A Marota- Caroline Caldin
100 A vida segue.
Notas iniciais
No outro dia...
P. D. V. Carol
Acordei com o sol batendo no meu rosto, ouvindo os pássaros cantando e o balanço das árvores, além de um braço por cima da minha cintura e o cheiro do Sirius. Demorei um pouco para conseguir abrir meus olhos por causa do sol e quando levantei a cabeça para olhar melhor onde eu estava senti meu corpo inteiro doer, será que dormi torto?
Olhei em volta e todos os meninos ainda dormiam, incluindo o Sirius que estava com o braço na minha cintura, e com isso tentei me ajeitar melhor, mas a única coisa que eu fiz foi soltar um suspiro pesado e dolorido, estava com uma dor nas costas muito incomoda. Tirei o braço do Sirius da minha cintura com cuidado e sentei na cama com esforço, logo olhando que eram 8h da manhã, ainda era cedo, mas era sábado, então tudo bem, e isso explica os meninos ainda dormindo, aproveitei e estiquei as minhas costas, fazendo-a estralar toda e bem auto, até me surpreendi.
— Isso foi suas costas estralando? – Escutei a voz do Six perguntar e quando olhei para ele, o mesmo ainda estava deitado, mas com um olho aberto.
— Foi sim, meu corpo está todo dolorido, acho que forcei de mais no jogo. – Respondi baixo para não acordar os outros meninos.
Ele concordou com a cabeça e deitou de barriga para cima com um suspiro, eu coloquei meus pés para fora e comecei a arrumar meu cabelo para fazer um coque simples e bagunçado. Quando acabei abaixei os braços num suspiro, ainda estava cansada, mas não estava com sono, e logo senti mãos na minha cintura e um beijo no pescoço, o que me fez dar um pequeno pulo de surpresa, e quando olhei era o Six me olhando com os olhos pequenos, eu sorri achando fofo, e ele logo deitou sua cabeça no meu ombro.
— Volta pra cama, está cedo. – Falou Six abraçando a minha cintura ainda com a cabeça deitada no meu ombro, ele realmente estava com sono.
— Assim parece que somos casados. – Falei brincando com ele, mas ele não riu, acho que nem prestou atenção.
— Quero te fazer de travesseiro. – Falou me abraçando mais.
— Aproveitador. – Falei e dessa vez ele riu. – Deita na cama, eu já volto. – Mas ele não me soltou. – Me solta Six, 10 minutos e já volto, eu juro. – E num suspiro ele voltou a deitar de barriga para cima, e isso me fez rir por dentro.
Levantei com um pouco de dificuldade, minhas costas ainda doíam um pouco, minha cintura e perna também doíam agora, mas espero que com eu me movimentando melhore. Sai do quarto dos meninos e segui para o meu, ainda sentindo um pouco de dor, mas agora muscular nas cochas, realmente foi por causa do jogo, foi muito corrido.
Assim que cheguei ao meu quarto encontrei todas as meninas dormindo ainda, realmente a festa foi longa. Segui para o banheiro, escovei o dente, arrumei meu cabelo que não estava muito bagunçado, segui para o quarto de novo e troquei de roupa, logo pegando meu caderno de desenhos e voltando para o quarto dos meninos.
Assim que cheguei encontrei os meninos ainda dormindo e o Six dormindo de barriga para cima com a boca um pouco aberta, estava muito fofo com seu cabelo bagunçado e isso me fez sorrir, e logo deitei ao seu lado meio sentada para poder desenhar, e como se ele sentisse que eu estava ali, passou um de seus braços por cima da minha cintura e deitou sua cabeça na minha barriga, ficando meio torto por eu estar mais sentada do que deitada.
Suspirei e me deitei mais na cama, e o Six se arrumou melhor, esse menino é muito folgado. Peguei meu caderno e o apoiei na cabeça do Six, não era o melhor jeito, mas no momento estava bom, e comecei a rabiscar, não sabia o que desenhar, então fiquei desenhando algumas flores só para passar o tempo.
Não sei quanto tempo eu fiquei assim, desenhando, mas quando fui ver estava sendo acordada com um pequeno susto com meu caderno caindo, e quando olhei melhor o quarto, o Six estava acordado e me olhando.
— Que foi? – Perguntei para ele me sentando mais na cama.
— Você me usou de apoio para seu caderno de desenho? – Perguntou me olhando sério, e isso me fez rir.
— Sim, você me usou de travesseiro, nada mais junto. – Falei e ele riu pegando meu caderno.
