A Marca do Destino

3 O Último Desejo


Notas iniciais
último cap ❤

Dessa vez Jaskier despertou desnorteado e confuso, e ao invés de acordar com os olhos calmos e dourados de Geralt, Yennefer o examinava com uma determinação perigosa no rosto.

— Onde está Geralt? — disse ele, e suas palavras soaram vagarosas demais para formarem frases mais inteligíveis do que aquelas. Sentia-se mais cansado que antes, como se uma carruagem o tivesse atropelado enquanto dormia, ou poderia ser o efeito colateral da sua briga com Geralt. Buscou na sua memória algo que pudesse explicar as várias velas no chão do quarto e Yennefer aproximando-se dele com uma marca estranha na barriga, mas só lembrou-se de olhos violetas brilhantes e poderosos encontrarem os seus antes de desmaiar novamente.

Ele deu um pulo fora da cama quando a maga tirou o vestido e acendeu todas as velas com um simples gesto de mão.

— Por mais que eu aprecie a atitude excêntrica e significativamente assustadora, — Jaskier ajustava as roupas para verificar se estava vestindo-as e não tinha feito nada que pudesse causar arrependimento. — Receio que meus fetiches ainda não subiram a esse nível—

— Faça seu desejo, bardo. — Ela comandou, sua voz sinistra.

— Desejo? Eu—

— Você tem dois desejos para o Djinn, e se acontecer algo de errado com sua garganta de novo, vou impedir. — Ela o encurralou para a parede, sua mão agora segurando uma faca para ameaçá-lo, e de onde em nome dos deuses ela tinha tirado aquilo?

— Só tenho uma pergunta! — declarou ele com a voz alta e nervosa, encarando a faca como se ela o tivesse pessoalmente ofendido. — Sobre a Marca! Geralt tem uma.

Ela hesitou, seus olhos piscando em surpresa. Jaskier continuou.

— E eu a vi nascendo, com a minha caligrafia, mas não era uma... Marca... — crispou os lábios, incerto — Pelo menos não sei se era mesmo, porque desapareceu logo depois, e eu podia jurar que eu vi! Estava lá, era minha, mas ele não viu, e ela desapareceu, e agora Geralt, — interrompeu as palavras apressadas por causa do nó em sua garganta que agora crescia junto com a sua angústia. — Geralt não sabe... Yennefer, Eu não... Me explica o quê...

Engasgou com a agonia que enchia seu peito, e Yennefer deu um passo para trás. Observou ela passar a mão em seu próprio braço esquerdo com um olhar pensativo e dedos delicados. Jaskier se perguntou por um segundo se ela tinha uma Marca naquele lugar, mas não havia nada, só uma pele clara e lisa.

— Quando nos tornamos magas, — Ela tornou a falar depois de um tempo, e se afastou para colocar a faca em cima de uma mesa ao lado da cama, causando um suspiro aliviado do bardo — Somos tiradas de algumas coisas, dentre elas nossa Marca. — Seus olhos violeta fitavam os dele com uma nova onda de emoções. Força. Violação. Resistência. Jaskier desviou os olhos e fechou os punhos para conter sua própria indignação. — Nossa magia pode fazer muitas coisas sobre Marcas e almas gêmeas, mas não pode fazê-las voltarem a aparecer. Podemos escondê-las, no entanto.

Jaskier levantou a cabeça, atento.

— Você estava sob minha magia quando a Marca de Geralt supostamente apareceu, — Ela continuou — O que pode ter escondido seu nome na pele dele, mas... É só uma teoria, — Jaskier engoliu em seco. — Particularmente não acho que seja algo tão complicado. Você negou seu destino ao abandonar sua Marca, e ele não gosta de ser ignorado, muito menos rejeitado.

— Está insinuando que eu pessoalmente ofendi o Destino? — Ele perguntou, sua voz afiada com ironia irritada. Yennefer deu de ombros.

— Quem sabe se você pedir para o Djinn uma nova Marca, — Os olhos dela voltaram a transmitir apenas ódio e poder, desvairando-se de quaisquer outras emoções de antes, e soltou um riso fraco. Jaskier decidiu que não gostava do sorriso dela. — Se você já conseguiu satisfazer sua curiosidade, canarinho, está na hora de fazer seus desejos. Não tenho o dia todo.

Jaskier fechou os olhos. Não sabia se queria sua Marca de volta, mas também não gostava das coisas como estavam. Nada vinha a sua mente. Queria coisas complicadas demais para serem resolvidas com um simples desejo mágico.

— Desejo que tudo isso não seja mais nada do que um sonho. — Ele murmurou, e esperou alguns segundos em completo silêncio, mas nada aconteceu.

— Não basta só falar da boca para a fora, você tem que realmente querer, — Yennefer disse antes de seus olhos brilharem como da última vez. — Posso sentir a magia do Djinn. Faça o outro pedido.

