A Maldição Do Titã - Brittana
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Eu sei que é chato, mas eu vou pedir mesmo assim. Recomendações e comentários ajudam a divulgar a fic, sem falar que iam melhorar muito o meu humor hoje.
Beijos e boa leitura!
Chegamos a uma pequena cidade no novo México. Mesmo com o meu casaco, estava congelando. Colei meu corpo junto ao de Santana que batia o queixo e ficamos abraçadas tentando espantar o frio.
- Uma lanchonete! – Blaine gritou alegre.
- Um café não faria mal... – Harmony disse concordando com o garoto.
- E pastéis! – O menino completou.
- Ok, eu também estou com fome – Quinn disse sorrindo. – Harmony, Anna e Blaine vão pegar comida. Britt, Santana, Rachel e eu vamos buscar informações.
Assentimos e fomos em direção a uma pequena mercearia. O homem sugeriu que chamássemos um taxi, mas tínhamos pouco dinheiro. O balconista parecia triste, então comprei um rato de borracha, arrancando uma careta de Quinn.
- Eu vou checar nas outras lojas, me esperem por aqui. – A loira disse.
Assentimos e sentamos nos degraus de uma pequena igreja. Abracei Santana com força e beijei sua bochecha. A latina encolheu-se em meus braços e deitou a cabeça no meu peito.
- Ela gosta de você. – Rachel sussurrou, quebrando o silêncio.
- Eu a amo. – respondi beijando a testa da morena meio adormecida em meus braços.
- Eu posso ver. Os seus olhos brilham quando você olha para ela. Eu acho que nunca vi um amor tão puro quanto o de vocês. Queria encontrar alguém que gostasse assim de mim. – ela disse suspirando.
- A Q gosta de você – falei abrindo um meio sorriso – Quem sabe...
Não terminei a frase, pois a loira vinha correndo na nossa direção.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei.
- Não. Só estou tentando espantar o frio – ela respondeu abrindo um sorriso torto.
Quinn sentou ao nosso lado e eu apertei o abraço em Santana.
- Então Rachel... Qual é a história de vocês? – Quinn perguntou.
- C-como assim? – ela retrucou levantando os olhos.
- Todos temos uma história. Britt morava com um padrasto que batia nela e na mãe. Passou por nada mais nada menos que doze escolas, isso só antes de descobrir suas origens. Santana fugiu de casa pois o pai e a madrasta a tratavam mal. Eu a encontrei perdida pelas ruas com um martelo em mãos. E eu... Bem, eu perdi minha mãe com seis anos e desde então moro no acampamento. Sai com Sebastian em uma missão para resgatar alguns meios-sangues e ficamos alguns meses fora. Quando voltamos, eu virei uma árvore. – ela disse com um sorriso largo nos lábios.
- Bem... Eu e Blaine perdemos nossa mãe em um incêndio. Passamos por algumas escolas e internatos ha muito tempo atrás. Moramos em um hotel por algumas semanas e um tempo depois um advogado veio nos buscar. Bom, acho que isso resume muito. – Rachel disse com um sorriso fraco.
Ainda tinha em mente a história de não haver a estação quando ela morou lá. Mas fiz o possível para afastá-la, precisava me focar inteiramente na missão. Agora, salvar Finn era o que deveria estar na minha mente.
Os três logo voltaram e sentaram nos degraus ao nosso lado. Comi um pão de queijo quentinho e acordei Santana com beijos por todo seu rosto para que ela pudesse comer também.
- Por favor, vocês vão me dar diabetes. – Quinn resmungou mordendo um pastel.
Olhei para o rosto de Santana a fim de dar-lhe um beijo, mas vi os olhos castanhos da latina completamente arregalados. Segui seu olhar e parei na xícara de Blaine.
- Blaine, sua xícara... – Santana falou levantando.
O garoto seguiu o olhar e arregalou os olhos quando os pássaros desenhados no como tomaram voo. O rato de borracha na minha mão criou uma cauda comprida e bigodes, saindo correndo pela rua.
- Temos que dar o fora daqui! – Quinn disse levantando.
Mas era muito tarde. Quatro esqueletos vinham em nossa direção, os mesmos do museu. E para piorar, tinham armas. Quinn deu um tapa em seu bracelete e Aegis ganhou vida em seu pulso. Mas eles não se intimaram. Pelo contrário, continuaram avançando.
Santana botou o boné de invisibilidade em Blaine e deu algumas instruções para o garoto. A latina pegou sua faca de bronze e se posicionou ao meu lado. Peguei Contracorrente e encarei Quinn. Ela fez uma careta e desviou o olhar.
Um dos esqueletos pegou a arma e atirou contra mim. Senti a sua trajetória assim como sentia as ondas do mar. Desviei-a com contracorrente e comecei a atacar.
O esqueleto sacou um cassetete e eu decepei seus braços na altura dos cotovelos. Então passei Contracorrente por sua cintura e o cortei ao meio.
Seus ossos se desmontaram em uma pilha estalando no asfalto. Quase imediatamente, eles começaram a se mover, unindo-se. O segundo esqueleto bateu os dentes para mim e tentou disparar, mas derrubei sua arma na neve.
Estava me defendendo bem, mas de repente dois esqueletos apareceram e atiraram contra minhas costas.
- Brittany! – Ouvi Santana gritar enquanto caía de cara na neve.
Não senti dor. Não senti sangue escorrendo pelo meu corpo, nada. Por um momento, achei que tivesse morrido, mas me dei conta que ainda podia sentir muito frio e o gosto da neve. Levantei e passei a mão por meu corpo. Eu não havia sido atingida, pois a pele do leão me protegera. Eu tinha um casaco à prova de balas!