— Pelo menos eu fui um ótimo apoio, as flores ficaram lindas. – Falou olhando o caderno e me olhando sorrindo, e eu o olhei como se não acreditasse que ele falou aquilo, nem se acha. – Você também foi um ótimo travesseiro. – Falou e me deu um selinho. – Nunca dormi tão bem em toda a minha vida, até sonhei com pôneis.
— Pôneis? Você me usa de travesseiro e sonha com pôneis? – Perguntei fingindo estar brava, mas na verdade estava querendo rir, Sirius sonhando com pôneis?
— Você estava no sonho também, nós éramos donos de pôneis e várias crianças iam nos visitar para ver os pôneis.
— Pôneis? Por que pôneis? Não poderiam ser lobos? – Falei, eu acho lindo lobos, principalmente os cinzas.
— Lobos? – Perguntou abismado. – Está querendo criar os filhotes do Remo?
— Ai que maldade. – Falei para ele com uma careta, e o mesmo riu. – Você sabia que os lobos são primos dos cachorros.
— E o que isso tem a ver? Eu prefiro cachorros. – Falou com uma careta.
— Você prefere que criemos cachorros?
— Prefiro sim.
— Six, eu já tenho você que vale por dez mil cachorros, não preciso de mais na minha vida. – Falei e ele riu.
— Está certo, acho que só a Liande está de bom tamanho. – Falou Six e deitou meio sentado ao meu lado.
— Só a Liande? – Perguntei.
— Claro, aquela coruja vale por muitas, e é mais inteligente que muitas pessoas, e eu amo aquela coruja tanto quanto você, ela é uma ótima companhia. – Falou me olhando e eu sorri achando fofo o que ele disse. – Além do mais ela era um cupido mais discreto que nossos amigos.
— Isso é verdade. – Concordei e rimos, aquela coruja fazia parte de mim de um jeito inexplicável para um animal, nos entendíamos com apenas olhares, chegava a ser até bizarro.
— Suas costas melhoraram depois daquele estralo? – Perguntou depois de um tempo em silencio.
— Melhoraram sim, mas em compensação as dores musculares começaram. – Falei suspirando cansada, mas até que eu não estava mais sentindo tanta dor quanto antes.
— Você se forçou muito no jogo, eu só via você voando de um lado para o outro sem parar. – Falou e me deu um selinho. – Tem que pegar mais leve.
— Eu não tenho culpa se o jogo estava animado e concorrido, fiz o que todos fizeram. Além do mais, daqui a pouco melhora, nem está doendo tanto como quando eu levantei. – Falei olhando para ele.
— Espero que não. – Falou segurando minha nuca e me puxando para um beijo.
O beijo era calmo e romântico, ele fazia carinho na minha nuca e eu coloquei minha mão no seu pescoço passando meu dedão no seu maxilar. Paramos o beijo por falta de ar e ficamos com as testas coladas, mas logo ele passou seu outro braço pela minha cintura me puxando para mais perto dele, e eu coloquei a minha outra mão no seu peito, e começamos um beijo intenso.
Assim que ficamos com falta de ar, nos separamos minimamente, ficando com as testas coladas durante alguns segundos até acalmar nossas respirações, depois o Six afastou um pouco e me deu um beijo de esquimó, me fazendo sorrir, e logo me deu um selinho demorado e depois outro, e outro, e outro, me abraçando ainda mais.
— Nem começou o dia e vocês já estão assim? – Falou Jay sentando-se em sua cama.
— Assim como James? – Perguntou Six me soltando, logo nos deitamos e ficamos olhando o Jay um ao lado do outro.
— Assim, se pegando logo de manhã. – Respondeu coçando os olhos.
— Acho melhor você colocar o óculos Jay. – Falei sorrindo o olhando, já que o mesmo estava sem óculos e descabelado, e ele logo colocou o óculos nos olhando.
— Ah, parecia que vocês estavam abraçados, e com o cachorro do Sirius quase em cima de você. – Falou se esticando ainda sentado na cama.
— Impressão sua, mas obrigada pela ideia. – Falou Sirius me dando um beijo apertado na bochecha quase deitando em cima de mim, o que me fez rir.
— Pelo amor de Merlin, eu não quero ficar traumatizado com vocês dois toda hora assim. – Falou Remo também acordando e isso me fez rir mais, eles adoram mexer com a gente.
— Os deixem, não estão fazendo nada de mais. – Falou Frank levantando da cama.
— Isso é ciúmes, Frank, por não ter ninguém. – Falei e ele riu entrando no banheiro.
— Ciúmes de que se eu tenho a minha ruiva agora? – Falou Jay sorrindo sonhador.
— Veado. – Falou Six simples olhando o Jay que ficou serio, e eu e o Remo rimos (Pedro ainda dormia).
