Não tínhamos saída. A fumaça já tomava conta da sala de provas e muitos estavam sofrendo por intoxicação. Os fiscais tentavam a todo custo levar todos em segurança para fora do prédio, mas eles mesmos pareciam precisar de ajuda. No momento da explosão, eu caí de lado e bati a minha cabeça contra a parede. Fiquei imóvel por um bom tempo no chão frio. De onde estava conseguia ver a fumaça cinzenta adentrar na sala e consumir algumas frutas. Teria me consumido também se um par de braços fortes e macios não tivessem me carregado até a janela para inalar ar puro. Minha cabeça parecia ter voltado ao lugar. A tontura se foi. Pude identificar o rosto do meu herói... herói? Não, não era isso. Era uma louca pervertida.

Tudo começou quando o sinal tocou. Todos abaixaram as cabeças para a realização do teste. Eu me sentia horrível por não entender as questões e perceber que era um idiota. Me via no fundo de uma cova sendo enterrado pela minha mãe. Não era uma boa coisa para se pensar, com certeza não era!

Tinham se passado uns 15 minutos desde o início do teste, quando BUMMMMMM! O chão da sala tremeu e o ar ficou mais pesado. Não me lembro de muita coisa porque no momento estava inconsciente... Só me lembro de querer vomitar minhas sementes.

Fui abraçado pela pera que me assediara antes do início do teste. E, graças à ela, fui salvo da tragédia.

Ouvi gritos de sufocamento e muitas tossidas forçadas. Achei que devesse ajudar, mas ela agarrou meu braço com força.

– Aonde pensa que vai?

–Precisamos ajudar os outros! Não sei o que está acontecendo, mas algo me diz que não é algo bom. — Retruquei.

–Foi uma explosão. Temos que encontrar quem fez isso! Os fiscais da sala já estão socorrendo os feridos. — Disse ela puxando o meu braço e correndo numa direção contrária a da sala de teste.

Corremos desesperados pelos corredores do prédio. Eu já havia vindo aqui muitas vezes, conhecia bem o lugar. Ou pelo menos, deveria... O lugar estava consumido pela fumaça estranha. Vultos transcorriam entre a gente o tempo todo. Não sei se poderiam ser frutas em busca de uma saída ou outra coisa...

Me toquei que havia um alarme de incêndio logo abaixo do andar onde estávamos, convidei a P.P (Pera Pervertida) a me seguir.

–O autor da explosão pode estar fugindo! Não temos tempo para isso, Milo! — Respondeu um tanto que cansada. Pude notar que lascas de suor e suco* escorriam pelas frestas de sua casca. Estava tão desesperado em ajudar os outros que não notei que nós dois precisávamos de ajuda também. Se continuássemos correndo assim nossos corpos teriam uma paralisia frutal e acabaríamos largados no chão feito papa de vitamina.

*NÓS, FRUTAS, DIFERENTE DOS HUMANOS (VOCÊ DEVE SER UM...) TEMOS NO LUGAR DO SEU SANGUE VERMELHINHO UM SUCO, QUE DEPENDENDO DA FRUTA VARIA ENTRE DOCE, AMARGO, AZEDO OU ADSTRINGENTE. O QUE DIFERENCIA DO SEU SANGUE "O, A, B , AB, Rh..." ENFIM... VOCÊ ENTENDEU.

Enxuguei o suor no rosto dela, e sussurrei um obrigado no seu ouvido e pedi que ficasse sentada descansando por um tempo.

–O que você vai fazer? — Me perguntou.

–Não faço a menor ideia, mas preciso encontrar uma saída daqui para nós dois. — Notei um pequeno sorriso no rosto enlameado de suco dela.