Notas iniciais
Gente, mil, um milhão, um zilhão de desculpas por ter demorado tanto para postar... Como eu falei, com essa bagaça de estágio-cobertura-provas-trabalhos-TCC, está bem apertado para escrever... mas vocês ainda terão um ou dois capítulos por semana, NO STRESS, gentes lindas! E outra coisa... acho que a fic vai passar de trinta capítulos... mas aí é escolha de vocês. Querem que eu cancele o Torneio Tribruxo e vá para as perrengas de uma vez, ou que acabe o Torneio primeiro para as perrengas começarem? O final vai ser o mesmo em ambos os casos, só que, no primeiro caso, a fic acaba mais cedo.... Ponham as hashtags ao fim dos comentários: #querotreta (para que eu acabe mais cedo) ou #queromaiscapitulos (para eu estender até o fim do Torneio). Bom, aviso dado, podem ler agora. “Vemos-nos” lá em baixo! (maldito corretor do Word... rs)

HERMIONE

Eu já estava começando a achar um porre ficar desmaiando toda hora por causa daquela porcaria de Pentagrama Elementar.

Sentia meu ombro arder levemente, Fora isso, eu parecia completamente sã e ilesa.

Eu sabia que, assim que abrisse os olhos, provavelmente já estaria na mesa da Redoma, pavorosamente transfigurada naquela mulher assustadoramente bela, com gente falando e me encarando preocupada.

Minha única preocupação, ao sentir a dor por tentar lembrar o que ocorrera, era de ter machucado alguém antes de ficar inconsciente. Será que McGonagall e Leopold já haviam aparecido logo após meu desmaio?

Na dúvida, abri meus olhos lentamente, sentindo-os dilatarem com a luz suave da Redoma.

– Ah... a Bela Adormecida acordou – a voz de Leopold chegou aos meus ouvidos, brincalhona.

– Você prestou atenção nos livros que eu lia nas férias? – me levantei, rindo, ao me deparar com o sorriso do meu inusitado guardião ruivo.

Leopold revirou os olhos.

– Era o que tinha, não era?

McGonagall se aproximou de algum ponto indefinido, dando um sorriso aliviado ao me ver.

– Como se sente, Granger?

Flexionei um pouco o corpo, tentando sentir algo diferente. Parecia ótima, como da última vez.

Baixei os olhos para meus ombros, me deparando com mechas negras de cabelo. Foi quando focalizei o olhar no ombro direito, porém, que fiquei chocada.

Uma marca marrom-clara estava ali... uma estrela de cinco pontas, dentro de um suave círculo.

– O Pentagrama – murmurei, engolindo em seco.

– Sim – a voz de Leopold perdeu o tom brincalhão – você sintetizou todos os cinco elementos.

– Os cinco? – balbuciei, me sentindo perdida. O quinto elemento...

Ah, agora eu sentia a diferença. Podia sentir, adormecida, uma pulsação suave que dominava meu corpo por dentro, como um receptáculo ressoando os focos de vida ao meu redor. Podia sentir, estranhamente, a pulsação calma de Leopold e os batimentos cardíacos suaves da Profª McGonagall. Mais ao longe, distingui mais uma pulsação, oculta por uma porta á uns cinco metros a frente.

– Rony? – arfei – onde ele está?

– Sr. Weasley! – Leopold o chamou, se virando na direção da porta.

Um estalinho ao meu lado avisou-me que Becky acabara de chegar. Assim que vi seu rostinho espantado, pude perceber, curiosa, as batidinhas aceleradas e vigorosas de seu pequeno coração.

– Menina Granger! – ela cutucou aleatoriamente a luva em meu braço – como a senhorita está?

– Bizarra – murmurei, fazendo todos rirem – consigo sentir tudo... não sei explicar...

– Está conseguindo sentir todas as manifestações de espírito ao seu redor – Leopold assentiu, pondo a mão em meu ombro, tocando levemente a mancha do pentagrama – faz parte da conjuração do quinto elemento... se treinar bastante, poderá interferir nos corpos e vitalidade de qualquer ser vivo... poderá curar ferimentos, retardar mortes... – o sorriso dele sumiu – ou o contrário.

Ceús... aquilo era bem pesado. Agora eu estava legitimamente assustada.

– Quer dizer, então, que... – baixei a cabeça – se uma hora eu me desequilibrar completamente... posso... matar alguém?

– O risco de isso acontecer é o mesmo de você perder o controle sobre os outros elementos, Srta. Granger – McGonagall suspirou – se você mantém os outros quatro elementos sobre controle, como já sabemos que consegue, também conseguirá manter este refreado.