— Não vou comentar nada, pois estou de bom humor. – Falou Jay e entrou no banheiro antes do Remo, que estava quase perto da porta. – Muito devagar Aluado. – Brincou e fechou a porta, fazendo o Six e eu rirmos.
— Vocês dormiram hoje em, nós chegamos e vocês já estavam dormindo. – Falou Remo voltando a sentar em sua cama.
— Eu estava morta de cansada, mas para ser sincera não pretendia dormir, só sair de toda a muvuca que estava a Sala Comunal. – Respondi para ele.
— E claro que ela queria minha doce presença junto com ela, pois não vive sem mim. – Falou Six sorrindo maroto, fazendo o Remo rir. – E eu só dormi por que ficar olhando a Carol dormir dá muito sono.
— Sua culpa que eu dormi, você ficou mexendo no meu cabelo, isso me deixa relaxada e eu durmo quando estou cansada. – Falei para ele.
— Isso é problema seu, não meu, eu não tenho culpa que gosto de mexer no seu cabelo, quem mandou ter um cabelo gostoso de mexer. – Retrucou Six e o Remo já estava chorando de rir.
— Tenho para você mexer, mas se você prefere não mexer nele eu paro de cuida-lo. – Falei brincando só para mexer com ele.
— Não faz isso não. – Falou me abraçando e colocando sua cabeça no meu pescoço, me fazendo rir junto com o Remo.
— Nunca pensei que veria um dia veria Sirius Black assim. – Falou Remo ainda rindo.
— Assim como? Não entendi. – Falou Six olhando para o Remo.
— Nem eu Remmy, nunca pensei que o Six poderia se tornar isso. – Concordei com o Remo só para mexer com o Sirius.
— Isso o que? – Perguntou Six me olhando e eu dei de ombros, Remo estava gargalhando na sua cama. – Aluado, o que você quis dizer? – Perguntou ao Remo que não respondeu. – Carol, o que é? Explica-me. – Mas não falei nada, só fiquei sorrindo olhando para ele, enquanto ria por dentro. – Dá para alguém me responder.
— Almofadinhas, você é muito lerdo. – Falou Remo ainda rindo e eu cai na gargalhada pela careta do Six.
— Obrigado pelo elogio. – Falou Six mal-humorado.
— Eu vou para o meu dormitório dar bom dia para as minhas amigas. – Falei pegando minhas coisas, me soltando do Sirius e levantando da cama.
— Você vai mesmo embora sem me explicar do que vocês estavam falando? – Perguntou Six serio, e o Remo voltou a gargalhar.
— Estávamos nos referindo que você ficou muito fofo depois que começou a namorar. – Falei para ele lhe dando um selinho e o mesmo ficou sem reação.
— Lerdo. – Falou Remo cantarolando me fazendo rir e logo sai do quarto.
Encontrei as meninas acordando ainda, Lene e Dorcas ainda deitadas na cama, Alice sentada na cama ainda de pijama e Lily sentada na cama já trocada, e todas conversando.
— Olha quem voltou para seu quarto. – Falou Dorcas me olhando, e isso chamou a atenção da Lene que sentou num pulo me olhando.
— Você passou a noite com o Six? – Perguntou Lene me olhando com o rosto amassado, os olhos pequenos e o cabelo bagunçado, eu concordei com a cabeça e ela me sorriu maliciosa. – Passaram a noite aonde?
— No dormitório dos meninos, eu desmaiei depois que subi, e o Six logo me acompanhou. Por que você só pensa besteira? – Perguntei para ela que me olhou desanimada e isso fez as meninas rirem.
— Vocês são tão sem graça. – Falou Lene. – Que casal demora tanto assim para fazer coisas intimas?
— Ainda não estamos prontos para isso. – Falei sentando na minha cama.
— Que eu saiba o Six já fez com várias. – Falou Lene me olhando.
— Ele nunca tentou alguma coisa a mais comigo, não que eu tenha percebido, e olha que eu entendo o que o Sirius sente muito bem. – Falei. – E mesmo assim, não sei se estou pronta, mesmo que eu confio muito no Six, não sei se é a hora, e ele sabe disso, e sempre fala que nunca vai me forçar.
— Que fofo. – Falou Dorcas sorrindo e eu ri. – Mas será que nunca pensou mesmo? – Pergunto e eu dei de ombro.
— Será que ele se sente atraído por você assim? – Perguntou Lene e eu fiquei sem reação.
— Talvez ele ainda não esteja pronto para fazer com alguém que ele realmente goste, talvez se sinta inseguro, com medo. – Falou Alice dando de ombros e todas concordaram com a hipótese, e eu fiquei pensando nisso, será que o Six tinha medo de fazer comigo?
