A Menina Dos Olhos Arroxeados
2 Capítulo 2 - O Lago
Notas iniciais
POV Percy
Me sentei com Annie e Grover á beira do lago de canoagem. Estava uma tarde bonita, um pôr-do–sol lindo. Era a minha terceira noite no Acampamento, e observávamos alguns campistas praticarem a canoagem. Nenhum deles era muito bom, e só uma garota sabia realmente o que estava fazendo, e não brincava de jogar seus colegas na água (os Stoll, é claro, eram os que mais derrubavam). E essa garota tinha olhos arroxeados.
Annabeth estava apoiada em meu ombro, e Grover nos pedia conselhos sobre Júniper. Annie ajudava, mas eu não tinha muita utilidade, então observava o lago.
E eu tentava, eu juro, não encarar Kendra. Mas era impossível... Ela era bonita demais.
Demorei alguns segundos para entender que Annabeth falava comigo.
- Perseu! Me escuta!
- Ahn? Que foi? – ela revirou os olhos, exasperada.
- Argh! Bom, eu tenho que ir! Tenho que falar com o Drake – era um dos irmãos dela -. Até o jantar! – saiu pisando duro. Não entendi nada. Olhei para Grover, e ele só deu de ombros. Logo ele também foi.
Sozinho, comecei a pensar sobre Kendra e Annabeth. Será que estava fazendo a coisa certa? Quer dizer, Kendra era linda. Mas e Annabeth? Frustrado, levantei e tirei a camisa. Nadar sempre me ajudava a pensar.
Entrei na água, e imediatamente me senti bem. Fechei os olhos por um segundo, tentando clarear meus pensamentos. Quando abri novamente, percebi que estava bem perto de onde os campistas faziam canoagem. E ali estava ela. Os cabelos negros estavam meio molhados e grudavam no rosto. Sua boca era muito vermelha, mesmo sem maquiagem. Ela levantou os olhos, e me viu olhando. Com um aceno, me deu um “oi” envergonhado.
Aqueles dois segundos foram suficientes para um filho de Hermes ruivo a atirar na água, virando sua canoa. Ele, inocentemente, saiu em disparada, saindo do lago.
Esperei ela voltar para a superfície, mas não aconteceu. Olhei para cima. Estava escuro. A única luz vinha da lua lá em cima, e, ao longe, das luzes do acampamento. O filho de Hermes não podia mais ser visto direito, e duvido que ele conseguisse me ver... Não teria ajuda nenhuma. Ao perceber que o tempo passava, submergi e fui atrás dela.
Kendra estava quase desmaiada. Alguma coisa, aparentemente, se prendera nela, e a menina dos olhos roxos tentava soltar, desesperadamente. Fiquei surpreso pela quantidade de fôlego que ela tinha. Qualquer um já teria desmaiado. Tinham se passado longos minutos!
Chamei a atenção dela, e assenti. Fui até a coisa que a prendia. Era algo parecido com uma rede de pesca. Parecia impossível ter ido parar ali, mas resolvi não investigar.
Quando subimos, ela sorriu para mim. Parecia envergonhada.
- Ahn, obrigada, Percy. Eu... Eu normalmente não ficaria tão desesperada.
- Eu...
- É...
- Você tem bastante fôlego. – afirmei, depois de alguns segundos de silêncio constrangedor. Eu percebia que ela fazia força para não me encarar. Tenho que admitir que eu também tinha que me esforçar para não reparar nela, ou no quanto sua camiseta branca tinha ficado transparente por causa da água. Ou que estávamos sozinhos, sem testemunhas...
- É... Minha mãe me ensinou a nadar. A gente passou alguns verões numa casa de praia... Eu ficava no mar praticamente o dia inteiro. – ela sorriu, talvez pela lembrança. Isso a fez ficar linda... Linda não, perfeita. Como uma filha de Afrodite. Quando ela finalmente me olhou nos olhos, eu senti que ia derreter. Pensei no quanto estávamos próximos na água. E no quanto eu queria que o pouco espaço que nos separava acabasse.
- Você tem olhos bonitos – eu soltei, e imediatamente me arrependi. Animal! Ela ia me odiar! Ela iria embora agora! Pelo menos seria o que eu faria! Olhei para o lado, me odiando e esperando ela ir embora. Só que, em vez do barulho da água que ela faria para se afastar, ouvi uma risada.
- Disse o garoto dos olhos verdes... – disse ela, irônica. Ela tinha acabado de dizer que meus olhos eram bonitos? Me virei para ela a tempo de vê-la corar.
Então não resisti. Peguei seu rosto e a puxei para mim. Nossos lábios se encontraram. Os beijos eram quentes. Puxava ela para mim, passava as mãos pelas suas costas. Ela pareceu feliz por alguns minutos, até nos separar repentinamente.
- P-p-percy... d-desculpa. Eu não d-deveria ter... – ela gaguejou, corando novamente. Seus olhos arroxeados pareciam fantasmagóricos por causa do reflexo da lua.
— Não... a culpa foi minha. Eu não deveria ter te beijado... a Annabeth... – eu disse, me sentindo envergonhado também. Kendra me olhou, chateada.
- Você é um garoto legal, Percy. Annabeth tem sorte. – começou a se afastar.
- E você... é especial. – antes de ir embora, me lembrei de uma coisa. – Ei! Espera... Você é de que chalé?
- 12, Percy... Cabine 12.
Ela voltou e, hesitante, me deu um ultimo beijo. Um selinho delicado. E percebi que estava perdido:
Eu estava me apaixonando por uma filha de Dionísio.
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