A Marota

43 Capítulo 42


Brendan Jordan

Muitos diriam que eu estava me apaixonando.. A essa altura, praticamente, todo mundo naquele castelo sabia que Jane Potter e Brendan Jordan estavam saindo. Ou melhor, ficando. Pensem.. A Potter, filha de grandes aurores... Tendo um pequeno romance com um jovem aprendiz de Lorde Voldemort. Eu adoraria saber qual a sensação que ela teria caso soubesse.

Junho não era o meu mês favorito.. Fazer 16 anos era algo novo, assim como fazer 15 foi. Afinal, todo ano tinhamos uma idade diferente e tinhamos que nos acostumar com isso. Hoje eu fazia mais um ano que queria estar morto.. Ou mais um ano desnecessário. Eu não me importava. Eu não meu importava com muita coisa e eu tinha que suporta-las, assim como essa data.

Na aula de defesa contra as artes das trevas, eu me sentei ao lado de meu irmão que havia desgrudado um pouco de Ephram, mas não tirava os olhos do mesmo. Gostava dele mas não tinha coragem de lhe pedir em namoro por causa de nosso pai. Tinha medo que o mesmo não aceitasse.. Eu entendia, mas ainda achava que ele devia pedir. Não importa o que nosso pai pensa, é a felicidade dele ainda assim.

— Como vai o seu plano com a Potter? — Kieran perguntou baixo, chamando minha atenção e eu sorri de lado.

— Plano? Não sei do que está falando. — me fingi de desentendido e ele riu.

— Não seja cínico.. Já faz mais tempo do que eu pensei. — ele comentou e eu tive que concordar.

— Ser legal não é tão difícil quanto eu pensei.. — lhe disse e ele riu novamente, olhando para o professor que não havia nos notado ainda.

— Gostou de beijar a Potter, é? Eu vi o clima entre vocês no corredor. — meu irmão zombou, me fazendo revirar os olhos.

— Olha.. Não posso negar, aquele pequeno ser é chamativo. Fisicamente, acho que ela me atingiu. — eu fiz uma falsa careta, levando uma das mãos ao peito.

— Cuidado com o coração. — eu sabia que era um alerta sério e o olhei.

Revirando os olhos novamente, eu prestei atenção no professor.. Ou apenas no quadro onde ele escrevia algo. Eu nunca havia gostado de nenhuma garota, não seria com a potter que isso ia acontecer. Não quando meu plano era outro. A convencer de ir a minha casa nas férias e entrega-la de isca para o lorde das trevas. Ele a queria para impedir que os aurores, ou seus pais, continuassem a se intrometer nos assuntos dele.

Jane era mais frágil que o irmão, mais fácil de ser conquistada e mais fácil de influenciar. Se ela concordava em se encontrar comigo nas masmorras depois do horário, por que não aceitaria um convite para ir a minha casa? Conhecer os meus pais, um pouco mais sobre mim.. Ela era curiosa e eu tinha quase certeza que aceitaria.

Na hora do almoço, eu comi bem pouco e escapei da mesa da sonserina, indo em direção ao lado de fora do castelo. O dia estava bonito, ninguém perto do lago e foi exatamente pra lá que eu caminhei. O sol refletia na água e era algo legal de se ver.. Trazia uma certa paz. Se é que algum dia eu tive ou terei paz. Meu pai era um homem calmo, vindo da casa Sonserina também mas não seguiu o caminho de comensal. Minha mãe era da Grifinória e acabou se apaixonado por um sonserino. Eramos uma família feliz..

— Parabéns para o Jordan.. Parabéns para o Jordan.. Parabéns para..

Eu tapei a boca da garota quando ela chegou perto e ela riu, abraçando minha cintura. Jane era fofa.. Uma garota realmente doce e bela, não só fisicamente. As vezes eu achava injusto fazer aquilo com ela, mas eu precisava seguir as ordens do meu lorde.

— Não quero que as pessoas saibam que hoje é meu aniversário.. — lhe disse, podendo sentir ela sorrir.

