A Marota- Caroline Caldin
87 O passado volta à tona
Notas iniciais
P. D. V. Carol
Uma semana havia se passado desde que as aulas começaram, e quase nada tinha mudado em Hogwarts, só o que mudou foram que eu não tenho perigo de vida por causa de amigos no Malfoy, todos já saíram da escola, ainda bem. A única coisa que realmente mudou na escola foi o novo professor de DCAT, ele tinha 45 anos, se chamava Edward Klinn, e sua filha mais velha entrou no primeiro ano na Lufa-Lufa, e ela é muito fofinha.
Hoje era uma sexta-feira bem movimentada, tinha bastantes aulas difíceis (poções, transfiguração, HM, etc.), tínhamos pelo menos sete aulas de uma hora hoje. Eu e os meninos continuamos tento quase todas as aulas juntos, com exceção das de Estudo dos Trouxas, Astronomia, e Aritmância que o Remo fazia. Se os meninos mudaram alguma coisa no seu jeito de ser? Nada, continuam os mesmos bagunceiros nas aulas e foras delas.
Agora era mais ou menos 5 horas da tarde e eu estava com as meninas no jardim aproveitando o sol de final do dia com elas, já que os meninos estavam fazendo alguma coisa que eles não queriam que eu visse ou participasse, com certeza era uma pegadinha, mas eles não queriam que eu me encrencasse, mas com ou sem eles eu acabo me encrencando com alguma coisa.
As meninas estavam falando sobre coisas banais e sem importância, falando de como tinham sido as férias mais uma vez, enquanto eu pensava em qualquer coisa sem pensar numa especifica, e a Lily estudava ou lia algum livro que não sei o nome. Resolvi procurar algum pergaminho para desenhar, e acabei achando o Mapa do Maroto, que eu tinha pegado na ultima aula de Astronomia para não ter perigo de ser pega pelo Filch, ele está mais chato que o normal esse ano comigo e com os meninos, mas tudo bem, sempre damos um jeito de escapar dele.
Aproveitei que as meninas não estavam prestando atenção e abri o mapa, procurando os meninos pelo mapa, os achando no quarto andar parados em um corredor. Então resolvi ir atrás deles, para ver o que eles estavam aprontando, e por que eles tinham corrido falando que iriam fazer uma coisa que achavam melhor não me envolver. Falei para as meninas que estava com umas lições atrasadas que tinha esquecido, elas falaram que nos encontrávamos depois e sai para dentro do castelo.
Subi até o quarto andar e logo encontrei os meninos sentados no chão em volta de alguma coisa, eu discretamente cheguei perto deles e olhei para o papel que eles estavam olhando, e simplesmente era um plano bem grande para uma pegadinha, mas acho que iria dar muito estrago por isso eles não quiseram me colocar no meio.
Dei alguns passos para trás até chegar ao corredor ao lado, por onde eu tinha passado. Peguei a minha varinha e apontei para o mapa, usando o feitiço Accio para trazê-lo até a minha mão.
– Ei, por que o mapa está voando? – Perguntou Pedro olhando o mapa vir até minha mão.
– Vamos pegar o mapa. – Falou Jay, e o mapa já estava em minha mão, então quando eles chegaram e me viram, simplesmente falei:
– Ótimo plano, mas por que esconderam de mim?
– Merda, Carol, não faz isso, quase morremos do coração. – Falou Six, suspirando.
– Era essa a ideia. Por que não me contaram? – Perguntei de novo dobrando o pergaminho e devolvendo para o Jay.
– Olha, não foi por mal, mas nós achamos que você não deveria participar dessa, é bem grande e se formos pegos vai ter um grande problema com detenção, achamos melhor você ficar fora. – Falou Remo.
– Quantas vezes vou ter que falar para vocês que não me importo com isso, afinal eu sou a marota, não sou? – Falei sorrindo cruzando os braços. – Não se preocupem, não vou participar de tantas pegadinhas assim esse ano.
– Está certo, não vamos mais esconder as coisas de você. – Falou Jay sorrindo.
– Mas como você nos achou? – Perguntou Six enquanto eles voltavam para pegar as mochilas.
– Eu estou com o mapa, lembram? – Respondi sorrindo, e logo começamos a andar pelo corredor.
– Por que você não vai participar de todas as pegadinhas? – Perguntou Pedro de repente.
– Tenho outras coisas para fazer. – Falei sorrindo marota.
– Está com um peguete? – Perguntou Jay passando o braço pelos meus ombros.
– Por enquanto não, mas não vou tirar essa hipótese. – Respondi sorrindo para ele.
– Vamos parar com esse papo. – Falou Six antes de qualquer um falar alguma coisa.
– Não gostou do assunto Sirius? – Perguntou Jay sorrindo divertido para o mesmo.
– Não gosto, e solta a Carol, só eu posso fazer isso com ela. – Respondeu Six tirando o braço do Jay de cima de mim e colocando o seu, me dando um abraço, fazendo eu e os meninos rirem, o Six é muito engraçado.
Continuamos andando pelos corredores e nós fomos diretos para a sala comunal, eu subi para meu quarto para deixar a minha mochila lá, enquanto os meninos faziam o mesmo no quarto deles. Depois ficamos conversando no salão comunal sobre a pegadinha, e acabei descobrindo que a pegadinha era para o Filch, como um recado para ele parar de pegar nos nossos pés, nós praticamente não vamos ter tempo para fazer pegadinhas esse ano, e até por que não somos mais tão crianças para fazer tantas, mas não vamos parar tão sedo.
