan procurava alguns galhos secos com o intuito de fazer uma fogueira para que tivessem alguma proteção durante a noite, e para não ter que deixar Dhastan sozinho, Duncan pegou o mínimo de galhos secos possíveis que estavam por perto. Dhastan por sua vez, estava diante de uma pedra fazendo exercícios e alongamentos desnecessários, pois esta seria sua primeira aula de verdade com um mestre de verdade, e o ingênuo garoto achava que isso precisava de muita preparação.
–Você não vai conseguir acender uma fogueira usando apenas esses galhos, precisa de mais! – Observou Dhastan enquanto fazia alguns polichinelos.
–Não, não preciso... – Duncan afirmou enquanto juntava os poucos galhos fazendo um montinho com eles no meio do espaço onde estavam.
Dhastan fez questão de observar tudo bem de perto, pois sabia que seu mestre não conseguiria acender a fogueira e ele pretendia estar ali para poder se gabar, pois teria razão do que aconteceria.
Duncan tirou de dentro de sua camisa um isqueiro de prata e o ateou fogo sobre os galhos, Dhastan ainda estava de cara sobre ele, para vigiar caso ele tentasse lançar alguma magia no isqueiro ou algo do tipo. Com a outra mão, Duncan jogou um pouco de um pó preto sobre a fogueira que saltou em um rugido de chamas que quase atacaram Dhastan.
O fogo ficou estável e Dhastan se maravilhou perguntando o que era aquele pó preto que Duncan havia jogado na fogueira, pois ele sabia que esse era o segredo do truque dele.
–Isso se chama pó rúnico, encontrado nas rochas mais raras do país. Pó rúnico tem o poder de atiçar de maneira estrondosa o poder dos quatro elementos! – Duncan explicou enquanto balançava o saquinho de pano que guarda o resto do pó rúnico que havia usado. – Eu sempre guardo um pouco comigo para essas situações.
Enquanto Dhastan se maravilhava com o fogo, Duncan se afastou um pouco da fogueira e afirmou que enquanto a fogueira estivesse acesa não teriam o risco de serem atacadas por nenhuma besta vermelha durante a noite.
–Certo Dhastan, comecemos com o treinamento! – Duncan anunciou.
–Sim mestre! – Gritou Dhastan enquanto vinha ao alcance de Duncan.
–Eu vou te explicar melhor o quê aconteceu hoje, quando aquele Elfo apareceu... –Duncan lembrou enquanto se abaixava e pegava uma pedrinha qualquer sobre o chão. – Presta atenção Dhastan, as coisas ao nosso redor só se movem se existir alguma força as impulsionando.
–Forças? O que quer dizer com isso? –Dhastan perguntou interessado.
–São espécies de grandezas que fazem com que as coisas se movimentem, por exemplo, existe uma força que faz com que aquele fogo continue aceso, existe uma força que nós prende ao chão e existe uma força que faz com que esta pedra fique em movimento quando lançada. – Duncan disse enquanto atacava a pedra em uma direção qualquer.
Dhastan observou a pedra no alto e a viu cair no chão após alguns segundos.
–Até que em determinado momento a força acaba e a pedra cai. – Duncan continuou, narrando os fatos. – Neste treinamento eu vou te ensinar a aumentar a força que aplicamos em alguma coisa!
–Aumentar uma força da natureza? Isso é quase o poder de um deus não é mestre? –Dhastan perguntou feliz por estar tendo sua primeira aula sobre magia com um professor de verdade.
–O poder de um deus? Nem de longe! –Duncan riu. – Isso é só o básico para o arsenal de um mago que se dispõe mais da força física do que da magia em si, se você não for capaz de aprender isso não será digno de ser meu aprendiz!
–Certo mestre, eu vou mostrar que consigo dominar isto! – Dhastan disse fazendo reverências com os braços, como se já fosse um grande guerreiro.