P. D. V. Sirius
— Para de babar pela Carol. – Falou Aluado rindo de mim, depois que acompanhei a Carol pelo olhar até ela fechar a porta.
— Não me enche Aluado. – Falei para ele sorrindo, fazendo-o rir mais. – Por que a Carol falou que eu fiquei fofo depois que comecei a namorar?
— Porque você ficou. – Respondeu e eu o olhei sem entender. – Você já era fofo e protetor com ela, mas como amigo, agora você está fofo, protetor e grude sendo namorado dela.
— Grude? Será que isso deixa a Carol irritada? Eu odiava quando as meninas ficavam correndo atrás de mim toda hora. – Pensei alto.
— Acho que não, senão ela falaria, além do mais, não é um grude chato, é mais um grude que parece que você não quer se afastar dela. Pelo menos é isso que parece para mim. – Respondeu Aluado.
— Mas eu realmente não quero me afastar dela, só quando necessário. – Respondi e ele riu.
— Acho que o nosso cachorrinho sem dono já encontrou um. – Falou Pontas saindo do banheiro com o cabelo arrumado e sem a cara de sono, mas não parecia ter tomado banho.
— Com certeza, a Carol realmente apertou a coleira nele. – Concordou Aluado.
— Parem de falar besteira. – Falei achando o que eles estavam falando uma grande bobagem, eu não preciso de coleira, sou um bom cachorro... Quer dizer, nem cachorro eu sou.
— Vamos dar uma coleira para vocês quando completarem um ano de namoro. – Falou Pontas rindo.
— Qual é a da coleira afinal? Eu sei que eu sou um cachorro na minha forma animaga, mas por que vocês ficam sempre falando isso? – Perguntei já incomodado com a brincadeira.
— Almofadinhas, você não é um cachorro só na forma animaga, você também é normalmente, mas antes você ficava indo de menina em menina como se não soubesse para onde ir, agora você só vai para a Carol, como se tivesse encontrado alguém para o resto da sua vida, uma dona. – Falou Aluado e eu fiquei pensativo, a metáfora faz sentido, de um jeito estranho.
— Tudo bem que a Carol sempre foi a única que realmente conseguia te parar, isso dês do primeiro ano. – Falou Pontas sentando na sua cama.
— Sem contar que sempre que estava com problema ou meio chateado você ficava mais perto da Carol, mas nunca quis que ela descobrisse que você pegava um monte de meninas, parecia que a Carol era seu ponto de apoio. – Falou Aluado levantando.
— É por que ela é, sempre confiei muito na Carol, assim como em vocês, claro, ela me acalma e me passa confiança, mesmo ela não sabendo como estou me sentindo, ela me faz me sentir melhor. – Falei pensando em todos os momentos com a Carol.
— Cachorro apaixonado. – Falou Pontas e ele e Aluado vieram bagunçar o meu cabelo rindo.
— Vão se ferrar. – Falei afastando suas mãos, e eles riram disso.
Aluado logo entrou no banheiro e Pontas voltou a sentar na sua cama, eu deitei de novo e fiquei olhando para onde a Carol estava deitada, sentindo o cheiro dela, e que cheiro bom. Cara, estou parecendo o Pontas falando da Lily, estou ficando com medo de mim mesmo, será que é assim que você se sente quando está apaixonado? Tudo que a pessoa faz é bom, até os seus defeitos não são um problema?
Eu não sei o que pensar, nem o que fazer, não sei mais como agir com todo esse sentimento. Será que eu estava sendo muito frio para um namorado? Ou muito grudento de um jeito cansativo? Ou parecia que a Carol estava sendo só mais uma? Será que estou demostrando meu sentimentos de forma certa? Ai, eu não sei mais o que pensar, mas por sorte posso deixar isso de lado por um tempo, Frank saiu do banheiro e é minha vez de usa-lo.
P. D. V. Carol
Depois da pequena conversa que eu tive com as meninas, entrei no banheiro para tomar banho, assim como Alice, enquanto Lene e Dorcas aproveitavam os últimos momentos deitadas ainda, e logo que acabei o banho, Lene entrou no banheiro para fazer suas higienes matinais também.
Enquanto todas se arrumavam, conversávamos sobre coisas banais e riamos sem motivo aparente, só queríamos aproveitar o sábado da melhor forma possível, afinal, agora com o fim do campeonato de Quadribol, nossa atenção vai ficar voltada inteiramente para as provas de fim de ano, mas é claro que não estávamos preocupadas com isso agora, iriamos começar a pensar nisso apenas na segunda-feira.