A pegadinha iria ser bem legal, e iria servir muito por ser o Filch que iria sofrer, ele bem que merecia por tudo o que ele faz todos passarem, e tudo o que ele já fez todos passarem, não vou contar nem metade do que ele faz, mas vamos dizer que quando ele pode, ele quase nos tortura com suas ideias de nos pendurar pelos tornozelos e coisas assim, eu posso dizer que ele já pendeu eu e os meninos num armário de vassoura empoeirado, e nós ficamos lá por horas, conseguimos dormir pouco, e eu e os meninos ficamos espirrando o tempo todo, não foi nada legal.
– O que nós vamos fazer nesse final de tarde de uma sexta-feira? – Perguntou Six deitando no sofá colocando sua cabeça no meu colo, e como sempre eu comecei a mexer no seu cabelo.
– Eu poderia dormir até a minha aula de Astronomia. – Falei olhando os outros meninos sentarem no chão, já que eu e o Six pegamos todo o sofá.
– Dormir é muito monótono, vamos fazer alguma coisa mais emocionante. – Falou Jay colocando a cabeça no meu joelho.
– Para mim tanto faz. – Falou Remo abrindo um livro que não reparei o nome.
– Alguém tem alguma ideia? – Perguntou Six fechando os olhos enquanto eu ainda mexia no seu cabelo, eu acabei fechando os olhos também, eu estava morrendo de sono e ainda teria aula de noite, hoje seria um dia bem longo.
– Vamos para o jardim. – Falou Jay pegando a minha mão e puxando, fazendo o Six cair em cima do Remo e do Pedro (que estava comendo chocolate) fazendo ele e eu rirem, enquanto os outros meninos reclamavam.
Logo que os meninos levantaram saímos pelos corredores e descemos até a “nossa” árvore. Quando chegamos à árvore os meninos deitaram no chão e eu deitei com a cabeça em cima da perna do Six, eu gosto quando ele mexe no meu cabelo, e parece que ele gosta de mexer nele, ele sempre mexe.
Os meninos ficaram falando de alguma coisa que sinceramente não prestei atenção, eu estava morrendo de sono, e estava dormindo em pé enquanto o Six mexia no meu cabelo. Provavelmente acabei dormindo, pois os meninos pararam de falar e eu estava no jardim em baixo da árvore, mas estava sozinha e estava chovendo, na verdade estava caindo uma tempestade.
Comecei a correr para o castelo, mas eu corria e não diminuía a distancia eu não estava mais na árvore, mas também não estava chegando perto do castelo, na verdade parecia que eu estava ficando cada vez mais longe. Parei para respirar e quando olhei para trás só via grama e mais grama, pelo horizonte todo, e quanto olhei para frente, onde era para ficar o castelo, e o que eu vi foi um precipício enorme, eu nem conseguia ver o final dele.
Então para piorar tudo a parte que eu estava quebrou e eu comecei a cair pelo precipício, mas por mais que eu estivesse caindo no nada, não estava com medo, na verdade a imagem era bem bonita de se ver, o sol estava se pondo e se eu não estivesse caindo, ficaria bem feliz em vê-lo.
– Carol... – Escutei alguém falar ao longe, mas não consegui identificar quem era e de onde vinha. – Carol... – Escutei de novo, só que mais perto e reconheci a voz sendo do Six, então parei de cair e fiquei flutuando no meio do precipício.
Comecei a subir de volta para a planície antes do precipício e quando cheguei ao começo do precipício e pisei na terra, acordei e me encontrei com a cabeça ainda no Six e ele estava me chamando.
– Carol, você dormir? – Perguntou para mim com o rosto bem próximo do meu, para olhar os meus olhos, que até a pouco tempo estavam fechados.
– Acho que sim. – Respondi sorrindo abrindo os olhos definitivamente.
– Percebemos; você estava roncando mais que o Rabicho e o Almofadinhas juntos. – Falou Jay, fazendo eu e os meninos rirem.
– Besta, eu não ronco. – Falei sentando sorrindo.
– Isso é o que você pensa. – Falou Jay sorrindo para mim maroto.
– Está bem, mas por que me acordaram? Eu vou dormir tarde hoje, tenho que descansar. – Perguntei.
– Nós vamos entrar, já vai escurecer. – Respondeu Remo ainda sorrindo.
– Então vamos entrar. – Falei levantando junto com os meninos e seguimos para a passagem.
Entramos e começamos a andar pela passagem, eu estava com muito sono e ficava bocejando o tempo todo.
– Vem. – Falou Six me pegando no colo, e quando olhei para ele sem entender ele simplesmente respondeu. – Você está cansada, precisa dormir, não se preocupe, eu dou um jeito. – Falou e deu uma piscadela para mim. Eu sorri agradecida e me encostei-me a ele, dormindo logo em seguida.
Quando eu acordei eu estava no quarto dos meninos, mas nenhum deles estava lá. Quando olhei vi que era 8 horas, e provavelmente eles estavam jantando, e como minha aula só começa ás 9 horas, daria tempo de tomar um banho, já que estava bem quente e eu não estava com fome.
Subi para o meu quarto e não encontrei nenhuma das meninas, como eu já esperava. Entrei no banheiro com uma roupa bem confortável, já que eu não precisava ir com o uniforme nessa aula (o professor falou que iria ajudar nós irmos com uma roupa bem confortável para a aula, mas não falou o porquê). Demorei mais ou menos 30 minutos para tomar banho, me trocar, e arrumar o cabelo.
Quando sai, vi os meninos sentamos na minha cama, ainda bem que eu levei a minha roupa para o banheiro.
– O que estão fazendo aqui? – Perguntei assim que sai do banheiro.
– Viemos te trazer comida. – Falou Remo apontando uma toalha com pão, torrada, e geleia.
– Depois de comermos fomos até a cozinha e pegamos isso para você. – Falou Jay.
– Obrigada, não precisava. – Falei sentando no lado do Six na minha cama, com o Remo na minha frente e o Jay ao seu lado (o Pedro não gosta de altura, e como eles vieram de vassoura, ele não veio).
