Notas iniciais
Essa é uma história que já escrevo há algum tempo em outro site então podem haver alguns erros de português nos primeiros capítulos. Apesar da minha preguiça, essa é uma das histórias que mais me da satisfação de escrever, entao... espero que goste!

A Maldição Do Meio Sangue

Capítulo 1 -> Encontros Inesperados

[18:37 Roppongi, Tóquio]

Um homem andava pelas ruas de Roppongi. Ele aparentava ser da faixa dos 40 anos e vestia um terno chique carregando uma maleta assim como muitas outras pessoas que passavam por aquele lugar tumultuado. Porém, algo em seu rosto estava diferente, uma expressão que ia além do cansaço comum de 13 horas de trabalho, era uma expressão de profunda tristeza misturada com ódio. Ele não estava apenas voltando para casa depois de um dia de trabalho, ele estava voltando para casa definitivamente. A empresa havia decidido cortar custos e demitiu alguns funcionários e, por azar, ele foi um desses.

O homem continuava cabisbaixo até que teve que parar na interseção pois o sinal estava aberto para os carros. Naquele momento nada passava por sua cabeça, era como se uma névoa cobrisse seus pensamentos, o desespero tomava conta. "Como eu vou sustentar minha família?", "Como irei arranjar outro emprego?". Ele se perguntava em sua cabeça até que de repente algo aconteceu… Como um estouro… Ele estava completamente imóvel.

O sinal havia fechado, as pessoas passavam por ele o ignorando. Seu corpo estava tremendo e os olhos se revirando, algumas pessoas o olhavam torto, mas ignoravam. Uma enorme sensação de desconforto tomava conta até que subitamente parou… O homem largou sua maleta e continuou o caminho. Ele andava torto e lento como se ainda estivesse aprendendo a fazê-lo.

Ele continuou andando involuntariamente até chegar em uma rua escura e pouco movimentada com várias casas. Ele foi na frente de uma casa simples de dois andares, observando ele reparou que havia uma placa com um nome escrito: "Hasegawa". Ele pôs a mão em seu bolso e de lá retirou uma chave que usou para destrancar a porta. A porta rangia enquanto ele a abria lentamente. As luzes da casa estavam apagadas então ele não conseguia enxergar o que havia dentro. Ele deu alguns passos e trancou a porta atrás de si, assim que ele se virou alguém acendeu a luz, era uma mulher vestindo roupas normais, ela parecia ser um pouco mais jovem que o homem.

— Por que você demorou tanto? — Ela perguntou estressada.

O homem não respondeu, retirou seu paletó e o pendurou num cabideiro de madeira que estava do lado da porta. Ele então foi em direção a janela.

— O que foi? Não vai me responder? — Ela parecia estar ficando mais estressada.

Ele continuou a ignorando enquanto olhava para o lado de fora da janela.

— Escuta… A Usagi ficou preocupada, você não acha que devia ao menos falar com ela? — Sugeriu.

— É uma rua calma essa. Não é? — O homem perguntou enquanto arrastava seus dedos pela cortina.

— Hã? O que? — A expressão de desconforto era evidente em seu rosto.

— Eu estou com fome… — Disse o homem abrindo um sorriso macabro.

Ele fechou as cortinas e se virou, a mulher ao ver seu rosto soltou um grito de pavor. Os olhos do homem estavam vermelhos e sua pupila estava contraída como a de um crocodilo, seus dentes estavam afiados e sua pele estava pálida.

Ele avançou sobre ela e mordeu seu pescoço ferozmente. Os gritos rapidamente se tornaram sons indistinguíveis enquanto o homem afundava seus dentes em seu frágil pescoço . Ele continuou com o ataque brutal, rasgando e devorando o cadáver já pálido até que ele escutou um barulho vindo do andar de cima. Ele abandonou o cadáver é foi em direção às escadas. Subindo pelos degraus calmamente, ele farejava o ar incansavelmente. Concentrando sua audição ele percebeu sons de choro vindos de um closet. O homem se lembrou do nome que a mulher havia falado, "Usagi".

— Vamos Usagi não se esconda, tudo vai ficar bem. — Ele disse.

Ele continuou a andar calmamente até o closet e ficou em frente a porta e aproximou seu rosto para espiar pela fechadura, o som de respiração pesada podia ser ouvido. O homem pôs a mão sobre a maçaneta e abriu a porta violentamente.