Logo que todas estavam arrumadas e ficando com fome resolvemos descer para comer. Eu não sabia se os meninos já estavam prontos ou não, então eu desceria com as meninas, já que estava morrendo de fome. Eu fui a primeira a sair do quarto, e claro que o assunto principal eram meninos e eu, porque a Dorcas e principalmente Lene nunca perdiam a oportunidade de mexer comigo.
— Parem de me infernizar. – Falei olhando para as duas que estavam rindo de mim assim que atravessamos a porta do dormitório feminino, e quando olhei para a frente encontrei os meninos também saindo de seu dormitório.
— Olha que coincidência. – Falou Dorcas sorrindo marota assim como a Lene.
— Vamos Dorcas, senão vamos ficar segurando vela, só tem casal aqui. – Falou Lene puxando Dorcas pela escada rindo, enquanto eu, Alice e Lily olhamos aquilo balançando a cabeça em discordância.
— O que estava acontecendo aqui? – Perguntou Frank indo para o lado de Alice.
— Nada de mais, coisa de Lene e Dorcas. Bom dia. – Falou Alice dando um selinho no Frank. Six me olhou querendo explicação.
— Não era nada de interessante. – Falei para ver se eles esqueciam o que elas estavam falando, mas tenho certeza que o Six não acreditou, pois me olhou duvidando.
— Vamos descer? – Perguntou Jay e logo Remo, Pedro, Frank, Alice, Lily e Jay desceram na frente enquanto eu e Six ficamos por último.
— Me explica o que estava acontecendo, pois eu ouvi nitidamente você falando “parem de me infernizar”. – Falou Six no meu lado me olhando e tentando me imitar.
— Primeiro, eu não falo assim. – Falei para ele, que riu. – Segundo, não era nada de mais, só a Lene e a Dorcas mexendo comigo por causa de nós dois.
— Nós dois? E qual era o assunto? – Perguntou enquanto andávamos.
— Elas ficam mexendo comigo por você ser um galinha.
— Fiquei ofendido. – Falou fazendo graça e eu ri, e logo o Six entrelaçou nossos dedos.
— Mas é verdade, as vezes me pergunto por quê você está tão, vamos dizer, tranquilo, comigo. – Falei me vindo a conversa de mais cedo com as meninas.
— Sabe que nem eu mesmo sei. – Respondeu olhando para frente como se estivesse pensando. – Pode ser por eu não querer fazer as coisas correndo com você, quero aproveitar, ou por estar namorando, e não saber direito o que fazer.
— Você parece bem confuso. – Falei o olhando e ele me olhou. – Você tem medo, Six?
—Um pouco, não sei como funciona um namoro, e tenho medo de fazer alguma coisa errada e acabar te perdendo. – Respondeu desviando o olhar ficando um pouco vermelho.
— Six. -Falei parando o fazendo me olhar, e logo lhe dei um selinho. – Eu te conheço a muito tempo, sei de todos os seus podres, e isso não me fez correr de você até agora. – Falei e ele sorriu de lado. – Namoro é confiança, sentimento, e ser você mesmo, não precisa ficar medindo cada passo que você dá com medo de fazer alguma coisa errada, todos erram, e não vai ser por um erro qualquer que vai acabar com o que temos. Então não se preocupa em tentar um namoro normal, nós não somos normais, só seja você, gosto de você desse jeitinho estranho, maroto e até o malicioso. – Falei e ele riu me lançando seu sorriso perfeito que eu tanto amo. – Além do mais, eu vou te falar se não gostar de alguma coisa.
— Isso eu tenho certeza. – Falou Six sorrindo e logo me puxou pela cintura me dando um beijo bem apertado e de tirar o folego, e isso me deixou mais tranquila, pois agora sei que ele não vai ficar neurótico com tudo o que for fazer.
— Vamos comer, estou morrendo de fome. – Falei quando nos separamos e acalmei minha respiração.
— Vamos. – Falou rindo e me puxando pela mão.
Seguimos para o Salão Principal e durante todo o caminho não vimos nenhum dos nossos amigos, acho que demoramos mais do que o esperado, e o tempo todo eu e o Six conversávamos sobre coisas banais e ainda andávamos de mãos dadas, bom saber que o Six está mais calmo.
Assim que chegamos no Salão Principal, encontramos todos os nossos amigos já sentados e dois lugares vagos lado a lado, sendo entre o Jay que estava com a Lily e o Remo. Eu sentei ao lado do Remo e Six ao meu lado e do Jay, e logo começamos a comer e conversar com nossos amigos.
— Vocês dois demoraram. – Falou Lene com um sorriso malicioso.
— É, a gente estava se pegando. – Respondi e logo dei um gole no meu suco de uva, fazendo o Six engasgar com a comida e todos rirem.
— Achei que você era mais discreta, Caldin. – Falou Six me olhando mexendo comigo.