– Nós não queremos que você passe mal por não comer. – Falou Six passando o braço pelos menus ombros. – E também tínhamos expectativa de ver você só de toalha. – Completou sorrindo maroto.
– Isso é mentira. – Falaram o Remo e o Jay juntos, me fazendo rir.
– Porra Sirius, para de nos colocar nos seus desejos obscuros com a Carol. – Falou Jay, e todos nós começamos a rir, eu estava quase chorando de tanto rir.
– Me deixe com meus desejos. – Falou Six me abraçando, e claro que todos nós começamos a rir.
Depois de rirmos muito, começamos a falar bobagem, e quanto era 10 para as 9 horas, os meninos foram embora e eu fui para a minha aula de Astronomia. Quando cheguei encontrei todos da sala na porta esperando o professor, mas ninguém sabia o que estava acontecendo. Quando ele abriu a porta da sala, falou para nós o seguirmos, e começou a andar pelo corredor.
Nós o seguimos pelos corredores e pelas escadas até chegarmos ao jardim, e encontramos os nossos telescópios ali.
– Nós vamos ter nossa aula aqui hoje, podem pegar seus telescópios e procurar constelações. Isso vai valer pontos na nota final de vocês. – Falou o professor, e logo cada um foi para seu telescópio.
Comecei a procurar todas as constelações que conhecia, até as constelações referentes ao signo dos zodíacos. Eu achei todas em 30 minutos, e posso dizer que é bem mais fácil achar as constelações aqui em baixo do que na sala de Astronomia. Depois de escrever tudo, o que era bastante coisa, comecei a olhar para os outros alunos, e todos estavam concentrados nos seus trabalhos.
Olhei para o professor e ele estava sentado perto do lago olhando para cima, com certeza olhando as estrelas ou pensando na vida, talvez até imaginando como seriam os trabalhos. Então avistei um aluno novo, do sexto ano também (ele começou as aulas esse ano) e ele era da Lufa-lufa, e ele estava olhando do telescópio para o livro e depois para o céu, voltando tudo de novo depois, e ele não parecia muito calmo.
Caminhei calmamente até ele para que ninguém e muito menos o professor me visse. Cheguei perto dele e vi que o livro estava aberto na página que falava sobre a constelação de Cão maior, e vocês sabem que essa constelação tem a estrela Sirius, então eu meio que sei décor onde está a constelação.
– Caramba, onde está essa constelação? – Escutei o menino falar.
Eu discretamente movi o telescópio dele até a constelação, e ele fez uma voz de surpreso. Tirou os olhos do telescópio, anotou o que precisava no seu pergaminho e olhou para cima, onde eu estava sorrindo, acho que ele percebeu que eu estava lá antes mesmo de eu mexer o telescópio.
– Acho que você não deveria ter feito aquilo Caldin. – Falou o menino me olhando.
– E acho que você sabe que eu não ligo para regras. – Respondi sorrindo.
– Eu sei, assim como toda a Hogwarts. – Falou e levantou, ficando mais alto que eu. – Prazer Guilherme Parker. – Falou estendendo a mão para eu apertar.
– Caroline Caldin. – Respondi apertando sua mão.
– Acho melhor você voltar para o seu lugar antes do professor ver que você me deu uma pequena ajuda. – Falou sorrindo.
– Melhor mesmo, qualquer duvida é só perguntar. – Falei e virei às costas.
– Vou me lembrar disso. – Comentou Guilherme, e eu olhei para ele dando uma piscadela e voltando para o meu lugar.
Comecei a olhar pelo telescópio em volta, só para passar o tempo, e quando olhei para o dormitório masculino vi o Six olhando para onde eu estava. Olhei para cima de dei um tchauzinho com a mão, e ele respondeu sorrindo de lado com um aceno, acho que ele não queria que eu descobrisse que ele estava me observando. Mas por que ele estava me observando?
– A aula acabou, peguem seus telescópios, me entreguem os trabalhos, e voltem para seus dormitórios. – Falou o professor de repente ficando de pé.
Todos levantaram e entregaram seus trabalhos, e logo depois começaram a voltar para o castelo, mas eu resolvi ir pela passagem, então eu fingi que estava pegando alguma coisa e segui para a passagem. Logo depois de sair dela segui para as escadas e subi rapidamente para o 7º andar, entrando logo em seguida na sala comunal, encontrando o Six sentado no sofá.
– Por que está aqui Six? – Perguntei para ele enquanto sentava ao seu lado.
– Eu resolvi vir para te explicar por que estava observando sua aula. – Respondeu me olhando.
– Não precisa me explicar nada. – Falei, mas bem que eu queria saber por que ele estava olhando para lá.
– Eu quero. – Falou e eu falei para ele continuar. – Eu não estava conseguindo dormir, então fui olhar a floresta, e vi você e seus colegas tendo a aula lá, resolvi observar.
– Entendi. – Falei, mas acho que não era totalmente verdade. – Tem mais alguma coisa que você quer me falar?
– Não. – Respondeu e eu o olhei duvidando. – Está bem, quem é aquele menino com quem você conversou? – Então era isso.
– Guilherme Parker, da Lufa-lufa, eu dei uma pequena ajuda em uma constelação. – Respondi.
– Hum, entendi. – Falou olhando para o lado, e não tinha uma cara muito boa.
– Por que a pergunta? Está com ciúmes? – Perguntei provocando-o.
– Eu não estou com ciúmes, só queria saber quem era. – Respondeu na defensiva, mas tenho quase certeza que ele está mentindo.
– Está bem, vou fingir que acredito. – Respondi revirando os olhos.
