A Menina da Lua
30 Epílogo
Notas iniciais
Caminho com Kate por entre as pessoas, a música é alta, a luz baixa e de certa forma é tão aconchegante. Chegamos ao bar e nos sentamos em frente ao mesmo, Kate pede dois martinis e logo começamos a beber. É loucura, assim que conheci Kate nós decidimos que queríamos beber pela primeira vez, juntas.
Nós forjamos identidades com a ajuda do Ethan e ele nos trouxe para uma balada, depois nos abandonou. Foi o primeiro porre que eu tomei, então continuou, sempre que estávamos com problemas bebíamos e nos divertíamos tanto... acho que sinto falta disso.
— Por que você me trouxe aqui? — Pergunto rindo e ela gargalha.
Já estamos no quarto ou quinto martini e eu acho que ela está bem animada, ela se debruça um pouco e coloca o dedo em frente a boca.
— Eu precisava fazer, uma última vez antes de aceitar o pedido de Elliot.
— Kate, você não aceitou ainda?
— Não, eu precisava te ver antes.
— Por quê? — Pergunto acariciando seu rosto.
— Eu precisava de um último beijo.
Meu coração dispara e eu encaro Kate sem saber o que dizer... isso é loucura... nós sempre acabávamos bebendo demais e nos beijamos algumas vezes, mas nunca passou de uma brincadeira. Eu não entendo.
— Por quê? Nós éramos só duas crianças bêbadas.
— Eu me apaixonei por você. — Kate confessa baixinho e abaixa a cabeça.
— Kate. — Seguro seu queixo e faço ela me encarar. — O que?
— Desculpe, Ana... você era a única pessoa que me protegia, me fazia esquecer os problemas.
— Kate... eu...
— Eu não sinto mais o mesmo. — Ela diz sorrindo e meu coração se alivia. — Eu só queria um último beijo, para esquecer minha primeira paixão. Como nos velhos tempos.
Suspiro encaro Kate com pesar, nós nos divertíamos e eu não poderia imaginar que ela se apaixonaria por mim, mas beijá-la poderia trazer tudo isso à tona, e eu não quero isso. Beijá-la também significaria trair Christian e, isso é outra coisa que eu não quero.
— Eu sinto muito. — Sussurro e ela suspira. — Eu nunca poderia esperar que você se apaixonaria, mas eu não posso, Kate... eu estou com Christian e você deve aceitar o pedido de Elliot, ele adora você.
— Desculpe, Ana... eu não quis...
— Tudo bem, você não fez nada, é só que, eu acho que deve ficar como está. Nós éramos duas garotas bobas, as coisas mudaram. Christian...
— Elliot... — Diz sorrindo e seu olhar ganha um brilho. — Você tem razão, mas você não vai fugir, não é?
— É claro que não.
Pego as duas taças de martini e lhe entrego uma encostando a minha na sua.
— A nossa nova vida.
— A você e Christian.
— E você e Elliot. — Digo sorrindo.
Afasto e bebo o liquido encarando-a, mas me afasto surpresa quando alguém me prensa contra o balcão, olho assustada e vejo um cara me encarando com um maldito sorriso.
— Sozinha, gracinha?
— Sai fora! — Tento empurrá-lo, mas tudo o que faço é deixar a taça cair.
— Adora garotas desastradas.
— Me erra! Se afasta.
Ele apenas sorri e eu começo realmente a ficar com medo.
— Eu acho que a moça pediu para você se afastar.
A voz de Christian ecoa em meu ouvido e faz meu coração disparar. O homem apenas olha por cima do ombro e gargalha voltando a me encarar, então Christian o puxa e o soca fazendo com que ele caia antes mesmo de entender o que aconteceu.
Meu pavor se torna maior quando vejo Elliot ao lado de Christian.
— Eu pensei que você iria dormir! — Ele grita por cima da música e eu me encolho. — Você sabe que horas são?
— Christian...
— Eu pensei em te fazer uma surpresa e quando chego você não está lá. Tem noção do quanto eu fiquei preocupado?
— Me desculpe...
— Por que você sempre tem que fazer essas coisas? Você não pode simplesmente me obedecer?
— Por quê? Por que você sempre quer que eu faça tudo o que você manda?
— Porque eu me preocupe com você e você age como uma garota louca, me enlouquecendo sempre que pode.
— Desculpa, mas eu sou assim, você sabia disso antes de escolher ficar comigo.
— E eu te aceito dessa forma, mas você tem que parar de pensar só em você.
— Talvez nós não devêssemos ficar juntos então. — Sussurro e vejo o pavor atravessar seu olhar.
Uma lágrima escorre pelo meu rosto e eu desço do banco correndo para fora da boate enquanto ouço Kate me chamar, ela me alcança quando já estou no estacionamento. Está escuro aqui e não há ninguém.
— Ana, fica calma... — Kate pede segurando minhas mãos. — Foi só uma briga boba.
— Eu...
Paro de falar quando vejo algo brilhando no chão, solto as mãos de Kate que me olha preocupada e vou para perto do carro abaixando-me. Meu coração acelera quando vejo o pequeno escorpião todo feito de prata no meio das pedras.
Acho que posso ouvir meu coração se partir em pequenos estilhaços e as lágrimas começam a cair. Levanto-me pedindo para que não seja real e então encaro Kate que me olha preocupada. Não, com ela não.
— Ana.
— Sai daqui. — Digo colocando o escorpião na sua mão.
— Ana...
— Vai, agora! Corre e não olha para trás.
Kate me olha confusa, mas faz exatamente o que eu pedi, então eu me viro e olho para os lados, na sombra da noite a vejo e ela começa a se aproximar com o sorriso que eu conheço tão bem.
— Olá, Elizabeth.
— Mamãe...
Continua...
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