A Marota
65 Capítulo 63
— Cuide bem desse ferimento e não se esqueça.. Troque o curativo duas vezes por dia. — Madame Pomfrey me dizia, verificando novamente se não estava sangrando.
— Sim, senhora! — eu levei uma das mãos a testa e sorri pra ela. — Obrigada, madame Pomfrey.
— Se cuide, Potter. — ela me disse e eu assenti.
Depois de uma última olhada no curativo, ela me deixou ir com James. Ele disse que viria me buscar como se eu estivesse em outro lugar, bem longe do castelo. Ele colocou um dos braços sobre meus ombros e nós saímos da enfermaria, caminhando pelos corredores em direção ao sétimo andar. Subimos lentamente, tínhamos algum tempo..
— Você está bem? — ele perguntou, deixando um beijo na minha cabeça.
— Eu estou.. E você? — perguntei de volta, olhando pra ele e sorrindo.
— Eu não sei.. — ele suspirou e eu franzi o cenho.
— O que aconteceu? — eu parei no corredor do sétimo andar, acabando por fazer ele parar também.
James se afastou um pouco enquanto eu o fitava com atenção. Eu sabia que tinha acontecido algo, James não era de ficar triste.. Ou de parecer triste.
— Eu não sei.. Pode ser paranóia. — me disse e eu compreendi de imediato.
— Lily.. Não é?
Ele apenas assentiu.
— O que aconteceu?
— Eu vi ela andando por ai com um carinha da lufa-lufa.. — ele disse tentando fingir indiferença mas eu sabia que estava morrendo de ciúmes.
— E quem era? Você conhece? — perguntei, me encostando na parede e o olhando com curiosidade.
Ele ficou em silêncio por um momento sob meu olhar insistente.
— Era o Diggory.. — ele disse e eu continuei a olhar pra ele. — Amos Diggory, o terceiro cara mais popular de Hogwarts porque os primeiros somos eu e Sirius.
— Ah, eu já ouvi falar dele. É muito bonito. — comentei, recebendo o olhar ofendido do meu irmão. — Tudo bem, talvez eles sejam apenas amigos.
— Não parecia com o jeito que ele olhava pra ela. — James reclamou e eu segurei o riso.
— James.. Ao invés de ficar focado em um ciúme bobo, por que não tenta algo pra conquistar ela antes dele? — eu fui direta e ele me olhou como se seu cérebro ainda processasse minhas palavras.
— Acha que ele pode conquistar ela?! — agora ele parecia meio assustado e eu bati na minha própria testa.
— Vamos logo que ainda temos aula. — eu suspirei e o segurei pelo pulso, o puxando em direção ao retrato da mulher gorda.
— Vamos falar sobre isso depois? — questionou e eu sorri assentindo.
— Vamos falar sobre isso depois.
No dormitório feminino, eu cheguei no exato momento em que minhas amigas se arrumavam para as aulas. Elas me abraçaram como se não tivessem me visto ontem e eu fui me arrumar em seguida. Vesti meu uniforme e arrumei a minha bolsa, prendendo meus cabelos com um elástico e saindo do quarto com as minhas amigas. Elas não paravam de falar sobre o que tinha acontecido nos últimos dias e eu apenas ouvia, rindo de algumas coisas.
Na sala comunal, nós encontramos os marotos e eu vi o clima ficar tenso entre Lily e James.. Tinha algo que ele não me contou e eu arrancaria dele depois. Mesmo com isso, todos nós saímos da sala comunal juntos e descemos para o salão principal. Eu me sentei com as meninas e os marotos se sentaram um pouquinho afastados, como sempre. Nada muito incomum naquela manhã de segunda, onde eu havia acabado de sair da ala hospitalar depois de uma semana.
Apenas olhares de "O que aconteceu com ela?" ou "Eu achei que ela estava morta".
Depois do café, nós seguimos para a primeira aula.. Adivinhação. O aroma daquela sala me dava sono mesmo que eu tivesse dormido muito bem a noite e estivesse super disposta na porta. Da porta pra dentro já era outra história..
Eu me sentei com Lily e observei a bola de cristal encima da mesa. Meus olhos encontraram os de Lily e eu tapei a boca na tentativa de não rir. A professora falava sobre como era importante ter a mente serena para que pudéssemos nos concentrar no futuro. Eu estava mais interessada em saber do presente, se eu não podia me levantar e pedir pra ir ao banheiro, não voltando nunca mais.
— Será que eu posso desistir de adivinhação ano que vem? — eu sussurrei para Lily, me inclinando um pouco na direção dela.
