A Marota
38 Capítulo 37
Aulas, aulas e aulas.. Quanto mais o fim do ano letivo se aproximava, mais parecia puxado. Talvez eu estivesse ficando mais sedentária, ou Lily estivesse acabando comigo na biblioteca até tarde. Quando questionada porquê, ela me dizia que era para os N.I.E.M.s que aconteceriam apenas no sétimo ano. Por que ela não me obrigou a estudar assim para os N.O.M.s?
Massageando meu pescoço dolorido por ter cochilado encima dos livros da biblioteca, eu fechei os olhos por um momento. O corredor estava calmo, não teria risco de esbarrar em alguém. Mas, sim, eu estava errada. Meu corpo colidiu contra outro um tanto maior e mãos me seguraram pelos braços. Eu abri os olhos assustada, encontrando um par de olhos âmbar a me observarem. Eram bonitos.. Mas não me diziam nada.
— Olhe por onde anda, Potter. — ele me soltou e eu cambaleei um pouco, um tanto anestesiada pelo choque.
— De onde você saiu? — perguntei, ajeitando minha bolsa sobre meu ombro.
Ele me olhou de cima, as mãos nos bolsos da calça. Era o garoto despojado da aula de feitiços.. Brendan Jordan é seu nome, se não me engano.
— Do banheiro. — ele indicou a porta ao seu lado, como se aquilo fosse óbvio.
— Ah, me desculpe, Sr. Jordan.. Eu devia prestar mais atenção. — eu sorri irônica, desviando dele para continuar a caminhar.
Mas ele segurou meu braço e eu congelei. Sua mão era fria e isso me causou um certo arrepio involuntário.
— Cuidado, Potter.. Você não sabe quem pode encontrar por ai. — ele sussurrou bem perto de mim e eu fechei os olhos por um momento.
Quando ele me soltou eu me encolhi, escutando seus passos ecoarem pelo. corredor ao ele se afastar. Ele realmente me dava calafrios.. E deixava um certo interesse em mim. Eu balancei a cabeça e voltei a caminhar pra sala de poções. Chegando lá, me joguei na mesa ao lado de Lily, não querendo fazer parceria com Sirius hoje.. Mas me parecia impossível escapar. A ruiva percebendo minha perturbação, se virou pra mim.
— O que houve? — ela perguntou, me olhando meio preocupada.
Eu olhei em volta, vendo que ninguém que já estava ali prestava atenção na gente.
— Um garoto.. Da sonserina, que sentou ao meu lado ontem. — eu falei baixinho, me virando pra ela novamente.
— Brendan Jordan, sei. — ela fez um gesto de descanso com a mão.
Todo mundo conhecia ele menos eu?
— É.. Nos encontramos no corredor e.. Foi meio estranho. — contei, pondo meu cabelo atrás da orelha.
— Jordan é estranho.. Meio frio e arrogante. Não ligue pro que ele disser. — ela sorriu, apertando minha mão antes de olhar para a porta da sala. — Falando nele..
Eu me virei e o garoto entrava na sala junto de Ephram e um outro garoto.. Era o garoto do corredor com o Ephram e eu lhe lancei um olhar significativo. Mas acabei desviando quando os olhos âmbar encontraram os meus e um sorrisinho ousou aparecer em seus lábios.
— Sirius não vai gostar nada disso.. — Lilian riu, olhando a mesa onde eu deveria estar.
Eu olhei também e vi Sirius a olhar de mim para o Jordan, um olhar desconfiado. Meus olhos reviraram.
— Ele não tem que gostar ou não gostar. Eu não opino sobre com quem ele sai. E eu nem conheço esse tal de Brendan Jordan. — bufei, pegando minha bolsa enquanto ouvia a ruiva ainda a rir.
— Boa sorte. — ela me disse e eu sorri forçado.
Caminhei até a minha mesa e me sentei, não querendo olhar para Sirius. Ele não disse nada e o professor entrou na sala, interrompendo algo que poderia vir a seguir. O professor falava sobre uma poção complicada e eu, novamente, não consegui prestar atenção. Minha mente voava longe dali... No garoto estranho, em Ephram, em como a minha vida amorosa foi por água abaixo, nos dedos que subiam pela minha perna.. Não, espera.
Eu olhei para o lado e Sirius matinha um sorrisinho nos lábios, ainda olhando para frente. Seus dedos acariciavam minha coxa, fazendo movimentos circulares enquanto subia pela mesma. Eu não disse nada, não achando aquela situação tão ruim. Afinal, ninguém podia ver já que estava debaixo do nosso "balcãozinho" e nós sentavamos um tanto no fundo. Era uma carícia um tanto inocente, mas ele a fez se tornar maliciosa.
