A Melãocólica História De Milo Jardim
4 ASSEDIADO POR UMA PERA
Acordei com uma disposição lesmônica* incrível! Acho que vou me dar bem mal no teste. Estudei o suficiente para acertar 3 das 60 questões. Tô ferradinho!
* DERIVADO DA PALAVRA LESMA... EX: ACORDEI LÊSMONICO HOJE. "ACORDEI LERDO HOJE."
Minha mãe acordou primeiro que eu para que pudesse fazer seu "Incrível Café-da-manhã Recheado Com Bolachinhas e Gominhos De Uva Passa Por Cima Do Pão". Meu preferido! Dói saber que vou decepcioná-la se não passar naquele maldito teste. A depressão dela ainda não acabou. De vez em quando percebo uma lágrima no seu rosto quando relembra do meu falecido pai. É, de certa forma, comovente. Não quero vê-la assim nunca mais! E para isso, eu tenho que passar! E para isso, vou precisar colar...
Me despedi da minha mãe com um beijo de boa sorte na testa* e corri como um calango epiléptico pelo Pomar. Cheguei à sala de provas 20 minutos depois (mesmo correndo como um calango epiléptico!) e me sentei perto da parede na última cadeira da última fila (mega preparado para colar...).
*MELÕES PODEM ATÉ NÃO TER RIM, MAS, SIM, TEMOS TESTA!
Aos poucos a sala foi ficando preenchida. Frutas de todos os tipo e formatos entravam... ou pelo menos, tentavam entrar. Uma melancia enorme ficou presa na porta. Parecia um hipopótamo usando roupa de camuflagem... Foi preciso que 5 dos 10 fiscais empurrassem a coitadinha (Dava para ouvir a parede e as trincas se partindo cada vez que ela entrava um pouquinho). Me assustei quando ela sentou na cadeira e não houve nenhum PLAC, onde pedaços da cadeira se espatifariam pela sala matando, um por um, todos os presentes.
A sala ficou cheia bem rápido depois do incidente com a Molly, a melancia que usava roupas de camuflagem. Faltavam exatos 10 minutos para que a prova começasse e, de onde estava, não daria para colar de ninguém! Principalmente, porque a Molly pareceu gostar da cadeira a minha frente. Minha única visão era de manchinhas verde-escura não importa para que direção eu olhasse. Me senti um pequeno grão de milho atrás de uma ervilha mutante!
Comecei a chorar quieto prevendo meu 0 no teste e em como minha mãe ficaria ao saber que não fui selecionado. Foi aí que chorei mais. Minhas fungadas ficara mais altas e pesadas e algumas frutas começaram a olhar para mim (Um mamão ficou me encarando com uma cara emburrada do tipo que quer dizer: Não acredito que estou disputando uma vaga com melão chorão!). Estava quase me levantando para sair da sala, quando senti uma mão passando pela minha nuca e massageando minhas costas... Por um momento até gostei! Mas, depois essa mão foi descendo, descendo, descendo... EPA! Olhei para trás e me deparei com uma pera me olhando de uma forma estranha. Ele contorcia os olhos e mordia o lábio inferior esboçando um sorrisinho escandalizante. Parecia com dor de barriga. Sinceramente, me senti na obrigação de perguntar.
– O QUÊ?!? — Respondeu ela.
– Eu perguntei se você está se sentindo bem. Parece com dor de barriga...
– NÃO! EU NÃO ESTOU COM DOR DE BARRIGA!
– Mas, parece...
– NÃO PARECE NÃO! PARA DE OLHAR PARA MIM! VIRE-SE! A PROVA JÁ VAI COMEÇAR, MILO.
– Ei, como você sabe meu nome?
– E-eu... eu chutei! Agora vire-se ou seremos desclassificados do teste sem nem mesmo fazê-lo! — Disse um pouco mais baixo, pois das outras vezes não parava de gritar.
Quando me virei pude ouvir o barulho do sinal que indicava que o teste começaria, mas se antes já estava ferrado, agora é que eu estava sem chance! Não parava de pensar na pera pervertida que sabia o meu nome... COMO ELA TEVE CORAGEM DE PASSAR A MÃO EM MIM!
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