— Eu não sei.. Você faria o que? — ela questionou no mesmo tom e eu dei de ombros.
— Sei lá, Aritmancia? Estudo dos trouxas. — eu ri e ela me acompanhou, acabando por chamar a atenção da professora que nos repreendeu com um gesto de mão.
Eu sorri para Lily antes de apoiar meu queixo no meu braço encima da mesa, mantendo meus olhos na bola de cristal novamente. Eu não via nada além de fumaça enquanto a voz da professora soava ao fundo, leve como uma pluma. Meu corpo estava ali mas a minha mente acabou voando para longe, pensando em vários coisas e em nada ao mesmo tempo. Ela voava por Hogwarts em direção a Londres e logo depois para o Brasil.
Eu sorri novamente com as lembranças e senti saudade. De minha tia, da nossa casa e do meu único amigo.. Joseph. Ele era meu melhor amigo e o único que sabia sobre pra onde eu estava indo, além de minha tia. Eu o adorava, ele era um tanto popular e me defendia quando implicavam comigo. Ele era brasileiro, mas seus pais eram americanos e ele que me ensinou inglês com a ajuda dos seus pais e de minha tia, é claro. Assim eu podia me comunicar melhor com meus pais e James quando eles iam nos visitar.
— Srta. Potter? Srta. Potter! — a voz da professora me fez despertar e eu a olhei meio sobressaltada.
— Desculpe, sim? — eu coloquei meus cabelos atrás das minhas orelhas e prestei atenção na mulher pouco mais velha.
— O que a senhorita tanto vê na bola? Pode nos dizer? — ela perguntou e eu pigarreei.
— Hum.. Eu.. Eu vejo.. Que eu não sou muito boa em adivinhação. — eu soltei um suspiro frustrado e algumas pessoas riram.
— A senhorita está aqui para aprender. — ela retrucou, lançando um olhar aos outros para que parassem de rir.
— Mas, sabe, é complicado.. Eu não vejo nada na bola, eu não vejo nada na xícara, nada na vela e muito menos nas cartas. — confessei apontando pra bola de cristal lhe mostrando toda a minha frustração.
Ela me olhou e respirou fundo, se virando pra continuar a sua aula mas eu a impedi.
— Mas.. Professora..? — eu chamei e ela me olhou. — Eu posso sair..?
Ela suspirou novamente e fez um gesto com a mão para que eu saísse. Eu sorri e olhei pra Lily, recolhendo minhas coisas.
— Nos vemos em feitiços. — pisquei pra ela e me levantei, caminhando para fora da sala.
Desci as escadas praticamente correndo, vai que ela mudava de ideia e me mandava voltar? No sétimo andar, eu caminhei pelo corredor até a sala precisa e parei em frente a parede vazia. Fechei os olhos e só os abri ao ouvir o som da parede de pedra dando lugar a porta de madeira. Girei a maçaneta e olhei para os lados antes de entrar e fechar a porta atrás de mim. Eu não tinha pedido nada exatamente, por isso me vi entre algumas estantes com livros.
Sorri levemente e passei o dedo sobre um dos livros empoeirados e ameacei o pegar, parando ao ouvir um barulho do outro lado. Meus olhos arregalaram ao ouvir um gemido e eu prendi a respiração por um momento, tinha alguém ali? Bem devagar, eu puxei o livro sem fazer barulho e espiei pelo buraco que ele havia deixado entre os outros. Procurei pela origem do barulho e a achei em uma cadeira, meu coração acelerou por dois motivos.. Por eu estar praticamente flagrando alguém naquele momento e por quem era.
Ele estava sentado na cadeira, a calça do uniforme nos calcanhares enquanto uma garota estava sentada em seu colo e o jeito como ela se movia indicava muita coisa. A saia tapava tudo mas eu sabia o que estava acontecendo.. Eu não era tão burra assim. Mas.. Por que uma biblioteca? Seria fetiche? As mãos pálidas da garota mergulharam nos cabelos negros de Sirius quando seus lábios se juntaram e ele apertou sua cintura com força, mesmo de longe eu podia ver as dobras dos dedos ficarem mais brancas ainda. Mais gemidos foram ouvidos e eu devolvi o livro a seu devido lugar tentando não fazer barulho.
Me virei e me deixei escorregar até o chão, ainda meio chocada. Eu havia visto duas pessoas transando.. Na sala precisa.. Ou biblioteca.. Eu não sabia qual era o sentido daquilo.. Sirius costumava transar com garotas ali? Era estranho! Assim como eu entrei, qualquer outra pessoa poderia entrar. Nas salas de aula ou armários de vassoura durante a noite ainda era mais apropriado do em horário de aula. Eu nem devia estar ali também...
