A Melodia final
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Mais ou menos 1,66, 1,67 de altura, cabelos vermelhos, olhos verdes, e ela estava olhando pra mim. Não sabia como reagir. Não mesmo. Então deixei o “eu” agir:
– Erm... Obrigado! Eu compus a muito tempo atrás, achei que seria legal gravá-la.- disse a ela meio desconcertado e não entendendo a situação.
–Me desculpe a grosseira. Mas poderia me dizer quem é você? E não sei se você sabe, mas essa área é só para quem trabalha aqui e para quem vai gravar. Me desculpe mas você tem que sair. Não é jim? – Ele não falou nada e continuou com aquele sorriso de cu que só ele tinha quando sabia de algo que eu não sabia.
– É assim que você fala com a filha linda do seu chefe! Ah, meu pai não me disse que você era tão rude! – Ela me disse cruzando os braços como se estivesse me desmerecendo. De todas as palavras do meu vocabulário, aprendido desde que comecei a falar, eu genialmente escolhi:
– Han?! Fi-Filha? – Ai está! O garoto galanteador e educado de sempre. Eu nunca imaginei que o Jim tivesse uma filha. Ele nunca me disse nada. E ainda por cima, eu nunca imaginei que ele tivesse uma filha tão linda! Eu não me acho um modelo de beleza, mas imaginar que um velho com cara de marujo em quarentena era capaz de ter uma filha tão linda, era como ir a um cassino, e ganhar todo o dinheiro dele jogando jogo da velha.
– Bom, meu nome é Hayley! Muito prazer em te conhecer rock-boy. – Cumprimentou-me estendendo a mão.
– Meu nome é Duncan, mas pode me chamar de Dunn. É como todos me chamam. E prazer em te conhecer também.- Eu não sabia o que dizer para ela. Então para quebrar aquele silêncio de alguns segundos, e tirar meus olhos do rosto dela, apareceu o Jim.
– E ai Dunn? O que achou da minha filha? Tem os olhos do pai não? Hahahaha – Com certeza eu esperava que fosse uma brincadeira.
– Felizmente ela não tem Jim! – E dei uma risada sarcástica pra mim mesmo.
– Ela veio passar uns dias com o papai dela já que terminou a faculdade de artes visuais na Academia de Belas-Artes da Pensilvânia na Filadélfia, e vai passar um tempo aqui! Após essa notícia da tal estrela, acho que devemos passar mais tempo juntos enquanto podemos não é? – A verdade é que eu Não escutei quase nada do que o Jim disse. Os olhos dela eram realmente lindos. E eu não conseguia pensar em mais nada além daqueles olhos e sorriso.
– Bom Dunn, como você sabe, agora sua música precisa ser mixada, e masterizada. Vai levar uma meia hora para ficar pronta, por que vocês não vão tomar um café no Angeles? – Disse ele já se virando para o computador.
– Quando ficar pronto eu te aviso! – O fato de Jim ser bom nessas coisas me garantia que ele conseguia fazer aquele serviço em meia hora. O que de certa forma me tranquilizava, porque eu duvido que eu teria assunto para mais tempo que isso. Como já disse, sou um cara tímido. Peguei minha carteira e meu celular, e descemos a caminho do Angeles Coffe House.
Chegando lá, pedimos uma mesa, eu analisei o ambiente rapidamente, vi uma porção de pessoas, a maioria com um café na mesa, mexendo com um palitinho como se isso realmente fosse ajudar a evitar a destruição do mundo e a viver sem arrependimentos. Pedi um Macchiato como de costume e a Hayley pediu um cappuccino, e então começamos a conversar:
– O que você acha disso tudo Dunn? Essa história de buraco negro se formando para engolir a terra, o fim do mundo, tudo isso. Acha que tem alguma forma de evitar isso? – Acho que após a experiência da noite passada eu ainda não estava muito confortável a falar sobre aquilo, mas decidi manter minha postura e conversar normalmente.
– Bom, eu não sou nenhum astrônomo... Mas acho que esse tipo de evento é impossível de se prever e de evitar também. E não vejo o porquê de se desesperar muito. Vamos correr em direção ao fim de uma forma ou de outra. Então, vamos viver de uma forma que possamos não nos arrepender. – Ela parecia olhar fixamente para mim enquanto eu falava. Estava realmente concentrada o que a tornava mais bonita diante dos meus olhos.
– Haha! Você entorta o canto da boca quando vai falar! – Ela me disse sorrindo. Eu acho que ela não prestou atenção em nada do que eu disse.
– Então, artes hein? Parece divertido. – Disse à ela. Após um suspiro, Hayley olhou para mim e disse:
– É sim. Muito divertido. Pois é assim que o trabalho deve ser não é? O trabalho deve ser divertido. Assim ele não se torna um fardo.
– Creio que sim. – Disse a ela.