— Deviam lhe fazer uma festa, sabia? Eu até falei com Ephram mas ele disse que não era uma boa ideia.. — ela se afastou, soando empolgada mas frustrada logo em seguida.

— Ele estava certo. — comentei, cruzando os braços e observando a garota pequena olhar um pouco além do lago.

Ela ficou em silêncio, apertando os olhos minimamente antes de me olhar. Sua mão segurou meu braço e ela me puxou, me fazendo caminhar com ela em direção a floresta proibida.

— O que está fazendo? — questionei, erguendo uma sombrancelha quando ela agarrou minha mão.

— Esqueça o resto das aulas.. Hoje será seu dia de folga. E, consequentemente, meu também pois a ideia foi minha. — Jane sorriu, continuando a me puxar até a floresta, parando pouco antes que entrassemos.

— Tudo bem. — eu disse.

Não me importava com as aulas. Já que eu ficava mais velho hoje, pelo menos merecia algum tipo de descanso. Eu apenas me deixei levar, acompanhando a garota para dentro da floresta. Pra onde ela estava me levando exatamente? Ela tentaria me matar?

— Jane.. Pra onde vamos? — perguntei, olhando meio desconfiado as árvores a nossa volta.

Não tinha nada ali, apenas árvores e a Potter sorriu, me surpreendendo ao me puxar pela camisa. Ela grudou seus lábios nos meus e eu me surpreendi, mas retribui. Jane Potter.. Imprevisível. Confesso que beijar a garota era bom.. Nossos amassos eram frequentes nas salas de aula a noite ou nos corredores vazios, até mesmo nos armários de vassoura. Acho que ela curtia essa coisa sem compromisso... Pelo menos comigo.

Quando seus lábios se afastaram, eu sorri de lado e coloquei seus cabelos para longe de seu rosto. Ela era tão bonita.. Por que? Eu não conseguia entender.

— Eu estava pensando.. Está cada vez mais próximo o dia de voltar pra casa. — sua voz saiu baixa e ela desviou o olhar, mordiscando o cantinho do lábio.

— Não quer ir pra casa? — eu ergui seu queixo, fazendo ela olhar pra mim.

— Não é isso.. É que vou sentir falta daqui. — me disse, dando de ombros levemente e eu sorri.

— Vai sentir falta de mim? — perguntei, colando seu corpo ao meu e segurando sua cintura com firmeza.

Ela mordeu o lábio novamente, as bochechas ganhando um tom mais rosado quando ela assentiu. Por um momento, meu coração se encheu de doçura mas eu afastei esses pensamentos, deixando um beijo na bochecha dela. Jane me abraçou novamente e suspirou alto, me apertando contra ela. Ficamos em silêncio por um tempo, apenas apreciando o som de pássaros acima de nós.

— Eu estava pensando.. Se você não gostaria de ir na minha casa durante as férias. Sabe... Minha mãe adoraria conhecer você. — eu perguntei, o plano martelando na minha cabeça como uma dor de cabeça insistente.

Ela se separou de mim e me olhou, os olhinhos castanhos esverdeados brilhando. Talvez ela estivesse empolgada?

— Conhecer.. Seus pais? — pareceu receosa e animada ao mesmo tempo.

— Sim.. Você não quer? — ergui as sombrancelhas, lhe dando meu melhor ar surpreso e decepcionado.

— Não.. Quer dizer, sim! Mas.. Não acha que é algo meio..? — ela não terminou a frase e eu ri.

— Bem.. Se você não quiser ir, eu entendo. Mas eu ficaria muito feliz se fosse. — sorri pra ela, acariciando seu cabelo enquanto observava ela fechar os olhos.

— Ah.. Eu vou pensar e... Ver com meus pais. — me disse, sorrindo grande e eu a beijei.

Era incrível como seus lábios eram tão suaves e ela se deixava levar tão fácil.. Logo ela estava contra uma árvore e nos beijavamos com vontade, os sons um tanto eróticos. Suspiros, estalos, nossas roupas bagunçando por nossos corpos eufóricos e o desejo que eu começava a sentir por aquela garota. O cheiro de sua pele me deixava fora dali, a maciez e a vontade com que ela me beijava.. Eu devia estar louco.

