A Memory To Last

1 Estou com você


Notas iniciais
Não escrevi nada incrível dessa vez

Killua estava usando umas roupas um tanto quanto pomposas, mas isso não o incomodava. Todos ao seu redor pareciam usar roupas parecidas, todos muito arrumados, chiques, e sorridentes demais. Procurou pelos amigos e não encontrava. Sempre achando que viu alguém ao longe que era parecido com Leorio, Kurapika, ou ao Gon. Quando chegava perto e via que não era ninguém, Killua se frustrava, mas logo voltava ao que estava fazendo. E onde ele estava? Em uma festa apinhada de gente com roupas belas e caras. Quando pensava em pedir algo, como se fosse mágica, alguém chegava com vários chocoaltes numa bandeija e ele nem tentava entender como aquilo era possível e se estavam lendo a sua mente. Por quanto tempo ficou assim? Horas? Dias? Talvez anos? Quando começou a se sentir agoniado com tudo aquilo ao redor, saiu correndo. Quanto mais corria, mais aparecia alguém lhe oferecendo o seu chocolate favorito. De repente estava subindo uma montanha de pessoas e ai, tropeçou no meio de tantas mãos, começou cair. Estava quase atingindo o chão quando acordou. Killua se deu conta que estava deitado no chão agarrado no travesseiro, e que tinha babado um pouco.
— Por pouco eu achei que você ia comer o travesseiro, Kill. — Gon acabara de entrar no quarto dando uma risadinha- Qual foi o seu sonho?
— Festa de gente rica e muitos chocolates. Parecia aquela época que eu fiquei na Torre Celestial com chocolate pra todos os lados.
— Eu provavelmente teria sonhado com as pessoas daqui da ilha da Baleia, ou com algum bicho.
— Não sonharia nem comigo? — e Killua piscou para Gon.
— Eu já te vejo todo santo dia, da um tempo. — e ainda mostrou a língua pra Killua que retribuiu fazendo uma careta.
— Palhaço. Mas eu tenho que admitir, esse lugar aqui é incrível. É bom estar aproveitando a minha liberdade familiar agora. O meu irmão não tem mais controle sobre mim, a minha irmã está bem.
— E eu estou sem o meu Nen. — Gon deu um longo suspiro e deitou na cama. Com o olhar fixo no teto- É difícil se acostumar com essa sensação.
— Não desanime. Talvez você ainda esteja esgotado de certa forma, não é como se ele tivesse sumido por completo. — e foi se sentando na ponta da cama- Não tenha pressa em resolver isso.
— Talvez seja isso mesmo, vai saber. Eu ainda sou incrível sem isso, certo Killua?
— Depende do que você acha ser incrível. — Killua deu um risinho — Você ainda sabe pescar então algum talento você ainda tem.
— REPETE! — Gon jogou um dos travesseiros na cara de Killua e o ataque ainda foi revidado.
— Pes-ca-dor! NHEEEE — Killua fazia caretas e ele e Gon ficavam se batendo com os travesseiros.
— Se eu te pegar você vai ver só!
— Ah vai? E vai fazer isso como? — Killua estava pronto para atirar o travesseiro quando Gon do nada, jogou o travesseiro pra cima, e avançou pra cima de Killua e o beijando em seguida.
— Ora essa seu... seu coisa. — a vermelhidão era mais do que nítida no rosto de Killua e ele ficou desconcertado demais- Golpe baixo demais até pra você.
— A gente ta numa luta de travesseiro. Sossega ai vai. — eles dois começaram a rir e depois ficaram deitados se encarando- Mas o golpe foi bom, não foi?
— Acho que a minha reação já confirma tudo. Mas ei, você ainda é você mesmo sem o seu Nen.
— Obrigado. — Gon puxou Killua pra perto e o abraçou- Eu sei que ainda posso ter as minhas habilidades mas, bem, vamos deixar isso pra lá por enquanto. Já que você veio pra cá de novo, vamos aproveitar esses próximos dias.
— Bem pensado menino pescador, vamos nos divertir.
— Se você me chamar assim de novo eu juro que você vai virar isca pros peixes gigantes daqui da ilha.
— Vai me por de isca na sua vara? — e Killua arqueou uma das sobrancelhas sorrindo maliciosamente enquanto Gon ficava absurdamente vermelho.
