A Mata

6 Capítulo 6


Antônio entra nesse mundo que tanto buscava olhando para os lados fascinado.

Tudo era mais brilhante depois da passagem turva que as “árvores olhos” ficava para trás.

Tudo mais verde, mais flores, mais pássaros, mais plantas exóticas e um incrível silêncio.

Isso o fez parar no meio de uma clareira e olhar atentamente ao redor. A mata estava em silêncio. Nem o ruído do vento balançando as árvores, nada.

Bem a frente, tinha uma árvore marrom profundo e não havia folhas nela. Só galhos nus que se contorciam em várias direções.

Antônio se sentiu compelido a andar em direção a ela, era como se ela o chamasse.

Quando ele estava a dois metros dela, aos pés da árvore, começou um pequeno redemoinho, era como um mini furação em formação, mas ainda em silêncio, o redemoinho foi crescendo e dentro dele, começou a aparecer uma forma de mulher. Seus longos cabelos balançavam com o vento do redemoinho e ela virou os olhos para ele.

Seus olhos, de um verde intenso como o da floresta. Sua pele, era como a das crianças que ele achava que havia alucinado. Era marrom, com veias como a dos troncos.

Ela ficou ereta e começou a andar em direção a ele. Ela andava como se desfilasse, com uma confiança e sedução que o estava mantendo preso no chão.

Ela parou em sua frente, sorriu e disse:

— Olá, herdeiro do João. – ela disse e curvou a cabeça — Bem-vindo, nós o aguardamos há muito tempo.

Ele engoliu em seco e reparou que enquanto ele se concentrava na mulher da árvore, ele estava sendo cercado por seres iguais a ela, dezenas deles. Homens, mulheres e crianças. Todos olhavam para ele sérios e sem sorrir.

Todos com olhos verdes, só variam do claro ao escuro. Seus traços também eram parecidos, como se fossem a mesma pessoa, mas em versões diferentes.

— Meu nome, é Yanna, e este é meu povo. Meus filhos, pedaços de mim.

Ela começa a andar em direção as pessoas que agora, formaram uma parede em frente à entrada da clareira.

— Nós, somos os reais donos dessa mata, nós decidimos quem fica e quem vai. Nós, mostramos o olho só para pessoas especiais. E nós, herdeiro de João, queremos você.