Duncan vasculhou na grama e pegou a pedra que havia atacado durante a explicação, e lançou-a novamente um pouco a cima da sua cabeça:
–Enquanto a pedra ir para cima significa que ainda tem certa força atuando sobre ela. – Disse ele olhando para saber até onde a pedra iria.
Quando chegou em certo altura a pedra perdeu toda a força e começou a cair:
–Mas quando a força acaba, o que passa a agir é o apenas o peso da pedra, fazendo com que ela caia depressa...
Quando a pedra estava a alguns centímetros de Duncan, ele levantou a palma da mão e lançou um micro impulso magnético sobre ela, e novamente, a pedra foi tão alto que saiu da vista dos dois.
–Uau! Eu entendi mestre, q-quando a força que você usou na pedra acabou ela começou a cair por culpa do efeito da gravidade. E quando ela chegou perto de você tudo que precisou fazer foi aumentar a potência da força natural para lança-la ao alto novamente, fazendo com que ela ultrapassasse a da gravidade! –Dhastan repensava olhando para cima tentando achar a pedra que Duncan havia relançado.
–Você entendeu bem! Acha que demora quanto tempo para aprender isso? Uma hora, trinta minutos? – Duncan perguntou como se a técnica que ele tivesse acabado de usar fosse a coisa mais fácil do mundo.
Dhastan ficou meio encabulado ao responder, afinal ele tinha em si que aquela técnica era algo que ele não conseguiria dominar em ao menos uma semana.
–Não tenho certeza se eu vou conseguir em tão pouco tempo... – Dhastan miou envergonhado. – Quero dizer, esta é a primeira técnica que tento aprender.
Duncan não retrucou a resposta de Dhastan, ele se virou e abaixou-se até a fogueira estendo suas mãos para aquecê-las. Dhastan observava tudo se longe, sentido por não ser respondido por seu mestre.
Depois de alguns minutos Duncan tirou a camisa e deitou no chão usando uma árvore como encosto para sua cabeça:
–Pare de choramingar! Isso é o básico para se entender as forças naturais deste planeta! – Disse Duncan para Dhastan secamente. – Se você não conseguir aprender isso, não tem futuro na magia!
Dhastan estava decepcionado com as palavras de seu mestre, pois ele sabia que não conseguiria pegar a manha daquela técnica tão facilmente como Duncan presumia. Ele pôs as mãos entre os cabelos e os apertou como se fossem pelos das vassouras que sua mãe usava para varrer o chão da estalagem.
–Eu irei dormir agora... – Disse Duncan deitado, enquanto se virava para o lado oposto ao que Dhastan estava. – Pode treinar por mais alguns minutos, mas se não tiver sucesso volte e durma também!
Dhastan não se aceitou como incapaz por não poder dominar a técnica que Duncan havia realizado com tanta facilidade, e disse que se não conseguisse domina-la, ficaria acordado durante a noite toda praticando! Calmamente Duncan que repousava perto da fogueira rebateu dizendo que se Dhastan virasse a noite no treino, ficaria cansado e incapaz de continuar a caminhada até a cidade de Eldora.
–M-Mas eu... – Dhastan tentava retrucar, mas parou quando deu conta que seu mestre já estava cochilando. Seguindo as instruções dele, Dhastan tacou a pedra para o alto inúmeras vezes, tentando aumenta-la o seu curso durante o tempo que ela estava no ar. Inevitavelmente, Dhastan não conseguia ter nenhum resultado e a pedra sempre voltava ao chão com a mesma velocidade e força cujo qual ela era lançada, algumas vezes a pedra caia nos seus pés e na cabeça de Dhastan.
Logo, depois de algumas horas tentando, decepcionado, Dhastan se pôs a dormir no canto de uma árvore longe da qual Duncan dormia.
–Que bela porcaria! – Sussurrou Dhastan quando já estava quase dormindo. – Nesse ritmo eu vou continuar trabalhando na estalagem a vida toda...
