A Menina Morte
8 Mais uma surpresa
Notas iniciais
Um único problema em conhecer Rachel: ela sabia de minha morte tanto quanto eu. Ela sabia que seria dolorosa, que morreria por tudo aquilo que amo, pelos erros do passado, por uma ira inacabável.
E pensar que meu fim estava cada vez mais próximo não me ajudava, só me fazia temer mais meu futuro. Estava em prantos, envolta pelos braços de Nico. No passado pensava que nada me ajudaria a passar essa angústia do peito, mas este abraço conseguiu fazer com que me esquecesse dos problemas e pensasse no agora.
A única coisa que conseguia fazer agora era abraça-lo o mais forte possível e chorar em silêncio. Ele retribuiu o abraço e fomos para o píer, um local que estava começando a ficar cada vez mais comum em minha vida quando precisava pensar nos problemas. Na primeira noite, contei a Nico que alguém me perseguia, outro dia pensei nas pessoas que morreram no incêndio, e agora pensando em minha morte.
Sentamos no píer, só que com os pés para dentro dele (depois de quase me afogar por conta de ser puxada para dentro, nada mais me faz colocar o pé para fora do píer), e continuamos abraçados olhando para o horizonte. Queria quebrar o silêncio, mas não saberia o que falar e acabaria tendo que explicar o porquê da minha morte, e sinceramente não queria isso.
Ele estar ali me abraçando já era suficiente para me sentir mais segura e calma, me fazer sentir como se estivesse no local certo e na hora certa. Pena que meus problemas eram maiores do que eu gostaria e um simples abraço não mudaria o fato de que ira morrer.
- Akira, sei que você não quer tocar no assunto, mas preciso que você me responda um coisa só, esta bem?
- Tudo bem, o que você quer saber?
- Você já sabia que iria ter esse futuro e isso está ligado com a pessoa que te persegue, certo?
- Sim, eu já sabia deste futuro pois a pessoa que me persegue me mostrou no sonho. Sei o que a Rachel viu em suas visões, e creio que não foi uma visão muito agradável.
Ele olhou fixamente em meus olhos, que provavelmente estavam inchados e vermelhos (isso é meio obvio, a cor dos meus olhos é o vermelho, ou seja, sempre estão vermelhos, mas isso não vem ao caso). Ele passou sua mão em minha face limpando uma lágrima que ainda pairava em meu rosto.
- Você é bonita de mais para chorar, deveria sorrir o tempo todo, mas como tem problemas de mais a tristeza toma o lugar da felicidade.
- Obrigada por me chamar de bonita, eu sei que sou!
- Nem é convencida!
- Foi você quem falou, só confirmei. Falando serio agora, sei que deveria ser mais feliz, mas não consigo, há muitos fatores que me deixam assim. Mas não sou só eu que tenho meus problemas. O senhor também parece ter os seus, e são tão complicados quanto os meus.
- Acho que ninguém consegue esconder nada de você.
- As pessoas tentam, mas nunca conseguem. Então me conte o que anda afligindo seu coraçãozinho.
- Bem, para começar, coraçãozinho é gay de mais para você, uma filha de Thanatos, e segundo não quero incomoda-la com meus problemas banais.
- Eu sei que foi gay de mais e você não irá me incomodar com seus problemas, assim como você sabe dos meus, eu tenho direito de saber dos seus!
- Tudo bem então, mas foi você quem pediu. Eu e minha irmã, Bianca Di Angelo, somos filhos de Hades. Nossa mãe morreu há muito tempo. Passamos um bom tempo eu um cassino, o Cassino Lotus. Saímos de lá, aconteceu muita coisa e encontramos Percy, Annabeth e Thalia. Viemos para o Acampamento, minha irmã se tornou caçadora e eles saíram em uma missão. Minha irmã pereceu, Zoe, uma outra caçadora, também. Fiquei mal e fugi do Acampamento. Muita coisa aconteceu, mas o mais importante, meu pai me mostrou a existência de outro Acampamento, o Acampamento Júpiter. Eu fui ressuscitar minha irmã, mas ela não estava mais lá, ela havia renascido. Trouxe de volta a vida uma outra menina, a Hazel, que também é minha irmã, só que filha de Plutão.
- Só uma pergunta, cadê o lado ruim disso? Você pode não ter achado sua irmã, mas ainda pode achar, e ganhou outra no lugar.
- Não é tão simples assim. Perder uma pessoa próxima é muito difícil.
- Eu sei disso, todas as pessoas que ficam perto de mim morrem de um jeito ou de outro.
Acho que o fato de ele me contar sua história o fez lembrar de muitas coisas de seu passado, coisas que não deveriam ser lembradas.
- Sinto muito. – Disse sem muito entusiasmo.
- Pelo que?
- Por fazer você lembrar-se de coisas que o deixam triste.
- Não sinta-se culpada, e sempre que você estiver perto, vou lembrar de Bianca. Vocês, apesar de tudo, tem algo em comum.
Sua face estava sóbria, não parecia mais prestar a atenção no presente, como se viajasse ao passado e lá estivesse preso. Queria que ele estivesse mais presente, assim poderíamos falar mais coisas, além de desgraças.
Fui me soltando de seus braços, pois ainda estávamos abraçados. Ele pareceu notar o que estava fazendo, iria larga-lo lá mergulhado em suas lembranças. Ele me puxou de volta nos colocando frente a frente e nossos rostos a poucos centímetros de distância.
- Se eu te falar uma coisa agora, apesar de não ser uma boa hora para isso, você promete pensar?
- Sim, eu prometo.
- Não conte a ninguém sobre algumas coisas que conversamos aqui, alguns não sabem nem da metade da história de minha vida.
- Tudo bem, não falarei nada.
Ele sorriu para mim fazendo eu me derreter toda. Seu sorriso me encantava, me perdia em seus olhos e adorava seu jeito gótico de ser, pena que nunca daríamos certo. E se déssemos, não poderia ficar com ele, seria ariscado de mais, ele poderia morrer por minha culpa. E outra coisa, quem disse que ele sente o mesmo por mim? Ele provavelmente esta sendo educado e cuidando da garota que o faz lembrar sua irmã.
Nossos rostos estavam tão pertos que conseguia sentir sua respiração, conseguia escutar o bater de seu coração. Mas Nico me surpreendeu. Ele foi chegando mais perto até que nossos lábios se tocaram.
Seus lábios eram gélidos e seu halito tinha gosto de menta e água. Depois do beijo ele me abraçou e voltamos a olhar para o horizonte.
- Eu sabia que vocês ficariam juntos! – Disse uma voz vinda de traz de nós.
Notas finais
Beijos Maah!
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