Senti-me um pouquinho mais aliviada. Se era assim, eu podia conseguir mesmo... eu já estava conjurando e refreando os outros quatro elementos com uma destreza bem maior do que a do início. Já sabia formar e controlar pequenas quantidades de água, criar faíscas de fogo e apaga-las, fazer brotar florzinhas e criar montinhos de terra, e fazer, quando me dava na telha, o cabelo de Rony ficar todo despenteado com as lufadas de vento que eu conjurava. Essa última sempre me fazia rir.

O latejar distante se aproximou, lento e apreensivo. Quando Rony entrou em meu campo de visão, com a expressão surpresa – e, curiosamente, com o punho enrolado num pano -, pude sentir o latejar dobrar de intensidade e frequência.

Era como ouvir uma bomba-relógio... só que o som era bem mais agradável.

– Oi – ele me cumprimentou, parecendo absurdamente tímido.

Eu não me conformava com seu comportamento respeitoso, quase reverenciado, quando estávamos na Redoma. Era como se, de repente, eu tivesse virado uma princesa importante de algum país por aí. Mas ainda era eu, pelas plicas de Merlim!

Era quase irônico... Rony estar tão afável assim agora, depois daquela sessão de sadomasoquismo na Sala Precisa.

Maluco. Era o que aquele menino era. Ma-lu-co.

– Quando vai me chamar de Vossa Alteza? – resmunguei, fazendo-o finalmente estreitar os olhos e desmanchar a pose reverente. Ah, agora sim... meu Rony havia voltado.

– Quando deixar de ser convencida, Wicca – ele fungou, cruzando os braços.

– Olha que eu te dou uma pancada de vento, moleque...

Rony levou as mãos á cabeça, fingindo segurar o cabelo, com os olhos arregalados. Gargalhei, percebendo, maravilhada, o quanto seus batimentos aceleravam em reação á minha risada. Ele abriu um sorriso que me desarmou por completo.

– Vamos treinar? – ele estendeu a mão para mim, ajudando-me á me levantar.

– OK... – concordei, ficando confusa. Treinar o quinto elemento? Como assim?

Quando me aproximei dos pilares, percebi o que Rony quis dizer.

Recuei vários passos, piscando assombrada para os quatro que me encaravam.

– Não, não... definitivamente não!

Um coelho branco me olhava sutilmente, deitado dentro da tigela de pedra. Olhei, chocada, o feio machucado que havia em sua patinha traseira. O bichinho tremia.

– O encontramos nos arredores, depois que fugiu de uma raposa – Leopold deu de ombros – achei que seria um bom começo... você tentar curar o ferimento.

– Não! – arfei – Leopold, e se não der certo? E se eu piorar ainda mais o machucado?

Rony veio até o meu lado, segurando meu pulso tranquilizadoramente.

– Por isso é melhor você testar com um animal – ele me olhou compreensivo – não podemos arriscar ainda que seja com vidas humanas, concorda?

– Mas mesmo assim... – minha voz sumiu. Humano ou não, era um ser vivo. Se desse errado... não ia me perdoar, mesmo que fosse um animal.

Olhei de novo para o coelho definhado na tigela. Vê-lo me olhar com aqueles olhinhos vermelhos e o focinho tremendo estava era me dando vontade de chorar. Maldita hora para meu xodó absurdo por animais aparecer...

– Rony... – choraminguei. Rony parecia tão desconfortável quanto eu.

– Se parecer que vai dar errado, nós vamos tentar ajuda-lo – Leopold disse – mas, mais cedo ou mais tarde, você vai ter que treinar, Hermione... e tenho certeza de que você não quer que seja com ninguém que você ama.

Suspirei, me aproximando outra vez. Todos se aproximaram, ansiosos. Senti Rony abraçar minha cintura.

– Para de me olhar assim – murmurei entre os dentes para o coelho. Falando com animais irracionais... não era bom sinal de saúde mental.

Sentia agora o latejar mínimo e assustado da pulsação do coelho. Ele parecia bem fisicamente; apenas estava sangrando um pouco pela pata.

Afaguei, distraída, as orelhinhas dele. Que droga, nem sabia como começar aquilo direito.

Segurei a patinha que estava ferida, fechando minha mão delicadamente ao redor dela. O coelho estremeceu, mas não parecia mais tão ansioso quanto antes. Era quase como se soubesse o que – fosse o que fosse – estava por vir.

Suspirei, fechando os olhos.

“Quero que fique bem... mas não sei como fazer isso”, pensei, tentando fazer aquilo funcionar.

Sentia as batidas do minúsculo coração na palma de minha mão. Era como se realmente estivesse ali, aninhado em meus dedos, pulsando em minha pele, como se, ao mínimo movimento, eu pudesse esmaga-lo dentro dela...