— Eu não sei, — As janelas e portas se abriram em um estrondo por um vento forte e Jaskier viu uma sombra percorrer pelas paredes do cômodo. Começou a tremer da cabeça aos pés, uma energia intensa e sobrenatural passando em sua espinha. — Eu não sei mais o que pedir—

— Peça logo! — Yennefer gritou.

— Eu desejo sair desse lugar pra sempre!

A maga passou a falar em uma língua misteriosa, e o quarto inteiro começou a balançar. Ou poderia também ser a tontura de Jaskier, que cambaleou apressadamente até a porta para sair o mais rápido possível e partiu em direção a floresta. Teria caído no chão se sua cabeça não tivesse colidido com o peito de Geralt.

— Ge-Geralt! — O bardo gaguejou, e como estava feliz em ver a cara emburrada do bruxo ao invés de olhos violeta ameaçadores. Estava prestes a começar um monólogo sobre seus desejos e magas violentas, mas fechou seus lábios ao lembrar que os dois não estavam certamente em bons termos.

— Jaskier, — Geralt respondeu com uma expressão mal humorada e inquieta, como se não quisesse ver o bardo naquele momento, mas algo mais estava em sua mente. Jaskier não deu tempo para ele organizar seus pensamentos, pois suas pernas escolheram aquele momento para perderem a força e ele despencou em direção ao chão. Os braços rápidos de Geralt o pegaram, levantando-o. — O que aconteceu?

— Temos que sair daqui, — respondeu em frenesi, agora que tinha permissão do outro para falar. Odiava ficar de mal com o bruxo, por algum motivo não se sentia confortável em conversar com um Geralt irritado. — Deu a louca na Yennefer, ela quer algo com o Djinn, e eu fiz meus pedidos na pressa e agora tá batendo um arrependimento—

— Você fez seus pedidos ao Djinn? — Ele disse, apressado, e Jaskier assentiu.

E em seguida Geralt o deixou para ir correndo até a porta de entrada, até Yennefer e todo aquele caos. Jaskier tropeçou em seus pés de novo para acompanhá-lo.

— Você ficou louco?! Ouviu o que eu disse?! — Ele agora gritava para ser escutado através dos ventos fortes que balançavam as árvores e a casa da qual o outro estava prestes a entrar. — Ela é louca! Não sei o que ela tem, mas não é coisa boa! Geralt—

O bruxo virou-se para ele quando chegou até a porta e o empurrou gentilmente para o lado. Jaskier parou de falar quando viu o olhar intenso do outro, reservado apenas para quando a situação ficava séria.

— Fique aqui. — Ele disse e abriu a porta.

Jaskier esperou com a ansiedade engasgando sua garganta e o coração na mão, ignorando os berros dolorosos de Yennefer que ecoavam pela casa. Sabia que não era bom interferir em certas coisas quando o assunto era Geralt de Rívia e magia insana, o Djinn já era prova disso. Mas o bardo sempre foi atraído pelas aventuras de Geralt, especialmente as mais perigosas, e agora, mesmo com o corpo fraco e exausto, teve que se conter para não correr atrás dele e o puxar para longe do perigo.

Não sabia quanto tempo tinha ficado parado ali, sua mente paranóica o deixando agitado, até que a casa inteira começou a ranger com movimentos fortes e o vento ficou mais vigoroso, balançando seus cabelos. Havia uma energia elétrica e sufocante no ar, como um açoite golpeando todo o seu corpo de uma vez.

— A casa vai cair. — Jaskier suspirou antes mesmo de se dar conta do perigo em que Geralt estava. A casa vai cair e despencar em cima dele e ele não vai aguentar e ele vai morrer ele vai morrer—

Adrenalina pulsou por suas veias e lhe deu forças para correr até Geralt, que estava gritando algo para Yennefer, e Jaskier estava preocupado demais para entender alguma coisa.

Geralt! — Jaskier se permitiu sentir um pingo de satisfação ao notar os olhos arregalados de surpresa e terror do outro ao ver ele ali. — A casa vai cair! Temos que ir—

Houve um estouro em cima deles, provavelmente uma calha destruída, e Geralt não hesitou ao pegar ambos Yennefer e Jaskier e jogá-los até o próximo cômodo seguro antes do mundo desabar. O bruxo cobriu o bardo com seu corpo para protegê-lo do impacto, Yennefer bloqueando-se de alguns estilhaços com sua magia.

— Você quer morrer? — Geralt perguntou depois de ter certeza que todos estavam salvos, sua voz um mero sussurro irritado. — Se eu não tivesse reagido a tempo—

— Te pergunto a mesma coisa! — retrucou Jaskier, os acontecimentos do dia finalmente pesando em seus ombros e seus olhos se encheram de lágrimas frustradas. — Correndo em direção ao perigo desse jeito, você ficou louco?! Quer me matar do coração?! Eu pensei que você-- Que você ia--

E se quebrou em soluços, cobrindo seu rosto com as mãos para Geralt não ver suas lágrimas e poupar o que restava de sua dignidade. O outro não disse nada, seu corpo ainda em cima de Jaskier, o cobrindo da sujeira e dos olhares penetrantes de Yennefer.

