A Menina da Lua

19 ➷ Lidando com Sentimentos ➷


Notas iniciais
Boa Leitura ♥ ➷

Levanto-me com cuidado para não acordar Christian e as crianças. Foi tão tranquilo a noite toda, as crianças ficaram agarradinhas a ele e sequer fizeram barulho ou acordaram para mamar, tudo correu de forma perfeita. Arrasto-me para o banheiro e me arrumo, mas não posso trocar de roupa, estou usando uma camisa de Christian e todas as minhas roupas estão lá em cima.

Volto ao quarto e passo por eles que continuam dormindo tranquilamente. Quando chego a sala sinto meu coração disparar ao ver meu padrinho e Vitória se beijando. Taylor está apenas de cueca e Vitória usando uma camisa que eu imagino que seja dele.

Meu Deus! Eles dormiram juntos?

— Vitória?

Ela se vira apavorada e me encara assim como Taylor, ambos com desespero.

— Ana... — Diz nervosamente

— Eu não quero saber. — Sussurro. — Padrinho, vá vestir algo, Christian não vai gostar de te ver assim, nem você, Vitória.

Taylor suspira e puxa Vitória para um abraço antes de deixar a sala, ela me encara e não consigo conter um sorriso, eu apenas reviro os olhos.

— Como foi? — Pergunto e ela sorri amplamente.

— Maravilhoso. — Diz baixinho. — Ele é...

— Meu padrinho.

— E Christian meu irmão. — Fala rindo. — Taylor é incrível... eu acho que estou apaixonada por ele.

Arregalo os olhos surpresa, mas prefiro não comentar, eu só espero que Taylor não a machuque.

— Eu acho melhor nós irmos acordar as meninas. Onde elas estão?

— Eu não tenho a menor ideia. Vamos procurar.

— Eu tenho medo do que vamos encontrar.

Vitória gargalha, mas se aproxima segurando meu braço, nós subimos as escadas e começamos a olhar os quartos. Tranco a primeira porta assim que abro e vejo Millie sentada nua na cama e Sawyer se vestindo.

— Achei a Millie. — Sussurro com pavor. — E o Sawyer.

— Não! — Vitória grita rindo. — Eu preciso ver.

— Você não vai querer ver isso.

Puxo-a para a porta ao lado e dessa vez deixo Vitória abrir, ela solta um grito e bate à porta.

— O que? — Pergunto preocupada.

— Mia... Ethan... não! — Vitória grita cobrindo os rostos. — Eles estavam... ah, eu quero morrer!

— Você e Taylor, Millie e Sawyer, Mia e Ethan...

— Kate! — Gritamos juntas.

Corremos para a próxima porta e a abrimos sem pensar, mas somos tomadas pela surpresa ao encontrar apenas Kate no quarto. Ela está sentada em frente ao espelho ajeitando seus cabelos.

— Bom dia para vocês. — Kate diz nos olhando. — Que caras são essas? Espera, de quem são essas camisas? NÃO, não me digam, por favor.

— Nós pensamos que vocês estivesse com Elliot. — Vitória diz confusa.

— Elliot? Ficou maluca? De onde vocês tiram isso?

— Vitória E Taylor... Millie e Sawyer.

— Não diga Mia e Ethan. — Kate implora e eu balanço a cabeça. — Meu Deus! Não.

— Nós achamos que ele tinha te feito companhia durante a noite. — Digo encolhendo os ombros.

— Elliot e eu? Jura? Por favor, nunca. Eu odeio aquele babaca.

— Ok... nós vamos deixar você se arrumado.

Saio do quarto com Vitória sem acreditar muito em Kate, mas então vejo Elliot saindo de um dos quartos com uma mulher. Vitória me encara surpresa e suspira. Acho que Kate realmente estava falando a verdade, mas que cara babaca!

— Bom dia. — Elliot diz passando por nós com a mulher que apenas sorri.

— Acho que ele não precisou de mim.

Viramos assustada e vemos Kate parada na porta do quarto, ela dá de ombros e se aproxima. Não dizemos mais nada, apenas vamos até meu quarto onde Vitória e Kate pegam roupas minhas emprestadas, visto-me também e separo uma roupa para as crianças.

Quando saímos do quarto encontramos Millie e Mia conversando no corredor.

