Notas iniciais
Por favor comentem minha história! Tenho vontade de saber a opinião dos leitores!
Capítulo Dois O aluno de Ichiibar. As palavras ditas por Dhastan fizeram com que a mãe dele desse uma pausa instantânea, assim como todos os clientes baforados que se amontoavam no balcão pararam e olhavam para Duncan com caras de idiotas, Duncan também ficou encarando com um sorriso sem graça todos aqueles que o olhavam com certa admiração. O rádio travara de vez, e com isso o silêncio tomou conta do local. Alguns dos clientes que estavam sentados em mesas ao fundo da loja cochichavam o nome do mago Ichiibar com tom de dúvida? “Ele é mesmo aluno de Ichiibar”, “Ichiibar? O mago de magia Branca?”, Duncan olhava de longe tentando descobrir quem eram as pessoas que estavam falando isso. –É verdade garoto? Você é aluno do famoso mago Ichiibar? – Perguntou um idoso que estava mais na frente do grupo de clientes amontoados na frente do balcão. – Duncan confirmou a pergunta do senhor, e instantaneamente as pessoas começaram a perguntar sobre onde estaria o mago Ichiibar, e uma parede de pessoas querendo saber sobre o famoso mago cercou Duncan sobre a porta pela qual ele havia entrado. A mãe de Dhastan veio por de trás do balcão para proteger Duncan daquela multidão de fãs que estavam quase o engolindo vivo, ela pegou um cabo de vassoura que estava encostada na pia da cozinha e começou a balança-la no alto de um lado a outro fazendo barulhos estranhos com os lábios. Devagar, as pessoas começavam a se afastar deles dois, e a maioria deles estava saindo da estalagem. Dhastan assistia tudo por de cima da escada. Mais da metade dos clientes já havia saído do estabelecimento, a mãe de Dhastan em seu estado de fúria aplicou um golpe no balcão com a vassoura fazendo com que o rádio travado voltasse a funcionar, e os clientes que não haviam saído da estalagem voltaram para suas respectivas mesas, agindo como se nada tivesse ocorrido. –Você está bem garoto? – A mãe de Dhastan perguntou. –Sim... Eu acho... – Duncan respondeu perplexo. –Tá vendo aí? É por isso que eu nunca a desobedeço diretamente. – Dhastan riu de lá de cima vendo a cara de bobo de Duncan. A mãe de Dhastan chamou o cozinheiro Grate para ficar no balcão, e levou Dhastan e Duncan para uma pequena sala no andar de cima, havia um grande corredor, Dhastan seguiu direto para o fim dele, para colocar a pedra na água conforme as ordens de sua mãe. A mãe de Dhastan, por sua vez, agarrou Duncan pelos ombros e o conduziu até a escada seguindo pela mesma direção que Dhastan havia ido. Duncan tentava contornar educadamente dizendo que já estava de saída e que precisava ir embora, mas a eufórica senhora ignorou completamente suas palavras, Duncan continuou dizendo que precisava ir, e quando finalmente a mãe de Dhastan respondeu algo mudou de assunto completamente: –É verdade isso? – Ela perguntou enquanto continuavam a andar. –O quê? Sobre eu ser aluno de Ichiibar? –Duncan perguntou apontando para si mesmo. –É! Você é mesmo aprendiz dele? – Ela voltou a questiona-lo intrigada até que eles chegaram a outro quarto humilde do andar de cima onde Dhastan estava sentado em um banco, e seu braço machucado já estava coberto com um pano que ele usava para tapar o ferimento, a estalagem da cobiça deveria ser uma espécie de pensão para viajantes. –Sim. Eu realmente sou o aluno do mago Ichiibar. – Duncan afirmou pelo que deveria ser a terceira vez. – Algum problema? –Tá vendo mãe, Duncan é perfeito! –Dhastan exclamava. – Ele pode ir lá tranquilamente! –Calma Dhastan! – Ela gritava tremendo seus braços pelancudos. –Lá aonde? Do que ele está falando? –Duncan perguntou franzindo a testa. A mãe de Dhastan fechou os olhos e fez um aceno com a mão indicando silêncio para seu filho, como ele temia os momentos em que sua mãe perdia a cabeça e ficava nervosa, pôs a cadeira no canto da parede e ficou quieto. –Eu explicarei tudo... – Dizia a mãe dele um pouco