Notas iniciais
Alguns esclarecimentos. — Como dito por Lucy no capítulo anterior, a falta de contato íntimo (toque intencional do Dragon Slayer a sua marcada) e a não utilização do poder doado, faz com que a marca se oculte de forma a desaparecer momentaneamente na pele. Como Natsu não sabia que a maga celestial era sua marcada, seus toques não surtiam efeito algum. — Sem poder, sem presença. Os Dragon Slayers somente conseguem identificar um marcado e saber a quem pertence, quando há ativação do poder ou contato com o doador. — Para o doador a pessoa marcada tem o cheiro ampliado ao ponto de ser farejada a uma distancia maior do que qualquer outra criatura. — Tal dragão, tal marca. Cada espécie de dragão tem sua própria marca e cor derivados da magia que utilizam. Foi por isso que Natsu conseguiu identificar facilmente a sua. Creio que expliquei o suficiente do capítulo. Espero que gostem. Boa leitura!

Natsu

Não consigo me lembrar exatamente quanto tempo fazia desde que a luta já não me prendia mais a atenção. Algo de errado estava acontecendo comigo. Mirei confuso para as mãos aparentemente normais, porém o ocorrido não era exterior, acontecia dentro de mim: Minha energia, por menor que fosse a quantidade, estava se esvaindo.

Seria algum inimigo? Cogitei fazendo uma vistoria pelo local na tentativa de encontrar nem que seja um rosto suspeito.

Erza, Gray e Wendy, até mesmo Happy e Charles não paravam de comentar a respeito da luta. Pensando bem, de todo o público presente, eu era o único com uma distração completamente diferente. Então voltei meus olhos para a arena e encontrei uma Luce amedrontada olhando na minha direção. O mais estranho foi vê-la correr sentido contrário ao meu, como se estivesse acabado de ver um fantasma.

— Vamos atrás dela! – Anunciou Erza, abrindo caminho entre as pessoas e contornando o local da luta.

Troquei olhares com Happy, e num movimento positivo nosso de cabeça, ele me segurou e sobrevoou o lugar. Ficamos a uma altura suficiente para poder ter ampla vista do torneio e seus arredores. Reparei um ponto amarelo, mas precisamente loiro em constante movimento, se distanciando da multidão rumo às árvores do antigo bosque de Magnólia.

— Por ali, Happy! – Apontei, e seguimos num vou rasante.

O que esta acontecendo Luce? Pensei não conseguindo imaginar nada que a fizesse fugir do torneio daquela maneira.

Ela parou bruscamente sua fuga quando me avistou descendo pouco mais adiante.

— O que houve com você? – Não esperei tocar no chão, lançando a pergunta sem rodeios. Infelizmente o silêncio dela foi à única resposta que tive. Estava começando a ficar impaciente.

Notei que usava a outra mão para cobrir a marca da guilda, virando um pouco o corpo para escondê-la de mim. – Se machucou...

— Não se aproxime! – Gritou, recuando dois passos. Antes que fizesse o mesmo, avançando, estourado por não entender o motivo de tanto hesito, os outros chegam me impedindo de agir precipitadamente. É de meu feitio começar uma discussão sem ao menos entender os motivos para dada atitude.

— Lucy! Natsu! ­– Exclamaram juntos.

— Ei Lucy, por que saiu daquele jeito? Ficamos preocupados. – Gray a questionou, parando para recobrar o folego. Mas assim como eu, não conseguiu arrancar sequer uma palavra.

Ele franziu o cenho, confuso.

— Ela não diz! Tentei usando quase as mesmas palavras que você. Acho que possa esta ferida. – Expliquei indicando a mão.

— Wendy... – Pediu Erza.

Assentindo, nossa pequena amiga se aproximou vagarosa.

— Tudo bem Lucy, se for alguma lesão sabe que posso ajudá-la... – As palavras cessaram, assim como os passos de quem estava proferindo. Wendy escancarou os olhos castanhos com tamanho espanto e um “q” de surpresa, batendo a boca como quem não soubesse o que dizer, ou por onde começar.

Os olhos marejados de Luce começam a soltar as primeiras lágrimas, enquanto fitava envergonhada a baixinha. Era como se ambas partilhassem de uma conversa íntima, onde os outros, muito menos eu, não fossemos convidados. Fiquei desesperado com todo aquele suspense. Mas que droga! Senti a veia pulsando na testa.

— Fale logo Wendy! – Clamei, exasperado.

— Sinto muito... – Desculpou-se tomando um susto com o tom de minha voz.

Erza estendeu a mão espalmada na minha direção, e imediatamente entendi o gesto me sentando no chão, emburrado. Será que sou o único que gostaria de pegar o idiota que deixou a Luce naquele estado? Com toda essa demora, certamente já deve está longe.

— Vamos Wendy, nos diga o que tem a Lucy? – Inquiriu a titânia, firme pela seriedade da situação.

