Tudo estava uma só bagunça na minha cabecinha de melão. Frumbies! Fomos atacados por frumbies (frutas inocentes que, ao entrar em contato com a fumaça cinzenta, se transformaram em monstros deformados que querem comer nossa polpa crua!). Tô em estado de relâmpago, porque de choque já passei faz tempo!

Só estou vivo graças ao Sr Bacalhau, um morango saradão que carrega uma escopeta nos ombros como se fizesse parte de seu corpinho frutal. Ele disse estar procurando sua esposa que também fazia o teste de Oficial do Pomar. Quando ouviu a explosão no prédio correu para verificar se ela estava bem, mas sequer a encontrara ainda. Parecia preocupado com ela.

Já faz um bom tempo que a bomba frumbie (um nome dado pelo próprio Sr Bacalhau... ) entupiu o prédio. Mas, a fumaça parecia não se dissipar. Era como se alguém tivesse fechado todas as portas e janelas do prédio a fim de nos intoxicar com a fumaça. Não entendia o porquê, mas de uma coisa eu tinha certeza, se quisesse sair dali precisaria lutar com aqueles seres horripilantes em forma de fruta estragada.

- Sr Bacalhau... hã... Será que o senhor poderia me ensinar a ... hã...empunhar uma arma? — Perguntei a ele enquanto ele ia na frente olhando de um lado para o outro procurando por frumbies famintos.

- O que você disse, melãozinho medroso? — Era assim que ele me chamava desde o incidente com o pêssego que me fuzilara com o olhar (ele piscou para mim!), pois é, talvez ele estivesse certo quanto a isso. De corajoso eu não tenho uma semente sequer. E, só estava fazendo o teste para Oficial do Pomar porque minha mãe me enterraria vivo se eu não fizesse (e passasse ¬¬).

- Eu perguntei se o senhor, que é tão forte e esbelto, um super caçador de frumbies.... Não poderia me dar umas aulinhas de como abrir um buraco num treco daqueles... Acho que preciso saber me defender. — Falei, inicialmente, tão tímido e logo em seguida tão voraz que eu mesmo me surpreendi! O Sr. Bacalhau me olhou com uma cara que traduzida seria: Garoto, se você empunhasse uma arma você, sem dúvida, abriria um buraco no seu próprio pé ou em mim, o que não me parece ser uma boa ideia! Mas, ele apenas disse:

- Acho que você precisa aprender a estourar uns miolos... — Disse com quase nenhum, ou nenhum mesmo, entusiasmo. Mas, pude notar um sorriso por baixo do lenço vermelho quadriculado que usava para filtrar o ar.

Ele parou por alguns segundos e puxou uma arma bem pequenininha sob a meia da bota de soldado do exército. Ainda não havia notado , mas ele já era um Oficial formado. Talvez por isso, deva ter insistido com a esposa para que ela fizesse o teste, assim os dois ficariam juntos em missões e, se não morressem nelas, poderiam ser felizes. Já havia escutado histórias do tipo.

Enquanto me ensinava onde pegar, como atirar e preparar o gatilho da arma. Me veio na cabeça a vontade de perguntar uma coisa...

- Hã, Sr Bacalhau, afinal, porque tem esse nome? É um nome tão... hã... incomum. — Tentei falar isso da maneira mais normal do mundo... Não queria que ele se aborrecesse por causa da pergunta. Ele poderia me fuzilar fácil assim!

Ele não deve ter gostado da pergunta porque tratou de largar a arma comigo (o que não era uma boa ideia, lembra?) e passou na frente com passos fortes no chão. Achei que ele não fosse falar comigo por um bom tempo, portanto pensei em pedir desculpas ou coisa do tipo, mas ele foi mais rápido:

- É uma longa história, melãozinho, uma longa história...

Notas finais
O que vcs acham que vai acontecer? Que história o Sr Bacalhau esconde por trás dessse nome esquisito.... Esquisito o suficiente para um morango, melhor dizendo.... Bom, comentem os seus palpites... xau, pessoas