Dentro do closet estava Usagi, uma garota que aparentava ter 13 anos. Ela estava com um telefone na mão, ela o largou após ver o homem. Aquele era seu pai, mas ele estava diferente, ela não conseguia imaginar por que ele estava agindo daquela maneira.

— Te achei! — O homem estendeu seu braço e a agarrou.

Ele possuía garras afiadas que estavam cortando o braço da menina enquanto ela lutava para se soltar.

— Não!! Por favor… Pai!! Pare!! — Usagi gritava em desespero.

Ele agarrou o outro braço de Usagi e a imobilizou. Ele se preparava para dar o golpe final até que algo o atingiu por trás. O impacto fez com que ele soltasse a garota que caiu desmaiada de medo no chão. Ele olhou para seu corpo e percebeu que uma lâmina curvada atravessava seu ombro.

— Ugh! Mas o qu… — Antes que ele pudesse terminar algo o jogou para a parede com força.

Ele olhou para cima e conseguiu ver quem fez o ataque, era um homem alto que vestia jaqueta e calças jeans, em suas mãos havia uma enorme foice ensanguentada, a escuridão obstruída o rosto da figura.

— Você achou que ia se safar com isso não é? Hmpf… Chega a ser engraçado. — Disse a figura.

— Merda… — O homem recuava se arrastando no chão.

— Contudo, parece que eu cheguei tarde demais… Tudo bem, no final, matar demônios é o que realmente importa.

Ele girou sua foice e a segurou atrás de si.

— Fique parado…. — Disse o homem.

O demônio continuava recuando, ele não sabia o que aquele homem estava prestes a fazer, mas sabia que tinha que se defender de alguma maneira. Ele começou a sentir algo estranho, como se algo se aproximasse, mesmo com o homem em sua frente imóvel. A sensação estava cada vez mais próxima até que o demônio alcançou e puxou o corpo da garota para si em um movimento desesperado e a segurou em sua frente. O homem de repente hesitou e girou sua foice novamente.

— Idiota… — O demônio sussurrou.

Algo estava se juntando atrás do demônio, era como se pequenas partículas estivessem se juntando para formar algo, até que aquilo tomou forma em um braço demoníaco enorme. O braço foi em direção ao homem e o esmagou na parede, a força do impacto foi tanta que o homem ficou inconsciente. O demônio se levantou, pegou a garota e saiu dali.

Alguns minutos depois o homem acordou, ele pôs a mão em seu nariz que estava quebrado e se levantou. Após perceber a situação ele correu até o lado de fora da casa à procura do demônio, porém ele já estava longe. Ele olhou para o asfalto e percebeu marcas de pneu, o demônio provavelmente havia fugido de carro e ele estava com a garota de refém. Uma sirene policial podia ser ouvida e do final da rua dava pra ver viaturas se aproximando da casa.

— Tsc… Merda… — Disse o homem frustrado.

[19:25 Itabashi, Tóquio]

Dentro de uma loja de conveniência um jovem alto de cabelos negros e cheios falava no telefone. Ele vestia um casaco azul de zíper e calças jeans azuis.

— Ei! Sério! Eu tô te dizendo que esse não é o maior dos problemas nesse momento! — Disse o jovem.

— Hahaha! Só me preocupa ver meu irmãozinho sozinho nesse mundo. — Disse uma voz feminina.

— Você não tem que se preocupar Akane, sério mesmo! Mudando de assunto, quando você volta pra casa? — Perguntou o rapaz.

— Depois de amanhã eu estarei voltando para o Japão, só que eu vou fazer uma visita à tia Chiyo antes de voltar para casa. — Respondeu Akane.

— Ah, entendo.

— Ah Yuki! Eu acabei de me lembrar, seu aniversário tá perto!

— É… Tá sim, eu acho… — Disse Yuki.

— Nem você se lembrava… Mas tudo bem, eu vou trazer uma lembrança aqui dos Estados Unidos.

— Ei, você não acha que é um pouco demais?

— Que isso? Por que você não responde com um "Ah, obrigado", ao invés disso hein? Soa bem melhor.

— Ah, obrigado. — Ele respondeu debochando.

— Seu bobo! Como está o papai?

— Ele… Tá bem… Eu acho…

— De novo essa resposta…

— Não, sério mesmo! Eu quase nunca o vejo e ele sempre me diz que está bem, quer dizer, mesmo se estivesse acontecendo alguma coisa ele não me contaria!

— Hum… Tudo bem então… Já é noite aí não é? Então boa noite Yuki.

