Notas iniciais
Olá Gente!! Está ai o 7 capitulo, e como sempre esperamos que gostem. Xoxo!!! S2

Estava ajudando Joe a terminar de fazer seu curativo diário. Sua perna estava muito melhor, já se passara duas semanas e meia desde que ele havia batido à minha porta. Depois de terminar de enfaixar o ferimento, fomos para fora da cabana e ele estendeu um cobertor grosso no chão para que nos sentássemos. Ele me deu um cobertor e pegou outro para ele, nós sentamos e encostamos nossas costas na cabana.

– Obrigada novamente, Valentina – ele disse encostando a cabeça na cabana – não sei o que eu faria se você não tivesse nessa cabana para tratar da minha perna.

– Sem problemas – digo sorrindo.

– Aliás, por que você mora no meio da floresta com tão pouca idade? – ele diz e eu rio desse comentário – Você deve ter... Quantos anos você tem?

– Estou com dezesseis, agora – digo – e você?

– Dezoito.

– Sério? Você parece ter mais. – digo – e por que você estava escapando aos dezoito anos?

– De novo esse assunto? – ele diz com uma cara enjoada.

– Argh. Tudo bem, tudo bem. Mas o que pode ser tão grave que você não possa simplesmente me contar? – digo meio emburrada.

– Se você tiver que saber, você vai saber. – ele diz calmamente.

– Mas como eu vou saber que eu tenho que saber? – digo balançando seu braço – só você vai dizer se tenho ou não que saber.

– Exatamente. – ele diz com cara de satisfeito. – Continuando... Por que você mora aqui?

– Não vou lhe contar enquanto não me contar o que aconteceu com você. – digo olhando para frente e fechando a cara.

– Ah, então vai ser assim é? – ele diz se virando para o meu lado e começando a fazer cosquinha em minha barriga. Viro-me para ele numa tentativa de afastá-lo, o que me faz desequilibrar e cair deitada no chão. Ele fica em cima de mim, minhas mãos tentam empurrá-lo para longe de mim – Eu ainda sou a pessoa mais forte daqui, Valentina.

Não falo nada, apenas empurro sua barriga em um chute, o que o faz sair de cima de mim e parar do outro lado da cabana. Levanto-me e vou andando em direção dele, quando fico ao seu lado ponho meu pé direito em seu peito e digo, sorrindo:

– E agora, quem é o mais forte?

Joe levanta sua mão para que eu o levante, quando estendo a minha para puxá-lo, ele me puxa para baixo e eu caio em cima dele.

– Acho que ainda sou eu – ele diz sorrindo.

Reviro os olhos e deito no chão ao seu lado. O céu está totalmente repleto de estrelas. Durante esses dias que tenho estado com Joe sinto que tenho tido um pouco de felicidade e normalidade na minha vida. Já faz algum tempo que não converso com ninguém, às vezes vou à cidade para comprar algo ou apenas ver como a cidade anda com a guerra que está havendo. Às vezes prefiro ficar na floresta e outras vezes no meio da multidão que me faz sentir, pelo menos por um momento, que faço parte daquilo.

– Tive uma ideia — viro-me de lado para olhá-lo nos olhos – que tal, uma informação por outra? Uma troca de segredos? Um voto de confiança?

Ele sorri e vira o rosto em minha direção. Não sei se foi coisa de minha cabeça, mas, por uma fração de segundos, vi uma pequena luz roxa passar pelo olho esquerdo de Joe quando ele olhou para mim.

– Você realmente não vai desistir disso, não é? – ele diz ainda sorrindo.

Balanço negativamente a cabeça.

– Valentina, se eu não estou lhe contando, é porque quero protege-la – ele diz passando a mão na cabeça, agora com uma expressão mais séria.

– Mas o que poderia acontecer de mal comigo se me desse apenas uma informação? – pergunto

– Esse é o problema, eu não sei. – ele diz.

– Está bem... – digo olhando para o céu.

Uma ideia passa pela minha cabeça. Lembro-me de quando mostrei meu último desenho para ele, o da casa. Ele havia ficado meio apreensivo com aquela casa, talvez ele possa me contar o que havia naquele desenho que lhe parecia familiar.

– Então... – digo olhando novamente para ele – será que poderia me contar sobre outra coisa?

– O que você quer saber agora? – ele diz se virando e sorrindo para mim.

– Lembra-se do meu último desenho? – digo – o da casa? Você falou como se achasse aquela casa familiar, mas depois disse que era só coincidência. Pode me contar sobre isso?

– Ah, sim. – ele diz calmamente – eu pensei tê-la visto em um álbum antigo de família, a casa parecia com a casa do meu avô, John. Não cheguei a conhecê-lo, quando ele morreu meu pai ainda era jovem.