A preguiça dominava os dois aventureiros, já estava de manhã, e mesmo com o singelo raiar do sol, tanto Dhastan quanto seu mestre dormiam de um sono pesado. Um tapete de folhas havia se formado sobre eles, folhas que não estavam lá quando se deitaram. A fogueira que eles haviam acendido já estava apagada e estavam desprotegidos quanto os perigos do Vale dos Pinheiros. Mais algumas horas depois, e nada dos dois se levantarem, o mais lógico de se acreditar é que deveriam estar muito cansados de toda caminhada do dia anterior.
Em determinando e inesperado momento, algo estranho veio por cima das arvores, simulando a velocidade de uma grande nave caléisfobica, uma criatura com olhos precisos, um falcão veio varando os céus, bem em cima do local onde Duncan e seu discípulo dormiam, ele sobrevoou a área por alguns minutos, até finalmente descer voo com um rasante e em poucos segundos já estava no chão fixando suas garras nos ombros de Dhastan arranhando-o e rasgando suas vestes.
–HUAHR! – Ele gritou se levantando enquanto socava a ave para afasta-la dele, que foi para um canto sem revidar o golpe do menino. – Instantaneamente Dhastan foi passar a mão no ferimento causado pela ave, percebeu não só que estava sangrando muito, como também os trapos que usava estavam dilacerados.
–Mas o quê?! – Dhastan disse quando percebeu que o falcão guardava um pergaminho, preso em suas costas, pela mesma fita que a sua mãe o emprestava quando ele precisava ir até o Deserto de Modnar pegar pedras minéricas:
–Oh meu deus... Mamãe...!! – Dhastan gritou enquanto corria na direção do falcão para pegar o pergaminho preso em suas costas. O bicho correu em círculos por algum tempo fugindo de Dhastan, até que ele finalmente o agarrou. Logo que Dhastan tirou o pergaminho das costas do falcão, ele jogou o bicho para longe enquanto abria o pergaminho e percebia que era uma mensagem de sua mãe que morria de preocupação:
“Dhastan!!” -A mãe de Dhastan havia escrito com letras grandes, como se estivesse tentando expressar um grito de raiva, que estava pronta para dar quando visse o garoto-
“Aonde voce está? Eu achei que aquele garoto só te levaria até a cabana de Neustâcia em Eldora, e te taria de volta logo!”
“Mas já se passaram quatro dias dede que vocês se foram, então resolvi mandar Papalo atrás de vocês -Papalo era o nome do falcão que a mãe dele havia mandado- Me retorne esta mensagem se voces ainda estiverem vivos!”
Mesmo com a péssima ortografia de sua mãe, e os vergonhosos erros de português que ela havia tido, Dhastan pode entender o conteúdo da carta sem problemas.
Havia ainda mais um pedaço do recado que falava sobre o falcão Papalo, e que ele era uma ave correio emprestada de uma amiga da mãe de Dhastan, mas ele não estava com muita vontade de ler esta parte, então arramou novamente a mensagem nas costas do falcão, e deu um tapa em suas costas para que ele levantasse voo. Imediatamente, com um único bater de asas Papalo saiu do chão e seguiu de volta para Modnar.
A primeira ação de Dhastan ao ver tudo que acontecia era de acordar o seu mestre que continuava a dormir.
–Mestre! Mestre acorda! – Dhastan gritava continuamente enquanto sacodia o braço de Duncan. – Nós dormimos demais!!
Aos poucos Duncan começava a se levantar, e ainda sonolento fazia perguntas idiotas como se tivesse acabado de sair de uma fase de amnésia:
–Ahh... O...O quê foi? O que houve, Dhastan?
–Nós dormimos! Dormimos demais, mestre Duncan! – Dhastan gritava preocupado. Ele explicou toda a situação para Duncan, e disse que a carta que a mãe dele havia mandado fora escrita à quatro dias atrás:
–Nós dormimos por pelo menos quatro dias mestre! – Dhastan continuava a gritar eufórico. – Estamos atrasados! Atrasadíssimos!