– É verdade. – Falou olhando nos meus olhos, mas eu simplesmente levantei uma sobrancelha como seu eu ainda duvidasse. – Carol. – Falou e eu vi nos olhos dele que o mesmo não estava mentindo.
– Está bem, só estava brincando. – Finalmente falei sorrindo para ele, que sorriu de volta de lado revirando os olhos. – Vamos para os dormitórios, está tarde. – Falei.
Levantamo-nos e quando eu estava saindo de perto do sofá o Six me puxou para baixo tampando a minha boca, eu meio que fiquei deitada tem cima dele, já que o mesmo estava um pouco inclinado e abraçando a minha cintura. Olhei para ele sem entender e ele apenas falou para eu não falar nada e esperar, e acabou tirando a mão da minha boca.
Alguns segundos depois escutaram alguém descendo os últimos degraus da escada para os dormitórios, mas como eu estava no chão atrás do sofá, não consegui ver ninguém.
– Cadê o Almofadinhas? – Escutei o Jay perguntar, com a voz de sono que ele tem, provavelmente deve ter acordado agora a pouco e veio procurar o Six. – Se ele não está no quarto onde ele se meteu? Não importa, amanhã pergunto para ele. – Falou seguido por um bocejo.
Depois que o Jay subiu as escadas virei para o Six e perguntei:
– Por que você fez isso?
– Eu quero fazer uma brincadeira com o Pontas amanhã. – Respondeu sorrindo maroto.
– Isso é crueldade. – Comentei e ele riu. – Vocês nunca vão parar de fazer brincadeiras um com o outro, não é?
– Não. – Respondeu Six sorrindo.
– Coitados dos meus filhos, vão ter tios loucos. – Comentei olhando para frente (eu ainda estava “deitada” no Six, com o mesmo abraçando a minha cintura).
– Já está pensando em ter filho? O que aconteceu para você falar isso, está com alguém e não contou para mim? – Perguntou me olhando nos olhos.
– “Mim”? – Perguntei.
– Nós, os Marotos, você entendeu. – Falou meio enrolado.
– Não estou namorando ninguém, mas um dia vou ter filhos. – Respondi a pergunta que ele fez.
– Você vai contar para mim quando tiver um namorado, não vai? – Perguntou sem olhar para mim.
– Claro que sim, eu já te prometi isso o ano passado. – Respondi sorrindo para ele, que sorriu de volta. – Você vai dormir agora?
– Não, estou totalmente sem sono. E você? – Respondeu.
– Também estou sem sono, mas eu vou subir para trocar de roupa. – Respondi.
– Eu te espero aqui em baixo. – Falou Six.
Eu subi e troquei de roupa, logo depois descendo e fiquei conversando com o Six por algumas horas, só sei que quando cheguei ao meu quarto era um pouco mais de duas horas da manhã, não era tão tarde quanto eu pensava. Coloquei meu pijama e deitei na cama, dormindo no máximo 10 minutos depois de minha cabeça encostar-se ao travesseiro.
No outro dia...
P. D. V. Six
Acordei um pouco mais de 10 horas, e todos os meninos estavam acordando também, o único que já estava acordado era o Remo, e como sempre estava lendo, mas dessa vez não era um livro de matéria.
– Six, onde você estava ontem de noite? – Perguntou Jay para mim assim que eu sentei na cama.
– Na sala comunal. – Respondi olhando para ele.
– Que estranho, ontem eu desci, mas você não estava lá em baixo. – Falou, hora da minha brincadeira.
– Eu não vi você lá em baixo. — Falei dando de ombros.
– Que estranho. – Comentou Jay pegando seu óculos.
– Você deve ter sonhado que desceu, mas como era só um sonho não aconteceu nada. – Falei dando de ombros e entrando no banheiro para me arrumar.
Depois que sai os outros meninos também foram se arrumar, e quando acabamos era mais de 11 horas, então resolvemos descer para esperar o almoço, mas não demoraria tanto. Quando chegamos ao Salão Comunal já tinha algumas pessoas sentadas nas suas mesas, então eu e os meninos sentamo-nos à mesa da Grifinória e ficamos conversando.
P. D. V. Carol
Acordei mais de 11 horas da manhã, e eu ainda estava com bastante sono, eu bem que poderia ficar na cama, mas assim que abri os olhos as meninas me obrigaram a levantar da cama. Tomei banho e desci para almoçar, e logo encontrei os meninos na mesa, e acabamos sentando todos juntos, eu no lado do Six e a Lily acabou tento que sentar no lado do Jay, já que era o único lugar vago.
Comemos enquanto conversávamos e víamos o resto dos alunos entrarem para comer. Ficamos pelo menos uma hora no Salão Comunal conversando, mas depois subimos para o dormitório, as meninas iriam acabar algumas lições, e eu e os meninos aproveitamos para ficar conversando um pouco na sala comunal.
Quando chegamos, as meninas subiram para o dormitório, eu, Six, Remo e Pedro fomos sentar no sofá e o Jay foi olhar o quadro.
– A copa de Quadribol começa daqui a dois meses, tenho que marcar o teste de Quadribol e já marcar os dias em que vamos treinar, às vezes é tão complicado ser o capitão. – Falou e sentou no meu lado no sofá, enquanto o Six estava no meu outro lado, o Remo numa das poltronas ao lado, assim como o Pedro (que estava mexendo no seu bolso).
– Mas você adora fazer isso. – Completei sorrindo para ele.
– Fazer o que. – Concordou sorrindo comigo.
– Nós vamos fazer a pegadinha hoje? – Perguntou Six colocando o braço em cima do sofá, consequentemente colocando o braço quase nos meus ombros.
– Podemos fazer, tem que ser antes do jantar. – Falou Jay.