Imaginei-o tomando forma ali... um minúsculo órgão avermelhado, pulsando em minha palma. Imaginei meus dedos acariciando delicadamente as veias que se estendiam ao longo de seu corpinho, indo de encontro ao rombo que havia nelas, onde estava sua pata, pensando nelas se fechando como tecido costurado...

Abri levemente os dedos, ainda de olhos fechados. Senti o coelho relaxar subitamente na tigela.

– Leopold! – ouvi Rony exclamar atrás de mim.

A gargalhada de Leopold me fez abrir os olhos, surpresa. Virei-me para o homem ruivo atrás de nós.

– Olhe isso, Hermione!

Voltei á olhar para a tigela de pedra.

E gani, atônita, quando vi a patinha ilesa do coelho em minha mão. O ferimento escancarado de minutos atrás agora era só uma fina e rosada cicatriz em seu pelo.

– Deu certo – arfei, arregalando os olhos.

– Deu mesmo – Rony riu, beijando minha bochecha – eu disse que conseguiria.

– Ahn... não disse não – estreitei os olhos para ele.

– Cala a boca, Hermione.

Encantada com o que eu fizera, soltei a pata do coelho, que se ergueu na tigela, com as patinhas dianteiras apoiadas na borda, saltando hesitantemente no fundo e parecendo tão chocado quanto nós com seu ferimento curado.

– Está novinho em folha, fofinho – sorri, pegando o coelho no colo. Ri quando ele farejou meu queixo, se aninhando em meus braços.

– Bota esse bicho no mato – Rony falou – não estou gostando dessa intimidade toda dele no seu colo.

– Está é com inveja, mané – brinquei, mostrando a língua para Rony.

– Isso também.

Balancei a cabeça, mas abaixei o coelhinho até a altura de Becky, colocando-o em seus bracinhos.

– Leve-o para fora – pedi.

Becky assentiu, sorrindo para o coelho e, num instante, desapareceu com um estalo.

Virei-me para Rony, McGonagall e Leopold, me sentindo subitamente alegre. Eu fizera, afinal, uma boa ação, algo bom, com aquele que prometia ser o elemento mais perigoso. Não seria nada pior do que aquilo, se eu pudesse me controlar, não era?

– Muito bom, Granger – McGonagall sorriu – brilhante como sempre.

Corei, envergonhada, mas satisfeita.

– Mais algum paciente para hoje? – brinquei.

– Ahn... – para minha curiosidade, Rony parecia muito sem graça – na verdade, Hermione... tem sim.

Ele ergueu o punho em que estava amarrado um pano ocre.

– Quê...? – pisquei, atordoada.

Ele desenrolou o pano, revelando, para meu choque, uma queimadura negra que abrangia quase todo o seu pulso, chegando até o polegar.

Não era o tipo de queimadura que surgia de uma relada no fogo.

– Onde...? Como aconteceu?

Rony não respondeu.

– Não é importante, Hermione... será que...

– Onde foi? – repeti, respirando fundo. Ouvi, não muito animada, o fogo quase apagado de uma das tigelas crepitar em resposta á minha irritação.

Leopold e McGonagall abaixaram as cabeças, se entreolhando de relance.

Rony engoliu em seco.

– Quando... – ele mordeu o lábio – quando você ficou inconsciente... eu... fui te levantar... – não foi nada demais, Hermione...

Senti meu corpo ficar dormente, paralisado de horror. Tinha vontade de chorar. Tinha vontade de gritar.

Eu havia feito aquilo. Havia ferido Rony.

Minha visão se embaçou com as lágrimas que me vieram aos olhos.

– Hermione... – ele sussurrou, apreensivo – não foi nada demais, é sério...

Rony se aproximou, mas balancei a cabeça.

– Rony... não...

Ele me olhou com uma expressão tão vagabunda que eu quase ri. Era como se ele dissesse “qual é, você me torrou todo. O mínimo que pode fazer é consertar essa droga!”.

– Por favor... não que esteja doendo nem nada, mas...

– Me desculpa... – solucei – eu... não sabe como eu sinto muito...

– Tá tudo bem – Rony sorriu. Fácil falar... não foi ele que queimou o amor da sua vida – confie em mim...

Ele estendeu a mão queimada para mim.

Eu não ia conseguir fazer aquilo. Aquela coisa toda do quinto elemento envolvia demais dos órgãos vitais.

Se desse errado...

Não. Eu não podia fazer aquilo.

Rony segurou minha mão, num movimento que eu mal podia imaginar o quanto devia ter doído.

– Sinto muito... eu sinto muito... – era só o que eu sabia falar.