— Estou tão cansado, Geralt, — O bardo engasgou com o choro, e esperou seus soluços cessarem e sua respiração acalmar. Não conseguia falar daquele jeito, quando tudo dentro dele parecia prestes a explodir e as emoções transbordavam por entre seus dedos. — Cansado de tudo. Não aguento mais fazer decisões erradas, sempre estrago tudo, — Tomou coragem e encarou Geralt nos olhos, este completamente paralisado e focando toda sua atenção nele. Alguns fios de seus cabelos prateados caíram de seus ombros até o rosto se Jaskier, acariciando suas bochechas. — Desculpe por aquilo que eu falei. Sobre a sua Marca, e se você ficou ofendido.

Virou o rosto, sem forças para mais confissões. Doía demais negar a Marca de Geralt, mesmo com toda a certeza de que tinha visto seu nome no pescoço do outro. Se ele próprio não queria acreditar, do que adiantava?

— Hm, — Geralt respondeu, para sua frustração, mas quando Jaskier olhou para ele novamente, viu seu rosto calmo e cansado, observando-o com ternura nos olhos. Parecia que tinha amolecido com a declaração do bardo, suas feições agora mais relaxadas. — Acho que nós dois estamos cansados.

E com isso ele se levantou, tirando o pó e sujeira de seus ombros, e ofereceu sua mão para ajudá-lo a se reerguer. Jaskier sorriu por entre os soluços e pegou sua mão.

E ele ainda pensava que a Marca poderia tirar sua paixão pelo bruxo. A verdade era que nada tinha mudado. Geralt não iria deixar de ser sua alma gêmea por causa de uma tatuagem que não existia mais. Ele podia ser a alma gêmea do bardo, mas ele não era a de Geralt.

Jaskier se viu estranhamente disposto a aceitar aquilo. Se ainda era capaz de ganhar o perdão do outro e continuar a acompanhá-lo em suas jornadas, poderia viver sem a Marca e sem arrependimentos.

Yennefer encarou os dois com ira nos olhos e cabelos sujos e bagunçados, e Geralt teve que segurar Jaskier para este não sair correndo no momento em que a maga gritou seu nome.

Depois que Geralt e Jaskier fizeram as pazes e fugiram de Yennefer, o bardo continuava suas aventuras com o bruxo, e dessa vez Geralt não tentou persuadi-lo a deixá-lo em paz, pelo contrário. Estava estranhamente paciente com ele, e até chegava a conversar com Jaskier ao invés de ignorá-lo como sempre fazia.

Alguns meses se passaram e eles ficaram assim, caçando monstros e causando problemas. O bardo não se importava de sua vida ser aquele caos, não quando estava com Geralt para salvá-lo de qualquer encrenca. O bruxo arranjava trabalho e, quando o outro se preparava para segui-lo, era negado toda vez.

É muito perigoso

Não vou com você junto, Jaskier

Dessa vez irei só eu

Isso é meu trabalho, fique aqui

E Jaskier, um pouco chateado, ficava.Tocava para bêbados em tavernas e compunha músicas e mais músicas, e quando Geralt voltava sujo de sangue e com uma expressão cansada, Jaskier cantava para ele. O bruxo tentava ignorá-lo, mas sempre arriscava um olhar pensativo para sua mão direita, onde a Marca não existia mais, e Jaskier não cobria mais seu pulso, pois não tinha mais nada a esconder.

Mas como todas as coisas boas da vida acabam rápido, chegou à parte da caça ao dragão. O bardo criava mais uma música na frente de dois camponeses que tentavam roubar as coisas de Geralt e, antes que pudesse se encrencar ao protestar, um homem misterioso apareceu, assim como suas duas companheiras, e a primeira coisa que percebeu foi as Marcas das mulheres ao lado dele. Tinham o nome “Borch” escrito em suas bochechas, e Jaskier ficou surpreso ao descobrir que era possível existirem duas almas gêmeas para uma só pessoa.

E quando entraram em uma taverna com a promessa de um dragão e uma recompensa, Yennefer surgiu, vestindo um casaco extravagante e uma expressão de desdém, e é claro que Geralt passou a ignorar tudo a sua volta e Jaskier encheu sua caneca com mais cerveja. Depois de afogar suas mágoas em álcool, passou a observar curiosamente as Marcas de Tea e Vea.

— O destino não dita as regras, — Vea disse para ele quando Jaskier expressou suas dúvidas logo após Geralt sair da mesa em direção a Yennefer. — Com ou sem Marca, duas almas gêmeas ou nenhuma... Não importa. Se você o ama, por que hesita?

Jaskier engasgou com a sua bebida.