mais concentrada. – Preciso que você vá até a cabana da madame Neustâcia em Eldora. –Eldora? Isso é mais ou menos um dia de caminhada daqui não é? – Duncan perguntou assustado. –Sim, fica depois do vale dos pinheiros ao norte. – Dhastan explicou. A mãe de Dhastan olhou grossamente para ele, com o intuito de que ele a deixasse explicar a situação sem interrupções. –Mas eu não entendo o que eu devo fazer em Eldora, e o que falar com alguém chamada Neustâcia... – Duncan se perguntava confuso. –Bem... É que Neustâcia precisa te explicar algo... – A mãe de Dhastan dizia, mais ainda deixava muitas dúvidas. – Ela ainda tem certas coisas para conversar com Ichiibar, esperamos que você pudesse enviar esta mensagem a ele. –Tá! – Duncan disse revirando os olhos. – Mas o quê esta tal mulher vai me explicar? Não é nada que vocês possam me dizer agora? –Nós dois não temos muita certeza dos fatos. – A mãe de Dhastan acoplou seu filho na conversa. – Isso tem a ver com um recado que Neustâcia precisa dar para Ichiibar. Duncan se calou, olhou para baixo de maneira fixa tentando esconder seu rosto, permanecendo assim por alguns minutos e ainda olhando para baixo miou uma desculpa para a mãe de Dhastan: –Não tem nada que essa pessoa possa falar com o meu mestre... pois Ichiibar está... Dhastan se debatia para não responder as perguntas de Duncan. –Não tem nada a ver com você, isso diz respeito a uma relação antiga, entre seu mestre e madame Neustâcia! – Dhastan exclamou. –Do que está falando? Por acaso meu mestre tinha algum problema com o povo Loghaar? – Duncan continuava a perguntar, erguendo a cabeça. Dhastan se levantou num salto dizendo para sua mãe que era inútil tentar explicar a Duncan. Ele trocou olhares indispostos com o garoto e a senhora que o havia abordado, até que ele finalmente perdeu a cabeça e gritou procurando saber o que estava acontecendo: –Mas que diabos está acontecendo aqui?! –Não adianta falar mãe, somente Neustâcia pode fazer com que ele entenda... –Dhastan ignorou a pergunta de Duncan quase como se eles não estivessem no mesmo quarto. A mãe de Dhastan estava visivelmente preocupada, ela esfregava a mão em seus cabelos constantemente, e olhava para os dois de maneira tensa. Dhastan sabia que sua ela esperava o grande mago Ichiibar há muitos anos, entretanto, no momento somente o seu aprendiz estava disponível: –Então que seja... – Ela resmungou calmamente. Os dois outros levantaram as orelhas e prestaram atenção no que a mãe de Duncan iria dizer, pois essas eram as palavras que Dhastan tanto esperava... –Preste atenção garoto! – A senhora gritou apontando sua mão lambuzada da sujeira da cozinha para o rosto de Duncan. – Meu filho vai te levar até a pequena cabana da Senhora Neustâcia em Eldora. Duncan finalmente presenciara a mãe de Dhastan em seu estado de fúria, ela continuava ditando as regras do que deveria ser feito para Duncan e Dhastan: –Já são três horas da tarde, significa que vocês só chegarão lá amanhã de manhã, isso se andarem o tempo todo sem se desviar do caminho! – Ela explicava nervosa, e assim continuou por pelo menos dez minutos, dizendo o que deveria, e o que não deveria ser feito por eles. Com o decorrer da conversa, a mãe de Dhastan disse coisas que já se tornaram um padrão a ser dito pelas mães de todo país, coisas como “Não durma muito tarde!”, “Não se meta em encrencas!” e etc... Além disso, citou também pedidos exclusivos que só a mãe de Dhastan fazia para ele quando se distanciavam: “Não vai comer pedra nem insetos de novo, hein!”, “Se for nadar, tente não prender a cueca nas algas marinhas!”, e “não fique implicando com os guardas do magistério!”