Notas iniciais
Oi gente, desculpe pela demora, mas aqui está o capitulo 5. Esperamos que gostem. Talvez iremos postar um sábado sim e outro não, pois achamos que vocês não estão gostando, se tem algo que temos que mudar, por favor nos falem. Obrigada. Xoxo

Estava escuro. Mostrava alguns desenhos meus para Joe, e as vezes era engraçado ver a surpresa em seus olhos, logo em seguida me fazia um elogio e também falava a onde precisava melhorar, ele havia feito isso com todos os meus desenhos. Ele está olhando um ultimo desenho meu.

–Tá bom – Diz ele com um sorriso no rosto – Você desenha muito bem mesmo. Eu só consigo caçar e me machucar – Diz ele fazendo uma careta de dor e toca em sua perna ferida.

– Falando nisso – Digo olhando para seu ferimento – Você não me disse como isso aconteceu

– É... – Diz ele pensativo. – Pode-se dizer que... Isso aconteceu quando eu estava correndo bem rápido.

– Espera... – Eu digo arregalando os olhos – Você estava fugindo?

–Fugir é uma palavra muito forte. – Diz ele meio que reprimindo.

– Então, você estava o que?

– Digamos que eu estava... Escapando – Ele diz.

– Ah, então você estava preso em cativeiro? – Digo meio irônica.

– Teoricamente... – Ele da de ombros.

– Bom – Digo eu com raiva – Quando você decidir parar de esconder coisas de mim, quem sabe possamos ser amigos.

– Por favor, não fique com raiva de mim. – Diz ele – Quando estiver melhor, eu vou embora. E eu acho que será melhor se você não souber de muita coisa.

– Isso é o que você acha – digo, me levanto do chão e pego meus desenhos colocando no mesmo lugar de sempre. Olho para ele que continua a me olhar, ele faz um gesto para que sente do lado dele novamente, dou as costas pra ele.

– Por favor – Diz ele implorando – Tina, não me faça ter que cont...

– Como você me chamou? – Digo me virando rapidamente, olho para ele e arregalo os olhos. Ele me olha assustado, como se houvesse tivesse falado algo errado. Não houve resposta, então repito a pergunta – como você me chamou? – Digo enfatizando as palavras.

– Eu... – Diz ele assustado – Eu só te chamei de Tina, desculpa, era pra eu ter te perguntado se podia t...

– Não. – Digo falando alto e chorando – Nunca mais, nunca mais enquanto você estiver aqui, nunca mais me chame assim – Digo soluçando. Seu rosto tem uma expressão diferente, demostra pânico, medo, arrependimento e confusão, tudo ao mesmo tempo. – Nunca mais me chame assim. Você me entendeu? – Ele assente sem dizer uma palavra, saio da cabana e vou andando pela floresta escura e me sento perto de uma árvore velha onde, há muito tempo atrás, foi cravada com uma faca formando um coração e dentro dele as siglas T+P.

***

Vou andando de volta para o local onde estive ontem, minha barriga ronca alto e meus pés doem. Sento de baixo da árvore, vejo que é uma árvore muito grande e com várias folhas verdes no alto, intensificando a ideia do verão, o ar era quente, mas nem tanto.

Percebo que o meu medo diminuiu desde ontem. Entendo agora que duas coisas nunca permanecem juntas: medo e fome. Se você sente medo, ele toma todos os outros sentimentos que você tem e você só é capaz de esperar, até que alguma coisa boa aconteça. Mas se você sente fome, você pode fazer qualquer coisa por comida, até as coisas que te deixavam com medo há pouco tempo atrás.

Começo a fazer uma lista, mentalmente, de coisas ruins e boas que aconteceram comigo.

Primeira coisa: Acordei sem saber de onde vim;

Segundo: Sinto fome;

Terceiro: Ganhei comida de graça.

Quarto: Acho que tenho 12 anos.

Quinto: Estou com medo.

Sexto: Estou com fome.

