A Menina Do Espelho
3 Capítulo 2: "Ajudar...? Claro!”
Notas iniciais
Desculpe a GRANDE demora :/
“Estou em casa!”
A fachada bege, um pouco desbotada, dava um ar de antiguidade à construção, mas não tirava sua beleza, nem a alegria que ela sentia ao olhar para o lugar. Tinha uma porta gigantesca de madeira toda desenhada. Quando a pequena era criança adorava ficar na praça em frente à biblioteca olhado as figuras da porta e imaginando uma conexão nas imagens e formas totalmente diferentes, parecia uma mistura de diversas culturas, as vezes até inventava historias juntando um desenho ao outro.
Ao passar a porta de madeira se entra em um pequeno corredor, um pouco apertado, no meio dele há duas portas que dão para onde alguns livros são guardados, os mais importantes e que não são permitidas a retirada por qualquer um, e também a sala dos funcionários.
Passando o corredor, começa, oficialmente, a biblioteca, estantes cheias de livros cobrindo todo o espaço central e nas paredes também tinham estantes que iam do chão até o teto do primeiro andar, que não era muito alto, mas ainda precisava de uma escada para se pegar os livros das três ultimas prateleiras. No final do grande cômodo, havia um espaço para leitura individual, com algumas cadeiras confortáveis e dois belos sofás de veludo da cor vinho separados por um criado-mudo com um magnifico abajur todo decorado, o espaço era iluminado por pequenos vitrais entre as estantes na parede e também por três maravilhosos candelabros de cristal. Nos dois cantos havia escadas em espirais com grades pretas lindamente ornamentadas que levaram ao segundo andar, ao lado de uma das escadas havia um pequeno elevador que era usado em casos de necessidade de transporte de muitos livros ou para deficientes. O segundo andar era muito parecido com o primeiro, a principal diferença era apenas na parte central do teto que se abria uma cúpula de vidro, usada como observatório improvisado, e dava uma bela vista do céu e uma boa iluminação.
Entretanto, os aspectos físicos da bela biblioteca não era o que maravilhava a menina, mas sim o fato de ser uma biblioteca. Qualquer lugar com livros é um tesouro inestimável para ela. De todos os gêneros, tamanhos e formas; diversas histórias para ler, em um mundo de palavras viajar, explorar e conhecer. Do centro da Terra há outros universos, tudo compacto, em um mesmo lugar, num livro que espera pacientemente para ser aberto e saciar os anseios de seu leitor.
“Um tesouro inestimável”. Essa era a melhor qualificação da biblioteca para Anne. Como sempre, andou lentamente por entre as prateleiras, os olhos reluzentes e um leve sorriso contido no rosto, suas mãos estavam juntas para trás, em uma tentativa de conter a vontade de agarra os livros, foi ziguezagueando pelas estantes.
- Bom dia senhora Vânia! — cumprimentou alegremente a bibliotecária que arrumava os livros de uma estante com uma grande placa “J” nela. A funcionária estava com em todos os dias: um uniforme azul-escuro que lembrava Anne os de aeromoças, suas bonitas e compridas pernas eram tampadas por uma meia calça preta, e seus longos cabelos pretos presos em um coque alto. Há luz das lâmpadas podia ver alguns fios brancos começando a aparecer. A menina sempre se perguntou que idade a senhora Vânia teria. Seu corpo era o de uma mulher de... no máximo trinta anos, mas seus olhos tinham um brilho experiente, daqueles que só se vê em pessoas mas velhas, eles pareciam dizer que já viram muitas coisas nessa vida. Além disso, era esta mulher que colocava ordem em toda aquela biblioteca e fazia isso de maneira precisa.
- Bom dia Anne. – disse Senhora Vânia enquanto colocava o ultimo livro no lugar e arrumava os óculos redondos de estilo bem nerd, combinavam perfeitamente com ela. – Vai levar um livro para casa hoje?
- Hoje não, senhora, tenho um trabalho da escola essa semana e não terei tempo para ler... vim devolver o livro da semana passada e aproveitar para dar uma volta.
- Entendo... – suspirou a mulher, desanimada.
- Aconteceu algo? – perguntou, tinha alguma coisa estranha...
- Lucas está doente e não veio trabalhar. Não darei conta de tudo sozinha.
- Nossa...
- Eu estava pensando se você não poderia me ajudar... – pediu a senhora Vânia com um misto de desespero por estar cheia de trabalho e esperança de que Anne a ajuda-se.
-Eu?! Mas... mas... – gaguejou a garota surpresa com o pedido.
- Sim. Você conhece esta biblioteca melhor do que qualquer outro e sabe como os livros são organizados.
Anne respirou fundo. “Bem... talvez seja interessante...”.
- Certo! Eu ajudarei!
A biblioteca tinha poucos funcionários: A senhora Vânia, naturalmente, Lucas, o ajudante da senhora Vânia, Júlia, a moça que fica no balcão atendendo as pessoas, Sabrina e Pedro, que ficam em uma sala fechada organizando papeis e contabilidades, havia também dois seguranças e um casal de faxineiros e um zelador, o tio José. Apenas 10 pessoas para colocar esta grande casa em ordem e perfeição prontinha para receber seus insaciáveis visitantes.
E assim Anne passou o resto da tarde ajudando Vânia a arrumar a biblioteca. Recolheu, organizou e até limpou. Tudo foi mais divertido do que de costume (ela ajudava os avos a arrumar a casa também) provavelmente pelo local ser rodeado de livros. A menina gostou de ajudar, tanto que nem notou o tempo passar.
- Anne, querida, já está tarde. Você tem que ir ou seus avos vão ficar preocupados – falou a senhora Vânia.
Anne estava tão distraída com o trabalho que se espantou quando viu que já tarde. Sempre que ale ia a biblioteca perdia a noção do tempo e Lucas era o que sempre a alertava do horário.
-Sim senhora Vânia, obrigado por hoje. – disse com um sorriso.
- Não, obrigado você, querida, por sua grande ajuda – falou a mulher com a expressão visivelmente contente e aliviada por tudo ter corrido bem. – Você virá amanha?
- Sim. Com sempre.
- Então posso pedir que me ajudasse amanha também, se não estiver ocupada, claro. Na verdade, não só amanha, mas sempre que tiver tempo, ficaria feliz se aceitasse trabalhar como minha segunda assistente. – pediu Vânia.
Anne estava sem palavras, precisou de um minuto para conseguir disser, entusiasmada coma ideia:
- Hum... A-acho que poderia sim. Sem problemas. Obrigado!
- Obrigado querida.
- Imagina, então... até amanha!
E ela foi tranquilamente pelas ruas já iluminada apenas pelos postes de luz. Foi sonhadora para casa onde seus avos a esperavam.
Notas finais
O nome do proximo cap. é A biblioteca é maior do que eu imaginava?!
Beijinhos
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