A Marca do Dragão
2 Submissão.
Notas iniciais
Natsu
Não consigo me lembrar exatamente quanto tempo fazia desde que a luta já não me prendia mais a atenção. Algo de errado estava acontecendo comigo. Mirei confuso para as mãos aparentemente normais, porém o ocorrido não era exterior, acontecia dentro de mim: Minha energia, por menor que fosse a quantidade, estava se esvaindo.
Seria algum inimigo? Cogitei fazendo uma vistoria pelo local na tentativa de encontrar nem que seja um rosto suspeito.
Erza, Gray e Wendy, até mesmo Happy e Charles não paravam de comentar a respeito da luta. Pensando bem, de todo o público presente, eu era o único com uma distração completamente diferente. Então voltei meus olhos para a arena e encontrei uma Luce amedrontada olhando na minha direção. O mais estranho foi vê-la correr sentido contrário ao meu, como se estivesse acabado de ver um fantasma.
— Vamos atrás dela! – Anunciou Erza, abrindo caminho entre as pessoas e contornando o local da luta.
Troquei olhares com Happy, e num movimento positivo nosso de cabeça, ele me segurou e sobrevoou o lugar. Ficamos a uma altura suficiente para poder ter ampla vista do torneio e seus arredores. Reparei um ponto amarelo, mas precisamente loiro em constante movimento, se distanciando da multidão rumo às árvores do antigo bosque de Magnólia.
— Por ali, Happy! – Apontei, e seguimos num vou rasante.
O que esta acontecendo Luce? Pensei não conseguindo imaginar nada que a fizesse fugir do torneio daquela maneira.
Ela parou bruscamente sua fuga quando me avistou descendo pouco mais adiante.
— O que houve com você? – Não esperei tocar no chão, lançando a pergunta sem rodeios. Infelizmente o silêncio dela foi à única resposta que tive. Estava começando a ficar impaciente.
Notei que usava a outra mão para cobrir a marca da guilda, virando um pouco o corpo para escondê-la de mim. – Se machucou...
— Não se aproxime! – Gritou, recuando dois passos. Antes que fizesse o mesmo, avançando, estourado por não entender o motivo de tanto hesito, os outros chegam me impedindo de agir precipitadamente. É de meu feitio começar uma discussão sem ao menos entender os motivos para dada atitude.
— Lucy! Natsu! – Exclamaram juntos.
— Ei Lucy, por que saiu daquele jeito? Ficamos preocupados. – Gray a questionou, parando para recobrar o folego. Mas assim como eu, não conseguiu arrancar sequer uma palavra.
Ele franziu o cenho, confuso.
— Ela não diz! Tentei usando quase as mesmas palavras que você. Acho que possa esta ferida. – Expliquei indicando a mão.
— Wendy... – Pediu Erza.
Assentindo, nossa pequena amiga se aproximou vagarosa.
— Tudo bem Lucy, se for alguma lesão sabe que posso ajudá-la... – As palavras cessaram, assim como os passos de quem estava proferindo. Wendy escancarou os olhos castanhos com tamanho espanto e um “q” de surpresa, batendo a boca como quem não soubesse o que dizer, ou por onde começar.
Os olhos marejados de Luce começam a soltar as primeiras lágrimas, enquanto fitava envergonhada a baixinha. Era como se ambas partilhassem de uma conversa íntima, onde os outros, muito menos eu, não fossemos convidados. Fiquei desesperado com todo aquele suspense. Mas que droga! Senti a veia pulsando na testa.
— Fale logo Wendy! – Clamei, exasperado.
— Sinto muito... – Desculpou-se tomando um susto com o tom de minha voz.
Erza estendeu a mão espalmada na minha direção, e imediatamente entendi o gesto me sentando no chão, emburrado. Será que sou o único que gostaria de pegar o idiota que deixou a Luce naquele estado? Com toda essa demora, certamente já deve está longe.
— Vamos Wendy, nos diga o que tem a Lucy? – Inquiriu a titânia, firme pela seriedade da situação.
Fui encarado antes da resposta vir com a voz entrecortada: – E-Ela foi marcada!
... ... ...
— O que? – Sobressaltou-se Natsu, ficando de pé rapidamente com a revelação.
