A Marca Dos Caídos
2 CAPÍTulo 1
Emily
—Sabe Emily, você deveria sair mais — ela diz pela milésima vez — conhecer gente nova, se apaixonar quem sabe.
Bufo. Ela sorrir
— Eu espero que você se apaixone tão perdidamente, que você tenha um ataque — suas palavras são abafadas pelo provador. Estamos no shopping a mais de 3 horas e ela ainda não decidiu o que usar no baile de inverno, qual é a dificuldade em escolher um vestido?
Para os humanos, essas coisas valiam entre vida e morte e eu não fazia ideia do por que.
— Você poderia me explicar novamente o por que de eu ter aceitado ajudar você? — eu realmente deveria estar em outro mundo.
— Porque somos amigas,dã — ela grita de dentro — está pronta?
— Tanto faz — digo, entediada
Quando ela sai do provador, esta usando um vestido longo branco com alça estilo cigana e com alguns detalhes brancos parecendo floco de neve, saindo do corte da cintura ate a barra, o que realçou a bela forma da minha amiga. Falando nisso, Anne é minha amiga humana desde que mudamos para essa cidadezinha no norte da Europa, na verdade, ela e Lívia foram as únicas que se aproximaram de mim. Lembro como nos conhecemos, agora em que momento nos tornamos amigas é muito difícil de entender.
— oi! — duas morenas se sentam na minha frente no refeitório, não estava com paciência para tentar socializar com humanos.
— desculpe, essa mesa não esta vaga — respondo as encarando, normalmente funciona.
— sabemos, prazer meu nome é Anne — a mais alta fala e aponta para a morena baixinha — e esta aqui é Livia. Seu nome é Emily certo?
Aceno minha cabeça.
— Somos colegas de turmas — a baixinha que se chamava Lívia responde.
— E então? — ela questiona, tirando dos meus pensamentos
— Sabe, ficou ótimo e se você disser que não gostou e quer ir em outra loja, eu realmente irei matar você
Ela gargalha.
— Não se preocupe, eu amei — ela pega na etiqueta e seu olhar fica triste — mas não posso levar, é muito caro.
— Não se preocupe, peguei o cartão do Alan — digo, dando um sorrisinho
— O que? Não posso aceitar isso — ela volta para o provador.
— Não importa, o Alan não se importa e se ele se importasse, eu não ligaria mesmo.
Desde que ele descobriu um dom para negocio noturnos e construiu seu próprio império em cassinos, dinheiro nunca seria problema para a nova familia dele. Que consequentemente é a minha '' familia'' também.
— Não posso aceitar, eu nem o conheço e já somos amigas a um ano e meio — Ela faz biquinho, amuada.
Puxo o vestido que estava pendurado no braço dela e vou correndo para o caixa, a mulher que me atende ri da cara dela ao meu lado. Assim que passo o cartão e finalmente saímos do shopping, paramos numa sorveteria próxima para descansarmos e logo apareceu o garçom para pegar os pedidos.
— O que vão querer ? — ele perguntou e ficou revezando a olhada entre mim e Anne.
Ela riu baixinho enquanto eu fazia o pedido.
— Ele definitivamente estava olhando para você — ela continua rindo
Reviro os olhos.
— Então... — continua ela — quando poderei conhecer seu irmão e sua família ?
— Você esta mais curiosa em relação a minha familia ou a ele? — mudo de assunto, ela se encosta na cadeira frustrada
— Você sempre muda de assunto — ela diz, emburrada.
— E você nunca responde — contra-ataco
Não pudemos continuar a conversar, já que nossos pedidos tinham acabado de chegar e comemos silenciosamente. Metade da familia Danver era composta de vampiros, ela toda na verdade. Eu era a única de espécie diferente...
Anjo... Uma voz lenta escorre pela minha mente e eu me engasgo com o milk shake que estava bebendo. Procuro ao redor para ver se tinha algum sobrenatural por perto e não encontro nada.
Estranho, pensei.
— O que você está procurando ? — Anne questiona
Se ela soubesse será que entenderia? Mais de uma vez quis contar a verdade, contar sobre tudo. Sobre os sobrenaturais e as lutas que eram travadas todos os dias.
