A Mata
5 Capítulo 5
Antônio acorda cedo e ansioso para explorar a mata e decide ir mais fundo do que já foi antes, portanto ele carrega tudo com ele, leva barraca junto, porque pretende achar outro lugar para pernoitar. Geralmente ele explora, mas dorme no mesmo lugar, e hoje, seria diferente.
Depois de um café instantâneo e um sanduiche, ele ergue acampamento e vai.
Está um dia de sol bem bonito, nem são 6h da manhã e tudo já está brilhante e quente.
Ele caminha por algumas horas e tem a impressão que caminham com ele, mas, ele olha para os lados e não vê nada.
— Antônio, tu tá ficando doido cara, – ele balança a cabeça rindo — bora desacelerar essa imaginação hiperativa, você nunca foi disso.
Ele ri alto e o som se espalha pela mata, fazendo os passarinhos que estavam em uma árvore próxima, saírem voando e fazendo barulho.
Mais uns metros e ele acha uma pequena clareira com um pequeno rio correndo ao lado.
— Beleza, achei o lugar para passar a noite! – Antônio diz animado.
Ele começa a montar tudo e dá uma olhada no celular para conferir se ali tinha algum sinal.
E não tinha.
— Porra – ele resmunga baixinho — Bom, pelo menos tenho o rádio.
Como já passava do meio dia, ele decidiu pescar um peixe para almoçar ali no rio ao lado.
Chegando próximo ao rio, ele se senta em uma pedra e olha para o outro lado da margem e para surpreso. Ele podia jurar que viu uma criança o olhando do outro lado! Ele firma a visão e a criança sumiu.
— A fome está me deixando doido, é isso – ele diz balando a cabeça.
Jogando a vara no rio ele olha de novo para lá e agora são duas crianças. Mas, elas não são crianças normais. Suas peles lembram as cascas das árvores ao redor, o tom marrom e os veios dos troncos eram a pele deles. Chocado, ele deixa a vara cair, e quando se abaixa para pegar a vara, elas sumiram.
— É oficial, estou alucinando de fome. – ele decide que isso é mais crível do que pequenas crianças com pele de casca de árvore.
Depois de pegar dois peixes, ele os prepara para fritar. Acende a fogueira, coloca o tempero que trouxe e os coloca em espetos.
Assando os peixes, Antônio prepara seu kit exploração: Lanterna, facão, uma bússola, água, repelente e uma pequena pistola. Ele não gostava de levar espingarda por ser muito grande e ser uma arma que o deixava desconfortável. Afinal, ele nunca caçou grandes animais. Só um pequeno animal ou outro para comer.
Ele come os peixes, umas batatas fritas e está satisfeito.
— Acho que agora não alucino mais, tô de barriga cheia.
Começando a caminhar, ele para de repente e volta para a barraca e pega o colocar que seu pai havia dado há tantos anos atrás.
O coloca no bolso e volta a caminhar.
Ele vai pôr um caminho novo, um caminho mais estreito que sempre o havia intrigado, mas que nunca tinha tido coragem de explorar.
Ele seguiu e notou que as árvores ali eram mais densas, deixavam o caminho mais turvo, como se fosse finzinho da tarde e estivesse chegando a noite.
Sons de corujas, sapos, cigarras começaram a ecoar todos ao mesmo tempo. Cada vez mais alto, cada vez mais intenso, como se fosse amplificado a cada metro que ele avançava.
Foi então que ele viu.
Há uns 10 metros a frente, estava o lugar que ele ansiava encontrar desde que era um menino.
A entrada do Olho da Mata.
Os galhos das arvores que ficavam uma em frente a outra, se ligaram de tal maneira, que parecia com um olho real, com cílios e tudo.
E a forma redonda que formava dentro delas, era a forma do globo ocular. E a escuridão mais a frente, a pupila intensa e profunda que pedia, implorava que você seguisse em frente e descobrisse aonde aquele intenso olhar te levava.
Com o coração acelerado e a adrenalina bombeando nas veias, Antônio foi ansioso encontrar o que marcou tanto a vida do seu pai.
Ele avançou e atravessou aquela estranha passagem.
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