— O que quer dizer com isso: Marcada? – A ruiva ignorou a atitude excessiva do rosado, embora não disfarçasse a preocupação.
— É um termo adotado pelos dragon slayers para indicar que a pessoa possui o símbolo de um dragão com o mesmo tipo de magia de quem a colocou. Grandine há tempos me disse, que a marca tem por finalidade a união, proteção e o zelo. É preciso tomar bastante cuidado antes de se aproximar de um marcado, principalmente se for outro dragon slayer, caso queira evitar confronto.
— Como um elo de ligação. – Concluiu Erza, chocada, entendendo exatamente o nível da situação que a amiga loira havia se metido.
Wendy se limitou em concordar com o rosto levemente corando.
— Por que ficou vermelha? – A gatinha branca resmungou, cruzando os braços desconfiada.
— Posso lhe marcar Charles?
— Mas é claro que não!
— *Aye! – O exceed azulado finalizou, triste.
— Está mais para o sentido de fixar território. – Bufou o mago do gelo, meneando a cabeça. Acompanhava tudo recostado a um tronco de árvore.
Me sinto um hidrante. Choramingou Lucy, mentalizando sua cabeça posta no objeto.
— Submissa... – A palavra veio num sussurro automático, atraindo a atenção dos amigos. Com a cabeça baixa, retornava no tempo lembrando do estudo que tinha feito sobre essa conexão.
Por isso que ela não me deixou tocá-la. Quis evitar minha luta com esse cara. Natsu pensou em voz alta. Tarde demais! Meu sangue já está fervendo.
— Mas como Wendy soube, se a Lucy permaneceu todo o tempo com a mão coberta? – Gray levantou a questão.
— Pelo cheiro! – Dessa vez Natsu respondeu. – Quando se é marcado, a essência do dragon slayer passa a ficar preeminente no escolhido, orientando aos outros de que aquela, ou aquele, – faz aspas – tem a sua proteção. – Encerrou farejando o ar na direção de Lucy. – Só que... — Uma interrogação lhe tomou a face. – Não consigo identificar o maldito desgraçado. O perfume dela esta tão forte que conseguiria senti-la até debaixo d’água.
Wendy crispou o cenho, incrédula. Ele não sabe? Aspirou novamente para ter certeza. Sem sombra de dúvida é o Natsu-san. Agora, ela que possuía uma interrogação no rosto.
— Vocês parecem um bando de cachorros, isso sim! – Gray provocou, olhando de soslaio para o salamander.
— O que disse picolé? – Em poucos segundos, Natsu atravessou a distância que os separava, unindo suas testas e encarando-o feio. – Repita!
— Cachorro!
Uma luta corporal se iniciou. Logo Gray estava sem as roupas, apenas com a cueca interferindo na nudez completa.
— Chega! – Esbravejou Lucy com os olhos fechados e as mãos trêmulas da força que empregava. Os punhos cerrados de cada lado do corpo expunha finalmente a marca na mão direita. Reluzia na cor vermelha sobre a pele esbranquiçada da maga celestial, apagando completamente a fada rosa antes tatuada e indicando que o autor estava por perto.
Todos admiraram. Não podiam negar o quanto era bela.
Boquiaberto, Natsu piscava varias vezes assimilando a imagem. Logo seu semblante escureceu.
— Nos diga Lucy, quem fez isso com você? – Erza a encorajava com seu toque costumeiro no ombro.
Vencida pelo cansaço, mas ainda envergonhada pela presença da pessoa em questão, a loira abriu a boca no intuito de responder a titânia e seus outros amigos insistentes, porém a voz que saiu acabou sendo a de um Natsu dominado pela seriedade.
— Fui eu! — Afirmou curto e direto.
A surpresa paralisou Erza ao lado de Lucy, um Gray que acabara de vestir as calça e consequentemente as deixa cair de novo, e dois exceeds ouvintes.
— O queeeeeeê? – Indagaram em um coro pasmo.
O rosto da dragon slayer do vento queimava no mais puro dos vermelhos. – Aiaiii... — Tocou as bochechas.
... ... ...
*Palavras muito usadas pelos personagens no anime, que acabaram não me escapando.
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