A Maldição Do Titã - Brittana
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Boa leitura a todos!
No limite do ferro-velho, encontramos um reboque extremamente velho. O tanque estava cheio, então não vimos maldade em usá-lo para sair dali.
Quinn dirigiu. Ela e Rachel sentaram na frente, em absoluto silêncio. O único que não parecia tão abalado com a morte de Anna era Blaine, mas talvez porque ele fosse um pouco jovem para realmente compreender que havia uma enorme probabilidade de ela ter morrido.
- Devia ter sido eu – Murmurei – Eu que tive a ideia. Devia tê-la segurado.
- Não é sua culpa. – Harmony respondeu – Por mais que eu realmente queira culpa-la, Brittany Susan Pierce, a culpa não é sua. Estava premeditado. Escrito nas estrelas.
Olhei para a morena que tinha os grandes olhos azuis inchados. Ela rapidamente desviou o olhar para as próprias mãos e ficou prestando atenção no céu azul.
- Ela... Ela queria que ficasse com isso. – murmurei, entregando o grampo de cabelo para ela.
Assim que Harmony o tocou, o objeto transformou-se em um arco. Ela abriu um meio sorriso e a arma voltou a forma normal, sendo presa aos cabelos morenos de Harmony.
- Talvez ela ainda esteja viva. – Santana disse – Quer dizer, a profecia não disse nada sobre a morte...
- Ela está morta. – Blaine disse, cortando a atmosfera.
Santana arregalou as íris castanhas para ele.
- Como tem tanta certeza? – perguntei.
- Eu... Eu não sei. Apenas sinto. – o garoto respondeu, dando de ombros. – Nunca falhou antes.
- É algo repentino? – perguntei.
- É. Eu penso na pessoa e quando ela morreu, eu sinto um vazio. Simples assim. A Rachel também sente isso, não é? – O garoto disse olhando para a irmã.
Rachel apenas deu um aceno tímido.
- Isso não é bom... – Santana murmurou.
Fiquei com vontade de perguntar o que ela quis dizer, mas bem no momento em que eu começava a formular minha frase, o reboque deu um solavanco nos lançando para cima.
- Boas notícias! – Quinn disse ironicamente saltando para fora do reboque – Estamos sem combustível. Ah, e eu tenho quase certeza de que um pneu furou.
- Tem uma trilha perto daquele rio. Podemos segui-la. – Harmony sugeriu.
Pousei meus olhos na trilha e percebi que era uma minúscula saliência ao longo de um penhasco. Santana rapidamente perdeu a cor. Sabia muito bem do medo de altura da latina, mas não era nada que não pudéssemos controlar. Voltei meus olhos para Quinn e percebi que ela estava à beira de um ataque. Caminhei até o seu lado e toquei seu ombro.
- Tem alguma coisa que queira me contar? – perguntei.
- D-d-d-do que você está falando? – ela gaguejou tremendo.
- Você tem medo de altura. – Conclui.
- E-e-eu? Isso é ridículo.
- Então vamos.
- Não! – ela suplicou baixinho. – Certo, eu tenho medo, pavor, horror, de altura. Por que acha que eu nunca quis ir com você passear em um daqueles cavalos alados?
- Isso é estranho.
- Cale a boca, Britt! Por favor, não posso fazer isso. Mas não conte para ninguém. Uma filha do deus dos céus com medo de altura, isso seria o fim da picada.
- Certo. Eu me viro – respondi – Pessoal, eu acho que devíamos caminhar ao longo do rio. O penhasco não vai dar certo.
- Mas...
- Britt está certa. – Rachel interrompeu Harmony – Aquilo não é muito seguro.
Entrelacei minha mão na de Santana e começamos a seguir o rio. Não muito tempo depois, encontramos algumas canoas, o que poderia nos facilitar muito a locomoção.
- Britt, será que você e a latina cabeçuda podem me fazer um favor? – Quinn perguntou cutucando meu braço.
- Claro. Mas não chame a San de latina cabeçuda. – respondi passando a mão no ombro da morena.
- O que quiser. Latina besta pode? Bem, o fato é: eu não vou conseguir passar cinco minutos na mesma canoa que Harmony. Juro que posso atira-la no rio a qualquer momento. Então... Vocês bem que podiam leva-la com vocês. E aproveite para controlar as correntezas, Britt. Boa sorte com a caçadora mal humorada.
Dito isso, Quinn saiu. Sentei no bote ao lado de Santana e Harmony. Mas no fim não tive que controlar as correntezas. Duas náiades fizeram isso por mim. Uma delas atirou água em Harmony, que fez uma careta.
- Odeio náiades. – ela resmungou – Os espíritos d’água nunca me perdoaram.
- Perdoaram pelo que? – San perguntou.
- Não vale a pena. Foi ha muito tempo.
Sem pensar duas vezes, puxei contracorrente do meu bolso.
- Você fez isso. — eu disse.
- Quem te contou?
- Eu tive um sonho sobre isso.
Ela me estudou. Eu tinha certeza de que ela me chamaria de louca, mas ela apenas suspirou.
- Foi um presente. E um engano.
- Quem era o herói? — perguntei.
Harmony balançou a cabeça.
- Não me faça dizer o nome dele. Jurei nunca mais pronunciá-lo.
- Você age como se eu devesse conhecê-lo.
- Tenho certeza que o conhece.
Sua voz estava tão amargurada que decidi não perguntar o que ela quis dizer. Olhei para Contracorrente e, pela primeira vez, imaginei se era amaldiçoada.
- Sua mãe era uma deusa da água? — perguntei.