— Sirius.. — eu sussurrei alerta quando ele adentrou a saia do meu uniforme, subindo seus dedos para onde não deveria.
Não recebi nenhuma resposta e segurei sua mão quando ele ousou tocar ali, fazendo-a descer até meu joelho. Para me mostrar sua indignação, ele apertou minha perna e eu reclamei internamente já que ele havia apertado forte demais. Nada foi dito e a aula se passou assim. Sua mão ainda pousada em minha perna enquanto eu tentava anotar o que o professor falava. Quando a aula terminou e eu tentei me levantar, ele apertou minha coxa me fazendo permanecer sentada. Eu o olhei.
— Por que tão apressada? Você está estranha. — ele comentou, me olhando preocupado.
— Não é nada.. Eu só estou estressada por causa dos estudos com a Lily. — sorri fraco, guardando minhas coisas.
Sua mão fez um leve carinho na minha perna antes que ele a soltasse e eu me levantasse. Com a bolsa no ombro, eu esperei que ele guardasse suas coisas e nós saímos da sala. No corredor nós nos separamos. Eu encontrei as meninas e ele os marotos, mesmo que todos estivessem indo para o salão principal. No mesmo, eu me sentei na mesa ao lado de Marlene tentando comer alguma coisa, mas eu não estava realmente com fome.
Talvez eu estivesse realmente cansada..
— Eu vou dar uma volta.. Nos vemos na aula de criaturas mágicas. — eu disse, não esperando uma resposta.
Pegando minha bolsa, eu sai do salão principal e caminhei para fora do castelo, em direção ao lago. Talvez aquele fosse meu lugar favorito em Hogwarts.. Eu parei ao lado de uma árvore e sorri, deixando minha bolsa pendurada em um galho baixo. A lula gigante parecia querer mostrar que era habilidosa em jogar água pra cima e eu ri, cruzando meus braços enquanto a observava.
Tudo estava calmo enquanto o vento tratava de bagunçar meus cabelos e refrescar a minha pele. Hoje o dia estava bem quente mas não tão quente devido ao vento fresco.
— Eu prefiro o frio.. E você? — questionei para a lula, sorrindo. — Você não deve gostar muito, não é? O lago não deve ser o melhor lugar no frio.
Eu ri, balançando minha cabeça. Era meio obvio..
— Ah, Jane.. Falando com a lula.. A que ponto você chegou? — perguntei pra mim mesma dessa vez mas não tive tempo de responder.
— A insanidade chega pra todos.
Eu me virei e engoli seco. Brendan Jordan caminhava lentamente na minha direção, parando ao meu lado e observando o lago. Seus olhos brilharam junto com o sol e eu abracei meu próprio corpo, deixando de olhar pra ele.
— Você não é tão calada assim, creio eu? — ele riu e eu senti ele se aproximar um pouco mais, parando extremamente próximo.
— E-eu.. — eu gagueijei e quis bater na minha própria testa ao olhar pra ele e ver seu sorriso debochado.
— Ephram me disse para ficar longe de você... Comentou que eu te intimidei. — Jordan comentou, ameaçando dar um passo a mais.
Eu dei dois passos pra trás.
— Ephram e sua boca grande.. — murmurei, não conseguindo manter meus olhos nos seus.
— Sabe, Potter.. Eu gosto que as pessoas sintam medo de mim. — ele se aproximou mais, seu sorriso aumentando.
Eu me afastei mais e me arrependi quando minhas costas tocaram a árvore e ele se aproveitou dessa situação. Seus braços me encurralaram ao ele depositar suas mãos na árvore, uma de cada lado do meu corpo. Minha respiração alterou e eu quis gritar. O que ele faria..?
— Não tenho medo de você.
Errado! Minha voz tremeu e isso fez com que ele risse.
— Olhe nos meus olhos, Potter. — ele sussurrou, segurando meu rosto para que seus olhos encontrassem os meus.
Eu olhei e tive a sensação de que ele podia ver a minha alma, todos os pecados que eu cometi e me julgava por isso.
— O que quer de mim..? — eu perguntei e ele sorriu abertamente dessa vez.
Ele tinha um sorriso bonito.. E não tão intimidador como ele.
— Sabe que você me intriga? O que eu disse na sala do Prof. Flitwick não foi de todo mentira. — o Jordan me avaliou. — É uma bela garota.. Não me impressiona que os irmãos Black tenham interesse em você. E olha que Régulo é um ser muito difícil.
O garoto riu com gosto mas eu não vi graça. Minhas mãos reagiram e tentaram o afastar mas ele parecia disposto a ficar bem perto.
— Calma.. Eu não vou fazer o mesmo que Régulo, te arrastar pra floresta e arrancar suas roupas. — ele pareceu pensar, me lançando um sorriso malicioso. — Mesmo que seja tentador...