Sobre mim. Levo minha mente de volta ao presente quando o telefone toca, leio o nome na tela. Alan. Reviro os olhos e desligo.
— Sabe, acho que ele se preocupa com você — ela diz seriamente
— Eu não ligo Anne — ele me obrigou a viver entre os humanos, ir a escola e agir como humana, isso tudo porque ele queria informações. Não reclamo de tudo, mas as vezes é um tédio e eu simplesmente vôo para longe e passo uns dias fora, isso o deixa louco. — Já terminou? Preciso ir.
— Sim, vamos
Ela pega as sacolas enquanto rachamos a conta ( se eu pagasse, ela teria um infarto ) e caminhamos pelo estacionamento até o carro Ranger Rover preto que eu tinha comprado meses atrás e que sem a minha autorização, o Alan tinha blindado. Reviro os olhos lembrando dessa discussão.
Entramos e rapidamente saímos de lá e movo o carro para a estrada 92 em direção ao final da cidade, Anne morava perto de uma igrejinha do inicio do século no subúrbio de classe media. Parei na frente da casa dela, era linda e muito aconchegante com a varanda em madeira irlandesa com o balancinho branco e com o quintal rodeado de flores vermelhas. Obra da senhora Iched, uma florista de primeira e muito respeitada pelos moradores da cidade, todos sabiam que se quisessem permanecer vivos deveriam ficar longe de seus canteiros.
—Bem, vejo você amanhã no Baile — ela me fala
— Até amanha — ela solta beijinhos no ar enquanto se dirige a porta, vejo quando a senhora Iched lança uma aceno da janela da frente. Eu retribuo e volto para a Estadual para sair da cidade, já que o meu querido irmão não gostava de chamar atenção.
É o recluso da cidade, onde as pessoas nem viram a cara dele direito, constrói uma mansão no meio do nada e não quer chamar atenção. Legal fera.
O telefone toca novamente e vejo no visor que é o Alan novamente, resolvo atender
— o que é ? — respondo friamente
— droga!! — ele grita do outro lado — por que você não atendeu a droga do telefone? Eu acho que é pra isso que ele serve, certo?
Cerro os dentes com a sua ironia
— bem, atendi agora. o que quer? — escuto um suspiro alto pelo telefone.
— Você precisa vir para casa agora e...
— Era por isso? — o interrompo — também inventaram o SMS irmãozinho
— Da para você me escutar ? Eu preciso dizer que...
Não escuto o que ele diz pois nesse exato momento sinto uma batida na traseira do meu carro, com o impulso solto o celular e seguro o volante com as duas mãos. Pelo retrovisor vejo um Audi com os vidros escurecidos atrás seguido por duas motos CB500F brancas,os motoqueiros estavam todos de preto, escuto Alan gritando loucamente pelo celular e o ponho na orelha enquanto faço um ziguezague para não deixar a moto ultrapassar.
— o que esta acontecendo? — pergunto, enquanto continuo observando pelo retrovisor
— o que houve? — ele grita do outro lado , ligo o bluetooth e conecto aos auto falantes do carro para não precisar segurar o celular — quando você me atrapalhou, eu ia justamente avisar que os nossos sentinelas avistaram alguns lobisomens e vampiros do Clã
Aperto o volante com força. Bastardos. Ainda me caçam? Sorrio comigo mesma.
— Eles estão na minha cola — aviso para ele — um Audi e duas motos.
Escuto quando ele dá ordens a alguém e vejo pelo retrovisor uma das motos chegar pelo meu lado direito e emparelhar, percebo quando retira algo de dentro da jaqueta , escuto a janela estilhaçar e algo quente começa a escorrer do meu braço. Passo pela ponte e começo a percorrer o caminho ao lado do desfiladeiro e eles começam a atirar loucamente, acertando no parabrisas dianteiro.
— EMILY!!! — Ele grita pelo auto falante . Uma ideia louca me assalta de repente.
— Sabe, acho que você vai ter me dar um carro novo.
— O que? Por ...
Não o deixo terminar, desligo na cara dele e sem pensar muito giro o volante e empurro um dos motoqueiros desfiladeiro a baixo quase caindo junto com ele, faço mais uma manobra para tomar o controle do carro. Mais tiros são disparados.