— Eu... Não falei nada sobre amar ninguém. Como você--

Ela o lançou um olhar óbvio e arqueou uma sobrancelha, Tea fazendo o mesmo ao seu lado, e Borch soltou um sorriso divertido para ele. Ainda bem que Geralt estava ocupado demais conversando com Yennefer para notar o rosto vermelho de Jaskier e o assunto da conversa.

— Bom... Ah... Okay, — Jaskier precisou de um tempo para se recompor e bebeu mais de sua cerveja para continuar. — Não acho que ele retribui os mesmos sentimentos.

Seus olhos nervosos pousaram em Geralt e os desviou no mesmo momento em que Vea suspirou, soando impaciente.

— Se você não percebe o que está bem à sua frente-- — Ela falou e foi interrompida quando Tea a cutucou fortemente com o cotovelo.

— Você fica aí esperando um sinal do destino para fazer algo a respeito, — Borch se pronunciou e virou a caneca ao terminar sua bebida — Eu digo: faça algo a respeito agora! Pra quê depender de Marcas para ditar sua vida?

Jaskier virou-se e percebeu olhos violeta o observando do outro lado da taverna, Yennefer obviamente ignorando o que Geralt estava dizendo. Depois disso todos se levantaram e se prepararam para a caça do dragão, e Jaskier ficou com aquela conversa rondando em sua mente toda vez que furtava olhares incertos para Geralt. Podia jurar que sentia algo em seu pulso quando fazia aquilo, mas não conseguia decifrar o que era.

— Por que será que em toda a minha vida nunca tinha me encontrado com um bruxo, — Yennefer declarou para Geralt uma vez que todos estavam prestes a partir — Mas quando encontro um, não consigo me livrar dele?

— Acredite, Yennefer, — Jaskier respondeu, não conseguindo parar seu humor afiado e seu temperamento curto. — Não há ninguém que queira você livre dele mais do que eu.

Geralt encarou os dois com uma expressão confusa. Yennefer só levantou as sobrancelhas e cruzou os braços, defensiva.

— Não se preocupe, Jaskier, — Ela enfatizou seu nome, provavelmente para ser dramática, e arriscou um breve olhar em seu pulso. — Não me atrevo mais a mexer com coisas do destino. E eu respeito aqueles que ainda lutam por ele.

Jaskier não entendeu muito bem o que ela queria dizer com aquilo, e puxou sua manga para cobrir seu pulso, que o fazia se sentir vulnerável mesmo sem a Marca. Yennefer conseguia fazer qualquer um desconfortável com apenas um piscar de olhos.

Os olhos dourados e perspicazes de Geralt não perderam nada.

— Vamos, — O bruxo comandou, e puxou o casaco do bardo para fazê-lo andar mais rápido — Não temos tempo para conversas inúteis--

— O qu-- Eu ainda não terminei! Geralt, me larga, ainda tenho muito o que falar--

— Eu sei que você tem, — Geralt respondeu. — E você vai poder falar muito no caminho até a montanha.

Yennefer soltou uma leve risada.

— Agora entendo porque você desejou ao Djinn para que ele se calasse — Ela disse, e Jaskier arregalou os olhos. O corpo inteiro do bruxo ficou tenso, como uma linha de alaúde pronta para arrebentar, e abaixou a cabeça, evitando os olhos do outro.

— O quê...? — A voz de Jaskier saiu em um pequeno sussurro. Yennefer voltou a ficar séria quando viu seu rosto.

— Você não contou a ele...? — Ela perguntou para Geralt, surpresa, e logo em seguida revelou uma risada sarcástica. — Você não contou pra ele! Deuses, isso é... Isso é um novo nível de estupidez! Você é muito bom em esconder segredos, Geralt!

Yennefer falava como se estivesse ofendida no lugar de Jaskier, e ele não sabia como se sentir. Não, na verdade ele sabia muito bem como se sentia.

—Era você que estava com os desejos?! — O bardo exclamou ferozmente, cutucando seu dedo no peito do bruxo, que recuou como se estivesse realmente afetado pelo toque.

— Você que é o culpado por isso, Geralt, — Yennefer murmurou, desaparecendo por entre as árvores. — Não vou ficar para ver o estrago. Boa sorte.

Jaskier estava aliviado que Yennefer tinha lhe proporcionado a privacidade para fazer um escândalo.

— Por isso que os meus dois desejos não funcionaram! Era você que--

Jaskier deu um passo para trás, e Geralt olhou para ele com um tipo de angústia da qual nunca tinha visto antes.

— Mas a minha Marca desapareceu, — Ele continuou, sua voz agora fraca e derrotada, e puxou a manga de seu casaco para revelar seu braço liso e limpo. Geralt fechou os olhos e sua expressão se desmanchou em uma de dor e arrependimento. — Me explique isso, Geralt!

— Jaskier--

— Cavalheiros! — Os dois pularam ao ouvir a voz de Borch os chamarem a distância. — Estamos esperando para começarmos a caça, e iremos nos atrasar se não partirmos agora!

