Notas iniciais
Oi amores!

Estávamos prestes a descer a colina em direção ao carro quando um cavalo negro pousou na minha frente, assustando Santana que se agarrou com força em mim. Tinha esquecido de mencionar o pavor que a latina sente de voar.

Oi chefe! – Ouvi Blackjack falar alegremente.

– Blackjack! – falei alegremente – E pare de me chamar de chefe!

Como quiser, chefe. Escute, estamos com problemas. Será que pode dar uma ajuda?

B, o que ele quer? – Quinn perguntou.

– Ele precisa de ajuda. Não vou demorar. – respondi montando nas costas do animal.

– Seja rápida – Quinn disse.

Observei os olhos da loira, verde-elétricos. Parecia querer me dizer alguma coisa, mas eu não sabia o que era. Desviei meus olhos para o rosto de Santana que tinha uma ruguinha de preocupação no meio da testa. Abri um meio sorriso.

– Serei.

Montei em Blackjack e logo começamos a nos afastar das colinas. O Pégaso relinchava milhares de coisas ao mesmo tempo, quase impossibilitando que eu o acompanhasse.

Muito bonita a sua namorada, chefe!

O quê? – respondi ficando vermelha – Eu não tenho namorada, BJ! E pare de me chamar de chefe!

Se você diz, chefe... – Ele falou, logo soltando uma risada.

Pousamos na praia e eu pulei para o mar. Comecei a nadar vários metros abaixo. Quando cheguei a uns quinze pés, percebi uma aglomeração de cavalos marinhos ao redor de uma rede de pesca. Um animal diferente de todos os que eu já havia visto tentava se livrar da rede ao seu redor. Parecia com uma vaca, só que em forma de peixe.

– Ei Bessie! Acalme-se, vou te ajudar. – Falei. Não me pergunte o porque de Bessie, só acho que é um bom nome para uma vaca.

Tentei puxar a espada, mas isso só estressou mais o animal. Então tive que fazer manualmente, desenrolando a rede do seu redor até que o libertasse.

Assim que terminei, o peixe-vaca mugiu feliz e saiu nadando pelo mar. Voltei a subir e me pendurei nas costas de Blackjack.

E ai, chefe? Conseguiu? Aposto que a sua namorada vai ficar orgulhosa! Agora vamos que a filha de Zeus deve estar estressada. Não quero ser eletrocutado! E se segure firme quando pousarmos, senão a sua namorada vai ficar nervosa!

Blackjack! – gritei e só provoquei mais risos do animal.

Assim que pousamos e me despedi do animal, corri até as meninas. As caçadoras continuavam me olhando torto e isso me desagradava, então procurei ficar o mais longe possível delas. Entramos na van e uma das caçadoras – a que ficava olhando torto para Quinn – se encarregou de dirigir.

Sentei do lado de Quinn e Santana. A latina ficou remexendo nervosa na mochila, procurando por alguma coisa.

– Eu tenho certeza que estava aqui! Mas que merda! – ela resmungou.

– O que foi, latina? – Quinn perguntou – Credo, que carranca!

– Meu boné! Eu tinha certeza que estava aqui. Acho que o deixei no acampamento.

– Tudo bem, San. Provavelmente não vai precisar dele. – Quinn disse sem prestar muita atenção.

Virei-me e fitei Rachel que sentava nos bancos de trás.

– Tudo bem? – perguntei.

– Sim – ela disse com um sorriso amarelo – Só um pouco nervosa.

– É normal, afinal é a sua primeira missão. – Quinn falou – E ficar longe do seu irmão não deve ser fácil também. Mas pense assim, logo estará de volta sã e salva no acampamento. Eu vou cuidar de você, não se preocupe.

Abri um sorrisinho ao ouvir as palavras de Quinn e observei os ombros da morena relaxarem. Santana me lançava alguns olhares cuidadosos de vez em quando, como se quisesse conferir que estava tudo bem.

Após algumas horas de viajem, eu estava entediada e cansada, assim como Quinn e Rachel. O fato de sermos meio-sangues e não sermos filhas de Atena, assim como Santana, nos deixava com um índice de hiperatividade mais alto que o normal. Quinn me deu um cutucão nas costas, me forçando a olhar para ela.

– Eu vou sentar ali atrás com a baixinha. Vai dar uns amassos nessa latina. Quase um ano sem nem um beijo é muita tortura, peixinha. – ela disse com um sorriso torto.

– Você podia ser mais sutil? – perguntei.

– Não. E você podia deixar de ser tão dramática Brittany. Já torturou a Santana o suficiente, e eu tenho certeza que ela já aprendeu. Eu não estou dizendo para vocês voltarem agora, só estou dizendo para parar de frescura e fazer o que tem vontade.

– Eu não quero, Q. – falei firmemente.

– Faça ou faço eu. – ela respondeu.

– Faz o que?

– Agarro ela agora mesmo.

– Não tem coragem.

– Vai pagar pra ver?

Não. Eu não ia. Empurrei Quinn para os bancos de trás e deitei minha cabeça no ombro de Santana. Ela afagou meus cabelos e eu comecei a beijar seu rosto, passando pelo nariz, bochechas, testa... E parei nos lábios.

– Não estamos voltando. – falei e tomei seus lábios para mim.

Ela pareceu surpresa com o beijo e ficou estática por alguns segundos. Separei nossos lábios e olhei nos olhos castanhos da latina. Ela abriu um sorriso antes de puxar a minha nuca e reconectar nossas bocas. Invadi sua boca com a minha língua e agarrei sua cintura. Ela colocou as mãos na minha nuca e me puxou para mais perto.

Não sei ao certo quanto tempo ficamos nos beijando, mas quando me dei por conta a van já estava parando. E já era noite. Realmente, parecia que quando eu ficava com Santana o tempo parava.

– Aleluia, Peixe! – Quinn sussurrou no meu ouvido – Mas pelo amor dos deuses, arrumem um quarto! Credo, achei que você e a latina iam fazer ali mesmo se nós não tivéssemos parado.

Senti minhas bochechas arderem furiosamente e tive certeza de que naquele momento eu estava igual a um pimentão. Quinn riu da minha cara e desceu com Rachel para esticar as pernas.

– Você está bem? – Santana perguntou. – Britt, eu acho que nunca te vi tão vermelha. Sério.

– E-Estou, é só a Quinn mesmo. Nada de mais, só um comentário estúpido que ela fez.

– O que ela disse?

– N-nada de mais, San.

– Eu disse que vocês precisam parar com as mãos bobas na nossa frente, credo Santana. Se quiserem privacidade, é só pedir. Assim que acharmos algum lugar para ficar, eu arrumo um quarto pra vocês – Quinn disse na porta da van abrindo um sorrisinho e saindo.

Santana ficou tão vermelha quanto eu, apesar da pele morena. Não tive muita certeza de como encara-la depois da brincadeira de Quinn, então foquei meus olhos no chão.

– Britt, deita aqui. – ela falou após alguns minutos de silêncio, indicando seu colo.

Deitei minha cabeça em suas coxas e deixei que ela acariciasse meus cabelos. Percebi que estava morrendo de sono, então me deixei levar pelos afagos de Santana.

– Não voltamos? – ela perguntou.

– Esqueça o que eu disse. Eu te quero de volta. Eu te amo mais do que odeio seus erros, latina boba. Não aguento mais não te chamar de minha. – respondi fechando os olhos e a deixando com um sorriso bobo no rosto.

– Eu também te amo, minha loirinha.

Notas finais
Gostaram? E caso eu não poste mais, feliz páscoa!