— Bom dia, meninas. — Sussurro dando um sorriso malicioso. — Eu deixei uma roupa para vocês em cima da cama, se arrumem e descem para o café... depois eu quero saber de tudo.

— Ok. — Dizem rindo.

Chego a sala com Vitória e Kate e sorrimos ao ver as crianças sentadas em frente ao sofá brincando com Christian e Elliot, mas o sorriso de Kate é o primeiro a se desfazer ao ver a mulher ainda aqui brincando com Nick e Alex, então, vagamente me pergunto se Kate está sentindo algo por Elliot.

— Kate. — Nick grita e corre para Kate.

— Kate. Kate. — Alex grita vindo para os braços dela.

Deixo-a com os gêmeos e vou com Vitória me sentar ao lado de Christian. Celi pede os braços dela sem pensar duas vezes e Lilly corre para os meus braços.

— Bom dia. — Sussurro dando um beijinho na ponta do seu nariz.

— Bom dia.

— Seus filhos são tão adoráveis. — A mulher sussurra e eu arregalo os olhos.

— Na verdade...

Fico com a boca aberta por alguns segundos e encaro Kate, então não consigo resistir.

— Elas duas são minhas, os meninos são da Kate. — Digo e Vitória deixa um riso escapar.

— Vocês parecem tão novas.

— Ah, por favor, aparências enganam. — Kate diz forçando um sorriso.

— Eu te amo, mamãe. — Nick diz rindo e abraça Kate.

— Te amo, mamãe. — Alex repete beijando-a também. — Minha mamãe.

Vejo pelo canto do olho Elliot olhar sorrindo para Kate enquanto os gêmeos a enchem de beijo.

— Mamãe, eu quero mamá. — Lilly diz e eu gargalho.

— Se vocês nos dão licença, nós temos que amamentar.

Levanto-me rindo e agarro Lilly pela cintura, Vitória também se levanta com Celi e, com Kate e os gêmeos, vamos para a cozinha. Assim que entramos até as crianças começam a rir. Kate senta na cadeira e começa a beijar os meninos que estão gargalhando.

— O que acham? Gostaram de ser meus filhos? — Kate pergunta e eles balançam a cabeça. — A mamãe vai fazer um mamá bem gostoso para vocês.

— Essa mamãe aí não sabe fazer mamá. — Sussurro e eles gargalham. — Vocês já escovaram os dentes?

— Não! — Alex, Nick e Lilly gritam.

— Eu levo eles. — Kate diz rindo. — Eu vou ajuda-los com as roupas. Você faz os mamá, mamãe número dois.

— Eu também quero ser mãe. — Vitória diz rindo. — O que você acha, Celi?

Celi olha para Vitória por alguns segundos e sorri aproximando seu rosto do dela, mas eu começo a sentir algo estranho ao ver ela tão próxima de Celi e o pior, é que acho que estou começando a sentir ciúmes dos meus irmãos.

— Vocês já roubaram meus irmãos por tempo suficiente. — Digo cruzando os braços.

— Vamos, Vitória, antes que ela tome nossos filhos. — Kate diz e eu acabo rindo.

Elas saem da cozinha com as crianças e eu começo a preparar as mamadeiras. Sorrio quando braços fortes se envolve ao meu redor e ganho um beijo suave na nuca. Christian enfia seu rosto contra a curva do meu pescoço dando outro beijo.

— Bom dia, mamãe. — Diz e eu sorrio.

— Bom dia.

Viro-me para ele e lhe entrego a mamadeira o fazendo gargalhar.

— Feche a mamadeira, papai.

— Antes eu era um marido, agora sou pai. Estamos evoluindo bem rápido. — Fala e eu gargalho.

— Voltamos. — Lilly grita entrando na cozinha com os gêmeos.

Eles já estão vestidos e parecem famintos. Aproximo-me e coloco os três sentados em cima do balcão, eles me olham rindo e eu semicerro os olhos.

— Inspeção do bafinho. — Digo e os três abrem a boca.

Aproximo-me de Lilly e cheiro sua boca sentindo o cheirinho doce de pasta de tutti-frutti.

— Ok. — Digo indo para Alex e Nick. — Ok. E ok. Bafinhos aprovados.