. Depois de dizer tudo que devia, a mãe de Dhastan pôs a mão na cabeça mais uma vez e anunciou que havia terminado. –Vamos... – Dhastan chamou Duncan para fora do quarto sem ver a hora de finalmente poder partir em uma aventura de verdade. Ambos foram de volta para o primeiro andar da estalagem, onde as coisas já estavam bem mais calmas. Enquanto Duncan desceu as escadas junto de Dhastan e sua mãe, os clientes que comiam e bebiam silenciosamente voltaram a cochichar sobre o famoso aprendiz de Ichiibar que novamente poderia dar o ar de sua presença ao público, dessa vez eles conversavam com muito mais elegância, não circundavam Duncan como fizeram anteriormente e maneiravam nas suas espiadas que seriam o mais discretas o possível. O cozinheiro que havia assumido o balcão parecia tão cansado quanto a mãe de Dhastan estava minutos atrás, ele pedia para que ela voltasse ao cargo e a preocupada senhora foi obrigada a se despedir rapidamente de Dhastan com um abraço apertado: –Se comporte hein! – Ela ordenou. Dhastan não respondeu nada por uns trinta segundos -tempo no qual sua mãe havia o abraçado- e quando o soltou foi obrigada a voltar diretamente para o trabalho. Duncan havia observado tudo sem falar nada, e quando os dois acabaram Dhastan correu para a porta gritando para Duncan, que ainda estava no balcão, para irem que fossem embora depressa. Fora da estalagem, Duncan podia perceber que a parte norte da cidade Modnar era bem diferente da parte sul -que era por onde Duncan e Dhastan haviam entrado-, não havia mais tantas lojas de armas e itens como na outra extremidade da cidade, possivelmente, as lojas ficavam no início para poder suprir mas rapidamente os viajantes que chegavam da alfândega. O resto do caminho era apenas das casas dos moradores. Duncan sabia sair da cidade até o vale dos pinheiros do norte fora da cidade, mas depois dali, quem deveria assumir o caminho era o inquieto Dhastan, que não se cansava de dizer o quão feliz estava por sair em uma aventura com o aprendiz de Ichiibar: –Ei, talvez eu precise de uma arma para me proteger, se formos atacados eu terei de lutar! – Ele se justificava, pois Dhastan nunca tinha pego em outra arma que não fosse a pequena adaga que sua mãe lhe emprestava de vez em quando. –Ninguém vai nós atacar, Dhastan... Mesmo se isso acontecer eu poderei dar conta de todos sozinho. – Duncan afirmou tentando cortar o ar alegre que Dhastan exibia. –Caramba, você deve ser muito forte!! –Dhastan imaginava enfaticamente. – Aposto que Ichiibar te ensinou pelo menos mil feitiços superpoderosos não é mesmo, Duncan? –Talvez um ou dois... mas nada de muito especial. – Duncan respondia enquanto caminhava, sem se importar muito pelo fato de ter sido aluno de um dos maiores magos do país, senão, de todo mundo! –Se eu soubesse tantos feitiços quanto você nenhum escorpião idiota iria me machucar! E eu ajudaria mais minha mãe nos serviços de casa, e ela não teria de trabalhar tanto! – Dhastan reproduzia como uma metralhadora de palavras, e essas últimas chamavam a atenção de Duncan, pois qualquer outra criança pequena na mesma idade de Dhastan iria responder que só precisaria de poder para obter força bruta e espiritual, foi interessante ver um jovem que se esforçasse para ajudar a própria família. Duncan nunca foi do tipo muito sentimentalista, ele não gostava de deixar as pessoas saberem o que ele pensava. Mas ele estava se identificando com Dhastan, nem ele mesmo sabia o porquê, talvez ele se lembrasse dele mesmo quando ainda não tinha o seu mestre para ensina-lo, talvez fosse o olhar infantil que ele exibia, não dá para se dizer ao certo. Mas tudo acontecia de tal maneira que Duncan acabava se divertindo enquanto conversava com o garoto. Dhastan ficou imaginado por alguns minutos como seria ter os poderes que o grande mago Ichiibar tem, depois ele desviou sua atenção para as possíveis batalhas para qual ele teria entrado, e as feras que ele havia enfrentado. Duncan aproveitou a deixa e ficou quieto, deixando o menino tagarelar até não se aguentar mais. Alguns minutos depois Duncan voltou a perguntar sobre madame Neustâcia e sobre o que ela precisava falar com ele, pois ele sabia que tinha um objetivo a cumprir e não podia se desviar