A Maldição dos 10.
1 Cristopher Morning.

Submerso em sua criatividade o rapaz se viu em uma floresta em meio a guerra de dois enormes monstros cinzentos que ele mesmo denominou "Trolls". Era uma luta e tanto, os dois gigantes levantavam troncos de arvores e arremessavam uns contra os outros até que avistaram o menino com a caneta na mão e se voltaram para ele.Cristopher tentou fugir, correu desesperado entre arvores grossas, passando tão rápido que ele mal pôde acreditar em suas pernas. Passou pela floresta verdejante até chegar a um pântano fedorento, avistar uma caverna meio coberta por plantas viscosas e se esconder lá dentro.Com o coração acelerado, as mãos tremulas e um gosto incomum de suor nos lábios ele apenas conseguiu se escorar na parede cheia de lodo e suspirar aliviado.Foi quando ele percebeu que não estava mais no seu quarto, ou mesmo em sua casa ou bairro. Alias, ele não estava em lugar algum cuja o qual ele já houvesse visto ou lido na vida.O coração de Cristopher se acelerou, seus olhos brilharam e enfim em meio a excitação da experiência nova ele olhou para o interior da caverna na esperança de encontrar mais algum ser fantástico e de fato ele encontrou. Forçando a visão ao fundo da caverna ele enxergou mais dois trolls, gosmentos, cinzentos e fedorentos juntando lenha em um canto que parecia ligeiramente menos úmido do que o resto da caverna.Curioso com o que aqueles seres poderiam estar fazendo ele foi adentrando sorrateiro pela caverna segurando com força a caneta na mão até que ele destingiu o cheiro podre de carne velha e avistou sob seus pés dois coelhos parcialmente mastigados.Para infelicidade de Cristopher os trolls que se enfrentaram lá fora a pouco tempo atrás agora estavam entrando na caverna com um porco nas costas e grunhindo para chamar a atenção dos companheiros que juntavam a lenha. O rapaz tentou se esconder atrás de uma rocha grande mas era tarde de mais e os quatro monstros já seguiam correndo em sua direção quando um ser pequenino do tamanho de uma criança de 6 anos, magrelo, com grandes olhos e orelhas pontudas que iam caindo até a altura dos joelhos ossudos apareceu junto de um feixe de luz em cima da pedra e segurou Cristopher pelos cabelos.— Você não pode morrer! — O serzinho disse enquanto sumiu junto com o loiro daquela caverna nojenta deixando para trás quatro trolls confusos.Quando chegaram ao destino o jovem mal pôde reparar na decoração do lugar pois seu estômago se mexia, sua cabeça doía e o cheiro forte do lodo impregnava suas calças. — Vomitar fazer no balde, Sr. Morning. — A voz do ser pequeno invadiu as orelhas de Cristopher, era uma voz feminina calma e tranquila que conseguiu distrai-lo por dois segundos a tempo dele encontrar o balde.— Parabéns! Acertar o balde! Felícia orgulhosa! — A pequenina se aproximou ajeitando o vestido verde musgo muito cheio de babados coloridos e então sorrindo com sua boca enorme que parecia um precipício de dentes que separava os gigantescos e redondos olhos do pescoço fino que mal parecia aguentar sua cabeça.Cristopher então pôde olhar ao seu redor com o sentimento da náusea desaparecendo e enfim prestou atenção ao local que estava. Era um quarto, mas infelizmente não o seu, era rústico com moveis de madeira talhada a mão, uma cama de casal, uma mesa com duas cadeiras, uma estante muito organizada com livros, pergaminhos e roupas pequeninas.Todos os moveis comportavam o tamanho de Felicia então Cristopher deduziu que fosse o quarto dela.— Mais tarde Felícia trazer torta, Sr. Morning. Agora você esperar, Felícia tem mais visitas.E mais uma vez o pequeno ser sumiu como em um passe de mágica.
Notas finais
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