— Obrigada, mamãe. — Lilly diz rindo. — Posso ter meu mamá agora?

— Aqui, docinho.

Christian se aproxima deles e entrega as três mamadeiras. Pego a de Celi e vou procura-la, mas paro completamente encantada ao encontrar Celi na sala nos braços de Kate, e Elliot está olhando para as duas atentamente. Aquela mulher já não está mais aqui.

O olhar de Elliot está preso sobre Kate enquanto ela brinca e canta fazendo Celi gargalhar... por alguns segundos fico curiosa sobre tudo o que ele está pensando, o olhar que ele tem sobre ela é tão lindo.

— Ei. — Kate diz sorrindo e eu lhe encaro. — Ela está faminta.

Começo a rir ao ver Celi atacando o queixo de Kate com pequenas mordidas, aproximo-me e lhe entrego a mamadeira, então vou me sentar ao lado de Elliot.

— Você é um grande asno. — Digo sem desmanchar meu sorriso. — Não a encare como se ela fosse o centro do seu universo quando você passou a noite com outra mulher.

— Eu quis ficar com ela. — Elliot sussurra. — Mas ela sequer deixou eu me aproximar.

— É porque ela não é fácil como sua amiguinha, mas quer saber? Acho que Kate tem razão em não deixar você se aproximar. Você é realmente um caminhãozinho pequeno para o tanto de areia que ela é.

— Você não acha que está exagerando? Ela só tem 17, não se compara as mulheres que eu fico.

— Realmente, ela não se compara. — Levanto-me e lhe encaro. — É você que está olhando de boba estranha para ela, não ao contrário.

— Olha Ana, ela está sorrindo. — Kate diz com encanto.

Os olhos de Elliot brilham com a felicidade de Kate e eu arqueio uma sobrancelha para ele. Aproximo-me da minha amiga, começamos a brincar com Celi e Kate sequer nota os olhares de Elliot sobre ela, e eu acho que prefiro assim, talvez Kate esteja certa sobre se manter distante.

Não acho que Elliot seja o tipo de cara que queira algo sério.

As meninas chegam e Christian entra na sala com as outras três crianças, então novamente, o dia vira uma grande bagunça. Acho que gosto dessas bagunças.

Algumas Semanas Depois...

Sento-me em frente a bancada e começo a me servir enquanto observo Christian falar ao celular e mexer no computador ao mesmo tempo. Ele fica tão bonito quando está concentrado dessa forma, eu gosto tanto disso. De olhá-lo assim.

Sorrio e desvio o olhar quando ele me flagra. Ele coloca sua mão sobre a minha e aperta com cuidado me arrancando um sorriso, viro-me para levantar, mas Christian agarra minha cintura deixando-me presa entre suas pernas.

Ele está com Ross no telefone, mas isso não o impede de me dar vários beijos no pescoço me arrancando sorrisos ridículos.

— Eu preciso ir ver as crianças. — Murmuro tentando não sorrir. — Eles já devem ter acordado.

Christian suspira derrotado e me solta, mas quando vou passar por ele ganho uma palmada forte na bunda que me faz gritar em surpresa. Encaro-lhe e ele apenas pisca voltando sua atenção para o computador.

Reviro os olhos e vou para o andar de cima ver as crianças. Lilly já está sentada em frente ao espelho tentando amarrar seu tênis, sorrio um pouco abobalhada e vou até ela, ajoelho-me ao seu lado e puxo seu pé começando a fazer o laço.

— Muito obrigada! — Diz sorrindo e se levanta para vir me abraçar. — Bom dia.

— Bom dia. — Sussurro encarando seus olhos azuis. — Dormiu bem?

— Mais ou menos, dormir agarrada com a Vitória não é a melhor coisa do mundo.

— Onde ela está? — Pergunto rindo.

— Ela foi ajudar Nick e Alex no banho e Mia está vendo Celi.

— Parece que não sobrou muito para mim.

— Tem eu. Você pode cuidar de mim.

Sorrio e a puxo novamente para os meus braços recebendo um grande sorriso.

— Vamos, eu vou te dar café.

Sorrio em agradecimento quando Christian abre a porta do carro, então desço e ele bate à porta indo abrir a de Lilly. Seguramos as mãos de Lilly e vamos andando com ela até a sua sala, ela nos dá um beijo rápido e corre para perto dos seus amigos e eu vou embora com Christian.