— Boa… tarde? De qualquer maneira, tenha um bom dia aí! Tchau.

— Tchau!

Yuki guardou seu telefone e voltou a fazer suas compras: macarrão instantâneo, salgadinhos, latinhas de refrigerante e o volume 34 de um mangá chamado "FURY". Ele pôs em uma cesta e levou para o caixa. A rua lá fora estava silenciosa, quase nenhum movimento. Dentro da loja só se escutava o barulho da televisão, que transmitia o noticiário. Yuki pôs suas coisas sobre o caixa e o atendente começou a registrar os produtos. Ele estava distraído com seus pensamentos até que sua atenção se voltou para a televisão, o noticiário informava uma notícia urgente.

— Uma cena horripilante aconteceu ainda há pouco em Roppongi. Uma mulher foi encontrada morta em sua residência com lacerações por todo o seu corpo, também foram encontradas manchas de sangue em outros cômodos da casa. O maior suspeito é seu marido Hasegawa Akira que está foragido. A polícia procura também pela filha do casal, Hasegawa Usagi. — Imagens do rosto dos dois surgiam na tela. — Caso encontrar um dos dois informe a polícia imediatamente.

Yuki não se impressionava muito com essas coisas, mas esse caso chamou sua atenção de alguma maneira.

— Doideira não? — Disse o atendente que operava o caixa.

— Hã? A notícia? Sim, certamente. — Disse Yuki.

— Esse não foi o primeiro.

— Primeiro o que?

— Homicídio... Já é o quinto consecutivo que eu vejo notificarem, todos com o mesmo padrão, onde a vítima foi assassinada por alguém próximo.

— Mas não sabem se foi o marido que matou...

— Hmpf! Ele tá foragido, junto com a filha, só alguém ingênuo pra acreditar que ele não é o culpado.

— Onde você quer chegar?

— Tem um padrão estranho, essas pessoas matando entes queridos sem mais nem menos, algumas pessoas acreditam que é alguma força do além.

— Pera ae… Você quis dizer que alguma força do além influenciou eles? Como possessão?

— Isso mesmo! Parece estanho mas é que...

— Desculpa cara, mas eu não acho que esse tipo de coisa exista. — Disse Yuki com um sorriso sem graça no rosto. — Eles provavelmente eram viciados em drogas ou coisas do tipo, afinal, você nunca sabe quem essas pessoas são de verdade.

Yuki puxou dinheiro de seu bolso e pagou pelos produtos.

— Tenha uma boa noite. — Disse Yuki deixando a loja.

Antes que ele pudesse abrir a porta um homem entrou esbarrando em Yuki.

— Ah... Foi mal... — Disse Yuki.

O homem não respondeu, ele nem se quer olhou para Yuki, que estranhou aquilo. Ele se movia de maneira estranha, usava um paletó, mas não estava vestindo ele e sim apenas usando para cobrir seu corpo. Yuki saiu da loja e percebeu que havia um carro estacionado bem em frente, devia ser daquele homem estranho. Ele continuou andando e olhando para frente… Mas algo chamou sua atenção... Ele subitamente parou e avistou no canto de seu olho alguém dentro do carro. Yuki se virou lentamente e olhou para dentro do vidro, havia realmente alguém lá dentro, era uma garota… Ela era bem jovem, haviam marcas de corte em seus braços e estava desacordada...

Sua mente parecia estar fora do lugar.. ele estava realmente espantado com aquilo, era coincidência demais! "Não pode ser", ele pensava, involuntariamente estendendo seu braço para tocar o vidro do carro, até que algo segurou a sua mão com força, ele tomou um susto e olhou para o lado. Aquele mesmo homem de antes segurava seu braço.

— Não toque… — Disse ele.

A voz daquele homem era profunda e agora Yuki podia ver seu rosto, seus olhos eram diferentes, ele não conseguia distinguir a cor por causa do escuro, mas certamente percebia que suas pupilas não eram normais e por fim seus dentes, eram afiados como os de um animal selvagem. Yuki engoliu seco e tomou coragem.

— Aquela garota… — Disse Yuki.

— Ela é… Minha filha… — O homem respondeu.

— Ela tá machucada…

— Rrr… Eu vou comprar curativos…

O homem soltou o braço de Yuki e voltou para a loja.

