A Maldição Ouija
5 Cinco
Na delegacia de polícia, todos permaneceram quietos durante a sessão de perguntas dos detetives especiais. Durante o relato de Wallace, o restante do grupo observava a cena aos sussurros de choro ao lado de fora da sala.
Sentados em um sofá, Alice se encontrava chorando no colo de Helen, que também estava com uma cara só de lágrimas. Tony estava ao lado delas, com a cabeça baixa. Numa poltrona, Gibson se debruçava enquanto olhava para o teto, querendo somente pensar. Em pé, Rian assistia a todos enquanto andava em zig-zag.
– Quem será que fez aquilo com ela? – Alice falou desabando em lágrimas.
– Alice, não fique assim. – Helen interveio. – Eles vão conseguir prender o culpado pela morte da Daniela.
– Nós revistamos a casa toda depois que jogaram o corpo. – Tony disse. – Mas não encontramos nada, ninguém, nem mesmo marcas de sangue ou pegadas pelo chão. Além do mais, o que eram aquelas marcas de queimado em sua pele?
– Típico de ser assassinado por um demônio. – Rian quebrou o silêncio, chamando a atenção de todos.
– O quê? – Helen ficou desentendida. – Como assim?
– Relatos, na internet, dizem que pessoas mortas com queimaduras inexplicáveis são vítimas de demônios libertos que queriam possui-la ou matá-la.
– Não acho que seja isso. – Alice interrompeu. – Alguém matou a Danny, alguém deve pagar pelo que fez.
– Quem? – Gibson saiu dos seus pensamentos. – Se só havíamos nós na casa, quem mais poderia ter a matado?
– Ei! – Tony quase matou os demais de susto. – Eu me lembrei de algo: Se lembram quando a Daniela voltou para a casa, onde ela assentiu que havia alguém, que achava ser Wallace, no segundo andar?
– Verdade. – Helen afirmou. – Ela até receou que parecia uma mulher, mas eu e Alice estávamos na sala o tempo todo. Quer dizer então que tinha alguém a mais naquela casa, uma mulher, no segundo andar.
Logo, a porta da cabine de interrogatório se abriu. De lá, Wallace saiu indo até o grupo, sendo seguido pelo policial que tomou as testemunhas.
– Tudo bem? – Helen perguntou ao namorado, preocupada.
– Sim. Ele avisou que já podemos ir embora, passei meu telefone pra ele nos dar mais informações, caso descobrir. – Wallace explicou.
Rian observou o policial passando por eles, depois se afastando e indo para outro lugar, então se aproximou dos outros e cochichou:
– Disseram algo sobre o Ouija?
– Não. – Falaram em couro.
– Ótimo. Acho melhor isso continuar em segredo só entre a gente.
– Por quê? – Gibson questionou curioso.
– Jogar Ouija é crime. Poderíamos ser presos por isso.
– O quê? – Alice se levantou atônita. – Porque não comentou isso há uma hora?
– Só fui descobrir a pouco tempo, com algumas pesquisas. Vou pesquisar mais coisas sobre esse tabuleiro. – Rian pegou seu casaco preto sobre o sofá e se virou para a saída. – Se cuidem!
– O mesmo pra você. – Tony assentiu.
Não demorou nem um minuto para que Rian deixasse a delegacia. O restante continuou onde estavam, Alice ainda se recuperava das lágrimas que ardiam todo o seu rosto.
– O que vamos fazer? – Wallace quebrou o clima. – A Daniela está morta, os pais dela não tem a mínima ideia disso.
– Acha que o policial ainda não os avisou? – Helen foi sarcástica.
– Sim. – Retrucou o ruivo. – Ele não tem como contatá-los sem o telefone ou um local onde possam estar. Vai tentar contatá-los amanhã cedo. E disse para que até lá, nós tentássemos o contato.
– Esquece. – Gibson se levantou repentinamente. – Eu não vou avisar ninguém.
– Gibson! – Alice o gritou.
– Não, não quero ser culpado por algo que eu não fiz. E se forem espertos, sei que farão o mesmo. Agora, se cuidem.
Gibson entregou a câmera que estava em seu bolso para Wallace e seguiu até a saída. Nesse momento, Helen também se levantou e olhou para o ruivo.
– Acho melhor irmos também.
– Eu concordo.
– Tchau gente, até a manhã.
– Tchau. – Disseram os outros dois, vendo os outros amigos indo.
Restaram apenas Tony e Alice, que se olharam por um curto período.
– Quer que eu lhe leve em casa?
– Se puder.
– Vamos.
***
De carro, durante todo o trajeto de volta, o moreno dirigia comentando coisas diversas para tentar distrair Alice, mas a loira se recusava a cometer qualquer ação além de ficar encostada na poltrona, olhando para o vidro do veículo e pensando na amiga.
– Não devíamos ter jogado aquilo. – Comentou.
– Alice, não pense naquilo. O jogo não tem nada haver com o que aconteceu, tá. Alguém estava na casa, uma pessoa, não um espirito. E os policiais vão achá-lo.
– Espero que esteja certo. – A moça revirou o olhar, desencostando-se do assento e concluiu: — Pode parar aqui.
Tony parou seu carro, ela desceu e eles se despediram. A loira, no frio e na escuridão da noite, caminhou por apenas alguns metros de calçada e, quando percebeu, estava de frente para a escadaria da porta da sua casa. Entrou seguidamente.
Dentro, acendeu a luz da cozinha e trancou a porta. Em um relógio na parede, viu que eram 22 horas. Ainda era bem cedo, deviam estar curtindo a festa com um pouco mais de ânimo. Isso, se tudo tivesse caminhado diferente.
Alice observou o caminho para até o seu quarto, apagou a luz e foi caminhando na escuridão. Não estava com medo, ou receosa, mas sim pensativa e morta de tristeza. Assim que entrou no seu quarto e acendeu a luz do mesmo, “Trick”. Alguma coisa se quebrou na sala.
– Quem está ai? – Ela se virou rapidamente, vendo somente uma escuridão aterradora. Agora sim, sentiu um pouco de medo. – Oi? Tem alguém ai?
Ninguém respondeu nada, a loira agiu depressa e ligou a energia da sala. A luz ficou um pouco apagada, acendeu-se fracamente e só ganhou força alguns segundos após seu nível mais fraco. Com o cômodo totalmente iluminado, ela percorreu em volta de alguns móveis até encontrar o que tinha acontecido: Um monte de cacos de vidro no chão, flores caídas e uma janela próxima aberta.
– O vento derrubou meu vaso de flores. – Concluiu. – Foi a Danny que me deu... Droga.
Pondo-se agachada, começou a catar os vidros. Porém, a janela bateu-se de repente, se fechando num grande estalo. Antes que Alice pudesse levar o susto, a luz da cozinha desligou-se de imediato, tornando tudo novamente aquela escuridão sombria e macabra.
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