Geralt fitou Jaskier com olhos desesperados e fincou suas mãos nos dois ombros do bardo, que não sabia se aproveitava o toque ou o rejeitava. Seu peito estava queimando em fúria.

— Irei te contar tudo depois, eu prometo. — Geralt tentou acalmá-lo, mas Jaskier só rangeu os dentes em agitação.

— É melhor me contar detalhe por detalhe, — respondeu. — Ou eu mesmo vou te jogar até as garras do dragão.

Geralt franziu o cenho e assentiu, disposto a fazer a vontade do outro, fosse ela racional ou não.

Com todas as pessoas e confusão acontecendo na trilha até a montanha, foi difícil ter um momento a sós com o bruxo para conversar, e Jaskier se viu mais furioso do que estritamente necessário, assim deixando Geralt frustrado e irritado também. Ao chegar o fim do dia, os dois não se falavam mais, e foi assim pelo resto do caminho, ainda mais quando Borch, Tea e Vea caíram do penhasco e deixaram Jaskier para pegar os pedaços de seu coração que tinham caído junto. Sentiu-se mais sozinho do que nunca, mais do que aquela vez naquela taverna escura e fria da Pousada, onde cantava para esconder comida em seus bolsos e ainda não conhecia o bruxo para se apaixonar e lhe dar esperanças.

O que o deixou ainda mais afetado, Jaskier percebeu, foi quando Geralt e os outros subiram até a caverna do dragão, o deixando sozinho e apenas com seu alaúde e sua consciência pesada como companhia. Quando chegou até a caverna, Borch estava o esperando com Tea e Vea ao seu lado, e Jaskier sentiu como se alguém o tivesse virado do avesso e o beijado ao mesmo tempo.

— Estão vivos! — Jaskier engasgou antes de quase desmaiar no chão. Borch pousou uma mão em seu ombro para lhe servir de apoio. — Estão-- Como-- Vocês caíram! O quê--

— Nem tudo é o que parece, — Borch respondeu, sorrindo de um jeito enigmático, e Jaskier não fazia ideia do que ele queria dizer com aquilo, mas pouco se importava. Apertou o braço que lhe segurava para se reassegurar que o outro estava realmente vivo, e quase caiu de novo ao sentir sua mão queimar sob o toque. Borch estava intensamente quente, e notou uma linha de fumaça saindo de sua boca quando ele continuou a falar. — Acredito que é aqui que nos despedimos. Até mais, caro bardo, e não tenha medo de ir atrás do que realmente importa.

Ele assentiu na direção de Geralt, que estava discutindo algo com Yennefer, e desceu a montanha com Tea e Vea ao seu lado. Jaskier ficou parado por alguns momentos, se perguntando o que tinha acontecido e acalmando seus pensamentos desenfreados que tentavam fazer sentido àquele caos.

Estava prestes a investigar a caverna e o possível dragão abatido quando ouviu algumas palavras agressivas saindo de Yennefer, e o bardo se aproximou dos dois. Geralt estava com o peito estufado, como se quisesse retrucar, mas estava se segurando. Quando a maga notou a presença de Jaskier, bufou e andou a passos apressados para longe dos dois, seus cabelos escuros balançando com o vento.

— Você nunca pensa antes de fazer as coisas, Geralt! — Ela gritou para o bruxo, que prendeu a respiração em apreensão. — E você vai perder tudo o que conquistou por causa disso! Tão insolente e imprudente, como você pôde—

— Não é como se eu quisesse que tudo isso acontece—

— Mas você pediu! — Ela respondeu com a voz estremecida e ainda mais alta, parecendo psicótica. — Foi exatamente isso que você pediu para o Djinn, e eu nem tive escolha nisso!

E com isso ela abriu rapidamente um portal e partiu sem mais nem menos, desaparecendo na paisagem e não deixando rastros.

Yennefer! — O bruxo a chamou, mas já era tarde. Jaskier engoliu em seco e pensou como se aproximaria do outro naquele jeito.

— Bem, isso não foi muito agradável—

Jaskier!! — O rugido de Geralt fez o bardo se calar num instante. O jeito com que ele se aproximava do outro limitou quaisquer movimentos que Jaskier pensava em fazer, seu corpo inteiro congelado. Nunca tinha visto o amigo daquele jeito, rosnando como um animal feroz. — Por que toda vez que eu me encontro numa poça de merda, você está lá, me empurrando mais fundo?!

— Isso, não, ah, não é minha culpa

— É sim! — respondeu e sussurrou ferozmente as próximas palavras como se fossem um ultimato. — Se o destino pudesse me dar só uma benção, seria tirar você do meu caminho pra sempre!

E então Jaskier sentiu. As faíscas. Seu mundo estava desabando, seu corpo estremecendo, seu coração apertado, e Jaskier sentiu faíscas percorrerem por sua espinha, o deixando desnorteado demais para reagir, mas não o suficiente para limitar suas lágrimas, que escorriam friamente por entre suas bochechas rosadas. Antes que pudesse fazer qualquer coisa além de observar os olhos cheios de fúria e dor do outro, seu pulso latejou com uma força horrenda e agarrou seu braço para ver as palavras rápidas e nítidas sendo escritas na sua pele.