Mais que inferno, eles acham que vão me matar com tiros?
Já cansei dessa palhaçada, era hora de por um fim. Acelero o carro até ficar a uma boa distância e giro o volante completamente fechando a passagem da via, eles param imediatamente e eu desço do carro. Abro a porta traseira e pego minha espada no compartimento secreto que havia embaixo do banco do motorista, se eles não sabiam com quem estavam mexendo então agora saberiam. Cinco homens descem do Audi, todos com armas calibre .38 em mãos , enquanto o motoqueiro restante apenas observa.
— Sabe, não foi legal você ter jogado um dos nosso desfiladeiro a baixo — o suposto motorista tem cabelos claros , alto e de olhos caramelo flamejante. Lobisomem.
— Sabe o que não é legal? Você tentar me matar — ele e os companheiros sorriem — e sabe o que não é mais legal ainda?
— O que princesa? — cerro os dentes para não avançar em sua direção.
— Que o seu mestre não tenha informado a vocês quem eu realmente sou.
— E quem você ?
— De guard
Eles podem ser novatos mas sabem muito bem quem eu sou ou o que fui dentro do Clã, já que todos param de sorrir quando digo meu apelido.
— E então senhores? — desafio — o que estão esperando?
O primeiro a investir é o motorista, ele corre por uns metros e logo se transforma; tenta acertar algumas patadas, mas sou rápida o suficiente para corta-lo nos calcanhares traseiros e ele fica no chão, sou subitamente erguida por trás e arremessada para a beirada do desfiladeiro enquanto o lobo se recupera rapidamente dos seus ferimentos, abro as minhas asas e vôo ate ficar no capô do carro. Enquanto planejo uma nova investida, percebo que o motoqueiro dá meia volta e segue o caminho por onde viemos; enquanto me distraío prestando atenção nele, um vampiro me derruba e tenta chegar nas minhas asas tentando quebra-las
— Desculpe, mas não fará isso — seguro em seu pescoço e dou uma torcida para trás, quebrando e incapacidando-o, mais dois tentam a mesma coisa e eu facilmente os detenho.
Quem anda treinando eles? Acham que podem ferir um anjo apenas com suas asas? , me pergunto mentalmente.
Vendo seus companheiros derrotados, o lobo avança novamente rosnando e mostrando suas presas e então eu lembro de uma coisa que o Aydan me falou a muitos e muitos seculos atrás.
— Para fazer com que um lobisomem se transforme de novo em humano, basta acerta-lo debaixo do focinho. Isso vai deixa-lo atordoado o suficiente para que dê tempo de fugir ou de mata-lo.
Faço o que ele me ensinou, quando o lobo esta perto de me acertar , giro rapidamente o corpo para não ser atingida pelas garras e faço um talho na ponta do nariz até o pescoço. Ele urra de dor e logo se transforma em humano, chego perto dele e o ergo ao encontro dos meus olhos.
— Avise ao seu mestre, que ele pode enviar quem ele quiser. Eu não ligo, matarei igual — o empurro na direção do comparsa que me olhava estático, eles entram no carro e partem rapidamente .
Reparo nos corpos dos vampiros desacordados , junto eles perto da borda e jogo os três na agua; eles que se virassem quando acordassem, não seria legal deixar corpos pela estrada. Me encosto na lateral do carro e escorrego ate o asfalto, encosto minha cabeça e descanso; os ferimentos causado pelos tiros já começam a sarar. Escuto barulho de pneus em alta velocidade mas estou um pouco sonolenta, o que será que tinha nas balas? Percebo quando o carro do Alan pára cantando pneu e antes que ele saia , eu apago.
Acordo com o meu celular tocando alto em cima da cômoda, me movo lentamente e começo a tatear ainda com os olhos fechados até encontra-lo. Viro de barriga para cima mas meus músculos reclamam por causa do movimento brusco, eu realmente espero que seja algo importante.
— alô? — falo mal-humorada
— Nossa, isso é jeito de atender o telefone? — a voz de Lívia inunda meus ouvidos e ela começa a rir, uma cousa que você precisa saber sobre ela é que sempre esta sorrindo.