de seu curso. –Poxa, você é meio lerdo hein... – Dhastan disse com o ar mais natural do mundo. – Não tá na cara? O seu mestre Ichiibar teve um caso com madame Neustâcia! Duncan se assustou ao ouvir as palavras que Dhastan havia pronunciado, não só as palavras, mas também a naturalidade com que eles as havia dito. Eles viraram uma rua cuja qual já era possível ver um portão de ferro aberto no fundo, este portão era aquele que dava fim a cidade. – Um caso?! – Duncan repetiu fazendo voz de criança para imitar Dhastan. – Garoto, tem noção do que você está falando? –Neustâcia é uma velha amiga da família Loghaar, por isso sempre que ela se encontrava com seu mestre Ichiibar, ela vinha se confidenciar com minha mãe lá em casa –Dhastan explicou para Duncan – Ela já falou sobre você algumas vezes... Mas nunca entrou em detalhes. Duncan finalmente percebeu que aquele menino não era tão infantil como aparentava, o modo como eles podiam conversar, como se estivesse falando com uma pessoa da mesma idade, tudo dava a entender que Dhastan já conhecia Duncan, mesmo que fosse apenas de longe... –Provavelmente Neustâcia vai te dar algum pedido, ou presente que ela queria dar para Ichiibar, mas não pode dar pois ele não está aqui. – Dhastan afirmou, mesmo que não tivesse certeza. –Provavelmente? – Duncan questionou. – Significa que você não tem certeza? –Como eu vou saber? Faz anos que não vou lá! – Esclareceu o garoto. – Quem beijava Ichiibar era ela, não eu. Antes que Duncan pudesse contornar o comentário desrespeitoso feito pelo menino, eles perceberam que já haviam saído da cidade e que a partir dali era território selvagem, onde as bestas vermelhas poderiam os atacar a qualquer momento. –E o quê faremos agora? – Dhastan perguntou ansioso batendo palmas como uma foca adestrada. – Vai me dar uma arma? –Vamos continuar. Existe um curto pedaço de terras do fim da cidade Modnar -local onde Duncan e Dhastan estavam- e até o início do vale dos pinheiros do norte, se chegarmos até o vale, estaremos bem mais protegidos do que agora. Dhastan escutava tudo com muita atenção, ele queria perguntar por que eles estariam mais protegidos quando chegassem ao vale, queria saber o quê aquele lugar tinha de especial... Mas decidiu continuar quieto para não mostrar dúvidas para Duncan. –Até chegarmos ao vale é melhor ficar perto de mim, e evitar falar muito... Entendido? – Duncan perguntou com seu olhar sério. –Pode deixar! – Bradou o garoto batendo no próprio peito. Pela primeira vez Duncan estava vendo Dhastan ficar quieto e obediente, eles caminhavam por um caminho em meio ao matagal rumo ao vale do norte, Dhastan estava escondido atrás de Duncan que seguia sem medo algum. –Dhastan... – Duncan o chamou, quebrando a regra que ele havia imposto em relação a não falar durante a viagem. – Eu vi que você carregava uma pedra na sua cintura com ajuda de uma faixa vermelha, não é verdade? –É sim... – Dhastan sussurrava com medo. –Você foi até o deserto atrás daquela pedra, pois nela existem restos de minérios de ferro encravados nela, estou certo? Duncan deduziu. – Considerando que sua mãe pediu para que você colasse a pedra em um balde cheio d’agua, a pedra possuía junto de si alguns minérios valiosos não é mesmo? Duncan já sabia sobre as pedras minéricas, pois em certa ocasião, Duncan estava com Ichiibar e eles passaram por uma fenda rochosa, onde as pedras eram recoberta de tais materiais, foi aí que Duncan ficou sabendo sobre isso. –É verdade, eu acho que mesmo depois de muitos anos a família Loghaar ainda faz jus ao nome de a família da cobiça – Dhastan respondeu um pouco mais tranquilo. Depois de ter sua dúvida retirada, Duncan voltou ao silêncio que deveria ser mantido uma vez que estavam fora da cidade, o matagal que eles atravessavam ia encurtando até que após alguns minutos, o mato havia se transformado em uma camada de grama percorrendo todo o chão a fora.
Capítulo Dois
O aluno de Ichiibar.
