A Melhor Amiga
1 Eu Sempre vou ser Só a Melhor Amiga
Notas iniciais
16 anos atrás.
- Deixa eu vê! – dizia a menininha de cabelos castanhos. Seus olhos de tom castanho esverdeado brilhavam.
Ela olhou pra mãe e estendeu os bracinhos.
- Quer ver seu novo amiguinho, Tori? – a mulher de cabelos claros e olhos verdes falou pegando a filha no colo.
- Quelo! – disse a menininha sorrindo.
Liza a levou até o berço onde o garotinho de apenas 5 meses dormia tranquilamente.
- Como é o nome dele? – a garotinha perguntou olhando para a morena de olhos verdes, mãe do garoto.
- Justin. O nome dele é Justin Drew – Pattie falou sorrindo para a afilhada.
- Nós vamos ser meloles amigos! – a pequena Tori disse batendo palminhas e as duas mães, jovens, riram de sua inocência.
11 anos atrás
- Sai Justin! Como você é chato! – Tori empurrou Justin para a poltrona no canto do quarto.
- Eu não sou chato! Você me ama! – ele disse abraçando a garota.
Ela olhou para ele e revirou os olhos o abraçando. Mesmo sendo um ano mais velha, Justin com seus 5 aninhos conseguia ser um pouco mais alto que ela.
- Crianças, venham lanchar! – Pattie gritou da cozinha e os dois saíram apostando corrida.
5 anos atrás
- Por favor, não chora, Tori! – Justin dizia abraçando a garota que soluçava.
- Ela se foi! Agora eu vou ficar sozinha! – lamentou com a voz chorosa.
- Não vai! Você vai ficar comigo – Ele passou as mãos pelos cabelos castanhos de sua melhor amiga.
Ela encostou o rosto na curvatura do pescoço de Justin e chorou. Sua mãe se fora, a única pessoa que a queria e que a amava, partiu por uma coisa boba.
- Você é o melhor amigo do mundo, Justin. Eu te amo – disse entre soluços.
- Eu também te amo, minha pequenina – ele disse com um sorriso triste.
Hoje – Victoria’s POV
As lembranças passavam por minha mente. Era inevitável. Sempre que eu o ouvia cantar ou sorrir daquele jeito, tudo que passamos na infância voltava a mente.
Poderia uma garota que prometeu sempre ser a melhor amiga, se apaixonar pelo melhor amigo? Sim, é possível. Aconteceu. Infelizmente, o sentimento não é recíproco. Mas eu tenho que suportar, ainda assim sou a única com quem ele pode contar... assim como ele é o único pra mim.
É comigo que Justin vem desabafar quando está cansado da fama ou quando leva um fora ou quer dar o fora em alguma garota. Sou eu quem o faz rir quando ele quer chorar, sou eu quem está presente sempre nos melhores e piores momentos. Sou eu quem aguenta suas bobeiras, suas loucuras e suas chatices. Mas também sou eu quem não pode dizer “eu te amo”. Não com o verdadeiro amor que eu sinto.
- Brisando de novo? – ele disse sorrindo ao meu lado.
Ri sem humor.
- Isso aqui é muito chato! – falei. Justin fez uma careta.
- Achei que gostasse de me ouvir cantar!
- Não é isso. Eu gosto! É que você tá gravando, então fica repetindo as frases e não termina a música inteira... Isso é chato! – me expliquei e ele se sentou ao meu lado com uma garrafinha d’água na mão.
- É, é meio chato – falou tomando um pouco da água.
Fiquei observando enquanto ele afastava a garrafa dos lábios úmidos e fazia seu hair flip. Ele passou a língua nos lábios e me olhou.
-Que foi? – perguntou divertido.
- Ahn? Nada não – balancei a cabeça e pisquei algumas vezes.
Ele soltou uma risadinha.
- Tá acabando? – perguntei olhando Scooter conversar com o carinha da gravadora.
- Nós já estamos indo embora. Só esperando Scooter – ele falou e eu suspirei.
Deitei a cabeça em seu ombro e ele me abraçou. Para ele, isso não significava nada. Éramos grudados assim desde crianças. Mas pra mim, seus simples abraços passaram a significar muita coisa. Toda vez que eu o via – ou seja, sempre – meu coração acelerava. Toda vez que ele me tocava, minha pele formigava e as borboletas em meu estômago se agitavam. E toda vez que ele sorria, o mundo se iluminava e eu me sentia a pessoa mais feliz do universo. Eu sei, é bobeira, mas é como eu me sinto.
- Vamos, crianças? – Scott perguntou indo para a porta.
- Aleluia! – falei me levantando e Justin riu.
Fomos até o carro de Scooter. Eu não sei por que andávamos com ele se Justin tinha um super carrão e sabia dirigir.
Estávamos em casa em poucos minutos. Tia Pattie veio nos receber alegre.
- E então, como foi? – ela perguntou animada.
- Legal.
- Chato – reclamei me jogando no sofá e ligando a TV.
- Você precisa de um hobby! – Justin tomou o controle das minhas mãos e mudou para um canal de esportes.
- Até parece! – falei tomando o controle de volta.
- EI! Eu tava assistindo! – reclamou.
- Eu sou mais velha, portanto eu escolho o que nós vamos assistir – sorri triunfante.
- É sempre assim – murmurou fazendo um bico.
- Vai ser sempre assim! – corrigi.
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