- Sim, Pleione. Ela teve cinco filhas. Minhas irmãs e eu. As Hespérides.
- Essas eram as garotas que viviam em um jardim nos limites do Oeste. Com a árvore de maçãs douradas e um dragão que a guardava.
- Sim, — Harmony disse, saudosa. — Ladon.
- Mas não eram somente quatro irmãs?
- Agora são. Fui exilada. Esquecida. Obscurecida como se nunca tivesse existido.
- Por quê?
Harmony apontou para a minha caneta.
- Porque eu traí minha família e ajudei um herói. Você também não vai achar isso na lenda. Ele nunca falou sobre mim. Depois que seu ataque direto a Ladon falhou, dei a ele a ideia de como roubar as maçãs, como enganar meu pai, mas ele levou todo o crédito.
- Mas...
“Glub, glub”, a Náiade falou em minha mente. A canoa estava desacelerando.
Olhei à frente, e vi por quê.
Isto era o mais longe que elas poderiam nos levar. O rio estava bloqueado. Uma represa do tamanho de um campo de futebol estava no nosso caminho.
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- Represa Hoover – Q disse virando-se para nós – Enorme.
- Mais de duzentos metros de altura, construída na década de trinta. Cinco milhões de acres cúbicos de água, o maior projeto de construção dos Estados Unidos. – Santana falou ainda com o olhar fixo na represa.
- Como sabe disso tudo? – Harmony perguntou.
- San é louca por arquitetura – respondi sorrindo – Ela será uma grande arquiteta um dia.
Harmony sorriu para mim pela primeira vez desde que nos vimos. Santana corava furiosamente, o que fez nascer um sorriso de meus lábios. Beijei sua bochecha e passei o braço por seus ombros.
- Devíamos subir. – eu disse quebrando o silêncio – Sabe, quantas vezes poderemos vir para cá?
O sorriso nos lábios de Santana era enorme. Daqueles que quase não cabiam em seu rosto. Paramos ao lado da represa e subimos. Ela ficou encantada com a construção, olhando para todos os seus detalhes.
- A estrada é para lá – Quinn disse – A sua ideia de agradar a sua namorada ajudou no fim das contas, Britt.
- Tudo por ela... – respondi, abraçando Santana pela cintura.
Não demoramos muito tempo para achar um caminho para a estrada. Quinn caminhava o mais longe possível das beiradas, abraçada em Rachel. Santana me cutucou de leve ao ver a loira tão dependente da pequena para caminhar sobre a represa. Não contive um largo sorriso que se formou no meu rosto.
Estava prestes a fazer alguma piada sobre elas quando ouvi um mugido. Todos pararam e olharam confusos ao redor.
- Eu ouvi uma vaca? – Rachel perguntou.
- Uma vaca aquática? – Blaine disse com os olhos escuros brilhando.
- Ah, meus deuses. – resmunguei – Vão procurar alguma lanchonete. Eu... Eu preciso de um minuto.
- Quer que fiquemos com você? – Q perguntou.
- NÃO! Q-q-quer dizer, não precisa. Vão indo e eu já encontro vocês.
Eles assentiram e foram seguindo caminho. Estava prestes a me virar para a represa quando notei Santana ainda parada fitando meu rosto.
- Ér, não vai com eles? – perguntei.
- O que você está escondendo de mim? – ela perguntou me examinando com os olhos.
- N-n-n-nada, San. Está tudo bem, só queria alguns minutos sozinha.
- Brittany Susan Pierce, não ouse mentir para mim. Eu sei muito bem que tem algo errado, vejo nos seus olhos. – ela disse se aproximando.
- N-n-não sei do que está falando. – respondi.
- Ok. Então eu explico. Você está gaguejando mais do que Tina, que por sinal, é gaga. Suas mãos estão suando, seu rosto está branco, mais do que normalmente. Você está brincando com as mechas do seu cabelo, típico sinal de que está nervosa. E antes você tinha uma mão nas costas, o que me leva a acreditar que estava cruzando os dedos, porque então o que disser não será mentira. Você odeia mentiras. E por último, mas não menos importante, você não está olhando nos meus olhos enquanto falamos. Eu te conheço e sei que está mentindo. Então antes que briguemos aqui mesmo é melhor me contar o que está escondendo.
Depois de tudo o que ela falou, abri um sorriso e me aproximei para beijar seus lábios.
- Você aprendeu tudo isso sobre mim? – perguntei.
- Tudo sobre você. – ela respondeu abraçando minha cintura. – Mas pare de me enrolar. De onde vem esse mugido?
Puxei a mão da latina até a beira da represa. Bessie nos encarava com certo brilho assustado no olhar.
- Brittany, o que exatamente é isso? – Santana me perguntou.
- Isso não, San! – retruquei, percebendo que a vaquinha ficara visivelmente magoada – Essa é Bessie. Eu a salvei um pouco antes de virmos nesta missão.
- Hm, certo. Mas o que exatamente é a Bessie?
- Não me faça perguntas difíceis. Você é a Sabidinha. Eu tenho a cabeça cheia de algas, lembra?
- Sim, mas supus que no meio dessas algas tivesse algumas espécies de peixes. Tipo a Bessie.
- Não. Só algas mesmo.
Bessie mugiu, como se quisesse nos avisar de alguma coisa. Então deu um salto de volta para o fundo do mar.
- O que é que ela...
- Santana, olhe. – falei, apontando para a outra ponta da estrada.
Nela, dois homens com roupas cinza caminhavam procurando alguma coisa. Assim que nos viram, soltaram um grunhido e começaram a correr em nossa direção.
- Hora de darmos um passeio. – Santana disse, tomando minha mão.
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