A Maldição Ouija
3 Três
Notas iniciais
A luz piscava incessantemente, todos estavam com algum receio. Rian olhava para os demais e aguardava, com certa impaciência, por uma ação.
– Vocês vão perguntar ou não? – Falou.
– Perguntar o quê? – Wallace questionou. – Isso nem deve funcionar!
– É a hora de fazer o teste.
– Então... Eu pergunto. – Daniela disse. – Bom... Há alguém aí, do outro lado, ouvindo a gente?
A luz da sala cessou as piscadas de repente. Todo o ambiente ficou escuro, enquanto Wallace começou a rir fulminantemente e os demais ficavam a esperar algum movimento do tabuleiro.
– Que coisa idiota. – Assentiu o ruivo. – Daniela, você acha que esses efeitos vão assustar alguém? É tão... Infantil!
No instante, a pedra de porcelana onde todos seguravam se mexeu. Foi nas respectivas letras, “S”, “I”, “M”.
– “Sim”? – Gibson leu confuso, olhando aos outros em seguida. – Quer dizer que tem alguém do outro lado?
– Claro que não. Você não está vendo que é alguém aqui movendo a pedra com a própria mão? – Wallace insistia.
– O quê? – Daniela ficou em dúvida. – Se tem alguém movendo isso, pare.
– Não fui eu! – Alice se defendeu.
– Nem eu. – Pronunciou Helen.
Todos voltaram às atenções à Rian, que observava atentamente ao tabuleiro.
– Foi você? – Tony perguntou-o.
– Será que não se dão conta? Estamos realmente conversando com um espírito! Precisamos saber quem é ele, e se podemos confiar ou não.
– Como assim? – Gibson não entendeu.
Rian prosseguiu com as perguntas.
– Quem está ai? Diga seu nome!
A peça voltou a se mexer, dessa vez passando no “O”, “U”, “I”, “J”, “A”.
– “Ouija”? Nunca vi ninguém chamando Ouija se comunicar nessas coisas. – Rian disse.
– Deve ser o Wallace tirando onda com a nossa cara, né? – Helen olhou com fúria para o namorado, que deu de ombros sem saber o que falar. – Para com essas besteiras, amor. Sabemos que é você!
– Mas não sou eu, Helen.
– Se acalmem, ainda tem um espírito aqui. – Rian lembrou-os. – Senhor “Ouija”, onde está?
A porcelana não se moveu de imediato. A luz da sala se acendeu brevemente, depois voltou a se apagar. Então a peça passou pelas seguintes letras: “I”, “N”, “F”, “E”, “R”, “N”, “O”. A expressão de Rian mudou drasticamente, o restante ficou preocupado e incrédulo.
– Se está no inferno, algo ruim ele fez, né? – Alice discutiu.
A porcelana rapidamente se moveu, formando “S I M”. Em seguida, começou a rodear-se em círculos, apressando-se cada vez mais rápida.
– O que está acontecendo? – Tony ficou assustado. – O espírito perdeu o controle?
– Nós perdemos. – Rian respondeu. – Mantenham a calma e nem pensem em tirar o dedo dessa pedra, ela é que nos salva de sermos possuídos por este Ouija. Agora, vou tentar encerrar a sessão, espero que estejam felizes por conversar com um espírito.
“N”, “A”, “O”. Escreveu a pedra, continuando os movimentos quase incompreensíveis. Enquanto os demais tentava obter um método de entender e parar o que estava havendo, Helen mantinha-se focada nas letras a qual a porcelana passava.
– O que está acontecendo, Rian? – Alice questionou espantada. – Pare isso!
– Eu não sei, não posso parar antes de a pedra ficar parada.
– Ele está dizendo algo. – Helen avisou aos amigos. — “Todos vão morrer”.
– Como é? – Berrou Rian. – Espirito, eu exijo que pare. Pelo mal, pelo bem, cesse seus movimentos e volte para onde veio!
A luz começou a piscar. De repente, a água da pia da cozinha se abriu sozinha e começou a entornar. As janelas e portas emitiram gemidos enquanto um vento avassalador empurrava-as.
– Quê isso! – Gibson estava atônito.
– Pare com essa porra!
Impaciente, Wallace se levantou apressado, retirando seu dedo da porcelana, pegou a pedra e a jogou com toda sua força no chão, quebrando-a aos milhares de pedaços. Tudo voltou ao normal, os movimentos cessaram e os amigos se levantaram.
– Nossa... Isso foi estranho! – Daniela disse, suspirando aliviada.
– Pelo menos acabou. – Gibson balbuciou.
– Por que você fez isso, seu idiota? – Rian foi para cima de Wallace e o deu um empurrão. O ruivo tentou revidar, mas foi interrompido pelos outros rapazes. – Você colocou todos nós em risco ao quebrar a pedra! O espírito foi liberto!
– Quê isso... Sabemos que foi você que moveu o tempo todo. – Ele retrucou com um sorriso irônico. – Qual é? Está bravo comigo porque interrompi seu plano de fazer medo neles?
– Não era isso, eu não estava movendo a peça. – Resguardou-se Rian. – Mas para o nosso bem, acho melhor que seja um de vocês que fazia os movimentos.
Após falar, o rapaz foi até a porta e saiu da casa. Com o olhar, Daniela reclamou para com Wallace e seguiu o amigo para o lado de fora, o restante deles voltou a beber. Na escuridão da rua, Rian notou quando Daniela se aproximava e acabou sentando-se na beira de uma calçada, onde ela repousou também.
– O que foi aquilo? – Ela perguntou.
– Eu... Eu não sei. Mas o seu amigo não devia ter feito aquilo, não devia ter interrompido a sessão e não devia ter quebrado aquela peça de porcelana. Sem ela, não somos imunes ao espírito e ele pode sair da prisão onde estava.
– Nossa... Acha mesmo que tudo isso aconteceu?
– Não sei, só o tempo nos dirá.
– Olha, me desculpe pelo Wallace, ele é um completo babaca. Mas, por favor, ainda tem muita bebida lá dentro. Vamos voltar e beber um pouco, ainda é bem cedo.
– Desculpe. – Rian se levantou do chão, se limpando. – Preciso ir agora.
– Mas está sozinho em casa!
– Mas eu tenho uma casa pra vigiar. – Retrucou, dando uma leve risada. – Espero que se divirta, e não estrague sua festa por minha causa. Vai lá, seus amigos estão te esperando...
– Tem certeza que não quer vir?
– Sim. Até amanhã!
– Até.
Ao se despedirem, Rian atravessou a rua e foi direto para a portaria de sua casa que, aliás, era totalmente alinhada frontalmente a casa de Daniela. Nisso, a garota deu meia-volta e foi andando em direção a porta. Nesse instante, ela viu algo a observando da janela de seu quarto, no segundo andar: A coisa não era visível, mas seus olhos brancos brilhavam no escuro.
– Quem é aquele? – Murmurou, vendo que logo o ser sumiu de lá. Apressada, Daniela resolveu ir tirar satisfações com o próprio.

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