A Mata
2 Capítulo 2
— Mãe! – chama Antônio chegando em casa depois de seu período no mercadinho.
— O que foi, menino? – Berenice já pergunta assustada.
— Eita, mãe, – Antônio ri – já pensa desgraça.
— Chega em casa gritando, quer que eu pense o quê? – diz Berenice ofendida.
— Nada de desgraça, bom, não pra mim pelo menos – Antônio diz rindo e abraça a mãe.
— Esse final de semana é minha folga e eu vou acampar. – Antônio conta animado — Queria que a senhora fizesse uns lanches pra eu levar.
— Acampar aonde? Com quem? – a mãe já começa o interrogatório.
— Sozinho! Eu e a mata, minha amada. – Antônio mexe as sobrancelhas para cima e para baixo.
— Ah, vai namorar a árvore agora? Vou ter neto arbusto? – Berenice brinca.
— Sim! – rindo alto, Antônio pega a mãe nos braços e a roda pela sala — Netinho arbusto e netinha flor de laranjeira.
— Vou ter que começar a guardar adubos pros netos, então. – Berenice ri entrando na brincadeira do filho.
Ela para e olha para o filho.
— Falou com seu pai? – ela pergunta e levanta a sobrancelha.
— Não e nem vou. – Antônio diz desviando o olhar. — Sabe que ele tentaria me impedir e eu quero ir, eu preciso ir.
Antônio anda pela sala e diz a mãe:
— Mãe, é um sentimento inexplicável, mas acho que a mata está me chamando.
Berenice sente um arrepio passar pelo corpo e fala para o filho com a voz trêmula.
— Antônio... Fale com seu pai antes de ir, – ela pega suas mãos — Conte para ele sobre esse anseio, fale com ele sobre esse chamado inexplicável.
— Não mãe, ele vai tentar me impedir! – Antônio teima — Eu vou, serão só dois dias, pode ficar tranquila.
Berenice sabe que seu filho é tão teimoso quanto o pai e que não conseguirá persuadi-lo da ideia de ir para mata.
— Vou arrumar uns lanches no cooler e umas cobertas leves para você levar.
Ela vira para ir para a cozinha, mas hesita na porta, vira e olha para o filho séria e diz:
— Filho, quando estiver lá, não se esqueça de nós, ok? – ela diz com a voz forte — Quando se sentir sozinho, quando o vazio estiver grande e quando qualquer outro sentimento tentar tomar conta de você, lembre-se de nós. Pense em nós e no nosso amor.
Antônio olha para a mãe e estranha sua expressão séria e temerosa, parecia que ele iria em uma viagem longa e para um lugar distante e não para uma mata que nem ficava a 20 minutos dali.
— Mãe, serão só dois dias, nem dará tempo de ter saudades. – ele brinca.
— Antônio, – ela olha em seus olhos, séria e compenetrada — prometa.
— Então, eu prometo. – Antônio diz para apaziguar a mãe — Quando eu estiver me sentindo só e qualquer sentimento quiser me invadir, eu lembrarei de vocês e do seu amor por mim e do meu amor por vocês.
Berenice olha para ele, vê em seus olhos que ele falou sério e balança a cabeça satisfeita.
— Bom, – ela diz — vou lá montar seus lanches.
Fale com o autor