Outro gemido alto me despertou e eu tentei sair dali sem fazer barulho, acabando por derrubar uns livros ao esbarrar na estante. Os sons pararam e eu xinguei baixinho, engatinhando até a porta. Me levantei e a abri, saindo dali praticamente correndo. Minhas pernas só pararam quando eu esbarrei em alguém no quinto andar e isso quase me derrubou pelo impacto. Mãos me seguraram e eu arregalei os olhos, suspirando aliviada ao ver Brendan.
Sim, eu estava com medo de ser Sirius ou a garota que estava com ele..
— Você está bem? Parece estar correndo de algo. — o sonserino me disse e eu neguei.
— Ela sempre está correndo por ai. — a voz de Ephram me fez nota-lo.
— Não é nada.. — eu dei de ombros, sorrindo para eles.
Mas meu sorriso morreu ao olhar mais para o lado e ver Kieran. Eu pigarreei e coloquei meu cabelo atrás da orelha, desviando o olhar quando ele me lançou um sorrisinho.
— Hum, Ephram.. Podemos conversar depois? — eu perguntei e ele assentiu.
— Okay, depois do jantar no sétimo andar. — me disse e eu concordei.
Olhei para Brendan e ele apenas coçou a nuca, olhando para o outro lado. Eu me afastei e caminhei para longe, descendo as escadas até o térreo. Quando iria entrar no salão principal, eu vi os meninos do time de quadribol indo em direção aos portões do castelo. Eu olhei para os lados e fui atrás deles, vendo que eles seguiram para a ponte em direção ao campo de quadribol. E sim, eu fui atrás deles.
Eu me escondi atrás de uma rocha quando eles se viraram, sabia que James havia me visto mas não disse nada. Quando voltaram a caminhar, eu voltei a segui-los até o campo de quadribol. Eles entraram no vestuário e eu fui até o campo, observando as balizas e tudo em volta. Era diferente olhar daqui de baixo e olhar das arquibancadas. Como seria olhar de cima de uma vassoura? Devia ser algo.. Novo e impressionante.
Alguns minutos se passaram e eu ouvi vozes, me virando e vendo o time vir em direção ao campo. Eles se aproximaram bastante e eu cruzei os braços, sorrindo quando eles me notaram. James riu e parou a minha frente, se apoiado na vassoura e me olhando.
— Aula de feitiços? — ele perguntou e eu neguei.
— Pulei. — lhe disse.
— Deixe mamãe saber que você pula aulas assim. — ele me disse e eu ri.
— Ela não vai saber se você não contar, caro irmão. — eu dei algumas batidinhas no seu peito duro pela proteção e me afastei.
Caminhei até as arquibancadas e me sentei na mais alta, observando eles se formarem e falarem sobre algo. De longe eu enxerguei uma pessoinha correr em direção ao campo e ir direto para o vestiário, eu sabia quem era. Sirius estava atrasado e eu também sabia por que. Poucos minutos depois, ele saiu fechando o uniforme com uma mão enquanto segurava sua vassoura na outra. Eu balancei a cabeça e voltei minha atenção ao time todo quando ele se juntou a eles.
Nenhum apito foi ouvido, James apenas ajudou o novo capitão a pegar o baú com as bolas e soltou os balaços, seguidos do pomo de ouro e a goles. Eu observei eles montarem as vassouras e James me lançar um olhar seguido de um sorriso. Com um gesto de cabeça, eu me levantei e deixei minha bolsa ali, correndo de volta até eles.
— Jogue a goles quando eu lhe der o sinal, okay? — ele pediu me entregando a bola vermelha e eu assenti.
Todos colocaram suas vassouras no ar e eu não tirei os olhos de James, esperando o seu sinal. Aquilo era.. Excitante, mesmo que fosse apenas um treino. Talvez meu interesse por quadribol estivesse crescendo.. Estaria no sangue dos Potter?
James me olhou e balançou a cabeça suavemente. Eu respirei e lancei a goles ao ar, forte o suficiente para alcança-los. O treino começou e eu decidi me sentar na arquibancada novamente, observando eles. Sirius rebatia os balaços que se aproximavam dos jogadores junto do outro batedor, como em todos os jogos. Os artilheiros revezavam entre si para tirar a goles um do outro e a jogar por entre os aros. James já havia pego o pomo várias vezes, acabando por deixar ele voar novamente antes de pega-lo mais uma vez.
