A Maldição do Faraó
3 Capítulo III ― Um passo mais próximo
Notas iniciais
Capítulo III
Um passo mais próximo
1º de novembro – 4 de novembro, Luxor, Egito
Sasuke não estava lá muito feliz não. No primeiro dia de escavação, todos acordaram praticamente de madrugada e seguiram para o Vale dos Reis, em um local distante e isolado por Carter com uma fita pelo chão, ainda que naquela época, poucas visitas estavam sendo feitas ao deserto antigo, de importantes tumbas.
Os homens de Carter armaram algumas tendas piramidais sem laterais para cobrirem-se do sol e descansarem nas pausas. Sasuke estava na proteção de uma dessas tendas, e apesar de suas expressão não mostrar, ele estava entendiado.
O Uchiha não se importava em acordar cedo, acostumara-se para seu próprio trabalho em Londres, e foi ele mesmo que quis seguir com Howard, Naruto e os outros no primeiro dia ao menos, principalmente para se localizar, mas estava acostumado a agir. Ir atrás, procurar, entrevistar, escrever. Ali tudo o que poderia fazer era esperar, apenas registrando que no dia tal nada aconteceu. E nem sabia por quanto tempo aquilo seguiria, não teve a oportunidade de conversar com Carter sobre detalhes, pois o homem nos últimos dias viveu longe, cheio de preparações.
Os escavadores usavam um pano de proteção na cabeça, que deixavam os olhos a mostra e ouviam instruções de Carter para então irem ao trabalho, e aguentavam muito tempo sem uma pausa para água, o que Sasuke admirou em silêncio, já que sentado mal se aguentava com sua garrafa.
Há alguns metros dele, Carter se postava em frente a um apoio improvisado que montara para abrir seus mapas e anotações e correr por eles todo o tempo, para ver se estavam indo de acordo ou não. Naruto ficava muito tempo com ele, mas o loiro também não se importava em, às vezes, pegar alguma ferramenta de seus companheiros escavadores e ajudá-los. É o que fazia agora, usando uma espécie de cachecol azulado para cobrir o pescoço e o rosto do sol, como os outros.
Sasuke, de alguma forma, aproveitou que não lhe era dada atenção para observar discretamente Naruto e seus movimentos. Fingiu não ter olhado mais para o que devia para a bunda do outro homem quando ele abaixava o dorso. Mal sabia que o próprio Naruto, quando não olhava, também o observava com atenção desnecessária. Estava sem blazer, com uma camisa azul marinho, por cima de um colete que lhe marcava o peito, e as mangas estavam arregaçadas até acima do cotovelo, enquanto Carter estava com o kit quase completo de um paletó, sem a gravata e um chapéu coco cobria a cabeça, e Naruto vestia uma camisa branca.
Depois de todos os seus estranhos pensamentos em relação a como um homem, como ele próprio, cheirava, Sasuke tentou esquecer de seu sonho estranho que apenas o recordou disso, e principalmente do modo como seus olhos seguiam o Uzumaki quando o percebia no mesmo ambiente. Porém, durante os dias antes de viajarem para onde a expedição começaria oficialmente, os dois homens trocaram apenas alguns olhares, e logo em seguida fingiam que nada ocorrera.
Foi o que aconteceu quando Naruto ergueu-se e caminhou até a proteção da tenda mais próxima e os olhos celestes cruzaram com os olhos pretos. O Uzumaki fingiu que olhava para o horizonte e Sasuke prestou atenção em sua agenda, rabiscando alguma coisa.
~x~
Com o primeiro dia sem grandes revelações – o que era de se esperar, por isso Howard não mostrava-se desanimado –, com o crepúsculo, a luz do sol enfraquecendo, nada mais tinham para fazer além de descansar em baixo das tendas, comer um pouco do que trouxeram de "mantimentos" e conversar com os companheiros.
― Poderíamos muito vem estarmos sentados em cima do que procuramos, nesse momento ― observou Carter, de repente.
Ele mais Sasuke e Naruto aproveitavam o ar fresco da noite em volta de um fogo baixo improvisado. Trouxe consigo uma garrafa de uísque – nunca poderia ficar sem –, e os três bebiam pelo gargalo.
Naruto olhou para o chão forrado por um tecido branco fino em que sentavam-se.
― Não gosto dessa ideia, não.
Howard riu acompanhado por um sorriso discreto de Sasuke, quase oculto pela escuridão ao seu redor, apenas um risco de sombra da luz da fogueira.
