A Menina Que Não Sabia

1 A menina que não sabia


Era uma bela manhã de céu nublado, os pássaros dormiram até mais tarde, pois o sol não brilhou naquela manhã. O vento fresco balançava os cachinhos da menina, que brincava sozinha no parque perto de sua casa. Era um parque grande, tinha mais brinquedos que crianças para brincar, tinha mais grama que pés para amassar. No final deste parque havia uma pequena construção abandonada. Era uma casinha feita de tijolos, quase sem pintura, pois o tempo e a chuva levaram toda a cor.

A menina cansou de brincar sozinha. Nenhuma outra criança apareceu naquela manhã. No caminho de volta para casa, a menina pensou ter visto algo se movendo nos arbustos logo a sua frente, correu para ver o que era, na esperança de ser alguma criança para brincar ou até algum animalzinho para importunar. Não era nada, só o vento. O vento que anunciava a chuva se aproximando. As primeiras gostas da chuva caíam sobre a estrada de terra, e a menina apressou o passo na esperança de chegar em casa antes de se molhar muito. Não deu tempo. A chuva logo ficou mais forte.

A chuva já tinha se acalmando quando a menina avistou a sua casa. Não tinha ninguém nas ruas, nem nos quintais. Sua velha bicicleta rosa e desbotada ainda estava encostada no portão onde ela tinha deixado. Mas achou isso estranho, pois teve a impressão de que já fazia muito tempo que tinha a deixado lá.

Passou pelo portão, tirou os sapatinhos que um dia foram azuis, pois estavam agora tomados pela lama, entrou. Chamou pela mãe, não teve resposta. Entrou em seu quarto, sua cama estava arrumada com todas as suas bonecas de porcelana em cima. Havia muita poeira sobre elas. A menina, assustada, resolveu voltar correndo para o parque para ver se a mãe tinha ido até lá procurá-la. Na pressa, esqueceu até de colocar os sapatinhos.

Chegando ao parque ficou ainda mais assutada, não havia ninguém. Continuou andando até a construção abandonada, quando chegou perto ficou surpresa, não era só uma casinha, tinham muitas outras. Porém, aquela em especial lhe chamou a atenção, tinha uma pequena foto na porta. Uma foto amarelada, muito antiga. A menina passou a mão por cima da foto para tirar a poeira e deu um passo para trás de susto. A foto era dela.

E o balanço no parque balançaca, sozinho, todos os dias...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!