Duncan ajeitou sua posição e se sentou, abaixou a cabeça e agora que está mais acordado se pôs a pensar:
–Nós dormimos? Mas como... – Ele pensava até que uma perturbadora suposição chegou até sua mente.
–Mestre Duncan! O senhor disse que os pinheiros deste vale podem emanar um pólen capaz de adormecer qualquer um! – Dhastan o interrompeu...
–Ah droga! Então foi isso! – Duncan disse batendo em sua perna com raiva! – Nós fomos pegos pelos esporos do pólen dos pinheiros enquanto dormíamos... Fazendo com que o nosso sono normal de algumas horas, fosse prolongado em um sono de alguns dias!
Juntando a teoria de Dhastan, Duncan conseguiu ter certeza que a sua suposição atormentadora era verdadeira. Ele não achava que os pinheiros poderiam usar seu pólen para estender o sono de alguém, foram pegos por uma verdadeira armadilha!
–Bem, e isso é possível? – Dhastan duvidou com medo.
–Acho que sim, em vista de tudo... – Duncan respondeu enquanto se levantava, e saiu disparado em meio ao vale, procurando o seu fim.
Dhastan ainda estava no chão pegando as mochilas que seu mestre nem se preocupou em trazer, ele saiu atrás de Duncan gritando para que ele o esperasse, ele por sua vez nem o deu ouvidos:
–Aonde você vai?
–Sair daqui é claro! – Gritou Duncan sem olhar para trás em nenhum momento. – E te aconselho a vir junto comigo, a menos que queira ser pego por mais uma dessas piadinhas que este maldito vale gosta de aprontar!
Dhastan não precisava ouvir de novo, ele pôs as duas mochilas nas costas, – que não eram grandes mochilas-, e partiu em disparada junto com seu mestre.
Duas horas de caminhada depois, Duncan e Dhastan já haviam passado por todos os pinheiros do vale. “Finalmente estamos fora” pensou Duncan relaxando os ombros, ambos começaram a andar mais devagar, contudo nenhum dos dois tentou puxar conversa e Dhastan havia percebido que seu mestre andava de cara amarrada, aborrecido e sua face mostrava que estava debatendo consigo mesmo. Depois de algum tempo caminhando silenciosamente o jovem Dhastan finalmente percebeu que seu mestre andava daquele jeito, por que estava se culpando por não ter percebido a armadilha do vale dos pinheiros. Ele queria dizer algo, dar algum consolo para Duncan, mas nenhuma palavra veio até sua boca, e acabou que ambos continuaram a caminhar sem dizer nada.
Mas algumas horas se passaram, e Duncan só tirou a expressão de desânimo do rosto quando estavam a poucos metros de distância da grande cidade de Eldora.
A medida que iam andando, Dhastan e Duncan podiam ver um enorme e robusto muro de pedras, contornando do uma série de casas e pequenos comércios. Nesses muros havias encrostados grandes bandeiras de cor laranja com faixas brancas e bem no canto, mas ainda visível, estava o símbolo do magistério.
Quando chegou na entrada da cidade, a primeira coisa que Duncan fez foi pegar da sua mochila -que Dhastan ainda segurava- um pequeno bloco de notas, -aquele que ele já havia usado na cidade de Modnar-. – e riscou o item da cidade Eldora, como fazia sempre que chegava em um lugar onde já havia passado com Ichiibar.
–O quê está fazendo mestre? – Dhastan perguntou.
Duncan disse que não era nada importante, e se aproximavam mais do grande portão no meio do muro de pedras, lá haviam dos guardas do magistério em estado de guarda, as pessoas entrava e saiam, mas eles não diziam nada.
–Ei mestre, nos teremos de pagar mais pedágio? – Dhastan perguntou temendo por não ter trazido nenhum dinheiro consigo.
Eles atravessaram o portão sem problemas, os guardas não tentaram para-los em nenhum momento.
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