Naruto levou a garrafa que dividiam a boca, disfarçando o movimento que percebeu dos lábios do Uchiha, quando de relance e tão rápido que poderia muito bem ter imaginado, viu em meio ao deserto, onde cavavam mais cedo, um grupo de homens carregando algo nos ombros, como uma caixa enorme.
Quando voltou o olhar e piscou, nada tinha ali, além das outras tendas e trabalhadores. Franziu o cenho e voltou sua atenção para a bebida. Deveria ser apenas apenas a impressão de ter visto algo, com as sombras que as luzes das fogueiras dos escavadores faziam na areia.
Deveria ser.
~x~
Caminhou lentamente, as sandálias douradas afundando na areia fofa, sem muitas protuberâncias, enquanto observava de longe uma bela escultura formando-se, tão grande como um Deus, que personificava os traços do faraó, e assim o homenageava. Conseguia ver, de onde estava, os trabalhadores que pareciam formigas, seguindo uma fila e fazendo suas tarefas e voltando.
Continuou descendo pelo deserto em um ritmo calmo. Vestia um saiote longo de linho e um cinto triangular no dorso desnudo, adornado por turquesas. Na cabeça, escondendo os fios naturalmente claros, uma peruca ornamental de fios escuros com uma tiara de ouro e seus olhos estavam pintados. Segurava um rolo de papiro. Aproximou-se de um homem, o que estava à frente do magnífico trabalho, e ele logo o notou.
― Vizir!
― Relatório, comandante ― curvou os belos olhos pelos trabalhadores. Parou quando cruzou com um par de olhos o encarando. Um jovem claro e saudável, porém marcado por algumas linhas nos braços e costas. Seu peito descoberto subia e descia rapidamente com a respiração ofegante, mas seus olhos não demonstravam isso. Se notava que era um dos novos capturados, com olhos ainda intensos e raivosos. Um guarda chamou a atenção com violência pela pausa no trabalho. Ele fez uma cara feroz e continuou, carregando um cesto trançado sobrecarregado por pedras.
― Vizir Sadiki?
As safiras se desviaram do escravo, fitando o comandante quase vagamente.
― Peço dois dias, os trabalhadores estão dando o seu melhor ― lembrou-o com o chicote em mãos.
― Muito bem ― respondeu apertando o papiro entre as mãos voltando o olhar rapidamente para o homem pálido que o espiava de canto de olho.
Naruto bateu com a mão no rosto ao acordar sentindo algum inseto judiando de sua pele. Ele virou meio grogue limpando o rosto no pano que fazia sua cama. Seus olhos ainda estavam pesados, indicando como não dormira o suficiente. Percebeu pelo céu que logo amanheceria, mas permitiu-se fechar os olhos novamente.
De repente, as imagens do sonho interrompido vieram-lhe a mente, não o deixando voltar a dormir. Ele resmungou com a imagem de um homem na cabeça.
Então, abriu os olhos abruptamente, rodando-os em seu perímetro. A fogueira estava apagada e Howard dormia mais próximo dela, e mais afastado estava Uchiha Sasuke, também apagado. Naruto franziu as sobrancelhas, confuso, enquanto aos poucos levantou-se ouvindo seus ossos estralarem pela imobilidade que ficaram no chão não tão macio, e devagar e não tão certo de sua realidade, engatinhou até o jornalista.
Sasuke dormia de barriga para cima, com um braço apoiando a cabeça e uma perna levemente flexionada. O Uzumaki tentou ser discreto na aproximação, mirando Carter com o canto de olho. Agachado ao lado de Sasuke, passou os olhos analíticos pelo rosto relaxado, pelo pescoço, peito e até os cabelos. Não gostou da sensação amarga em sua boca.
Acabara de sonhar com aquele jornalista azedo e sem tato?
Naruto fez uma careta para si próprio, mas seus olhos ainda miravam o rosto do adormecido.
Calmamente, porém, Sasuke abriu os olhos. Piscou duas vezes, apertou as pálpebras e finalmente as abriu, tendo Naruto com o rosto próximo bem acima de si, dando-lhe a prova de que eram realmente os mesmos olhos. Os mesmos olhos do sonho.
Sasuke mirou Naruto por alguns segundos, não parecendo surpreso ou assustado, com o olhar sonolento.
― O que está fazendo?
O Uzumaki abriu a boca em choque. Agora reparara que o observava dormir que nem um idiota, e ainda por cima foi pego no ato.
― Não acho que seja da sua conta! ― tentou reclamar em bom tom, mas sua voz saiu arrastada e rouca.