O goleiro tentava impedir que a goles entrasse, acabava deixando passar algumas mas parecia fazer um bom trabalho. Ele era do sexto ano também, mesmo que parecesse mais velho.. Tinha cabelos ruivos e olhos azuis, algumas sardas espalhadas pelo rosto e, bem, era muito atraente. Joshua Turner, era seu nome.. Não tinha como não reparar nele, era o tipo de cara que as garotas vinham ao treino apenas para observar ele. Era como Sirius ou James.. Só parecia mais na dele.
Eu desviei rapidamente quando seus olhos repararam nos meus e me fingi interessada no livro que estava em meu colo. Que constrangedor..
O resto do treino tomou toda a aula de feitiços e boa parte de história da magia, mas eu não me importei. Observar eles treinando era bem mais legal que ouvir o professor Binns falar sobre coisas antigas e me fazer dormir. Quando as vassouras foram postas no chão, James segurava o pomo de ouro entre os dedos e o goleiro segurava a goles, enquanto os outros tentavam pegar os balaços. Eu me levantei e fui até eles depois de guardar o livro na bolsa.
— O que achou? — James me perguntou e eu fingi pensar.
— Acho que foi razoável. — cruzei meus braços e sorri divertida.
— Sei.. Eu vou trocar de roupa, não quero me atrasar para o almoço. — ele disse e me cutucou na barriga quando passou por mim.
Eu ri e observei ele guardar o pomo de ouro no baú antes de caminhar em direção ao vestiário. Coloquei meu cabelo atrás da orelha e me virei, sorrindo meio sem graça ao notar que o Turner me observava. Nós ficamos em silêncio, apenas os sons no fundo dos outros meninos tentando pegar os balaços eram ouvidos.
— Vassoura legal. — eu comentei, me sentindo muito idiota depois disso.
— Sim.. Presente de aniversário. — ele sorriu, mostrando melhor a vassoura que ainda parecia nova.
— De quanto? 20? — eu brinquei, pegando a goles da sua mão e ele riu.
— Eu não pareço tão velho.. — me disse e eu cerrei os olhos. — Só um pouquinho.
Concordei, observando a bola nas minhas mãos e me afastando um pouquinho. Sorri pra ele e olhei para os outros, os vendo guardar os balaços no baú com certa dificuldade.
— Pensa rápido! — eu disse e joguei a bola para o Turner.
Essa quase caiu mas ele acabou segurando.
— Assim não vale. — comentou e eu dei de ombros.
— Você é o goleiro, tem que prestar atenção. — lembrei, lhe dando uma piscadela e me abaixando pra pegar a vassoura que ele havia deixado cair ao tentar pegar a bola.
— Um ponto para a Potter. — ele disse e eu ri. — Quer montar?
Eu o olhei e ele indicou a sua vassoura. Eu a olhei por um momento, me imaginando encima dela. Mas logo essa imaginação sumiu, eu me vi caindo.
— Hum.. É melhor não. — eu lhe disse, entregando a vassoura pra ele e sorrindo meio sem graça novamente.
— Tem medo de altura? — Joshua questionou e eu neguei, pegando a goles que ele jogou pra mim.
— Quem sabe outro dia? — eu sugeri me afastando até o baú e colocando a goles ali.
Assim que eu tirei minhas mãos, alguém fechou o baú e eu me assustei, olhando pra cima rapidamente. Sirius estava parado ali, uma sombrancelha erguida e um tanto sério também. O que ele queria? Sem esperar, ele segurou meu braço sem muita força e me puxou em direção ao vestiário.
— Nos vemos depois, Turner! — eu me virei um pouco para o ruivo, só para implicar com Sirius.
Esse sorriu e acenou.
Eu acompanhei Sirius até a parte de trás do vestiário, soltando meu braço quando ele me colocou contra a parede. Ele teria me beijado se eu não tivesse desviado meu rosto e empurrado seu peito levemente. Pude ouvir seu suspiro e sorri forçado quando ele me olhou.
— O que foi? — ele perguntou, passando sua mão em meu rosto e tirando os cabelos que tentavam cair sobre ele.
— Nada.. Eu só.. Não estou muito disposta. — lhe respondi, dando de ombros e desviando meus olhos dos seus.
— Não pareceu com o Turner. — ele soltou e eu o olhei, franzindo o cenho.
— Eu não acredito nisso.. — eu murmurei e me afastei dele, ameaçando ir embora.
— Jane, espera.. — ele pediu, segurando meu braço e me fazendo parar.
— Eu não quero que você fique com raivinha de todo garoto que se aproxima de mim, ainda mais se eles forem seus amigos. — eu lhe disse, soltando meu braço e os cruzando.