— Desculpe, apenas com dor — encosto no espelho da cama.
— Você está mestruada? se for isso eu tenho um otimooo remédio que... — ouço alguém bater na porta e logo em seguida Alan e Stifen entram, enquanto Lívia ainda fala sobre ciclos menstruais e etc. Pelo sorriso na cara de ambos, eles estavam ouvindo ela.
— Liv? — a interrompo — preciso desligar, Alan quer falar comigo. Ligo para você depois.
E desligo antes que ela possa responder. Encaro ambos, Stifen sempre com um olhar de pai brincalhão. O conhecemos em Nova Orleans em 1819 juntamente com sua familia, ainda era apenas eu e Alan no mundo e ele ficou feliz em transmitir seus conhecimentos sobre comercio, navegação e escravos. Na época, Alan pensou em ficar apenas por um certo tempo, mas logo depois ele foi interagindo com os outros membros como Elise, a esposa de Stifen e Jake e Nurya, seus "filhos" adotivos. Meu irmão ficou feliz em ter uma família depois de tantos seculos sendo apenas eu e ele, mas ainda sentia que aquele não era meu lugar e que nunca seria.
— Só queria saber se você esta bem — começou Stifen, enquanto Alan me observava — Elise esta preocupada com você, chegou desacordada e muito pálida.
— Devia ter algo nas balas com que me acertaram, logo depois que acabou o combate, senti sonolência — respondi e olhei de volta para Alan que ainda me fitava — o que é que você esta olhando?
— Nada irmãz... — estreito meus olhos em sua direção e ele para — desculpe, eu sempre esqueço. Eu só queria perguntar uma coisa.
— Diga
— Eles lhe falaram o motivo de terem ido atras de você? Ou se houve algo estranho? — ele pergunta.
— Não para a primeira pergunta e sim para a segunda — falo ,cansativa — como eu falei por telefone, tinham dois motoqueiros, um eu consegui jogar do penhasco e o outro quando os caras que estavam no Audi desceram, simplesmente deu a volta e foi embora.
Stifen olha para Alan surpreso, mas meu irmão não parece surpreso. O encaro .
— O que você sabe ? — agora era a minha vez de fazer perguntas
— Por que você acha que eu sei de algo? — ele dá de ombros
— Você sabe que eu odeio quando dá uma de espertinho
— Você odeia muitas coisas, fica difícil acompanhar — seu tom de voz indicava que estava ficando irritado. Ele não era o único.
Olho para o teto branco pedindo paciência, minha cabeça pulsava com uma dor forte.
— Alan, o que sabe? — juro que se ele me responder com graça, eu pulo da cama e tento mata-lo. Ele sorrir quando vê que estou tentando não discutir. Idiota.
— De acordo com os meus informantes, o Clã esta reunindo de volta seus melhores guerreiros. Por bem ou por mal.
— Mas por que? — Stifen pergunta
— Bem , isso eu não sei. Mas por via das duvidas, guardas humanos permanecerão de dia pela propriedade e a noite serão substituídos por sentinelas sobrenaturais.
— O que o dinheiro não faz... — falei baixinho, mas sei que ele ouviu.
— Bem, deixaremos você descansar agora querida — Stifen disse assim que chega a porta, ele olha para Alan.
— Já estou indo. — ele responde
Stifen acena com a cabeça e sai.
—A diretora do Colégio ligou para cá — ele começou.
— Se você não tivesse me obrigado a ir, não precisaria de ninguém incomodando você.
Me levanto e vou para o guarda — roupa escolher algo para vestir, opto por uma blusa regata e calças jeans. Como a modernidade poderia ser confortável as vezes.
— Não foi incômodo nenhum, na verdade foi até bom — algo de bom não poderia ser — ela informou que vai ter um Baile de inverno e que a família esta convida Bem, nós todos vamos.
Eu falei. Viro em sua direção.
— O que? — riu livremente — o recluso da cidade ira sair? não creio.
— Pois é — ele se dirige para a porta — vamos ver como é a vida em um colégio.
Ele sai e eu corro para o banheiro para tirar as minhas roupas sujas de sangue. Amanhã teria que explicar muita coisa as meninas.
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