– E têm que ser de um jeito bem discreto, as pessoas vão desconfiar bastante esse ano. – Falei, era verdade, ano passado tínhamos ganhado uma fama muito grande, e tenho certeza que esse ano vai ser ainda maior.
– Espera; quem disse que você vai participar? – Perguntou Six para mim.
– Eu também sou do grupo. – Falei o olhando.
– Sim, mas isso é bem grande, e já falamos que não queremos você envolvida nesse. – Falou Six me olhando nos olhos, e mostrando que a pegadinha iria ser grande mesmo, e que os meninos realmente não queriam me envolver.
– Está certo, mas eu vou ajudar, vocês querendo ou não. – Respondi e olhei para frente, mais precisamente para lareira.
– Você é muita cabeça dura. – Falou Six me abraçando pelo pescoço, beijando o topo da minha cabeça, fazendo eu e os meninos rirem.
Ficamos o resto do dia revisando o plano, e acabou que eu só vou dar cobertura para a pegadinha dos meninos. Agora era 07h30min da noite, e nós estávamos na frente da sala do Filch, e o mesmo estava lá dentro, provavelmente fazendo alguma coisa sem importância para ninguém, mas totalmente útil para ele, por exemplo: arrumar suas armas de tortura, que nunca serão usadas, pois Dumbledore nunca deixaria.
Fiquei na porta do Filch ouvindo para ver se ele iria sair a qualquer minuto, o que não aconteceu enquanto os meninos colocavam a pegadinha em pratica, que era simplesmente colocar bombas de bostas para tacar no Filch quando ele saísse e colocar óleo no chão para ele escorregar quando saísse correndo procurando os culpados, e consequentemente ficando totalmente colorido, parecendo um arco-íris, o que seria uma sena bem engraçada de se ver (afinal é hilário ver o Filch surtando).
Depois que os meninos fizeram o que queriam, saímos o mais rápido de lá para não sermos pegos pelo Filch caso ele saísse. Quando já estávamos no final do corredor da sala dele os meninos falaram que iriam ficar para ver a sena toda, mas eu queria trocar de roupa antes do jantar, então subi para a sala comunal.
Assim que cheguei a frente ao quadro da Mulher Gorda e ia falar a senha, a porta se abriu e saiu a aluna nova.
– Caldin. – Falou parando quando me viu.
– Juliana Cronddly, não é? – Perguntei para ter certeza que era mesmo esse nome.
– Sim, finalmente nos encontramos a sós. – Falou sorrindo para mim, mas eu achei entranho ela ter falado aquilo.
– Você queria me encontrar a sós? Por quê? – Perguntei, ela nunca olhou para mim nem me procurou durante essa ultima semana desde que as aulas começaram, por que ela queria falar comigo?
– Queria. Ora, vai me dizer que não se lembra de mim, Carol? – Perguntou falando meu nome de um jeito diferente e dando um sorriso, e logo me lembrei de onde eu a conhecia, ela era minha inimiga na infância, não se passava um dia sem que ela fosse mexer comigo, sendo que morávamos no mesmo bairro.
– Você. – Falei para ela depois de lembrar-me dela, o que fez seu sorriso aumentar.
– Lembrou-se de mim, fico honrada. – Falou com aquele jeito irritante de menina mimada, e ainda aquele sorrido falso e de satisfação.
– O que você está fazendo aqui? Você não tinha ido para não sei onde morar com a sua avó? – Perguntei, nós ficamos um pouco mais de dois anos com a nossa inimizade, e depois ela foi morar com a avó.
– Sim, mas minha avó acabou morrendo esse ano... – Falou sem demonstrar emoção.
– Meus pêsames. – Falei, por mais que eu não goste dela, espero que a avó não seja igual, e ninguém merece perder a avó tão sedo, mas ela só deu de ombros.
– Depois disso tive que vir morar com a minha tia, a única da família que sobrou. – Falou revirando os olhos. – A parte boa é que eu vou ficar praticamente o ano inteiro aqui nesse castelo, nem vou vê-la.
– Se você não queria ficar com a sua tia, por que veio para cá? Tenho certeza que você já tem idade suficiente para morar sozinha. – Falei, essa menina continua estranha.
– E você acha que eu perderia a chance de te infernizar por mais um tempinho? Sabe, às vezes é bom reviver os amigos. – Falou com aquele sorriso irritante dela, ela sempre teve esse sorriso.
– Como você sabia que eu estava aqui? – Perguntei, pelo que eu saiba ela não tinha mais o contato de ninguém do nosso bairro, sendo que a avó proibiu isso depois que ela foi morar com a mesma, pelo menos foi isso que eu ouvi.
– Você acha que eu não liguei os pontos? Eu sabia que você viria para Hogwarts desde que você demonstrou seus poderes ao vivo e para todos naquele dia, você não é uma menina que deixa as coisas para trás facilmente.
– E pelo jeito nem você, já que veio correndo para Hogwarts para me ver. – Falei sorrindo marota.
– Na verdade eu esqueço bem facilmente, só não esqueci você, que me trouxe tanta alegria por dois anos. – Falou sorrindo divertida para mim, e eu apenas revirei os olhos.
– Se você acha que eu sou a mesma menina de quando nós éramos pequenas, pode esquecer, eu mudei bastante dês daquela época. – Só para deixar claro se ela achava que iria fazer tudo o que fazia comigo, que ela estava bem enganada.
– Com certeza. – Falou irônica. – Você emagreceu, mudou o cabelo, até não está mais usando aqueles óculos horríveis, mas tenho certeza que você continua a mesma bobinha que antes. – Falou sorrindo divertida de novo. – Não é, Carolinestranha?
– Com certeza não, Lago Hillier. – Respondi para ela sorrindo marota, já que ela vai usar apelidinhos da nossa infância, vou usar com ela também.
– Não me chama assim. – Falou com uma cara irritada.