Naruto levantou-se e deu as costas à Sasuke, que sentou deliberadamente e passou as mãos pelo rosto, afastando a franja. Com a mente mais em ordem, o Uchiha percebeu angustiado que ao se deparar com os olhos de Naruto, primeira coisa ao acordar, apenas lhe lembrava de seu sonho com um homem que possuía um par de olhos azuis tão intensos como os do arqueólogo. Mexeu a cabeça, embaraçado e evitou olhar na direção que Naruto seguia.
~x~
Depois de acordar para o segundo dia de escavação, Sasuke voltou para o hotel, queria um banho e uma noite de sono em uma cama, ainda que não fosse exatamente macia. E também, queria evitar esses contatos estranhos que vinha tendo com Uzumaki Naruto.
Voltaria para o local da escavação, porém esporadicamente, vendo que seu transporte não era nada mais do que um camelo, que foi alugado junto com alguns outros de um comerciante amigo de Howard Carter. Lembrou-se como chegou a se desequilibrar em muitas ocasiões em cima do seu novo companheiro, mas em algum ponto, no meio de quase dez quilômetros, conseguiu pegar o jeito. Ou quase.
No entanto, só chegou a voltar ao Vale dos Reis, lá para a borda oriental do deserto, depois de dois dias. Ainda encontrou-se com Howard no hotel, pois ele mesmo voltara por um dia, e não viu Naruto que provavelmente dormia o dia inteiro, mas quando fez a pequena viagem de volta, estava sozinho, porém tinha um senso de direção muito bom.
Ao chegar, cumprimentou a todos e novamente estava na cobertura de uma tenda, que já começava a envergar. Retirou seu chapéu fedora da cabeça, revelando seus fios agora amassados e deixou sua bolsa descansar ao seu lado.
Naruto novamente trabalhava no que podia, como um escavador, com Carter lhe dizendo para parar, pois não tinha a resistência e o costume dos outros homens, como o avisava já há quatro anos, agora quase dizendo por dizer, pois sabia que Naruto era teimoso.
Ele tinha uma machadinha na mão e fez uma pausa quando viu Sasuke aparecer em cena. O Uchiha fez um gesto educado em sua direção, mas não dirigiu-lhe nenhuma palavra. Apenas o ignorou. Ou tentou, querendo voltar ao que fazia, mas já transpirava e ofegava.
Logo, o Uzumaki sentou-se na areia mesmo, acalmando a respiração pelo esforço e aceitando um jarro de água que Carter o ofereceu. Ele observou os trabalhadores e insistiu em não passar os olhos pelo jornalista sentado na sombra, já o fizera demais para sua vergonha e confusão.
Ele fechou os olhos por um momento, descobrindo a boca do tecido que lhe cobria o rosto para beber a água, e depois de longos segundos, quando sentiu um vento bater em seu rosto, abriu os olhos, satisfeito. Não sentia uma brisa durante o dia quente desde que chegara ali.
E como se tivesse adormecido por horas, as coisas estavam mudadas quando abriu as pálpebras. Os escavadores não encontravam-se mais ali, as tendas que montaram sumiram, assim como Sasuke e Carter. Ao invés disso, o lugar estava limpo, a não ser por uma estrutura há poucos metros em sua frente, que o fez levantar por não conseguir identificar. Era como se a areia tivesse se afastado para formar um entrada em uma duna. Ele não conseguia ver o que tinha lá dentro, estava escuro, apesar de conseguir distinguir alguns movimentos. Haviam pessoas lá dentro.
Naruto não conseguiu se aproximar, pois petrificou no lugar perguntando-se o que diabos estava acontecendo. Logo, tomou um susto quando quatro homens passaram logo ao seu lado carregando uma estrutura, e aquela imagem tornou-se tão conhecida para si nos últimos quatro anos que conseguiu saber que aquilo se tratava do que acontecia em seus sonhos ainda que a situação fosse diferente em todos eles. Nunca viu aqueles homens carregando o que sabia, infelizmente, ser um corpo, pelo deserto. Os viu entrando pela abertura na areia, e sobressaltou-se quando sentiu alguém lhe empurrar o ombro.
Quando virou-se, deu de cara com Carter, lhe olhando com os olhos preocupados.
― O quê―
― Eu que pergunto. Você está bem, Naruto? Parece que cochilou aí.
Naruto olhou ao redor. Os escavadores estavam ali, as tendas estavam ali, Sasuke também, e a entrada junto com as golfadas de vento refrescante sumiram.
Ele ainda passou alguns segundos virando a cabeça, olhando ao redor, como se fosse achar aquela outra visão novamente.