Fui encarado antes da resposta vir com a voz entrecortada: – E-Ela foi marcada!

... ... ...

— O que? – Sobressaltou-se Natsu, ficando de pé rapidamente com a revelação.

— O que quer dizer com isso: Marcada? – A ruiva ignorou a atitude excessiva do rosado, embora não disfarçasse a preocupação.

— É um termo adotado pelos dragon slayers para indicar que a pessoa possui o símbolo de um dragão com o mesmo tipo de magia de quem a colocou. Grandine há tempos me disse, que a marca tem por finalidade a união, proteção e o zelo. É preciso tomar bastante cuidado antes de se aproximar de um marcado, principalmente se for outro dragon slayer, caso queira evitar confronto.

— Como um elo de ligação. – Concluiu Erza, chocada, entendendo exatamente o nível da situação que a amiga loira havia se metido.

Wendy se limitou em concordar com o rosto levemente corando.

— Por que ficou vermelha? – A gatinha branca resmungou, cruzando os braços desconfiada.

— Posso lhe marcar Charles?

— Mas é claro que não!

— *Aye! – O exceed azulado finalizou, triste.

— Está mais para o sentido de fixar território. – Bufou o mago do gelo, meneando a cabeça. Acompanhava tudo recostado a um tronco de árvore.

Me sinto um hidrante. Choramingou Lucy, mentalizando sua cabeça posta no objeto.

— Submissa... – A palavra veio num sussurro automático, atraindo a atenção dos amigos. Com a cabeça baixa, retornava no tempo lembrando do estudo que tinha feito sobre essa conexão.

Por isso que ela não me deixou tocá-la. Quis evitar minha luta com esse cara. Natsu pensou em voz alta. Tarde demais! Meu sangue já está fervendo.

— Mas como Wendy soube, se a Lucy permaneceu todo o tempo com a mão coberta? – Gray levantou a questão.

— Pelo cheiro! – Dessa vez Natsu respondeu. – Quando se é marcado, a essência do dragon slayer passa a ficar preeminente no escolhido, orientando aos outros de que aquela, ou aquele, – faz aspas – tem a sua proteção. – Encerrou farejando o ar na direção de Lucy. – Só que... — Uma interrogação lhe tomou a face. – Não consigo identificar o maldito desgraçado. O perfume dela esta tão forte que conseguiria senti-la até debaixo d’água.

Wendy crispou o cenho, incrédula. Ele não sabe? Aspirou novamente para ter certeza. Sem sombra de dúvida é o Natsu-san. Agora, ela que possuía uma interrogação no rosto.

— Vocês parecem um bando de cachorros, isso sim! – Gray provocou, olhando de soslaio para o salamander.

— O que disse picolé? – Em poucos segundos, Natsu atravessou a distância que os separava, unindo suas testas e encarando-o feio. – Repita!

— Cachorro!

Uma luta corporal se iniciou. Logo Gray estava sem as roupas, apenas com a cueca interferindo na nudez completa.

— Chega! – Esbravejou Lucy com os olhos fechados e as mãos trêmulas da força que empregava. Os punhos cerrados de cada lado do corpo expunha finalmente a marca na mão direita. Reluzia na cor vermelha sobre a pele esbranquiçada da maga celestial, apagando completamente a fada rosa antes tatuada e indicando que o autor estava por perto.

Todos admiraram. Não podiam negar o quanto era bela.

Boquiaberto, Natsu piscava varias vezes assimilando a imagem. Logo seu semblante escureceu.

— Nos diga Lucy, quem fez isso com você? – Erza a encorajava com seu toque costumeiro no ombro.

Vencida pelo cansaço, mas ainda envergonhada pela presença da pessoa em questão, a loira abriu a boca no intuito de responder a titânia e seus outros amigos insistentes, porém a voz que saiu acabou sendo a de um Natsu dominado pela seriedade.

— Fui eu! — Afirmou curto e direto.

A surpresa paralisou Erza ao lado de Lucy, um Gray que acabara de vestir as calça e consequentemente as deixa cair de novo, e dois exceeds ouvintes.

— O queeeeeeê? – Indagaram em um coro pasmo.

O rosto da dragon slayer do vento queimava no mais puro dos vermelhos. – Aiaiii... — Tocou as bochechas.

... ... ...

*Palavras muito usadas pelos personagens no anime, que acabaram não me escapando.

Notas finais
No próximo capítulo... Natsu defende-se explicando os motivos de tê-la marcado, não deixando sequer escapar a surpresa de esta diante da menina que pensou nunca mais encontrar. Já os sentimentos de Lucy são outros, baseados nos livros de pesquisa da casa de campo para onde seu pai a arrastou depois que descobriu o ocorrido, e nas palavras duras dele sobre o assunto. Como ficará o relacionamento deles de agora por diante?