Petruska Handel estava sentada em sua redoma de vidro, preparando-se para ensinar Elizabeth — sua mais nova pupila — a manter a ordem no mundo dos bruxos. Apesar de estar em uma das salas do palácio de Melas, em Forecast, não havia paredes ao redor dela, mas sim o mundo. Isso... O mundo.
Dali, Petruska era capaz de fiscalizar tudo que estava sendo feito por todos os bruxos, mas é claro que ela não ficava olhando pontinho por pontinho, fofocando a vida alheia. Havia um sistema muito moderno, ainda mais para o século XVIII, criado pelos peregrinos que viajam para o passado e para o futuro e bem... para o presente também... E um grande “X” vermelho era marcado sobre os pontos onde se encontravam os bruxos transgressores das regras do Conselho.
Todos se perguntavam, nos festivais da roda do ano, como o Conselho sempre sabia de tudo que acontecia e, reservadamente, Petruska beijava seu ego. Ela era a responsável por ser os olhos e os ouvidos do mundo sobrenatural.
Mas, não era só aquela redoma que lhe permitia essa façanha, havia o grande livro das maldições. O mais temido e o mais grave dos ilícitos sobrenaturais.
Se o seu feitiço
No livro das maldições surgir
Cuidado!
Você realmente está encrencado!
Este era o verbete que circulava pelos bruxos para lembrá-los de não praticar os feitiços proibidos – que ficavam na tão conhecida lista negra da magia.
E, naquele dia, o livro das maldições se abriu e um forte vento o rodeou, movimentando as páginas necessárias até que surgisse uma em branco, prestes a ser gravada eternamente.
Petruska correu na direção do centro da redoma e, ansiosa, aguardou que a nova maldição surgisse. Arrependeu-se de ter ansiado o que representava a ruína do Conselho de Poderes Sobrenaturais.
Gricem estava morta fisicamente, mas espiritualmente faria o seu algoz responder pelo mal feito à bruxaria. Ela estaria apenas à espera daquela que cumpriria sua profecia: A Herdeira.
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