– Estão não me chame de Carolinestranha. – Retruquei, vou usar a técnica do espelho, tudo o que ela fizer comigo, vou fazer com ela.
– Eu chamo você do jeito que eu quiser, como eu quiser e quando eu quiser. – Falou me olhando irritada.
– Então eu também vou fazer isso. – Falei para ela na maior calma.
– Você não mudou nada, está mais irritante que antes. – Falou e sai andando pelo corredor.
– Foi um prazer te ver de novo Hillier. – Falei para ela.
– Não me chama assim, meu nome é Juliana, não esse nome escroto. – Falou virando para mim.
– Como queira, Hilli... Quer dizer, Juliana. – Falei e ela saiu bufando, acho que consegui mostrar que não sou mais aquela menina inocente e que não conseguia responder a insultos.
Logo depois entrei na sala comunal e sentei no sofá, eu achei que ela tinha ido embora de vez da minha vida desde que ela foi morar com a sua avó, quando nós tínhamos nove anos, mas pelo jeito meu ano não vai ser tão calmo quanto eu esperava. O que eu fiz para você Merlin, para colocar ela de novo na minha vida?
Fiquei olhando pela sala pensando o que aconteceria esse ano com ela aqui, como eu poderia evitá-la, e lembrando-me dos nossos momentos nada amigáveis juntas na infância, eram tempos horríveis. Eu ainda me pergunto para onde ela foi quando foi morar com a avó, ninguém sabe até hoje.
Com certeza você quer saber o que aconteceu com ela para a mesma ir morar com a avó. Ela era adotada, e depois que a avó biológica dela a achou, pediu sua guarda, e como ela era a família mais próxima de Juliana, os juízes não negaram sua guarda a avó, e logo depois ela foi embora, a família adotiva ficou arrasada, eles realmente gostavam da Juliana.
Sei que é confuso, e que você não está entendendo nada, por que os pais dela a deixaram? Esse é o problema, os pais não a deixaram, eles morreram num acidente de carro numa cidade vizinha, e ela foi a única que sobreviveu, foi praticamente um milagre, sendo que ela tinha apenas três anos, mas ela nunca fala sobre isso, não sei se ela se lembra dos pais ou não, acho que ninguém sabe, e também tinham medo de perguntar e deixar a menina angustiada ou coisa parecida.
– Você ainda está aqui? – Perguntou o Jay entrando pelo quadro junto com os meninos.
– Que? Ah sim, não estou com fome. – Respondi voltando a realidade, e os meninos ficaram me olhando com pontos de interrogação nas cabeças.
– Você está bem? Parece que viu uma assombração. – Falou Six sentando no meu lado.
– Foi mais ou menos isso. – Respondi mais para mim do que para os meninos.
– Como assim? – Perguntou Pedro sentando ao lado do Six e o Remo e Jay sentando no chão.
– Isso tem a ver com a aluna nova? – Perguntou Remo me olhando.
– Por que você acha isso? – Perguntei para ele.
– Nós a vimos na escada, e ela não estava com uma cara muito boa, e como você tinha acabado de subir, achamos que tinha acontecido algo. – Respondeu Six.
– Ela estava com uma cara muito irritada? – Perguntei, por favor, falem que sim.
– Sim, mas ao mesmo tempo tinha um mini sorriso de satisfação. – Respondeu Jay.
– Ela não muda nunca. – Era exatamente assim que acontecia quando alguém fazia alguma coisa que ela não gostava e como ela sempre dava o troco, ficava com uma cara irritada, mas com um sorriso divertido no rosto, isso aconteceu muitas vezes comigo.
– Você a conhece? – Perguntou Six para mim.
– Que? Claro que não, por que você acha isso? – Perguntei me enrolando bastante.
– Você disse que ela não tinha mudado nada. – Respondeu me olhando sem entender.
– Eu não falei nada, você deve ter imaginado isso. – Falei desviando o olhar dele.
– Eu também ouvi isso. – Falou Jay e Remo e Pedro concordaram.
– Eu não falei nada. – Falei olhando para eles.
– Carol, você sabe que pode confiar na gente, não sabe? – Perguntou Six, todos os meninos sabiam que eu estava escondendo alguma coisa.
– Claro que eu sei. – Respondi sorrindo para ele.
– Então nos conta o que você falou. – Pediu Jay na maior calma, me olhando.
– Não foi nada. – Respondi, mas nenhum deles acreditou. – Está certo, vamos dizer que eu já conheço a Juliana.
– Como assim? Por que não nos disse antes? – Perguntou Six.
– Nós morávamos no mesmo bairro, e eu não contei para vocês por que eu não lembrava dela. – Respondi.
– Vocês moravam o mesmo bairro? – Perguntou Jay.
– Sim, mas é uma longa história e eu não quero falar disso agora. – Falei antes que mais algum menino me perguntasse sobre o assunto.
– Mas... – Começou Six, mas eu o cortei antes de continuar.
– Por favor, não pergunta nada agora, prometo que mais para frente eu conto tudo. – Falei para o Six, que concordou com a cabeça. – Obrigada. – Agradeci e dei um beijo na bochecha do Six, levantando logo em seguida. – Vou subir, até amanhã. – Falei e subi para o dormitório correndo.
P. D. V. Six
– Isso realmente mexeu com a Carol, o que será que aconteceu entre ela e a tal Juliana? – Perguntei depois que a Carol entrou pela porta dos dormitórios femininos.
–Não faço a mínima ideia, mas acho melhor não ficar pressionando a Carol, nem imaginado o que pode ter acontecido. – Falou Remo.
– Verdade, mas uma coisa eu sei, não deve ter sido uma experiência muito boa pela reação dela. – Falou Jay, e todos nós concordamos.
– Vamos subir. – Falou Remo.