As palavras ditas por Dhastan fizeram com que a mãe dele desse uma pausa instantânea, assim como todos os clientes baforados que se amontoavam no balcão pararam e olhavam para Duncan com caras de idiotas, Duncan também ficou encarando com um sorriso sem graça todos aqueles que o olhavam com certa admiração. O rádio travara de vez, e com isso o silêncio tomou conta do local. Alguns dos clientes que estavam sentados em mesas ao fundo da loja cochichavam o nome do mago Ichiibar com tom de dúvida? “Ele é mesmo aluno de Ichiibar”, “Ichiibar? O mago de magia Branca?”, Duncan olhava de longe tentando descobrir quem eram as pessoas que estavam falando isso.
–É verdade garoto? Você é aluno do famoso mago Ichiibar? – Perguntou um idoso que estava mais na frente do grupo de clientes amontoados na frente do balcão. – Duncan confirmou a pergunta do senhor, e instantaneamente as pessoas começaram a perguntar sobre onde estaria o mago Ichiibar, e uma parede de pessoas querendo saber sobre o famoso mago cercou Duncan sobre a porta pela qual ele havia entrado.
A mãe de Dhastan veio por de trás do balcão para proteger Duncan daquela multidão de fãs que estavam quase o engolindo vivo, ela pegou um cabo de vassoura que estava encostada na pia da cozinha e começou a balança-la no alto de um lado a outro fazendo barulhos estranhos com os lábios. Devagar, as pessoas começavam a se afastar deles dois, e a maioria deles estava saindo da estalagem. Dhastan assistia tudo por de cima da escada.
Mais da metade dos clientes já havia saído do estabelecimento, a mãe de Dhastan em seu estado de fúria aplicou um golpe no balcão com a vassoura fazendo com que o rádio travado voltasse a funcionar, e os clientes que não haviam saído da estalagem voltaram para suas respectivas mesas, agindo como se nada tivesse ocorrido.
–Você está bem garoto? – A mãe de Dhastan perguntou.
–Sim... Eu acho... – Duncan respondeu perplexo.
–Tá vendo aí? É por isso que eu nunca a desobedeço diretamente. – Dhastan riu de lá de cima vendo a cara de bobo de Duncan.
A mãe de Dhastan chamou o cozinheiro Grate para ficar no balcão, e levou Dhastan e Duncan para uma pequena sala no andar de cima, havia um grande corredor, Dhastan seguiu direto para o fim dele, para colocar a pedra na água conforme as ordens de sua mãe.
A mãe de Dhastan, por sua vez, agarrou Duncan pelos ombros e o conduziu até a escada seguindo pela mesma direção que Dhastan havia ido. Duncan tentava contornar educadamente dizendo que já estava de saída e que precisava ir embora, mas a eufórica senhora ignorou completamente suas palavras, Duncan continuou dizendo que precisava ir, e quando finalmente a mãe de Dhastan respondeu algo mudou de assunto completamente:
–É verdade isso? – Ela perguntou enquanto continuavam a andar.
–O quê? Sobre eu ser aluno de Ichiibar? –Duncan perguntou apontando para si mesmo.
–É! Você é mesmo aprendiz dele? – Ela voltou a questiona-lo intrigada até que eles chegaram a outro quarto humilde do andar de cima onde Dhastan estava sentado em um banco, e seu braço machucado já estava coberto com um pano que ele usava para tapar o ferimento, a estalagem da cobiça deveria ser uma espécie de pensão para viajantes.
–Sim. Eu realmente sou o aluno do mago Ichiibar. – Duncan afirmou pelo que deveria ser a terceira vez. – Algum problema?
–Tá vendo mãe, Duncan é perfeito! –Dhastan exclamava. – Ele pode ir lá tranquilamente!
–Calma Dhastan! – Ela gritava tremendo seus braços pelancudos.
–Lá aonde? Do que ele está falando? –Duncan perguntou franzindo a testa.
A mãe de Dhastan fechou os olhos e fez um aceno com a mão indicando silêncio para seu filho, como ele temia os momentos em que sua mãe perdia a cabeça e ficava nervosa, pôs a cadeira no canto da parede e ficou quieto.
–Eu explicarei tudo... – Dizia a mãe dele um pouco mais concentrada. – Preciso que você vá até a cabana da madame Neustâcia em Eldora.