Aquilo foi estranho, aquele homem estava segurando o braço de Yuki com muita força e não queria de jeito nenhum que ele tocasse no carro. Yuki não queria acreditar no momento, mas ele foi se lembrando dos rostos que foram mostrados na televisão, eram eles mesmo! Yuki continuou andando e discretamente olhava a placa do carro, ele saiu daquele lugar e adentrou a rua ao lado. Yuki estava tenso, dentro de sua cabeça ele sabia que não devia ter confrontado aquele homem, quem sabe o que ele poderia fazer? Ele foi tomando cada vez mais distância da loja e então decidiu chamar a polícia.

Yuki puxou seu telefone e discou o número da polícia.

— Departamento de polícia, qual a sua emergência? — Disse uma voz no telefone.

— Eu queria registar o número de um carro suspei… — De repente, um estrondoso som de pneu arrastando no asfalto o fez largar seu celular.

Os faróis de um carro iluminavam o fim da rua enquanto sons de motor podiam ser ouvidos. Era o mesmo carro de antes e ele estava vindo na direção de Yuki. Ele correu pela rua desesperado enquanto o carro o alcançava rapidamente. "Merda, merda, merda" era tudo que Yuki conseguia pensar. As luzes dos faróis iluminavam cada vez mais forte o caminho à frente de Yuki e o som do motor do carro chegava mais perto. Yuki sabia que não haveria escapatória se ele continuasse correndo em frente até que ele avistou uma saída, a entrada de um beco em sua esquerda. Yuki não pensou duas vezes e saltou para o beco, o carro tentou o seguir, mas a passagem do beco era fina demais para que ele passasse. O carro bateu com toda força na parede enquanto Yuki caiu no chão.

Partes do carro e cacos de vidro dos faróis estavam espalhados pelo chão, assim como as compras de Yuki. Ele se levantava do chão com a respiração ofegante, o carro estava parado bem na entrada do beco de maneira que obstruída a passagem. Yuki olhou para o motorista, ele estava com a cabeça sobre o volante e não mexia nem um músculo, estava morto talvez? Ele se lembrou da garota que estava no banco de trás e rapidamente foi até o carro para checar como ela estava. Yuki abriu a porta de trás do carro, a garota estava sentada no banco em bom estado, o cinto de segurança havia a salvado. Uma fumaça saía do motor do carro, ele se apressou e retirou a garota dali e a carregou para dentro do beco.

— Merda! Meu celular... — Disse Yuki o procurando pelo chão. — Droga, deve ter caído na rua.

Yuki reparou bem na garota, ela ainda estava respirando, as marcas de arranhões em seus braços não eram graves, mas eram bem feias. Ele parou para respirar um pouco, talvez a emergência chegaria com o tempo ou alguém veria eles naquele beco. No entanto, aquela tranquilidade era momentânea, o homem que dirigia o carro estava se mexendo! Ele virou seu pescoço para o lado emitindo um som de "crack", logo em seguida estendeu sua mão e abriu a porta do carro. O medo tomava conta de Yuki enquanto ele via o homem sair do carro como se nada tivesse acontecido. Ele parou por um momento e olhou para Yuki.

— Ahh… Seu merda. Olha o que você fez! — Disse o homem.

O coração de Yuki começou a acelerar enquanto o homem caminhava calmamente em sua direção sem dizer nada. A tensão aumentava junto com os batimentos, ele não tinha para onde fugir. "Merda! Esse é meu fim! Pra onde eu vou agora?"

— É trabalhoso conservar um corpo desses, principalmente porque vocês são muito frágeis. — Disse o homem.

Yuki não entendia o que ele estava falando, ele só recuava enquanto segurava a garota.

— Mas no final… Hehe... O trabalho compensa! Agora fique parado! — Disse o homem.

Uma espécie de poeira se juntava ao redor daquele homem, ela subia pelo seu corpo e tomava forma… A figura daquele homem era engolida pela poeira e sumia na escuridão e dessa uma nova forma surgia… Enormes braços e pernas musculosas saíam e se conectavam ao torso de uma criatura demoníaca e horrenda. Yuki estava paralisado de medo enquanto a criatura estendia o braço em sua direção. A mão da criatura se aproximava do rosto de Yuki e ele pensou: "Será que esse é o fim?"

Yuki já estava aceitando seu destino até que o inesperado aconteceu. Da entrada do beco a silhueta de uma pessoa podia ser vista, ela pulou sobre o carro e saltou pela criatura, aterrissando na frente de Yuki. Havia um corte enorme no braço da criatura que estava pendurado ao seu corpo por um minúsculo pedaço de carne. Agora ele podia perceber a aparência daquela figura, era uma garota, uma adolescente. Ela calçava botas e vestia uma jaqueta preta junto com uma saia preta que cobria até as suas coxas e meias longas. Seus cabelos eram longos e brancos como a neve, sua pele era pálida e seus olhos vermelhos. A garota olhou para trás por um instante e depois voltou sua atenção para a criatura.