Geralt.

Como uma ironia do destino e para enfatizar a dor, sentiu algumas gotas de sangue saírem por entre a caligrafia e escorrerem em seu braço, poluindo o chão e seus pensamentos inquietos.

Geralt arregalou os olhos e finalmente leu o que estava escrito no pulso do outro. Deu um passo para trás, sua respiração pesada. Jaskier tampou a Marca com sua outra mão, manchando-se de sangue.

— Jas... — O bruxo começou, a voz rouca e fraca, e soltou um grunhido surpreso quando seus ombros ficaram tensos e passou os dedos na caligrafia que se nascia em seu pescoço, também manchada de sangue.

Jaskier observou por entre as lágrimas seu nome se formar no pescoço do outro, fazendo sua respiração cessar. Não estava apagada como da última vez, as letras tímidas e claras. Agora estavam pintadas de tinta escura, contrastando com a pele pálida de Geralt enquanto algumas gotas de sangue escorriam pelos dedos que ainda acariciavam a Marca, e o bardo nunca pensou que uma tatuagem com a palavra “Julian” cairia tão bem com a imagem que o bruxo formava naquele momento.

Seus lábios estavam entreabertos em surpresa, e não havia confusão em seus olhos dourados e nítidos. Mesmo sem conseguir ler o nome de Jaskier, sabia o que tinha acontecido e o que aquilo significava.

“Você sentiu, não foi?” Quis perguntar, mas continuou em silêncio, ainda afetado pelo choque. “As faíscas.”

Geralt o encarou como se já soubesse a resposta para aquela pergunta.

Jaskier. — A voz do bruxo saiu tão quebrada e deplorável que o outro ficou sem reação, apenas observando Geralt esconder a Marca com sua mão trêmula, como se não estivesse acreditando.

Jaskier não conseguiu responder, muito ocupado sofrendo em silêncio e em pânico para perceber o que estava bem na sua frente. Sua Marca pulsava e tudo doía, e ele começou a ficar sem ar. Tudo o que era capaz de ouvir eram as palavras cruéis atiradas de Geralt ecoando em sua mente.

Por que toda vez que eu me encontro numa poça de merda, você está lá, me empurrando mais fundo?!

Não é minha culpa—

É sim!

Se o destino pudesse me dar uma só benção,

seria tirar você do meu caminho!

Jaskier fugiu.

Não era capaz de ficar lá e tolerar seus pensamentos e o olhar desesperado de Geralt o sufocando. Tinha acabado de ter um ataque de pânico ao descer a montanha e, ainda ofegante e trêmulo, decidiu abrigar-se na taverna de antes. Geralt não o seguiu, e Jaskier não sabia o que pensar sobre aquilo.

Cantou algumas músicas para pagar sua estadia, mas algo o impedia de tocar suas baladas famosas de Geralt. Toda vez que começava a dedilhar "Dê um trocado pro seu bruxo", seus dedos congelavam e sua Marca doía, e não podia evitar seus olhos úmidos por mais que tentasse.

Ficou alguns dias naquele limbo perturbado, e por mais que quisesse sair de lá e ir correndo para a presença reconfortante do bruxo, não sabia se seria rejeitado ou recebido de braços abertos. Tinha passado tantos anos perseguindo o outro como um tolo apaixonado e estava cansado daquele jogo. Com seu nome no pescoço do outro, Geralt agora sabia como ele se sentia. Se ele realmente quisesse Jaskier, tomaria coragem e iria atrás dele, e não o contrário.

Sua Marca tinha parado de sangrar, mas a angústia se intensificou.

— Jaskier, — Virou-se rapidamente para a voz rouca que saiu da porta depois de algumas batidas, e Jaskier não fez nada, pensando que poderia estar alucinando — Jaskier, — Ele insistiu, fazendo o bardo tropeçar ao sair da cama em direção a porta quando percebeu que aquilo era real. Geralt estava lá.

— O que você quer, Geralt? — perguntou com receio. Não queria permiti-lo entrar se fosse deixar o bardo com lágrimas no rosto novamente e seu coração mais quebrado do que já estava.

Silêncio. Jaskier encarou a porta ainda fechada com esperança.

— Quero conversar. — O bruxo murmurou em resposta.

— Como me achou? A Yennefer está aí com você?

Geralt arquejou, soando um pouco insolente.

— Yennefer não está aqui, — Jaskier não falhou em notar que ele não respondera à primeira pergunta. — Jaskier, me deixa entrar.

Eu quero, pensou, mas sua mão não se moveu para abrir a porta. Nem estava trancada, notou, e Geralt podia facilmente abri-la ao mexer na maçaneta ou quebrá-la caso o outro o impedisse. Mas pelo visto, por alguma benção dos deuses, Geralt tinha adquirido um senso de decência para respeitar sua privacidade.