As caçadoras dispararam uma saraivada de flechas contra os esqueletos, enquanto Santana voava até mim e me puxava pelo braço. Ela não falou nada e continuou correndo comigo, me puxando através de uma escada de uma igreja. Assim que chegamos à metade, ela parou e agarrou meu pescoço com força.
- Brittany, quando você pretende começar a me ouvir? – ela disse parecendo irritada e magoada.
- San, calma. Tá tudo bem. Olha, eu fiquei inteira, sem nenhum buraco. – falei abrindo um sorriso torto.
- Não tem graça. – ela disse se afastando.
- Eu sei. Mas Santana, você sabe que missões são naturalmente arriscadas. Podia ser qualquer um de nós no meu lugar. – falei – Se não consegue lidar com isso, não deveria ter vindo.
Arrependi-me no mesmo instante das minhas palavras. Os olhos castanhos antes chorosos agora pareciam com raiva.
- San, eu...
- Temos uma missão para completar. Vem, preciso de sua ajuda.
Tentei ignorar a frieza em sua voz e subi as escadas logo atrás dela. Não me arrisquei a tentar qualquer contato físico com a latina, pois provavelmente só pioraria a minha situação com ela.
Subimos o resto das escadas e encontramos Blaine parado olhando para baixo.
- Tudo pronto? – Santana perguntou ao garoto.
- Sim. – ele respondeu, apontando para um monte de pedras.
A latina e eu rapidamente empilhamos algumas no parapeito do terraço e Blaine começou a empurrá-las. Elas atingiam alguns esqueletos no chão e eles se remontavam repetidas vezes. O garoto empurrou um outro monte que, de repente, ardeu em chamas, incinerando dois esqueletos.
- Como fez isso? – Santana perguntou arqueando uma sobrancelha.
- E-eu não sei. Golpe de sorte? – o garoto arriscou.
- Talvez. – ela murmurou, mas não senti muita convicção em sua voz.
Descemos as escadas correndo para voltar o mais rápido possível para a batalha. Segurei a mão de Santana quando ela estava distraída e apertei, impedindo-a de me afastar.
- Pare com isso. Precisamos ajuda-las. – ela disse me ignorando.
Fiquei um pouco magoada, mas lembrei que fui eu que provoquei. Então decidi deixar para conversar depois, bem ou mal, ela estava certa. Mas de qualquer forma, não soltei sua mão.
Assim que chegamos mais perto da batalha, senti o chão tremer. Parecia que tinha um terremoto ou algo do tipo. Santana abraçou a minha cintura quando o chão tremeu com mais força, causando uma enorme rachadura. Se eu não estivesse a beira de um colapso nervoso, provavelmente abriria um sorriso.
De repente, um porco enorme surgiu em meio às árvores, soltando um grunhido monstruoso. Puxei Santana pela cintura e Blaine pela mão e corremos em direção ao nosso grupo. O porco atropelou os esqueletos, transformando-os em pó.
- Mas o que é isso? – perguntei cutucando as costelas de Quinn.
- É o javali de Erimantia. – ela respondeu.
- Certo. O que vamos fazer com o porco? – retruquei.
- Javali – Quinn corrigiu abrindo um sorriso – E não tenho a menor ideia. Não se mata essa coisa. Se bem que...
A loira não conseguiu completar a frase, pois tivemos que sair correndo. O porco vinha grunhindo furiosamente em nossa direção.
Corri com Santana o mais rápido que pude em direção a o que parecia ser uma entrada para trens em desuso. Entramos no lugar, que estava mais frio do que na rua, e nos encolhemos abraçadas.
A latina enterrou a cabeça no meu peito e apertou o abraço. Beijei o topo de sua cabeça e ela levantou os olhos e se afastou, como se tivesse acordado de um transe.
- San, eu não quis dizer aquilo. Não no contexto que você entendeu.
- E o que exatamente você quis dizer? Desculpe se eu me importo com você, desculpe se eu tenho medo te perder, desculpe se eu te amo tanto que não consigo assistir você se machucar, desculpe! Não escolhi te amar tanto assim, não foi opcional. Não queria ser dependente de você até para respirar, mas eu sou. Eu nunca quis ficar tensa cada segundo de uma missão, mas parece que cada vez que um monstro ataca eu vou te perder. Eu odeio o fato de você ser tão cabeça dura às vezes e tentar bancar a heroína. Eu me odeio por ser tão insegura. Me desculpe por isso, mas é assim que eu sou, Brittany. – Ela disse com lágrimas nos olhos.
Abracei-a com força e beijei seus lábios, sentindo suas lágrimas escorrerem por meu rosto.
- Eu te amo do jeito que você é. Eu não quis falar com você desse jeito, Sanny. Eu fui estúpida e grosseira, e eu sou uma idiota por não escutar você. Não quero que fique insegura por minha causa. – sussurrei contra seu pescoço.
- Está tudo bem. Você está bem. – ela respondeu.
Beijei seus lábios suavemente e deitei minha cabeça contra seu corpo. Ficamos abraçadas até que uma voz irrompeu o silêncio.
- Porra, Brittany! Aonde você e a sua latina se enfiaram agora? – Quinn berrou me fazendo arreganhar um sorriso.
- Aqui, Quinn! – respondemos saindo da mina abraçadas.
- Ah, ótimo! – ela disse sorrindo – Deem uma olhada na nossa nova carona.
Segui os olhos verdes da loira até o porco, que tentava desesperadamente sair da neve.
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