–Eldora? Isso é mais ou menos um dia de caminhada daqui não é? – Duncan perguntou assustado.
–Sim, fica depois do vale dos pinheiros ao norte. – Dhastan explicou.
A mãe de Dhastan olhou grossamente para ele, com o intuito de que ele a deixasse explicar a situação sem interrupções.
–Mas eu não entendo o que eu devo fazer em Eldora, e o que falar com alguém chamada Neustâcia... – Duncan se perguntava confuso.
–Bem... É que Neustâcia precisa te explicar algo... – A mãe de Dhastan dizia, mais ainda deixava muitas dúvidas. – Ela ainda tem certas coisas para conversar com Ichiibar, esperamos que você pudesse enviar esta mensagem a ele.
–Tá! – Duncan disse revirando os olhos. – Mas o quê esta tal mulher vai me explicar? Não é nada que vocês possam me dizer agora?
–Nós dois não temos muita certeza dos fatos. – A mãe de Dhastan acoplou seu filho na conversa. – Isso tem a ver com um recado que Neustâcia precisa dar para Ichiibar.
Duncan se calou, olhou para baixo de maneira fixa tentando esconder seu rosto, permanecendo assim por alguns minutos e ainda olhando para baixo miou uma desculpa para a mãe de Dhastan:
–Não tem nada que essa pessoa possa falar com o meu mestre... pois Ichiibar está...
Dhastan se debatia para não responder as perguntas de Duncan.
–Não tem nada a ver com você, isso diz respeito a uma relação antiga, entre seu mestre e madame Neustâcia! – Dhastan exclamou.
–Do que está falando? Por acaso meu mestre tinha algum problema com o povo Loghaar? – Duncan continuava a perguntar, erguendo a cabeça.
Dhastan se levantou num salto dizendo para sua mãe que era inútil tentar explicar a Duncan. Ele trocou olhares indispostos com o garoto e a senhora que o havia abordado, até que ele finalmente perdeu a cabeça e gritou procurando saber o que estava acontecendo:
–Mas que diabos está acontecendo aqui?!
–Não adianta falar mãe, somente Neustâcia pode fazer com que ele entenda... –Dhastan ignorou a pergunta de Duncan quase como se eles não estivessem no mesmo quarto.
A mãe de Dhastan estava visivelmente preocupada, ela esfregava a mão em seus cabelos constantemente, e olhava para os dois de maneira tensa. Dhastan sabia que sua ela esperava o grande mago Ichiibar há muitos anos, entretanto, no momento somente o seu aprendiz estava disponível:
–Então que seja... – Ela resmungou calmamente. Os dois outros levantaram as orelhas e prestaram atenção no que a mãe de Duncan iria dizer, pois essas eram as palavras que Dhastan tanto esperava...
–Preste atenção garoto! – A senhora gritou apontando sua mão lambuzada da sujeira da cozinha para o rosto de Duncan. – Meu filho vai te levar até a pequena cabana da Senhora Neustâcia em Eldora.
Duncan finalmente presenciara a mãe de Dhastan em seu estado de fúria, ela continuava ditando as regras do que deveria ser feito para Duncan e Dhastan:
–Já são três horas da tarde, significa que vocês só chegarão lá amanhã de manhã, isso se andarem o tempo todo sem se desviar do caminho! – Ela explicava nervosa, e assim continuou por pelo menos dez minutos, dizendo o que deveria, e o que não deveria ser feito por eles.
Com o decorrer da conversa, a mãe de Dhastan disse coisas que já se tornaram um padrão a ser dito pelas mães de todo país, coisas como “Não durma muito tarde!”, “Não se meta em encrencas!” e etc... Além disso, citou também pedidos exclusivos que só a mãe de Dhastan fazia para ele quando se distanciavam: “Não vai comer pedra nem insetos de novo, hein!”, “Se for nadar, tente não prender a cueca nas algas marinhas!”, e “não fique implicando com os guardas do magistério!”.
Depois de dizer tudo que devia, a mãe de Dhastan pôs a mão na cabeça mais uma vez e anunciou que havia terminado.
–Vamos... – Dhastan chamou Duncan para fora do quarto sem ver a hora de finalmente poder partir em uma aventura de verdade. Ambos foram de volta para o primeiro andar da estalagem, onde as coisas já estavam bem mais calmas.