Assim que chegamos ao nosso quarto, cada um foi fazer uma coisa, eu deitei na minha cama e fiquei olhando para o teto, imaginando o que teria acontecido na infância da Carol com aquela Juliana alguma coisa, mas eu não conseguia imaginar o que ela poderia fazer com a Carol, não com a Carol.
Provavelmente acabei dormindo, pois estava lembrando-se da cara do Filch com a pegadinha e do nada eu apareci uma área enorme que só tinha grama, quando fui olhar para o outro lado, cai num precipício enorme. Quando cheguei ao final, cai de barriga no chão, e assim que consegui levantar olhei em volta, e vi a Carol sentada no chão abraçando a perna, toda encolhida.
Cheguei perto dela, mas eu não conseguia falar nada, não conseguia chama-la, então encostei ao seu ombro, e do nada ela pulou em cima de mim. Quando olhei para o seu rosto, não era a Carol, tinha uma cara de demônio, o rosto era todo deformado e preto, tinha uma boca enorme e cheia de dentes afiados e grandes.
Tentei tira-la de cima de mim o mais rápido possível, mas ela não saia, e queria me morder. Fiquei mais ou menos 10 minutos com ela em cima de mim, mas só então consegui dar um soco bem dado naquilo. Quando eu levantei olhei em volta, e reparei que já não estava mais no lugar de antes, eu estava em um lugar escuro, parecia uma prisão bem suja. Eu dei dez passos para ver onde eu estava, mas aquele monstro que se passou pela Carol começou a rir.
– Você vai deixar sua amiga aqui? – Perguntou rindo.
– Do que você está falando? – Perguntei a olhando, não estava entendendo nada.
– Ahh, me solta, me tira daqui, Sirius me ajuda, socorro. – Escutei a Carol gritar, mas quando eu olhei para trás, aonde vinha o grito, fui “comido” por uma escuridão.
Acordei na minha cama logo depois disso, sentado com um pulo, e vi que todos os meninos estavam dormindo, e quando olhei para o relógio, vi que era um pouco mais de meia noite. Levantei e segui para o banheiro, precisava lavar o rosto e esquecer aquele pesadelo horrível, que eu não entendi nada.
Enquanto eu estava lavando o rosto, senti um desgosto, como se eu precisasse fazer alguma coisa urgente, e essa coisa tinha a ver de eu estar lá em baixo, na sala comunal, eu sentia que precisava ir para lá. E assim que acabei de lavar o rosto, sai sorrateiramente do quarto e segui para a sala comunal.
Assim que cheguei lá em baixo, vi a lareira acesa e a Carol sentada na frente da mesma, do mesmo jeito do meu sonho, abraçando as pernas e toda encolhida, e como no sonho, eu não consegui pronunciar uma palavra. Cheguei perto da Carol, me ajoelhei no seu lado, e só então encostei a mão no seu ombro, e não obtive nenhuma reação.
– Eu ouvi você chegando. – Falou a Carol com a voz abafada por estar com o rosto entre as pernas, e a voz parecia que ela estava chorando.
– O que foi? – Perguntei na maior calma, eu estava preocupado com ela.
– Nada. – Respondeu levantando o rosto e secando sua bochecha molhadas pelas lagrimas, e seu rosto estava vermelho pelo choro.
– Carol, por favor, me conta o que aconteceu? – Pedi, eu sabia que coisa boa não poderia ser, pelo estado da Carol.
– É complicado, eu não sei explicar. – Respondeu olhando um segundo para mim e depois voltando a encarar o fogo.
– Por favor... – Falei, mas ela fez que não com a cabeça. – Foi um pesadelo? – Chutei, as únicas vezes que eu vi a Carol ruim desse jeito foi quando ela teve pesadelos, e eu não errei, pois ela concordou com a cabeça.
Abracei-a pelo ombro e a mesma encostou sua cabeça no meu ombro, segurando para não chorar.
– Você teve pesadelo com o que? – Perguntei fazendo carinho no meu ombro.
– Com a minha infância. – Respondeu segurando o choro.
– E com quem vou o pesadelo? – Aprendi umas técnicas para a Carol se abrir sem força-la.
– Com a Juliana. – Respondeu.
Antes deu perguntar mais alguma coisa, trouxe duas almofadas para perto de mim e da Carol com um feitiço, para nos deitarmos, essa era outra técnica, ela realmente se abria mais facilmente quando estava deitada.
– Com a Juliana? E o que ela estava fazendo?
– Ela estava implicando comigo, como sempre fazia quando ela morava no meu bairro. – Respondeu com mais tranquilidade agora.
– E você sabe por que ela estava implicando com você?
– Era por que eu sou diferente das outras meninas, mas isso você já sabe Six. – Respondeu e quando olhei ela estava me olhando dando um sorrisinho de lado. – Eu entendi o que você estava querendo fazer.
– Me pegou. – Falei sorrindo de lado, e ela abriu um sorriso de verdade.
– Sim, obrigada por se preocupar comigo. – Falou e me deu um beijo na bochecha.
– Você sabe que não me preocupar com você não é uma hipótese aceitável. – Falei e ela riu.
– Mas por que você desceu aqui há essa hora? – Perguntou para mim.
– Eu tive um pesadelo, com você. – Respondi.
– Comigo? — Perguntou levantando a cabeça e me olhando.
– É, foi meio estranho, não entendi. – Respondi.
– Me conta. – Pediu e eu fiz uma careta de quem não queria contar. – Por favor, só você me ajuda com meus pesadelos, me deixa ajuda-lo agora.
– Bom, eu cai num penhasco, encontrei uma versão sua do demônio que me atacou, depois apareci em algum lugar que parecia uma prisão, e ouvi você gritando pedindo ajuda, logo depois acordei. – Respondi.