— ESCUTA AQUI VOCÊ! — e jogou o travesseiro na cara de Killua de novo.
E a luta de travesseiros recomeçou. Logo eles cansaram, foram tomar café da manhã, assistiram tv e foram passear pela ilha. Quando veio para a ilha da Baleia pela primeira vez, Killua não andou muito por lá, apenas na floresta perto da casa de Gon. Só que, agora, ele tinha mais tempo para mais coisas.
Exploraram de novo a floresta. Brincaram com alguns animais bem amistosos, testaram suas habilidades físicas levantando tudo o que podiam encontrar. De tronco caído até alguma pedra que parecesse realmente pesada. Apostaram corrida no chão e também pulando de árvore em árvore. Gon venceu ambas as corridas, mas perdeu para Killua no desafio de levantar mais peso.
— Eu achei que teria alguma chance. Mas eu esqueci dos portões lá da sua casa, caramba. Nunca levantei tanto peso na minha como naquele dia.
— É absurdo né? — Killua apenas dava risada- Mas bem-vindo a família Zoldyck.
— Eu achei legal ter ido até lá. Aquele mordomo de óculos era um cara muito gente boa.
— E é mesmo. Eu também gostei da sua família, a sua tia é uma pessoa maravilhosa.
— Eu amo ela demais. Não sei o que seria da minha vida se o meu pai não tivesse mais família, e eu tivesse sido largado em qualquer lugar.
— Nem quero imaginar também. Olha, Gon, eu sou muito grato por você ter entrado na minha vida.
— Eu digo o mesmo. — e ele sorriu, e era um sorriso muito radiante.
— A nossa jornada até aqui foi algo que eu não tenho palavras pra descrever direito. Eu poderia só, sei lá, repetir incrível várias vezes. — e ele sorriu meio sem jeito- Mas você me ajudou a sair um pouco das trevas. E a perceber que eu ralmente não preciso seguir o mesmo caminho que a minha família. Tudo bem que eu ainda tenho em mim parte do que eu herdei deles. Mas eu estou trilhando o meu próprio caminho, descobrindo quem eu sou, sendo membro de uma certa família. Sinto que eu me encontrei.
— Caramba Kill. Eu não imaginava que você se sentia assim. Acho que eu me sinto quase do mesmo jeito. Talvez eu ainda esteja na metade desse caminho, mas, mesmo que seja só a metade, eu estou gostando.
— É bom demais estar com você. Foi bom demais ter encontrado o Leorio e o Kurapika também.
— Saudade deles. Espero que estejam bem! Fico muito feliz de ter ajudado você, fico muito feliz de você estar fazendo parte da minha vida agora.
— Gon... — e o rosto de Killua começou a corar, o coração disparou e encarava Gon- Sem você eu teria me perdido na escuridão que a minha família quase me arrastou, obrigado por existir.
— Você é tudo pra mim. — Gon foi se aproximando e ficou com o rosto bem perto, sentindo a respiração ofegante de Killua, ouvindo o coração dele bastante acelerado.- Eu te amo, Killua Zoldyck.
E antes que Killua pudesse responder, Gon o beijou e logo estavam abraçados e se beijando. Depois disso ficaram apenas abraçados em silêncio.
— Eu também te amo Gon Freecss. Obrigado por fazer parte da minha vida, obrigado por ser essa luz no meu caminho. Agradeço muito por nunca ter desistido de mim depois que eu saí do exame Hunter.
— Saiba que eu jamais vou te largar. Quero ter mais memórias incríveis ao seu lado!
— Eu também! — Killua começou a chorar de alegria. — Nunca vou sair do seu pé, menino pescador.
— Que assassino chorão você é hein. — zombou Gon- Agora você é um Hunter então né.
— Cala a boca! Eu não faço mais isso, ainda bem.
— Bom. Agora o jeito é eu tentar me recuperar, não quero viver sem o meu Nen.
— Você vai conseguir. Ainda lembra do treinamento, certo? Vem! Vamos treinar!

"In the water where I center my emotion
All the world can pass me by
Fly away on my zephyr
We’ll find a place together"
The Zephyr Song — Red Hot Chili Peppers

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!