Enquanto Duncan desceu as escadas junto de Dhastan e sua mãe, os clientes que comiam e bebiam silenciosamente voltaram a cochichar sobre o famoso aprendiz de Ichiibar que novamente poderia dar o ar de sua presença ao público, dessa vez eles conversavam com muito mais elegância, não circundavam Duncan como fizeram anteriormente e maneiravam nas suas espiadas que seriam o mais discretas o possível. O cozinheiro que havia assumido o balcão parecia tão cansado quanto a mãe de Dhastan estava minutos atrás, ele pedia para que ela voltasse ao cargo e a preocupada senhora foi obrigada a se despedir rapidamente de Dhastan com um abraço apertado:
–Se comporte hein! – Ela ordenou.
Dhastan não respondeu nada por uns trinta segundos -tempo no qual sua mãe havia o abraçado- e quando o soltou foi obrigada a voltar diretamente para o trabalho. Duncan havia observado tudo sem falar nada, e quando os dois acabaram Dhastan correu para a porta gritando para Duncan, que ainda estava no balcão, para irem que fossem embora depressa.
Fora da estalagem, Duncan podia perceber que a parte norte da cidade Modnar era bem diferente da parte sul -que era por onde Duncan e Dhastan haviam entrado-, não havia mais tantas lojas de armas e itens como na outra extremidade da cidade, possivelmente, as lojas ficavam no início para poder suprir mas rapidamente os viajantes que chegavam da alfândega. O resto do caminho era apenas das casas dos moradores.
Duncan sabia sair da cidade até o vale dos pinheiros do norte fora da cidade, mas depois dali, quem deveria assumir o caminho era o inquieto Dhastan, que não se cansava de dizer o quão feliz estava por sair em uma aventura com o aprendiz de Ichiibar:
–Ei, talvez eu precise de uma arma para me proteger, se formos atacados eu terei de lutar! – Ele se justificava, pois Dhastan nunca tinha pego em outra arma que não fosse a pequena adaga que sua mãe lhe emprestava de vez em quando.
–Ninguém vai nós atacar, Dhastan... Mesmo se isso acontecer eu poderei dar conta de todos sozinho. – Duncan afirmou tentando cortar o ar alegre que Dhastan exibia.
–Caramba, você deve ser muito forte!! –Dhastan imaginava enfaticamente. – Aposto que Ichiibar te ensinou pelo menos mil feitiços superpoderosos não é mesmo, Duncan?
–Talvez um ou dois... mas nada de muito especial. – Duncan respondia enquanto caminhava, sem se importar muito pelo fato de ter sido aluno de um dos maiores magos do país, senão, de todo mundo!
–Se eu soubesse tantos feitiços quanto você nenhum escorpião idiota iria me machucar! E eu ajudaria mais minha mãe nos serviços de casa, e ela não teria de trabalhar tanto! – Dhastan reproduzia como uma metralhadora de palavras, e essas últimas chamavam a atenção de Duncan, pois qualquer outra criança pequena na mesma idade de Dhastan iria responder que só precisaria de poder para obter força bruta e espiritual, foi interessante ver um jovem que se esforçasse para ajudar a própria família.
Duncan nunca foi do tipo muito sentimentalista, ele não gostava de deixar as pessoas saberem o que ele pensava. Mas ele estava se identificando com Dhastan, nem ele mesmo sabia o porquê, talvez ele se lembrasse dele mesmo quando ainda não tinha o seu mestre para ensina-lo, talvez fosse o olhar infantil que ele exibia, não dá para se dizer ao certo. Mas tudo acontecia de tal maneira que Duncan acabava se divertindo enquanto conversava com o garoto.
Dhastan ficou imaginado por alguns minutos como seria ter os poderes que o grande mago Ichiibar tem, depois ele desviou sua atenção para as possíveis batalhas para qual ele teria entrado, e as feras que ele havia enfrentado. Duncan aproveitou a deixa e ficou quieto, deixando o menino tagarelar até não se aguentar mais.
Alguns minutos depois Duncan voltou a perguntar sobre madame Neustâcia e sobre o que ela precisava falar com ele, pois ele sabia que tinha um objetivo a cumprir e não podia se desviar de seu curso.