— Quais foram seus desejos para o Djinn? — quis saber. — Por que minha Marca desapareceu se não fui eu quem pediu?

Houve mais silêncio do outro lado. Jaskier esperou por alguns minutos e começou a pensar que o outro tinha ido embora até que ouviu a voz baixa de Geralt responder.

— Eu não conseguia dormir, — O bardo fechou os olhos ao lembrar-se do bruxo dormindo em seus braços, a memória, embora antiga, ainda fresca em sua mente — Toda vez que eu pensava em você e a sua maldita Marca, eu... — O bruxo soltou um rosnado frustrado. — Eu disse que queria “paz”, lembra?

Jaskier nunca se esqueceria. Engoliu em seco e esperou pacientemente o outro continuar. Parecia que era um assunto muito difícil para o bruxo, mas ele merecia ouvir a verdade.

— Eu queria muito mais, — confessou num murmúrio apressado. — Eu queria você, que você parasse de falar da sua Marca, que ela sumisse, que você não me deixasse e ficasse comigo pra sempre, eu—

Geralt engasgou e respirou fundo, soando cansado. Jaskier só conseguiu encarar a porta com um olhar surpreso.

Eu queria você.

— Ainda bem que você conseguiu sua voz de volta, — Geralt prosseguiu com um suspiro. — Mas eu nunca parei de desejar que você ficasse livre da sua Marca, e achei que você também queria a mesma coisa. Mas agora que eu sei que era o meu nome que você queria apagar do seu braço—

Jaskier abriu a porta em um movimento rápido e o beijou.

Foi tudo muito rápido, quando suas mãos agarraram os cabelos do bruxo como se já estivesse acostumado a fazer aquilo, mesmo sendo a primeira vez. Geralt não perdeu tempo em retribuir o beijo com vontade, segurando na cintura do outro e o empurrando para dentro do quarto. A porta se fechou em um estrondo e Jaskier se viu encurralado na parede com um bruxo devorando seus lábios e sua Marca queimando em seu pulso.

— Geralt, — Chamou o nome dele quando o outro deixou sua boca para dar atenção ao seu pescoço, que ficava mais sensível a cada exalar ofegante que Geralt soltava sobre sua pele. — Geralt. — Tentou outra vez.

O bruxo apenas rosnou e agarrou seu pulso, e Jaskier podia jurar que viu estrelas. Uma sensação de prazer imensa tomou conta de seu corpo e ele teria escorregado até o chão se não fosse por Geralt, que o segurou e o olhou preocupado.

—... Jaskier?

— Faça isso de novo. — comandou quando conseguiu se recompor, e Geralt obedeceu sem hesitar. Pegou seu pulso e depositou um beijo na Marca, causando outra onda de faíscas que o fez estremecer e limitar um gemido. O bruxo o encarou com um olhar convencido e beijou seu pulso novamente, e depois de mais alguns beijos Jaskier estava mais que sensitivo e ofegante nos braços do outro, sua cabeça apoiada no peito do bruxo, que agora o levava para a cama.

— Todo esse tempo eu passei desprezando essa Marca, — Geralt murmurou enquanto acariciava seu pulso com uma expressão pensativa. — Como se fosse um insulto. Eu olhava e pensava em como você já pertencia a alguém e eu nem tinha uma Marca, muito menos o seu nome, e eu odiava isso, você não sabe o quanto eu odiava—

Ele apertou seus braços em volta do bardo, que levantou a cabeça e acariciou os lábios no pescoço de Geralt, onde sua Marca ficava. Viu o outro fechar os olhos e morder os lábios, tentando sem sucesso evitar um rouco gemido.

— É bom, não é? — comentou, convencido, e beijou a Marca de novo, causando arrepios na pele do bruxo. — Quem diria que Marcas tinham o poder de fazer isso? Se eu soubesse desse truque não teria rejeitado a minha Marca, e sim tirado proveito! Já estou pensando em todas as coisas que vou fazer com você e essa mais nova descoberta—

Geralt agarrou seu pulso e sua Marca latejou novamente, e dessa vez não foi de dor.

— Eu já senti isso antes... — Ouviu o bruxo sussurrar, mais para si mesmo do que para ele. Jaskier inclinou a cabeça, curioso.

— Você fala quando eu te beijei pela primeira vez e sua Marca apareceu? — Jaskier começou a presentear o pescoço do outro com mais beijos, querendo dar continuação ao que estavam fazendo. Geralt apenas o fitou com os olhos arregalados.

— Aquilo aconteceu? Eu—Eu pensei que fosse um sonho... — O bardo arqueou uma sobrancelha impaciente, frustrado com a idiotice do outro.

— Você realmente achou que eu mentiria sobre sua Marca? Honestamente, Geralt, eu já menti pra você muitas vezes, mas eu nunca iria brincar com uma coisa dessas! E logo depois você ficou tão irritado, o que passou pela sua cabeça?