– Uma versão minha do demônio? – Perguntou me olhando.
– Sim, tinha o rosto preto e os olhos também, e a boca era enorme e cheia de dentes pontiagudos.
– Nossa, é assim que você me vê nos sonhos? Um monstro? – Perguntou me olhando sem acreditar que tinha ouvido aquilo.
– Não você entendeu errado. – Comecei a falar desesperado, mas ela só riu. – Chata, você só queria me infernizar.
– Sempre. – Respondeu e eu passei o meu braço por sua cintura, abraçando-a, e ela colocou sua cabeça de novo no meu ombro. – O engraçado é que meio que o seu sonho estava falando para você realmente me ajudar. – Comentou e eu a olhei sem entender. – Você veio aqui me “socorrer”, e isso me ajudou bastante.
– Ah, sim, isso. – Falei e dei uma pausa. – Eu sempre vou te ajudar, não importa a hora nem o lugar, quando você precisar eu vou estar lá.
– E como você vai saber que eu preciso de ajuda? – Perguntou sorrindo.
– Sabendo, eu sinto isso. – Respondi olhando o fogo queimar na lareira.
– Isso é engraçado, eu também sinto isso com você, principalmente quando você está querendo me perguntar alguma coisa, mas não pergunta. – Comentou, agora eu sei por que ela ficava me encarando quando não tinha coragem de fazer alguma pergunta para ela.
– É estranho, e engraçado.
– Verdade, se minha avó ouvisse isso, falaria que era coisa do destino, ou coisa maior, que tínhamos alguma ligação bem grande. – Falou Carol sorrindo.
– “Coisa maior”? – Perguntei.
– Sim, por exemplo, se eu gostasse de você, ou se você gostasse de mim, mas não como amigos, namorados. – Respondeu a minha pergunta dando um exemplo muito simples, namoro.
– Claro, como não pensei nisso antes, todos falam a mesma coisa. – Concordei com ela, e nós dois rimos.
Ficamos olhando a lareira durante longos cinco minutos, até a Carol me perguntar:
– Six, você acha que é possível que tudo o que aconteceu comigo por causa da Juliana volte a acontecer? – E me olhou nos olhos levantando a cabeça. – Eu não quero que isso aconteça.
– Isso não vai acontecer, eu não vou deixar. – Falei e logo completei. – Eu e os meninos não vamos deixar isso acontecer. – E ela deu uma risadinha, não sei por que eu sempre só me coloco nos assuntos referentes a Carol.
– Obrigada. – Falou sorrindo.
Dei um beijo na sua testa, eu ainda estava com o braço na sua cintura, e conseguintemente a Carol estava quase deitada em mim. Depois do beijo na testa olhei os olhos brilhantes dela, e o seu sorriso pequeno de lado, o mais belos dos sorrisos de lado, com aqueles belos lábios rosados. E sem pensar eu fui chegando perto da Carol, até os nossos lábios se encostarem.
D. V. Carol
Eu estava olhando para o Six, vendo como o cabelo dele estava bagunçado, mas lindo, e como tinha uma mexa que caia perto do seu olho esquerdo. Como seus olhos azuis estavam brilhando mais que o normal perto do fogo, como o mini sorriso dele era sexy com aquela boca rosada. Então o Six foi chegando perto de mim, e eu chegando perto dele, até nossos lábios finalmente se encontrarem, o pareceu uma eternidade.
O Six logo aprofundou o beijo pedindo passagem, e mais uma vez nossas línguas estavam em uma dança só delas, e como eu estava sentindo falta daquele beijo, por mais que eu não deveria. Ele colocou sua mão livre na parte de trás meu pescoço, eu coloquei uma das minhas mãos no seu cabelo e a outra ficou na sua cocha.
Eu não sei como, mas a cada vez que eu beijo o Six seu beijo melhora, eu sei não faz sentido, mas é isso que eu sinto, ou alguma coisa parecida. Enquanto nos beijávamos o Six me puxava para mais perto dele, e eu mexia no seu cabelo, e nesses pequenos minutos, eu me senti como se estivesse no paraíso, não me importava o que acontecia fora daquele momento, só o momento me importava.
Depois de mais ou menos 10 minutos nos beijando lentamente, tento eu quanto o Six ficamos sem ar, então o nosso beijo acabou, mas ainda ficamos com nossas testas coladas, e eu queria que esse momento nunca acabasse. Ficamos respirando fundo ainda com os olhos fechados e com as testas coladas, mas por mais que eu quisesse ficar ali pela eternidade, eu não poderia, e eu também não posso ficar beijando o Six assim, ainda mais depois que eu descobri que gosto de verdade dele, mas tenho certeza que ele nunca vai gostar de uma menina.
Eu me afastei um pouco dele e abri os olhos, vendo que os lábios do Six estavam um pouco vermelho pelo beijo, o que me deu mais vontade de beija-lo e de rir, mas não vou fazer isso, e quando olhei para seus olhos, os mesmo estavam me olhando.
– Eu... – Começou a falar o Six, mas eu o cortei.
– Tudo bem. – Falei o olhando.
– Mas... – Tentou falar de novo.
– Esquece Six, não precisa falar nada. – Falei e coloquei a minha cabeça no seu ombro, eu já sabia o que ele iria falar: “Foi sem pensar, desculpa”, e etc.
Ficamos alguns minutos assim, eu com a cabeça no seu ombro e ele mexendo no meu cabelo, mas ai começou a dar sono e resolvemos subir para dormir. Assim que acabei de me trocar e deitei na cama, dormi, e acabei tendo um sonho com o Six, nós estávamos perto de um lago ao por do Sol, estávamos abraçados, e na maior sena de namoro, e não posso dizer que não gostei, bastante, do que vi.
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