–Poxa, você é meio lerdo hein... – Dhastan disse com o ar mais natural do mundo. – Não tá na cara? O seu mestre Ichiibar teve um caso com madame Neustâcia!
Duncan se assustou ao ouvir as palavras que Dhastan havia pronunciado, não só as palavras, mas também a naturalidade com que eles as havia dito. Eles viraram uma rua cuja qual já era possível ver um portão de ferro aberto no fundo, este portão era aquele que dava fim a cidade.
– Um caso?! – Duncan repetiu fazendo voz de criança para imitar Dhastan. – Garoto, tem noção do que você está falando?
–Neustâcia é uma velha amiga da família Loghaar, por isso sempre que ela se encontrava com seu mestre Ichiibar, ela vinha se confidenciar com minha mãe lá em casa –Dhastan explicou para Duncan – Ela já falou sobre você algumas vezes... Mas nunca entrou em detalhes.
Duncan finalmente percebeu que aquele menino não era tão infantil como aparentava, o modo como eles podiam conversar, como se estivesse falando com uma pessoa da mesma idade, tudo dava a entender que Dhastan já conhecia Duncan, mesmo que fosse apenas de longe...
–Provavelmente Neustâcia vai te dar algum pedido, ou presente que ela queria dar para Ichiibar, mas não pode dar pois ele não está aqui. – Dhastan afirmou, mesmo que não tivesse certeza.
–Provavelmente? – Duncan questionou. – Significa que você não tem certeza?
–Como eu vou saber? Faz anos que não vou lá! – Esclareceu o garoto. – Quem beijava Ichiibar era ela, não eu.
Antes que Duncan pudesse contornar o comentário desrespeitoso feito pelo menino, eles perceberam que já haviam saído da cidade e que a partir dali era território selvagem, onde as bestas vermelhas poderiam os atacar a qualquer momento.
–E o quê faremos agora? – Dhastan perguntou ansioso batendo palmas como uma foca adestrada. – Vai me dar uma arma?
–Vamos continuar. Existe um curto pedaço de terras do fim da cidade Modnar -local onde Duncan e Dhastan estavam- e até o início do vale dos pinheiros do norte, se chegarmos até o vale, estaremos bem mais protegidos do que agora.
Dhastan escutava tudo com muita atenção, ele queria perguntar por que eles estariam mais protegidos quando chegassem ao vale, queria saber o quê aquele lugar tinha de especial... Mas decidiu continuar quieto para não mostrar dúvidas para Duncan.
–Até chegarmos ao vale é melhor ficar perto de mim, e evitar falar muito... Entendido? – Duncan perguntou com seu olhar sério.
–Pode deixar! – Bradou o garoto batendo no próprio peito.
Pela primeira vez Duncan estava vendo Dhastan ficar quieto e obediente, eles caminhavam por um caminho em meio ao matagal rumo ao vale do norte, Dhastan estava escondido atrás de Duncan que seguia sem medo algum.
–Dhastan... – Duncan o chamou, quebrando a regra que ele havia imposto em relação a não falar durante a viagem. – Eu vi que você carregava uma pedra na sua cintura com ajuda de uma faixa vermelha, não é verdade?
–É sim... – Dhastan sussurrava com medo.
–Você foi até o deserto atrás daquela pedra, pois nela existem restos de minérios de ferro encravados nela, estou certo? Duncan deduziu. – Considerando que sua mãe pediu para que você colasse a pedra em um balde cheio d’agua, a pedra possuía junto de si alguns minérios valiosos não é mesmo?
Duncan já sabia sobre as pedras minéricas, pois em certa ocasião, Duncan estava com Ichiibar e eles passaram por uma fenda rochosa, onde as pedras eram recoberta de tais materiais, foi aí que Duncan ficou sabendo sobre isso.
–É verdade, eu acho que mesmo depois de muitos anos a família Loghaar ainda faz jus ao nome de a família da cobiça – Dhastan respondeu um pouco mais tranquilo.
Depois de ter sua dúvida retirada, Duncan voltou ao silêncio que deveria ser mantido uma vez que estavam fora da cidade, o matagal que eles atravessavam ia encurtando até que após alguns minutos, o mato havia se transformado em uma camada de grama percorrendo todo o chão a fora.
Notas finais
Por favor comentem minha história! Tenho vontade de saber a opinião dos leitores!
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