As lágrimas finalmente caíram, estupidamente, pingando em nossas mãos entrelaçadas.

Levei sua mão até meu rosto, beijando-a.

– Eu disse, Rony... disse que ia acabar machucando você...

– Pare com isso – Rony fechou a cara – pare de se torturar. Foi um acidente.

– Pessoas morrem em acidentes – retruquei secamente – não preciso que meu namorado seja uma delas.

– E ele não vai ser – Rony sabia sustentar uma briga boba como ninguém – se não se importa, preciso dessa mão curada até hoje á noite. Você vai conseguir.

Leopold e McGonagall olhavam de mim para Rony e dele de volta para mim como se acompanhassem uma partida de quadribol... em que os dois lados estavam perdendo.

Aninhei sua mão na minha outra, afagando, hesitante, as terríveis queimaduras em sua pele. Ver o estrago que eu havia feito me dava um nó na garganta tão grande que eu ameaçava chorar outra vez.

E pensar no momento em que vi aquela manchete do jornal... imaginando Rodrick Carrow ali, na França... atrás de mim...

Sacudi a cabeça. Pensar naquilo agora não ia ajudar em nada.

Sentia o coração de Rony ribombar, alto e rápido, em vibrações que passavam por meus dedos, tão suaves e tão nítidas quanto fios de cabelo. Não precisaria muito para fortalecer ou dissolver aqueles fios. Um único movimento...

Eu via, finalmente, pelo poder do quinto elemento, o como o equilíbrio entre vida e morte era delicado. Podia imaginar as Parcas, como Trewlaney sempre dizia, tecendo e cortando os fios do tear do Destino... era hipnotizante.

“Nunca iria querer provocar uma morte assim. Nunca...” me repreendi. “O que quero agora é curar tudo que fiz de mal aqui... nada mais.”

Queria apenas sarar aquele ferimento angustiante que eu provocara... ver a mão dele como sempre fora...

Enquanto pensava nisso, fui surpreendida por um arfar sobressaltado de Rony.

– Hermione! Olhe!

Observei, espantada, sua pele clarear aos poucos, ficando lisa onde havia se enrugado com as queimaduras. Em alguns segundos, a área queimada era apenas uma leve mancha rosada.

– Agora eu falei! – Rony riu, parecendo maravilhadamente surpreso, enquanto virava a mão para que Leopold e McGonagall vissem.

Suspirei, aliviada. Havia conseguido.

Rony tinha razão. Não fora nada ruim... se eu mantivesse o controle, quantas coisas mais poderia fazer?

A resposta veio em forma de uma vertigem irritante que fez meu corpo envergar para trás.

Nada. Não podia fazer nada. Chegou. Já tinha dado por hoje.

– Ai, Hermione – Rony bufou, segurando minha cintura para me equilibrar em seu ombro.

– Desculpa... – murmurei, piscando para Leopold – cabelos? Olhos?

– Tudo voltou ao normal – McGonagall deu de ombros.

Nossa... aquilo havia sido sinistro. Antes, eu me achava uma espécie de super-heroína. Mas agora, estava me sentindo á própria Thanatos.

E isso não era muito tranquilizante.

– Quero ir embora – me sacudi nos braços de Rony, fazendo-o rir.

– Já vamos, neném – ele me abraçou, dando um beijinho leve e delicado em minha testa que me deixou toda derretidinha. Que diferença dele para o rapaz maldoso e encantador que me cercara na noite passada...

Estava difícil escolher de qual Rony eu gostava mais. Ri mentalmente.

– Vou ajeitar as coisas lá em Beauxbatons – comentou McGonagall – fui chamada para avaliar a organização da segunda tarefa, e não posso me demorar. De qualquer forma, nos veremos mais tarde.

Assenti, sorrindo para a diretora. Leopold também sorriu para mim enquanto observava McGonagall desparecer Redoma afora.

Nossa... tinha até me esquecido da segunda tarefa. Aquela vida de estudante, namorada de Rony Weasley, Wicca e campeã de Hogwarts já estava era provocando conflitos na minha agenda.

Olhei para Rony enquanto aparatávamos de volta para Beauxbatons, sorrindo mentalmente enquanto considerava aumentar a vaga de namorada em meu organograma.

Que se danassem os estudos e o estresse de Wicca. Agora eu ia ser só a sensação de Hogwarts e a pervertidinha do meu namorado.

Ou era isso que eu achava.

Se fosse, eu não fazia ideia do quanto estava equivocada.

Notas finais
Confiram o novo face do meu user! Lá todos os eventos e novidades das fics serão publicados também! https://www.facebook.com/pages/FireboltVioleta/339307196240871?fref=ts