Deixei seus lábios, distribuindo beijos pelo seu pescoço e ouvindo ela suspirar cada vez mais. Eu sabia que, se a tivesse pra mim, teria que assumir algo com a garota. Além de tudo, eu não era um babaca que a atrai para a sua teia e depois a joga fora.. Mas o desejo era bem mais forte que eu. Eu a queria ali, naquele momento. Com relutância, eu beijei seus lábios mais uma vez e me afastei, respirando fundo.

A Potter resmungou, os olhos ainda fechados. Eu sorri e acariciei seu rosto, beijando sua bochecha antes de me afastar completamente.

— Melhor voltarmos pro castelo.. — eu disse e ela apenas concordou, mesmo que parecesse relutante.

Eu lhe dei um último selinho e a puxei pela mão para fora da floresta. Jane era piadista, mesmo que suas piadas as vezes não fossem boas, e eu ri de algumas que ela contou no caminho para o castelo. Eu gostaria de ser amigo dela caso ela não morresse nas mãos de Voldemort. Pensar que, talvez, eu fosse o culpado de sua morte fazia minha consciência pesar.

Eu balancei a cabeça quando entramos no castelo e nos despedimos no corredor. Ela subiu para o sétimo andar e eu desci para as masmorras. Em frente a entrada da sala comunal, eu dei a senha e entrei, caminhando meio desanimado para uma das poltronas. Eu estava me sentindo culpado.. Eu não deveria! Essa é uma das coisas que eu deveria eliminar. Pena, culpa e hesitação. Sem pena, sem culpa e sem hesitar, foi o que eu aprendi.

— Brendan? Onde estava? Não te vi na aula de poções. — a voz de Abigail alcançou meus ouvidos e eu a olhei.

Abigail Acker era minha melhor amiga, mesmo que meu irmão idiota dissesse que ela era apaixonada por mim. Não era verdade, eramos apenas amigos. Sua familia inteira era de comensais da morte e, bem, ela estava seguindo o mesmo caminho. Devota a Voldemort, ela era ensinada junto a mim e ao grupo de alunos que saiam uma vez na semana em direção a floresta proibida, para aulas de artes das trevas.

— Eu estava andando por ai.. — dei de ombros, desviando os olhos quando ela se sentou a minha frente.

— Eu vi você com a Potter no lago... Como está indo seu plano? — ela perguntou, chamando atenção novamente.

— Diria que bem.. Ela é ingênua. — comentei, meio desinteressado naquele assunto.

— Ela precisa mesmo ir na sua casa? — Abigail questionou, parecendo meio incomodada com esse ponto.

— Esse é o plano. Ela vai a minha casa, eu a chamo pra passear e a levo até o local combinado. — expliquei, me levantando.

Eu realmente não queria falar sobre aquilo. Cada vez que pensava me sentia mais culpado.

— Nos falamos depois, Abi. — lhe disse, indo em direção as escadas do dormitório masculino.

Assim que entrei no mesmo, fechei a porta e me joguei na minha cama, soltando um suspiro alto. Eu tinha que parar de pensar nessas coisas.. Parar de dar ouvidos a minha consciência e ouvir mais a vozinha do lorde das trevas no fundo da minha cabeça. Talvez eu não estivesse preparado o suficiente... Mesmo que meu irmão dissesse que eu ainda seria o melhor comensal de morte de Lorde Voldemort. Ele era louco... Bellatrix já ocupava esse lugar.

Talvez eu não tivesse nascido pra isso... Mas não podia e nem queria desistir agora. Era só.. A maldita Potter! Por que ela? Eu podia apagar o Potter e leva-lo a força. Mas ela era tão frágil.. Nem ao menos desconfiava, nem mesmo depois do que o Black disse. Na verdade, ela nem fez perguntas.. Eu estava enlouquecendo, com certeza.