— Eu não queria uma Marca. — Geralt desviou os olhos, parecendo constrangido.

— Por quê?

— Porque eu tinha medo que ela não tivesse o seu nome.

Jaskier parou, digerindo o que tinha escutado, e depois não conseguiu segurar sua risada, ainda mais quando o bruxo lançou um olhar indignado para ele.

— Você conseguiu rejeitar sua Marca ao ponto dela nem conseguir aparecer! — O bardo explicou e se viu encantado com a revelação. — Quem nega o destino antes mesmo dele acontecer? Oh, Geralt, você é pior do que eu!

— Eu não—

Jaskier o puxou pelo colar, trazendo-o para mais perto, e sabia que seus olhos agora estavam cheios de ansiedade e desejo.

— Por mais que eu estou adorando ter essa conversa com você, principalmente quando nunca te vi tão tagarela assim, — Ele disse e lambeu os lábios, aproveitando o jeito que Geralt olhava para ele quando fazia aquilo. — Vou gostar ainda mais quando você tirar suas roupas, me beijar e me foder bem aqui na cama. Não necessariamente nessa ordem. E não necessariamente nessa cama.

Sua Marca pulsou novamente quando Geralt a tocou, e o gemido do bardo foi silenciado com um beijo profundo.

— O seu terceiro e último pedido, qual foi? — Jaskier perguntou depois de ouvir Geralt explicar toda a situação com o Djinn. Estavam deitados por entre os lençóis e o bardo acariciava com os dedos a tatuagem de seu nome na pele do outro, traçando letra por letra. Geralt acariciava seus cabelos suados gentilmente, e Jaskier se lembrou vagamente de gestos suaves, uma voz que cantava para ele dormir e um pescoço decorado por uma Marca.

Geralt hesitou.

— Pedi... Para o destino fazer a coisa certa.

Jaskier franziu o cenho, certamente não esperando aquela resposta.

— Foi isso? Você sempre foi tão cético quanto ao destino, o que o fez mudar de ideia tão rápido?

Geralt virou-se para encará-lo com uma ternura tão grande nos olhos que acabou deixando Jaskier sem fôlego.

— Toda vez que eu via a sua Marca ou você falava sobre ela, eu me lembrava da sua devoção, — Ele parou, tentando encontrar as palavras certas para se expressar — Você sempre foi irritante e inexplicavelmente fiel ao destino, disposto a sacrificar tudo para ir atrás da sua alma gêmea, — Ele engoliu em seco, provavelmente não acostumado com a ideia de que aquela alma gêmea era ele. — Você era tão dedicado àquilo que resolvi dar uma chance ao destino também.

O bardo olhou para o bruxo e percebeu que ele era a pessoa mais imprevisível e encantadora que já conhecera.

— Eu te amo. — Ele deixou escapar, sufocado em sentimentos apaixonados, e logo depois veio a realização do que tinha confessado e decidiu que aquela era uma boa hora para pular da janela.

Geralt agarrou seu pulso para impedi-lo de fazer exatamente aquilo, e Jaskier soltou uma respiração surpresa ao sentir sua Marca pulsar sob o toque. Ainda não tinha se acostumado com aquilo.

— Não se atreva a fugir antes de ouvir a minha resposta, — Geralt falou com um tom divertido na voz e o puxou para mais perto de si. — Julian.

Jaskier o fitou com as bochechas coradas e um suspiro nos lábios.

— V-você nunca me chamou assim. — balbuciou.

— Hm.

— Não precisa se dar ao trabalho, — Soltou um sorriso auto depreciativo. — Também não precisa responder. Ainda mais quando você mesmo pediu ao destino para me tirar do seu caminho—

— Jaskier, — Geralt protestou e pousou suas mãos no rosto do outro, o forçando a encará-lo nos olhos. — Eu estava frustrado, odiando o fato de eu não ter uma Marca que correspondesse com a sua, e acabei descontando em você. Não deveria ter feito isso.

— Por quê? Nunca vi você se arrependendo de nada, nunca disse algo que não estivesse te incomodando, então por quê?

— Porque eu te amo também.

Geralt virou o rosto, parecendo extremamente desconfortável. Não era uma pessoa aberta com seus sentimentos, então ouvir aquilo vindo do bruxo o deixou perplexo e desnorteado, como se tivesse ficado bêbado sem beber uma gota de álcool.

— Diga isso de novo. — respondeu em um sussurro, ainda não conseguindo acreditar, e apenas recebeu um olhar incomodado do outro.

— O quê? Não—

— Diga de novo!

— Não! Jaskier—

Diga!

Geralt jogou com força um travesseiro em seu peito, fazendo-o cambalear para fora da cama e cair no chão duro e frio, mas com um sorriso apaixonado no rosto. Decidiu então que o destino tinha, realmente, feito a coisa certa.

Notas finais
Obg por ler até aqui ❤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!