― Você chegou a dormir bem? ― perguntou Carter. ― Já faz mais de um dia que estamos aqui direto, talvez você precise voltar ao hotel.
― Não, eu to bem, acho que foi o calor, só isso.
― Naruto.
― Eu to bem― garantiu, parando agora de tentar achar alguma outra coisa ali no Vale, que não fosse sua realidade agora.
Naruto olhou para frente, onde vira a entrada apenas a alguns segundos atrás. Levantou-se por um reflexo e olhou de novo em volta para garantir que aquilo que acontecia agora continuasse consigo. Voltou-se para frente e fincou o olhar naquela duna de areia há alguns metros e seguiu para lá, incerto. Examinou a areia por alguns minutos, e como por um impulso louco, pelo menos foi como Carter visualizou, voltou para pegar um cesto feito de palha trançado, pendurado em um dos camelos. Com certa voracidade, passou a encher o cesto de areia e jogar há alguns metros.
Ele chamou para que o ajudassem e Carter foi para perto de Sasuke, os dois observando o que acontecia com as sobrancelhas franzidas.
― O que deu nele? ― perguntou Carter retoricamente.
Sasuke apoiou o queixo na mão, enquanto observava, de repente, um bocado interessado.
Quando a luz do sol deixava a areia em tom laranja, quando o suor lhe dava um banho pela testa e costas, molhando a camisa fina que usava, nesse momento descobriu uma superfície maciça embaixo de tudo o que ele e os escavadores tiraram.
Naruto parou por breves segundos, com a respiração cortada quando processou que sua mão era limitada por alguma coisa. Alguma coisa.
― H.C.!
Carter levantou-se e pegou o jarro de água para levar aos companheiros.
― O que foi, Naruto? Quer água? Já é hora de parar.
― Acho que encontrei alguma coisa.
Isso fez Howard retesar-se antes de correr para perto do Uzumaki, atento.
― Aqui, olha ― guiou a mão de Carter. ― Só precisamos tirar toda essa areia para descobrirmos o que é.
― Naruto! ― exclamou o egiptólogo com um sorriso.
Sasuke, curioso, aproximou-se logo atrás de Carter, mantendo alguns metros de distância, mas vendo a alegria dos dois, conseguiu perceber que poderiam ter algo grande e significativo agora. Droga, Itachi talvez estivesse certo. Talvez fosse construir uma matéria interessante.
~x~
6 de novembro, Londres, Inglaterra
O quinto conde de Carnarvon, pelo fim da tarde, tomava um chá com sua filha, Evelin, os dois aproveitando o ar fresco da tarde da Inglaterra, no quintal do castelo, embaixo de uma sombrinha disposta em cima da mesa do jardim.
― O que me diz, meu pai? ― Evelin depositou a xícara em cima do encostou de porcelana da mesa. ― Novidades de Carter?
― Tão cedo? Acho que não ouvirei dele ainda, embarcou pro Egito faz apenas onze dias.
― Mas, contando que é sua última chance, estaria em uma busca mais ávida, certo? ― ela deu um sorriso.
― Acredito que sim, mas teremos de esperar um pouco mais.
Quando as palavras terminaram que sair de seus lábios, uma moça aproximou-se, vestia-se com os trajes dos empregados do castelo de Carnarvon, e trazia consigo um papel selado.
― Senhor, chegou-lhe um telegrama ― ela estendeu para o homem e ele o pegou.
― Um telegrama? De quem?
― Sr. Carter.
Os olhares de pai e filha cruzaram-se antes que ele abrisse o papel e Evelin curvou-se um pouco para espiar o conteúdo. Depois de ler as poucas palavras que Howard lhe dispunha, Lorde Carnarvon levantou-se.
― Precisarei fazer uma ligação e as malas, embarco para o Egito ainda hoje.
― Vou com você! ― disse Evelin, apressando-se. Como o pai, aprendera a apreciar as histórias incríveis que o Egito tinha para lhe contar, nunca haveria de perder essa chance.
Carnarvon cumprimentou rapidamente seu canário ao entrar, fazendo uma carícia rápida na cabeça do pássaro que leal, vivia solto no jardim.
~x~
Itachi recebeu o telegrama do irmão logo antes de sair do jornal para casa. Abriu esperando grandes notícias. Bem... de certa forma foi. Sorriu para a única palavra no papel.
“Talvez.”, escreveu Sasuke, o informando que poderiam ter alguma coisa em mãos.