— Eu sou muito discreta, mas é impossível ser discreta ao seu lado, Sirius. – Falei mexendo com ele também, e os nossos amigos riram mais.
— Realmente, com toda essa beleza que chama a atenção. – Falou se achando.
— Tão modesto que até dói. – Falei o olhando com uma careta, e todos riram, podíamos ser namorados, mas ainda mexíamos um com o outro.
— Só falo fatos. – Disse e eu ri pegando algumas comidas, ele logo me abraçou pela cintura me puxando para mais perto e me deu um beijo na bochecha, e quando o olhei sorrindo ele me deu um selinho.
— Assim não vou conseguir comer minha sobremesa. – Falou Lene nos olhando com uma careta.
— Para de mexer com eles Lene. – Falou Alice rindo assim como todos.
— É por isso que te amo Alice. – Falei para minha amiga que estava quase na minha frente.
— Também te amo Carol. – Falou Alice sorrindo.
— E eu e o Frank? Vamos ficar com ciúmes assim. – Falou Six e eu e Alice rimos, assim como o Frank.
— Sempre tem que chamar a atenção. – Falei rindo para o Six, que concordou com a cabeça fazendo todos rirem.
Durante todo o café da manhã o Six não me largou do abraço, e eu até que gostei, depois de tanto tempo escondendo e omitindo nosso namoro, achei que seria mais difícil se acostumar em demonstrar todo esse afeto que tínhamos, principalmente o Six, mas acho que ele está se dando melhor que eu com isso, ainda não sei bem como agir na frente dos outros.
Eu escutava todos cochichando e falando sobre a gente, mesmo tentando ignorar e prestar atenção somente nos meus amigos, era quase impossível, quando eu esquecia todos a minha volta uma voz me chamava a atenção e escutava algum comentário sobre a gente, e isso estava me cansando.
— Não liga para os comentários. – Falou Six no meu ouvido, e eu o olhei. – Só não estão acostumados ainda, mas tenho certeza que na segunda ninguém mais vai comentar, não se chateie com isso.
— Não estou incomodada com os comentários, já esperava por isso, mas eu gostaria de conseguir ignorar. – Falei sorrindo e olhei minha comida. – Droga de mania de prestar atenção em tudo. – Sussurrei e o Six riu disso, me dando um beijo na bochecha e eu sorri para ele.
Senti olharem sobre nós, alguns com curiosidade, outros com raiva? E esses com certeza eram das fãs do Six, mas um me chamou a atenção. Olhei para a mesa dos professores e encontrei Dumbledore me olhando sorrindo, como se estivesse feliz pelo que estava acontecendo, como se ele soubesse sobre esse segredo, o que eu não duvido, já que ele sabe de tudo que acontece aqui.
Sorri com esse pensamento, e quando desviei o olhar para voltar a prestar atenção na minha comida, meu olhar parou na professora McGonagall e lembrei do que ela falou ontem quando o jogo acabou e rolou todos aqueles beijos.
— Ah droga. – Falei com uma careta olhando meu prato vazio.
— O que foi? – Perguntou Six me olhando.
— Acabei de lembrar que temos que conversar com a professora McGonagall por causa de ontem. – Respondi e ele fez uma careta.
— É verdade, já estava me esquecendo completamente. – Falou Lily.
— Afinal, por que será que ela quer falar com a gente? — Perguntou Jay.
— Verdade, o que vocês fizeram de mais? – Perguntou Alice.
— Ela deve colocar vocês em detenção por tortura. – Falou Lene e todos a olhou sem entender. – Vocês não podem sair se beijando daquele jeito na frente de todo mundo, isso é tortura para quem não pode. – Completou e todos nós caímos na gargalhada, só a Lene para fazer isso.
Voltamos a comer, e já estava na hora da sobremesa, tinha torta de abóbora, pudim, bolo de chocolate e muitas outras coisas gostosas, peguei um pudim e uma torta de abóbora, eu amo torta de abóbora, é minha paixão secreta, enquanto os outros também pegavam suas sobremesas favoritas.
Assim que acabamos de comer conversamos mais um pouco, mas logo eu, Six, Lily e Jay saímos da mesa para comparecer à sala da professora McGonagall, e é claro que olhamos para ver se ela já tinha saído do Salão Principal.
Enquanto andávamos ficávamos conversando sobre coisas banais, eu e o Six de mãos dadas e Jay e Lily lado a lado, eles não assumiram nenhum relacionamento sério, mas acho que está muito perto de isso acontecer, já que praticamente não se desgrudam mais, e como o Six disse ontem para o Jay, não acho que vai se passar muitos dias depois daquele beijo.
