Notas iniciais
Eu estava triste e essa história me veio a cabeça. Boa leitura e não chorem -q

Enquanto o vento lhe batia forte no rosto fazendo grudar lhe os cabelos nas lágrimas que lhe corriam pelo rosto, a menina apenas se concentrava em cantarolar em sua cabeça a música de sua banda preferida. Talvez não fosse a melodia mais triste e emocionante para o momento, mas a medida que se lembrava da letra podia ver lapsos em sua cabeça dos momentos em que aquela música a acalmou, a compreendeu e a consolou a convencendo de que não era a única a passar por aquilo.

Sacudiu a cabeça para livrar-se das más memórias e voltou-se à melodia sem se incomodar com as mechas que lhe faziam cócegas nas bochechas.

Seu choro era calmo, sem soluços, apenas lágrimas de alívio. Ela olhava para o horizonte onde o laranja se encontrava com o azul claro num degradê anunciando o início de um pôr-do-sol, seu momento favorito do dia e ela contemplaria sem se preocupar com mais nada, logo estará livre.

No alto daquele prédio, em pé na ponta, seu corpo estava relaxado e se arrepiava com o vento frio que lhe atingiu. Fechou os olhos e aproveitou a sensação. Recordou-se dos braços do menino que amava a envolvendo quando esta mesma brisa gelada a encontrava fazendo seu corpo tremer.

A menina sorriu a doce lembrança e outra lágrima lhe escorreu, dessa vez, com um misto de tristeza e felicidade. Ela o deixaria em paz, o deixaria voar livre como um anjo. Era assim que ela o chamava, e era isso que ele realmente foi à vida dela. Ela agora apenas retribuiria o favor.

Ela já havia perdido a conta de quantas horas já estava ali, mas podia ficar para sempre.

Ocorreu-lhe o pensamento e a dúvida se alguém já notara sua prolongada ausência, ela duvidava.

Seus olhos vermelhos ardiam às lágrimas da lembrança da solidão que sentia à meio a tantos colegas e familiares. Nunca ligaram realmente para ela, se realmente se importavam teriam reparado que ao responder “ Sim, estou bem”, nos olhos dela estava estampado um pedido de “Por favor, se importe comigo, repare no que estou sentindo e me abrace”. Entre os amigos e colegas sempre teve a fama de mais engraçada, animada e brincalhona. Ela ri à lembrança que agora lhe parecia tão distante.

Então lembrou-se de seu anjo. O único a quem ela realmente se mostrou, o único que soube das lágrimas escondidas por trás do sorriso da menina.

Fechando os olhos novamente, pode ver claramente o rosto dele lhe sorrindo, dizendo que tudo ia acabar bem.

A menina abriu seus enormes olhos vermelhos pelas lágrimas com a certeza de que só metade do consolo de seu anjo estava certo, tudo iria acabar.

-Em breve. – Sussurrou ela para si mesma. Palavras que o vento levaria e ninguém nunca mais escutaria. Ela passou as mãos pelo rosto, secando-o e livrando-o dos cabelos que atrapalhavam lhe a visão do pôr-do-sol que já chegava à sua metade perfeitamente.

Junto com as lágrimas, limpou sua mente esvaziando-a das lembranças que faziam seu coração apertar mais que a própria angústia do motivo de estar ali, voltando assim a cantarolar a música que tanto gostava, partindo da parte que havia parado não sabe a quanto tempo.

Calmamente se lembrando de cada solo, cada parte sua preferia da bateria, cada parte que o baixo e a guitarra a fazia arrepiar.

Ao término, prolongando a última nota como se estivesse se preparando para o que viria a seguir. Um sorriso triste nasceu no canto de seus lábios, fechou os olhos se lembrando de cada rosto que amava, o de seu anjo em especial, numa despedida.

Seus braços se abriram em com convite, como se chamasse o pôr-do-sol para um abraço.

-Que venha a liberdade, como esperei por você. Tudo vai passar agora. – A menina disse sorrindo, sentindo o gosto salgado das lágrimas que entravam em sua boca.

Uma brisa leve a acertou nas costas e ela levou isso como uma permissão. Abriu seus enormes olhos tristes e vermelhos, um sorriso, um passo a frente e o vento forte da queda lhe trouxe a sensação de estar voando. Vento que lhe tirava toda a dor e trazia a liberdade e paz aos enormes, cansados e agora livres olhos vermelhos.

Notas finais
É isso.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!