Milhões de pensamentos passam pela minha cabeça. Seria mesmo só coincidência? Ou seria, de fato, uma lembrança? John... Nunca ouvi esse nome, não que eu me lembre, é claro. Uma estranha esperança cresce em mim, será que eu poderia achar algum sentido nisso?

***

Estou deitada na grama, olhando para o céu que parece mais azul que o normal. Ouço sons vindos de trás de um arbusto, e não preciso me virar para saber quem é. Logo ele se deita ao meu lado e faz uma coisa que me surpreende: ele entrelaça sua mão na minha. Olho-o e percebo que seu olho está vermelho.

– O que aconteceu com você? – Pergunto, me sentando e acariciando seu rosto. Ele olha para mim, mas não fala nada. Ele me puxa para que me deite novamente, colocando seu braço de baixo de minha cabeça. Ele inspira e expira rápido, batuca seus dedos em minha mão.

Penso mil coisas que possam ter acontecido. E todas elas precisam que eu o console, mas como eu faço isso? Nunca tive que consolar ele, sempre era ele que me consolava. Respiro fundo. Não deve ser tão difícil assim. Distancio-me dele novamente, e dessa vez olho para seus olhos. Faço com que ele se sente, passo meus braços pelos seus ombros. – Você sabe que pode contar comigo pra tudo, não é? –Digo o mais calma que posso. – Petey, o que aconteceu?

– Eu... – Ele fala lentamente, desviando o olhar do meu rosto. – Eu fiz uma coisa muito ruim. – Ele respira uma, duas, três vezes, e pega em minha mão, batucando os dedos de novo. – Eu não quero falar disso agora, tá bom? Quando eu puder, você sabe que será a primeira que eu irei contar.

– Bom, se é assim que deseja. – Dou um leve sorriso. Ele olha para mim novamente e pega meu rosto com uma mão, ele se aproxima lentamente e meu coração começa a bater rápido. Fico imóvel e deixo com que ele se aproxime, ele se aproxima mais um pouco e fica olhando para meus olhos, depois para meus lábios, ele não ousa se aproximar mais. Por que ele não se aproxima? Ficamos assim por alguns minutos, e chego a conclusão que ele está esperando com que eu me aproxime. Respiro um pouco e percebo que estou muito tensa, tento relaxar mais um pouco. Pete pega com sua outra mão um cacho do meu cabelo, e de alguma forma isso faz com que relaxe. Tento chegar mais perto, só que não calculo muito bem e acabo batendo em seu nariz, o que faz com que ele ria e eu core.

– Pare de rir! – Digo em tom de sussurro.

– Está bem, mas não precisa ficar tão nervosa, eu também estou. – Diz ele calmamente, ele pega meu rosto com sua mão e nossos lábios se tocam. No começo nossos narizes se amassam, e isso nos incomoda, mas não é o suficiente para nos separarmos. Sua mão direita segura meu rosto com um cuidado que não tem explicação. Seus dedos fazem carinho nas minhas bochechas. Ele se aproxima mais e nossos lábios se abrem um pouco mais, se encaixando. Como se fossem feitos um para o outro. Nossa sincronia é tanta que chego a ficar tonta. Ele se afasta com relutância, nos olhamos por um tempo e entro em pânico porque eu não sei o que faço a seguir, e deixo o pânico me dominar.

– Ei – Diz ele rindo.

– O que foi? – Digo arregalando os olhos, o que faz com que ele ria mais. – Pare de rir!

– É engraçado ver você tímida desse jeito.

– Você fala como se já tivesse feito isso varias vezes. – Falo e reviro os olhos.

– Sim, Tina. – Diz ele sorrindo. – Já fiz isso tantas vezes que mal posso contar. – Ele fala e estufa o peito, arregalo os olhos novamente, me perguntando se isso é verdade, e então ele começa a rir. – É brincadeira, Valentina. Você sabe que eu não seria capaz de fazer isso com outra pessoa a não ser você.

– Então eu fui a primeira pessoa que você beijou?

– Isso ai! – Diz ele, rindo e solta um suspiro, como se tivesse tirando o peso dos ombros. – Foi incrível. – Ele olha para mim com um ar sonhador. – Você é incrível!

Sinto minhas bochechas queimarem e fico com vontade de enterrar meu rosto na grama, sinto leves gotas de água no meu braço e olho para cima. Percebo que o mesmo céu azul que vi antes, não estava mais tão azul. As leves gotas começam a ficar mais frequentes, olho para Petey que está triste olhando para o clima.

– Eu acho que tenho que ir. – Diz ele se levantando e estendendo a mão para me levantar também. Ele coloca a sua mão em minha nuca e me puxa para um breve beijo, ele dá um leve sorriso e pela primeira vez cora. – Até logo, minha pequena e doce Tina.

Notas finais
Tá complicado até pra gente de qual dos dois a gente gosta mais! E ai, vocês são Team Pete ou Team Joe? Não deixem a gente no vácuo!! :3 Carol&Beca Xoxo S2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.