— Por favor.. Me solta. — pedi, tentando soltar meu pulso que ele segurava com firmeza.
— Por que tão assustada? — ele se fingiu de inocente, acariciando meu cabelo com sua mão livre.
— Sua presença me dá calafrios.. — confessei baixo, sentindo meu rosto esquentar.
— Está dizendo que minha presença faz sua pele arrepiar..? — perguntou, voltando a sorrir. — Quer descobrir se meus toques também..?
— O que está dizendo? — eu tentei me soltar a todo custo, sentindo minhas bochechas queimarem.
— Suas bochechas estão dizendo que você pensou nessa possibilidade. — ele estava brincando comigo?
— E você se deixaria levar pela beleza de uma grifinoria?
O que eu estava falando? Eu devia estar me debatendo, pedindo para que alguém me salvasse desse doido! Mas com Ephram não havia dado certo... O que? Eu não estava querendo fazer ciúmes em Sirius com ele, estava? Por que tudo tinha que girar em torno de Sirius? Eu devia pensar em mim, só um pouquinho.
— Pela sua, sim. — sua fala fez um arrepio subir pela minha espinha.
Ele deixou sua mão escorregar para a minha nuca e me puxou para mais perto do seu corpo. Meu coração acelerou sem permissão quando seu rosto se aproximou do meu e ele desviou para falar no meu ouvido.
— Acho que o Black não está gostando do que vê. — me disse e eu quis olhar mas não olhei.
— Ele não tem que gostar... — murmurei de volta e ele me olhou.
— A coelhinha deixou de temer? — debochou e eu senti sua respiração se misturar com a minha.
— Eu já disse que não tenho medo de você. — reclamei, sentindo ele apertar minha nuca.
— Eu também gosto de desafios.. — sussurrou e eu notei o exato momento em que seus olhos desceram para meus lábios.
Eu não respondi. Eu queria que ele me beijasse...? Um lado gritava sim, o outro não. Ele parecia ainda mais bonito assim de perto... Seus olhos brilharam novamente. Seu rosto se aproximou mais ainda e eu deixei meus olhos se fecharem, sentindo seus lábios roçarem nos meus de forma 'indecente'. Pude sentir ele sorrir antes de puxar meu lábio inferior entre seus dentes e se afastar. Meus olhos se abriram de imediato e eu suspirei frustrada.
— Ah, Potter.. Não agora. Mas eu topo qualquer planinho mirabolante que esteja passando pela sua cabecinha. — ele disse, acariciando minha bochecha com o polegar.
Sem dizer mais nada, ele me soltou e eu voltei a encostar na árvore, meio perdida. Com um sorriso, ele me deixou ali sozinha, voltando para o castelo em passos lentos. Droga.. Por que eu estava tão frustrada? Talvez porque ele tenha me provocado e não tenha terminado? Nem um beijo? Por que eu queria um beijo dele? Talvez porque seus lábios pareciam tão macios..? Ai meu Merlin!
Eu peguei minha bolsa e corri em direção ao castelo, correndo pelos corredores para o banheiro da murta. Lá dentro, eu me apoiei na beira da pia em frente ao espelho e observei minhas bochechas ainda vermelhas. Com a água gelada eu molhei minhas mãos e as coloquei sobre minhas bochechas, tentando esfriar as mesmas.
— Brendan Jordan.. — eu sussurrei, rindo de mim mesma.
— Eu já o vi.. É um belo rapaz. — a voz da murta não me surpreendeu e eu a olhei.
— Sim... — apenas concordei, lembrando dos detalhes do rosto do garoto.
O silêncio se instalou e eu decidi voltar para a sala comunal.. Não faria diferença ir ou não para a próxima aula, eu já estava atrasada. E, sinceramente, eu não queria voltar pras aulas. Eu sai do banheiro e segui para o sétimo andar, dando a senha a mulher gorda e passando por ela sem querer ouvir seus comentários. Me jogando na poltrona mais próxima, eu me encolhi e observei a lareira que, agora, estava apagada. Acho que não havia necessidade de acende-la..
Olhos âmbar invadiram minha mente quando eu fechei os olhos e suspirei. O que ele tinha que os outros não tinham..? Nem mesmo Sirius... Ele me atraía e me dava um certo medo. Brendan era lindo, sedutor e intimidador. Mas eu queria que ele tivesse me beijado, me feito experimentar seus lábios e ter experimentado os meus também. Merlin, eu devia estar louca!
Eu me encolhi mais na poltrona e apoiei minha cabeça no braço dela, deixando que meus olhos se fechassem. Eu acabei adormecendo pouco tempo depois, imaginando como seria se Brendan Jordan, um sonserino arrogante, tivesse me beijado...
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