~x~
7 de novembro, Luxor
Com as bocas entreabertas, os olhos arregalados e os corpos imóveis, era como Howard Carter e Naruto Uzumaki, rodeados pelos escavadores, observavam em sua frente uma entrada, finalmente toda descoberta de areia agora, mas ainda protegida por uma fina camada de argila.
Já anoitecera, e eles não estavam preparados com lanternas ou velas, e teriam que conformar-se e voltar no outro dia para derrubar aquela porta. Sasuke, também, não poderia tirar fotos no escuro, então só segurou sua câmera na mão.
Passava das nove da noite, e desde que desenterraram o início de uma entrada, a equipe de escavação descia e bebia até tarde, por mais que acordassem cedo depois para seguir tirando mais areia do caminho. E agora que tinham ali uma entrada concreta para algo, selada em modo egípcio antigo, eles tinham mais motivos para comemorar e rir, não obstante, Naruto exibia uma expressão desgostosa.
― Eu não aguento mais tomar desse uísque velho que você tanto gosta, acho que vou comemorar com água ― Naruto disse diretamente para Howard.
Sasuke concordou silenciosamente, sentado também junto do grupo.
― Você pode beber outra coisa do bar, amigo ― falou Carter, quando o Uchiha levantou.
― Eu vou pegar um refrigerante no restaurante ― justificou-se.
― Pega―
Naruto quando provavelmente percebeu que dirigia-se ao jornalista que pouca intimidade tinha, calou-se e voltou sua atenção para Carter.
Sasuke ergueu a sobrancelha quando o loiro voltou a lhe virar as costas, e então teve de se pronunciar.
― Você quer um? ― perguntou casualmente, como se fosse sua ideia e estivesse oferecendo.
― Pode ser.
Sasuke revirou os olhos ao sair dali.
― Qual é o seu problema com o homem, Naruto? ― perguntou Howard divertido.
― Já te contei dos meus instintos ― lembrou Naruto.
Carter balançou a cabeça e logo assumiu uma expressão séria e rígida que chamou a atenção do parceiro.
― Naruto... ― chamou ainda olhando para seu copo. ― Você... Como você sabia?
Os olhos azuis concentraram-se em si.
― Como eu sabia o quê?
― Como você sabia aonde procurar? ― o olhou nos olhos. ― Como você sabia que encontraria alguma coisa bem ali naquele local exatamente?
Naruto, por fim, desviou o olhar, mas tentou responder rapidamente para não criar suspeitas no outro.
― É o que eu acabei de te falar. Os meus instintos, eles são poderosos.
Carter o observou, cético.
― Naruto, fale sério comigo. Você tinha alguma noção do que fazia. Me explique como.
O Uzumaki acabaria aceitando agora o uísque velho se lhe fosse oferecido novamente. Fechou os olhos e suspirou, passando a mão no rosto.
― Pra ser bem sincero com você, H.C. ― disse em um tom baixo, nada característico de si e Carter aproximou o rosto para ouvi-lo. ― Eu não sei como eu sabia. Não minto quando digo que acho que foi um instinto, só que...
Sua pausa fez Howard Carter iniciar um gesto com as mãos, para que continuasse.
― Só que eu meio que vi? Eu não sei, eu acho que vi a tumba.
Toda a expressão de Carter se contorceu com sua confusão.
― Você viu a tumba? Do que você está falando, Naruto? Você sempre soube onde ela está, como assim?
― Não, não assim. Eu nunca achei a tumba ― apressou-se. A última coisa que queria era fazer Carter achar que o traíra em seu maior sonho profissional. ― É, que... Bem, foi como um instinto, só que em forma de visão. Eu tive uma especie de sonho com a tumba ali e foi para onde eu fui.
Howard ficou alguns segundos o olhando, a boca meio aberta, mas sem uma palavra se pronunciar.
― Eu te disse, meus instintos são o máximo ― tentou brincar o Uzumaki, incomodado com o silêncio e com a provável duvida de si que o amigo sentia.
― Você teve uma visão da tumba? Como você pôde ter uma visão, Naruto? Está tentando me dizer que é um vidente?
Naruto franziu as sobrancelhas.
― Não, não é isso que eu to dizendo, H.C.
De repente, uma garrafa pequena de vidro foi colocada em frente à Naruto, e logo Sasuke voltava a sentar-se onde estava anteriormente.
Carter ainda observava o amigo.
― A gente conversa depois ― disse o Uzumaki tentando fazer um brinde com o copo apoiado do egiptólogo e olhando de canto de olho para o jornalista.
Se fosse mesmo um vidente, como explicar os olhos ônix de Sasuke em seus sonhos? Porque certamente não planejava que esse cara fizesse parte de seu futuro.
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