A Marca De Nascimento
1 Capítulo 1
Era um sábado chuvoso, e tudo indicava que o clima continuaria assim, eu honestamente não me importava nem um pouco, afinal pior que a tempestade fora de casa era a que ocorria no meu coração. Hoje fazia uma semana desde que minha avó me disse que eu iria morar com o meu pai. Julius Crag, o pai mais ausente do mundo, aquele que me largou com a minha avó quando minha mãe morreu e nunca mais voltou. Eu tinha 6 anos na época, faz onze anos que não o vejo, e agora de repente eu iria me mudar, estava indo morar com ele.
Eu não aceitaria assim tão fácil, minha avó não queria que eu fosse, percebo isso toda vez em que ela me manda arrumar as malas, seu olhar de infelicidade se compara ao meu, toda vez que olho pra aquela mala no canto do quarto que está para deixar de ser meu a tempestade lá fora deixa de ser forte comparada ao furacão que sinto se formando dentro de mim.
“Jenna?” A voz da minha avó ecoou por toda a escada até o meu quarto.
Desci com toda desanimação que eu consegui encontrar em mim, quando cheguei ao andar debaixo la estava ele, sorrindo nervoso, era bonito, mais barbudo do que eu me lembrava. Eu o reconheci imediatamente, tínhamos os mesmo olhos azuis quase transparentes e os mesmos cabelos negros lisos que lembravam um corvo nos olhamos por um momento e por um segundo eu queria abraçar o meu pai e dizer que senti sua falta, mas então lembrei de todos os anos em que ele me abandonou e senti raiva.
“Olá Jenna!” A emoção que eu via nos olhos deles não faziam sentido, se ele sentia tanto minha falta como seus olhos queria expressar ele teria vindo me ver.
“Oi. Por que quer me tirar da minha avó? Eu sou muito feliz aqui. E quero deixar bem claro que eu não quero ir com você!”
“Jenna, olha como fala com o seu pai!” repreendeu minha avó.
“Se ele se importasse sem ser meu pai nos últimos onze anos, eu teria respeito”. Mas ele não passa de um estranho pra mim vovó!” Vovó olhou pro meu pai em busca de ajuda, mas ele só suspirou como se estivesse de mãos atadas, como se soubesse que eu estava certa e que ele não podia fazer nada sobre isso.
“Jenna eu sei que sou um estranho pra você, eu cometi muitos erros na minha vida, mas abandonar você, mesmo pra te proteger foi o maior deles. Eu sei que nada do que eu diga vai mudar o fato de que durante anos eu te deixei sem pai mas, eu quero mudar isso. E também acho que você já está na hora de saber a verdade sobre..”
“Julius! Não!”
"Ela precisa saber Marie! Ela precisa saber porque eu tive que deixar ela!" Eu o olhei como se ele estivesse falando em grego antigo ou alguma outra língua que eu não conhecia.
Minha avó encarou meu pai passando algum tipo de mensagem, meu pai a encarou de volta e eles entraram em algum tipo de acordo.
“Conversamos mais sobre isso na minha casa. Onde estão suas malas?” meu pai perguntou.
“No meu quarto, eu quero saber o que vocês estão escondendo de mim!”
“Não aqui Jenna, não é seguro.” Murmurou minha avó. Não é seguro? O que ela quer dizer com isso?
Meu pai passou por mim, subiu as escadas enquanto eu encarava minha muito com cara de culpada avó. Segundos depois meu pai descia as escadas com minhas malas. Eu o segui em silencio para o carro, eu estava pensativa, meu pai e minha avó guardavam algum segredo, algo importante que manteve meu pai afastado por onze anos, e eu tinha a sensação que esse segredo iria mudar a minha vida para sempre. O que obviamente eu não queria.
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