Assim que chegamos em frente a sala da Minerva, Six bateu na porta e logo escutamos alguns resmungos e barulho de papel mexendo e um tempo depois a professora McGonagall apareceu na porta.
— Desculpa, professora, estamos atrapalhando? – Perguntou Lily no meu lado e a Minerva suspirou.
— Não é nada de mais, só estou corrigindo algumas lições, mas eu achei que era o Filch com mais uma de suas chatas manias de querer colocar todos em detenção, ele está bem chato essa semana. – Respondeu a professora Minerva.
— Sei bem, esses dias eu espirrei perto dele ele falou que eu deveria espirrar em outro lugar, senão ele me colocaria no menor armário de vassouras daqui e eu ficaria trancada o dia inteiro. – Falei, realmente o Filch está insuportável esses dias, e a professora McGonagall só suspirou cansada.
— Afinal, o que estão fazendo aqui? – Perguntou a professora nos olhando sem entender.
— A senhora falou para virmos te ver ontem depois que o jogo acabou. – Falou Jay.
— Ah, verdade, já estava esquecendo. Podem entrar. – Falou professora McGonagall e logo entramos em sua sala trocando olhares querendo rir, acho que a professora Minerva está mais estressada do que quer mostrar.
— Professora McGonagall, desculpe perguntar, mas por que exatamente a senhora pediu para nós virmos aqui? – Perguntou Six.
— Porque mais, aquela cena que vocês fizeram. – Respondeu enquanto se sentava.
— Está se referindo ao beijo? – Perguntou Jay indeciso de deveria ou não.
— Mas é claro, o que mais poderia ser? – Falou McGonagall nos olhando por cima do óculos.
— Professora... – Começou Lily, mas a professora Minerva continuou.
— Eu sei que vocês estavam comemorando a vitória da taça de Quadribol, mas vocês poderiam ter se segurado um pouco, tínhamos crianças ali. – Falou e percebi o Six e o Jay segurando a risada.
— Professora McGonagall, aqueles beijos que trocamos foi até bem leve perto do que vemos algumas vezes pelos corredores. – Falei e vi a Lily mais vermelha que seu cabelo, e para me ajudar o Jay e o Six concordaram com a cabeça, enquanto a professora Minerva só nos olhava.
— Além do mais, todos aqui tem no mínimo 11 anos, e com 11 anos você já sabe de muita coisa, incluindo beijos. Eu com 11 anos já sabia bem mais que isso. – Falou Six e eu o olhei abismada, ele não estava melhorando as coisas.
— Senhor Black, não quero saber sobre suas sabedorias. – Falou McGonagall discordando com a cabeça, eu e Lily suspiramos pelo Six e o Jay segurou a risada. – Eu sei que é normal tudo aquilo acontecer, mas tentem não repetir. Pelo menos na frente dos professores. – Falou sorrindo para a gente, e claro que rimos.
— Então a senhora não vai nos colocar em detenção? – Perguntou Lily.
— Por uma troca de beijos? Não, desculpe se lhe assustei com a chamada de atenção na hora, mas sabe como são alguns professores, tinha que fingir que iria dar uma bronca, mas só estou lhes orientando. – Respondeu sorrindo.
— Como sempre faz, tia Minie. – Falei para ela sorrindo e isso fez ela rir.
— Vão embora, vocês precisam descansar pelo jogo. – Falou voltando sua atenção para os papeis em cima de sua mesa, e nós rimos e viramos para sair. – Além disso... – Chamou nossa atenção de novo. – Parabéns pelo jogo, foram muito bem. – Continuou nos olhando por cima do óculos e sorrindo, e nós sorrimos para ela também e saímos de sua sala.
— Você achou mesmo que ela nos colocaria de detenção por causa do beijo? – Perguntou Jay para a Lily, que deu de ombros.
— Acho que deixamos a ruiva traumatizada. – Falei colocando meu braço no seu ombro fazendo todos rirem.
— Com certeza, tenho medo de andar com vocês por isso, qualquer coisa eu posso parar na detenção! – Falou Lily entrando na brincadeira e rimos mais.
— Onde vamos passar nosso dia? Já que não temos nada para fazer. – Perguntou Six segurando minha mão de novo, acho que ele gostou disso.
— Acho que eu vou ficar com as meninas. – Respondeu Lily.
— Quem? Alice vai ficar com o Frank namorando, e eu ouvi que a Lene e a Dorcas vão sair andando por Hogwarts vendo os melhores pretendentes, e tenho certeza que você não vai querer ir com elas, e nem precisa, já tem o James. – Falei para ela, e claro que não perdi a oportunidade de lhe dar uma alfinetada.