— AAAARGHH!!! MALDITA! — A criatura gritava.

— Gostou dessa?! — Disse a garota.

Ela estava segurando uma katana em suas mãos e estava preparada para atacar a criatura.

— EU VOU ACABAR COM VOCÊ!!! — Exclamou a criatura.

Ele saltou em direção à garota, mas ela desviou deslizando sob suas pernas e o cortou por trás com sua katana.

— RARGHH!! MISERÁVEL!! — A criatura estava cada vez mais irritada.

Yuki recuou daquela cena e encostou a menina inconsciente na parede. Aquilo tudo era estranho e surpreendente. "Uma garota de cabelos brancos com uma katana apareceu para me salvar de uma criatura demoníaca? O que é isso? Eu estou preso em algum tipo de light novel clichê?" Yuki se perguntou. Seus pensamentos foram interrompidos pela garota que havia sido arremessada em sua direção. O corpo da garota de chocou com o chão e rolou para perto de Yuki. Ela se recuperou com esforço, mas estava muito ferida e fraca. Seu olhar se voltou para Yuki, que observava sem dizer uma palavra, ela estendeu sua mão para Yuki.

— Humano… Me ajude… — Ela disse.

Sua voz ecoou pela cabeça de Yuki, era uma voz suave e um tanto que sensual. Ele olhou para o seu rosto pálido e estendeu sua mão. A garota agarrou o braço de Yuki e mordeu seu pulso com força. Yuki estranhou aquilo e soltou um pequeno grunhido de dor. A garota largou o braço de Yuki e lambeu seus lábios, suas feridas se curaram e o vermelho de seus olhos brilhava. Ela levantou e se virou para o demônio. Yuki segurava o seu braço para tapar o sangramento, naquele momento ele só pensava em uma coisa:

— Ei!! Por que você mordeu meu braço!!?? — Ele perguntou furioso.

— Hã!? O quê!? V-você c-consegue me ver!? — A garota perguntou espantada.

— É claro que eu te vejo!! Me responde! Por que mordeu o meu braço!?

De repente a criatura começou a rir.

— Hehehe! Então eu te achei!! — Disse a criatura.

Avançando ferozmente, a fera arremessou facilmente a garota para trás, fazendo seu corpo se chocar contra o carro.

— Isso é perfeito! — Disse a criatura enquanto se aproximava de Yuki.

Garras afiadas surgiram de suas mãos e então ele as usou para perfurar o peito do rapaz.

— Aaarrgghh!!! — Urrava Yuki enquanto uma dor terrível percorria seu corpo.

A criatura puxou o braço esquerdo de Yuki e o chutou com uma força extrema, fazendo que ele fosse arremessado para a parede do fim do beco. O monstro ria incontrolavelmente até que a garota saltou por cima dele e atravessou a lâmina em sua cabeça. Ela puxou de dentro de sua jaqueta uma pistola e disparou incessantemente até estourar o crânio da criatura que caiu se contorcendo no chão. A garota guardou suas armas e foi correndo até o rapaz. Ele estava encostado na parede sangrando, seu braço esquerdo havia sido arrancado com a força do chute e haviam hematomas por todo o seu corpo. Yuki se contorcia e suspirava de agonia.

— Merda... — Disse a garota enquanto se agachava para perto de Yuki. — Calma, você vai ficar bem!

Ela puxou sua katana e fez um corte em seu pulso, que imediatamente jorrou sangue.

— Vamos! Beba! — Disse a garota.

Ela abriu a boca de Yuki e despejou o sangue, mas Yuki cuspiu, ele não conseguia beber naquele estado. "Merda… O meu corpo, não quer se mover… Dói… Dói em todas as partes…" Yuki pensava no que aparentava ser o seu fim.

— Droga, você não consegue beber isso. — Disse a garota. — Não tem outro jeito.

Ela então mordeu sua própria língua até sangrar e se aproximou de Yuki, o beijando e fazendo com que ele bebesse o sangue. Os olhos de Yuki se fechavam e sangue escorria de sua boca… Ele apagou…

Tudo ficou escuro…

Seria esse… O fim?

Continua….

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo! Sintam-se livres para comentar e até a próxima!