— Estão todos olhando para você. — Christian diz chateado enquanto andamos. — Por que essa saia tem que ser tão curta?

— Não é a minha culpa. — Digo encolhendo os ombros. — Deixe isso para lá, ok?

— Não dá, não quando os garotos estão te comendo com os olhos.

— Christian, por favor, não vamos discutir sobre isso.

— Certo.

Ele solta a minha mão de forma ríspida e me encara por alguns segundos, depois encara os alunos em frente à escola.

— Eu venho mais tarde.

— Ok, eu vou esperar.

— Tenha um bom dia.

— Você também.

Encaro-o se aproximar, mas diferente do que pensava, ele não beija a minha boca, deposita apenas um beijo rápido na minha testa e vai em direção ao carro. Isso é uma droga. Já é difícil me acostumar a Christian sabendo que ele gosta de mim, então há todo seus ciúmes.

Talvez eu deva conversar com Flynn.

Respiro fundo e encaro ele entrar no carro e arrancar sem olhar para trás. Ele não deveria ficar bravo assim, eu não tenho culpa por esse uniforme, eu estou me comportando bem até, evito usar roupas curtas e faço tudo o que ele pede. Isso é ridículo, não faz sentindo isso ser parte do amor, e se for, é uma parte desagradável.

Ninguém nunca teve ciúmes de mim... ninguém nunca me amou...

Suspiro frustrada e vou em direção a escola. As meninas já estão na sala quando entro, mas eu não estou muito afim de conversar, apenas dou um sorriso fraco e vou me sentar na minha cadeira com mil pensamentos na cabeça.

Às vezes eu tenho a sensação de que Christian está me deixando fraca... como mamãe disse que o amor faz. Eu me pego pensando nele, precisando dele para muitas coisas e eu já não sei se gosto disso. Eu não gosto de ser uma garota fraca que precisa de alguém para tudo, mas Christian tem tomado posse de tudo o que eu faço.

Isso é tão confuso.

— Srta. Steele?

Levanto a cabeça assustada e vejo a professora parada na minha frente, toda a classe está olhando para mim.

— Sinto muito. — Sussurro e percebo o quanto estou suando.

— É melhor você ir até a enfermaria. — Diz com preocupação.

— Certo.

Encaro as meninas e me levanto sentindo minha cabeça girar um pouco, as quatro se levanta, mas eu suspiro e balanço a cabeça.

— Eu vou ficar bem. — Digo forçando um sorriso. — Só fiquem aqui.

Saio da sala o mais rápido que consigo e caminho pelos corredores da escola. Eles estão vazios e está tudo silencioso, mas dessa vez eu sinto medo, sinto medo como a diretora deve ter sentido quando a ataquei. Lágrimas desconhecidas começam a escorrer pelo meu rosto enquanto caminho em direção a enfermaria.

Paro no meio do caminho e encaro meu celular, chego a desbloquear, mas eu não consigo. Eu não posso ligar para Christian por estar sentindo medo, isso está fora de cogitação. Eu não posso me tornar essa garotinha fraca, não posso.

Não tenha medo, Elizabeth. Enxugo as lágrimas quando a voz de mamãe aparece em meus ouvidos. Eu não posso ter medo, ela me ensinou a não ter esse sentimento, ele não pode me invadir assim.

Ultrapasso as salas de aula e continuo no corredor até a enfermaria, mas paro assustada ao ver Fred aparecer no final do corredor.

Vamos, Anastásia, não há por que ter medo, você não é uma garotinha frágil.

Tomo folego e continuo andando, minha cabeça gira enquanto ele me olha.

Sou tomada por um arrepio quando chego perto de Fred, mas então mudo de ideia e me viro querendo ir para qualquer outro lugar. Meu coração dispara quando em viro e vejo Jack, José e Bradley parados atrás de mim. Eu não os ouvi.

Dou um passo para trás sendo tomada pelo medo, mas meu medo só se torna maior quando sinto os braços de Fred ao meu redor.

— Vamos brincar, Anastásia? — Sussurra em meu ouvido e as lágrimas começam a cair. — Eu vou provar a você que tem muito mais que sete centímetros.

Notas finais
♥ ♥ ♥