— Cala a boca, Caldin. – Falou Lily tão vermelha quanto o Jay, enquanto o Six gargalhava ao meu lado.
— Qual é a de vocês de ficarem me chamando de Caldin hoje? Eu sei que meu sobrenome é lindo, mas meu nome também é, então podem me chamar por ele. – Falei fazendo todos rirem.
— Acho que você namorar o Sirius foi uma má ideia, ele está te deixando nada modesta. – Falou Jay me olhando, e mais uma vez ele estava mexendo com a gente por causa do nosso namoro.
— Você não perde uma. – Falou Six num suspiro, fazendo-nos rir.
— Claro que não, nunca perco uma oportunidade de te inferniza, somos quase irmão. – Falou Jay para o Six que o olhou com uma careta.
— Se vocês são quase irmãos, eu e a Lily somos cunhadinhas. – Falei abraçando a Lily, fazendo-a rir.
— Pare de ficar insinuando coisas. – Me falou Lily num sussurro.
— Não estou insinuando nada, isso vai acontecer, não é Jay? – Falei.
— Que? – Perguntou como se não soubesse de nada, e isso fez o Six rir.
— Está destinado a acontecer, com tudo o que vocês já passaram e agora estão assim, é só uma questão de tempo até isso acontecer. – Falei e a Lily ficou pensativa, consegui o que queria, mas como consequência recebi mimicas do Jay falando que iria me matar, enquanto Six ria do amigo e eu ignorei completamente o Jay. – Vamos para o jardim? Está um dia tão bonito.
— É uma boa ideia. – Concordou Lily e logo seguimos para o jardim todos juntos conversando.
Ficamos metade da tarde conversando, aparentemente Remo e Pedro estavam fazendo algumas lições, então ficamos só nós quatro conversando. Depois o Jay entrou para fazer suas lições também e a Lily foi procurar as meninas para passar o resto do dia, então só ficou eu e o Six no jardim, mas é claro que nossa calmaria não duraria muito, já que Pat e Hugo resolveram dar o ar da graça.
— Olá novo casal assumido. – Falou Pat rindo da gente junto com o Hugo, e os dois sentaram na nossa frente.
— Eu fui uma péssima influência para você. – Falei para minha prima, que ai sim riu mesmo.
— Foi nada, você é uma ótima prima, só é chata. – Falou Hugo, e lá vão eles voltando com isso.
— Vocês não viram o que é gente chata, tenta conviver no mesmo espaço pequeno com o Sirius. – Falei só para mexer com o Six.
— Ei. – Me repreendeu Six, e claro que rimos dele.
— Tenho que concordar com a Carol, conviver no mesmo teto com o Sirius é uma coisa insuportável. – Falou uma voz ao nosso lado e quando olhamos era o Regulo.
— Regulo. – Falou Pat animada, interessante.
— Pronto, mais um contra mim, eu já tenho a Carol, que já vale por muitas, obrigado. – Falou Six para o irmão enquanto o mesmo sentava, e isso fez todos rirem.
— Sirius, irmãos e amigos servem para isso, infernizar um ao outro. – Falou Regulo sorrindo divertido.
— E se juntarem para falar seus podres. – Falei sorrindo marota para o Six.
— Isso vale para você também então ne? – Perguntou Six também sorrindo maroto.
— Comigo não, eu sou uma santa. – Falei sorrindo divertida, fazendo todos rirem.
— Deve ter alguma coisa, vamos Pat, Hugo falem alguma coisa, você também Regulo. – Falou e todos ficaram pensando.
— Eu disse. – Falei sorrindo marota para ele, que suspirou. – Nem você sabe alguma coisa para falar. – Falei e ele fez uma careta concordando, fazendo os outros rirem. – Na verdade, tem uma coisa. – Falei e todos me olharam. – Eu fui gostar de você. – Falei para o Six e meus primos e o Regulo caíram na gargalhada com a careta do Six.
— Vem cá coisa chata. – Falou me puxando pela cintura enquanto eu ria e bagunçou o meu cabelo. -Tem outra coisa também, você não repara quando os homens dão em cima de você.
— Não é verdade. – Falei o olhando.
— É sim. – Falou Regulo e Pat e Hugo concordaram.
— Está bem, talvez eu seja meia bem lerda para essas coisas. – Falei com uma careta e todos riram.
E assim passamos o resto da tarde, nós cinco rindo e conversando, quase como uma família normal. Acho que o Six finalmente entendeu que ele e o irmão são diferentes, mas não é por isso que devem parar de se falar, ou viver brigando, e sim dando apoio pelas escolhas e até mesmo aconselhando. Estou tão feliz por tudo que está acontecendo, parece que finalmente o mundo está mais tranquilo.
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