Quase durmo, mas enfim escuto um som e em seguida Petey sai do meio dos arbustos. Dá um leve sorriso e se senta ao meu lado, ele está todo suado e com o uniforme de uma escola, e ele usa uma mochila muito grande para seu tamanho.

– Oi – Diz ele tirando uma garrafinha de água da mochila, depois de bebê-la ferozmente, dá um grande suspiro – Tudo bem? Como foi a noite na cabana? A minha foi horrível, mal consegui dormir direito. E falando em horrível, parece que você também não está muito bem.

– É – Digo arrumando meu cabelo – Ontem os animais fizeram muito barulho na floresta, mas consegui dormir um pouco. Vejo que você veio da escola. Como foi lá?

– Antes de vir para cá passei em casa pra pegar água, suco e comida pra gente. Ah... E no colégio – Diz ele mexendo na sua mochila e tirando copos, talheres e tigelas grandes cheias de comida. – Não tem muita coisa pra se falar sobre isso. Tenho poucos amigos, e acho que os meus poucos amigos não são exatamente meus amigos, eu posso contar com eles quando estiver precisando de alguma coisa, mas quando não preciso, nós ficamos dias sem se falar. Acho que você é minha única amiga e eu nem sei se você me considera seu amigo.

– Pete – Eu digo rindo e olhando para comida – Qualquer um que traga comida para mim é meu amigo.

Petey ri e olha para mim.

– Não podia simplesmente deixar você aí, morrendo de fome. Temos que ajudar as pessoas. Minha mãe sempre diz isso – ele sorri.

– Então... sua mãe sabe que você está me alimentando? – digo

– Não. – ele diz de cabeça baixa

– É melhor assim mesmo, Petey. – digo olhando para além dele – quem sabe alguém que saiba quem eu sou e de onde vim venha me buscar.

– Enquanto isso você tem a mim! – ele diz sorrindo satisfeito.

– Fico muito feliz com isso.

Terminamos de comer e minha barriga já estava completamente cheia, mas mesmo assim como uma bala de menta que Petey trouxe para mim. Petey me convida para dar um passeio na cidade, ir à pracinha e brincar um pouco, digo que não, pois tenho medo de sair deste lugar e então ele começa a correr entre as árvores, me chamando para ir atrás dele.

– Venha, Pequena Tina Bonita – ele diz passando por trás de uma árvore de tronco fino.

Começo a correr atrás dele, passando pelos galhos das árvores. Ás vezes tropeçando em algumas raízes enquanto Petey ri de mim. Levanto-me fingindo estar brava e começo a prestar mais atenção por onde corro. Não desvio meu olhar dele nem por um segundo. Quando já estou bem próxima, dou um salto em sua direção e caio em cima dele e esbarramos em uma árvore de tronco gordo e bem áspero.

– Isso é para aprender a não ri de mim – digo levantando uma sobrancelha.

– Impossível não rir de você naquela situação – ele diz se encolhendo e rindo mais.

– Ei! – digo dando uma tapa de leve em seu braço e rindo também.

Ele para ri e pega uma faca em seu bolso e se vira para frente da árvore.

– O que está fazendo? – pergunto me virando também.

– Agora a árvore sabe que somos melhores amigos para sempre – ele diz se virando para mim e sorrindo.

Olho para a árvore e vejo um coração mal feito com as iniciais T e P dentro.

– Oh Pete – digo sorrindo para ele – adorei! Melhores amigos para sempre! E com muita comida!

Me lanço em cima dele para um abraço e logo depois voltamos a correr e brincamos até a Lua começar a brilhar mais forte. Como na noite anterior, nos despedimos e combinamos de nos encontrar de novo aqui, amanhã. Só que, dessa vez, uma coisa havia mudado: Não estava me sentido só, mesmo estando, naquela cabana escura. Agora eu tinha um amigo. Petey nunca me deixaria sozinha.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado. Deixem comentários e divulguem para os amigos, dos amigos, dos seus amigos. E mais uma vez digam onde devemos melhorar. Obrigadaaaaa por ler!!!! Carol&Beca Xoxo