– Por isso eu fico em volta do seu pai o máximo que posso. Assim, eu aprenderei muito sobre aquilo que eu gosto e que espero fazer para o resto da minha vida. Bem... Literalmente, o resto.- Completei com um sorriso desconsertado.
– Você não sabe, mas meu pai me falou muito sobre você. – Nesse momento, um frio correu em minha espinha de baixo até em cima. Se os comentários que ele fez para ela sobre mim, são tão desnecessários quanto os que ele diz a mim, eu acho que estou em maus lençóis.
–Ah é? Perdoe-me então por qualquer coisa. – Já antecipando o tipo de comentário.
– Ele me disse que você é genial. Mesmo tendo feito faculdade na área, sempre está interessado nos conselhos que ele tem para dar. E que sempre pede opinião dos outros e nunca procura se destacar sozinho. Além de um ótimo empregado, ele me disse que você é uma pessoa com um coração bem grande. E agora eu vejo que ele falava a verdade. – Deu um sorriso pra mim, e continuou com o seu cappuccino. Eu realmente estava gostando daquele momento, estava tomando café com uma garota sensacional, e ela ainda me elogiava. Era como se eu voltasse aos tempos de...
Acho que minha feição mudou no momento que eu me lembrei da Rachel. A Hayley olhou pra mim com um ar de preocupada como se já me conhecesse a muito tempo. E perguntou:
– Hey, está tudo bem? De repente você ficou sério... Aconteceu alguma coisa? – Ela parecia preocupada mesmo, então eu tentei tranquiliza-la:
– Não é nada! Fique tranquila, só lembrei de algumas coisas da minha adolescência. Conhecia alguém que gostava de sorrir como você.
– Mas eu acho que você deveria esquecer essa pessoa! Acho sim. Pessoas que te deixam tristes quando você se recorda delas não devem ser recordadas nunca. Vamos! Se alegre! Você está com a super artista Hayley! A mulher que irá retratar o mundo antes que se acabe! Hahahaha! Veja só.
– Ela pegou um papel, de um bloco de notas que retirou da bolsa, uma caneta, e começou a fazer alguns rabiscos.
– O que você está fazendo? – Perguntei.
– Fique quieto e não se mexa! Senão ficará feio.
– Ah, desculpe-me, tudo bem é que...
– Xiu! – ela me repreendeu. Realmente, ela me lembrava muito da Rachel, seu jeito de me olhar, como falava comigo... Era realmente bom encontrar uma pessoa como ela. Mas ela não era a Rachel. Ela somente tinha algumas características parecidas. Então eu decidi deixar isso bem claro pra mim mesmo. Para que não me confundisse no futuro. De repente, ela parou de desenhar e olhou séria para mim.
–Hum... Eu Não consigo capturar o seu sorriso direito. – Disse ela.
– Por que não?
– Porque você não está sorrindo de verdade. Sabe, os artistas são muito bons em capturar as emoções das pessoas. Por isso que desde os tempos antigos, eles foram escolhidos muitas vezes para retratar o cotidiano das civilizações, e além disso, contavam a história das civilizações com desenhos. Entende? – Eu realmente achei ela muito legal. Me explicando essas coisas.
– Bom, você sabe o que dizem né? Para ser um astro do rock você precisa de duas coisas, saber tocar guitarra e ter um coração partido. Isso se repete na história. Hendrix, Page, Slash e muitos outros. – Ela se concentrou em mim de novo. Como se cada palavra que eu dizia estivesse sendo processada individualmente até formar alguma lógica em seu cérebro.
– Bem, mas coração partido não significa necessariamente infeliz. Leonardo da Vinci tinha o coração partido, mas a ciência era o que lhe fazia feliz. – Eu não sabia se ela estava falando a verdade ou não. Mas era um argumento que eu não sabia como rebater.
– Da mesma forma aconteceu com Page, Hendrix, Cash, Morison, e muitos outros. Coração partido, mas eram felizes pela música. – Eu não podia acreditar, além de oferecer um contra-argumento de seu conhecimento, ela usou um sobre o que eu conhecia.
– Você diz coisas interessantes sabia? – Disse pra ela fazendo uma careta como de quem está conversando com uma pessoa sabichona. Nesse momento, meu celular toca, eu atendi e era o Jim:
– Está pronto! Está afim de ver?
– Claro! – Disse eu. Então paguei os cafés, e fomos em direção ao estúdio. Antes de entrar no prédio, puxei meu celular e olhei o horário. Já eram 11:00 horas. Eu não acreditei. Haviam passado 2 horas e meia desde que eu tinha conhecido essa garota e pareciam 15 minutos. Entramos, e subimos em direção à sala 2. Ao entrarmos na sala 2, Jim estava parado de boca aberta. Como se tivesse visto um fantasma. E de certa forma ele viu.
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