— É só que.. Eu não gosto.. — ele começou e eu ergui as sombrancelhas, lhe incentivando a continuar. — Não é legal o jeito como eles te olham, como se quisessem devorar você com os olhos.
— É claro.. Porque admitir ou sentir ciúmes para Sirius Black é algo totalmente absurdo. — eu ri, balançando a cabeça e me afastando dele.
Ouvi ele me chamar mas não lhe dei atenção, correndo para a ponte. A atravessei e subi em direção ao castelo sem nem saber se James já havia ido, depois falaria com ele. No castelo, eu fui direto para o salão principal e acabei trombando com as meninas no saguão. Elas me encheram de perguntas sobre onde eu estava e eu apenas disse que estava no treino de quadribol com James. Esse que entrou alguns minutos depois, os cabelos úmidos. Devo te-lo observado por tempo demais, já que ele me olhou e fez uma careta me fazendo rir antes de voltar minha atenção para minha comida.
O almoço foi rápido, assim como o resto das aulas. Tivemos defesa contra as artes das trevas, herbologia e astronomia. No jantar eu quase não comi pois, por mais que eu tentasse ignorar, Sirius e a garota na sala precisa sempre inviadiam minha mente. Não era como se eu quisesse pensar naquilo, mas ainda me incomodava o fato de ele agarrar metade das garotas do castelo.
Assim que acabou, eu apenas acompanhei os meus colegas de casa para a torre da grifinória. Entramos na sala comunal e muitos foram direto para o dormitório, eu me joguei no sofá e suspirei, passando meus olhos pela sala. Eles encontraram olhos azuis e eu sorri levemente sendo retribuída antes de seu dono focar em uma conversa com outro colega.
— O que 'tá rolando? — a voz de Lily me despertou e eu olhei pra ela que tinha sentado ao meu lado.
— Como assim? — eu questionei confusa e ela revirou suas esmeraldas.
— Sirius não parar de olhar pra você é algo normal, mas por que ele está olhando para você e para o Turner com aquela cara? — ela perguntou, indicando o Black com a cabeça.
Eu o olhei, Sirius estava sentado no canto da sala com uma cara nada boa, alternando seus olhos entre mim e o Turner.
— Treino de quadribol. — eu lhe disse e revirei meus olhos.
— O Turner flertou com você? — Lily abaixou seu tom, se aproximando mais de mim.
— Talvez tenha sido um pouquinho o contrário.. Mas, não exatamente. Só conversamos e o Black ficou meio nervoso. — contei, cruzando meus braços e revirando os olhos mais uma vez.
— Mas.. Isso não é um bom sinal? — ela perguntou e eu neguei.
Olhei para os lados, confirmando que ninguém prestava realmente atenção em nós antes de me aproximar bem dela e dizer em seu ouvido.
— Depois que eu sai de adivinhação, eu fui até a sala precisa e encontrei ele e uma garota.. Eles estavam fazendo sexo. — contei e me afastei, vendo os olhos verdes da ruiva arregalados.
Apenas as conversas alheias eram ouvidas e eu dei de ombros quando ela me olhou novamente.
— Eles te viram? — ela olhou em volta e eu neguei mais uma vez.
— Eu sai de lá antes disso.. — expliquei os detalhes e ela riu.
— Credo.. Deve ser desconfortável pegar alguém nesse momento. — comentou e eu tive que concordar.
— O fato é.. Sirius não tem ciúmes, é mais como algo relacionado a posse. Ele apenas cismou comigo pois eu ainda não dei o que todas dão. — eu suspirei e Lily negou, parecendo pensativa.
— Eu sei que não é só isso.. — ela murmurou e eu a olhei confusa quando ela se levantou. — Nos vemos depois!
Eu apenas a observei se afastar rapidamente e subir as escadas do dormitório feminino, sumindo da minha vista. Eu balancei a cabeça, prestando atenção nos alunos que jogavam xadrez de bruxo a minha frente.
Eu não queria mais pensar em Sirius com outras garotas, era problema dele. Mas se eu era apenas mais uma de suas ficantes, ele não tinha o direito de reclamar caso eu me envolvesse com outro garoto e o fizesse de apenas mais um ficante também. E o meu alvo estava a poucos passos de distância, segurando um copo em uma das mãos enquanto ria de algo dito por Amy, uma das artilheiras do time. Dessa vez eu não usaria pra fazer ciúmes em Sirius ou algo assim, o ruivo havia mesmo me interessado e eu não deixaria de tentar algo com ele por causa de Sirius Black. Não mais.
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