A Maldição
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Jason acordou logo depois de Enrike — que fez uma algazarra para levantar – e viu que eles eram os últimos a acordar. Rapidamente se arrumaram e viram que o almoço estava sendo servido em uma mesa que acabara de ser montada no centro da vila – na forma de uma circunferência — e lá estavam sentados Tiago, Bruna, Ana, Jojo, o chefe e mais alguns que aparentavam ser de suma importância para a vila. Enrike e Jason agilmente se localizaram na mesa e o líder do grupo anunciou:
- Boa tarde. Desculpe a demora, estávamos cansados de nossa viagem. Bom, chefe, enquanto almoçamos pode nos falar sobre a vila e os moradores?
- Então hei de apresentá-los agora mesmo! – Dizia o chefe com um sorriso no rosto. – Vossa mercê parece ser uma pessoa culta, e seus amigos, muito interessantes. Eu me chamo Ziro, e me intitulam como o “chefe” da vila por eu ser o mais velho, todavia acho que não sou digno de tudo isso. Não só a vila, mas a ilha também vem sofrendo uma devastação de anos! Nossa colheita não é o suficiente para todos, os mortos não descasam em paz, e nosso povo está adoecendo com a ignorância. Apesar de não sabermos o motivo de toda essa desgraça, se possível rogo pela vossa ajuda, mesmo que mínima ira nos ajudar, e muito – Dizia o chefe, quase que implorando pela ajuda dos visitantes.
- É claro que sim! Tentaremos o possível para ajudá-lo. – Gentilmente propunha Jason. – Bom, podemos contar com quem?
Nesse momento o chefe abriu um largo e elegante sorriso, mas Tiago e Ana não gostaram muito da ideia — contanto que ficassem dentro da cabana não iriam reclamar tanto – e ficaram um tanto sem reação. Um desconhecido que se sentava ao lado esquerdo do chefe se pronunciou:
- Já que vão ficar por aqui acho melhor eu me apresentar... Sou Mordekai, o médico da vila. Conto com a ajuda de vocês. E esse ao lado direito do chefe é o Kaizar, ele é o braço direito do chefe.
- Olá – Disse Kaizar sem ao menos esboçar alguma feição.
O clima na mesa era um pouco tenso, mas o mesmo foi quebrado pelo súbito anuncio de Enrike:
- Começaremos a procurar por algo amanhã!
Em seguida o dia inteiro foi gasto com conversas sobre os mistérios da ilha. Todos estavam aflitos perante a insanidade de problemas que rodeavam a ilha, querendo resolvê-los o mais depressa possível. Depois do almoço, Bruna, Enrike e Jason foram em busca de mais informações com os demais habitantes da vila, e posteriormente, depois que sol já havia se escondido, se encaminharam para a mesma cabana que passaram a ultima noite para dormirem e começar a investigar no dia seguinte.
...
Mais um dia se passara desde que os cincos chegaram à ilha, e a partir de agora eles se propuseram a tentar ajudar o chefe daquela pequena vila a acabar com a desgraça que perturba a pacata vida dos moradores. Bruna novamente acordou mais cedo do que todo o grupo, mas desta vez despertou também Jason e Enrike para levá-los consigo – Bruna já sabia que Ana e Tiago recusariam a investigação e fariam “corpo mole”, então decidiu deixá-los de lado. Os três despertaram e estavam se dirigindo para a praia.
O dia estava ensolarado, porem com algumas nuvens ao horizonte, que futuramente iriam intervir no ótimo clima quente. Eram por volta de 8h da manhã, mas como a noite de sono fora boa, nenhum dos três tinha sono. O caminho até a praia era um tanto extenso, porem favorável para Bruna contar a Enrike e Jason o que ela havia notado no dia anterior.
- Ontem enquanto vocês estavam dormindo, eu caminhei até a praia para falar com Jojo – dizia Bruna, misteriosa – Consegui achá-lo naquela mesma cabana, mas como da primeira vez, tinha outro homem junto dele. Fiquei conversando o tempo todo com Jojo e o outro cara nem se deu o trabalho de se apresentar ou mesmo de falar algo, apenas ficou observando, e quando eu comecei a perguntar sobre a vila, ele arregalou os olhos e ficou escutando toda a nossa conversa. Fiquei um pouco incomodada com isso. Será que tem algum segredo por trás dessa história? Bom, ainda é cedo para pensar em algo.
- Realmente, esse cara me parece meio estranho, mas ainda não sabemos de nada, vamos procurar por pistas ou informações para não acusarmos alguém inocente. – Concluía Jason.
- Ei, mas para aonde estamos indo? – Enrike questionava.
- Estamos indo para o barco, todas as nossas coisas estão lá. Faz algum tempo que estamos aqui e nem se quer tomamos banho, ninguém notou isso? Garotos... Já são praticamente homens e nem se preocupam em tomar um banho e trocar de roupa tsc...
Chegando ao barco, Jason agilmente subiu na proa e logo em seguida ajudou seus amigos a subirem também. Seus pertences estavam na parte de dentro do barco, haviam malas, roupas jogadas, relógios, celulares (sem sinal), mantimentos etc.. Passaram poucos minutos “socando” as roupas e objetos nas malas. Ao sair do barco avistaram Jojo acenando para o grupo, esperando-os na entrada da floresta.
- Bom dia para vocês. Acordaram cedo, não? Querem ajuda para levar essas malas? – Dizia Jojo gentilmente.
- Jojo! Bom dia pra você também cara. Ah sim, nós viemos buscar nossas roupas. Opa seria uma ótima ajuda, as malas estão pesadas – Dizia Enrike alegremente.
- Agradecemos pela ajuda Jojo, mas a cabana não vai ficar vazia sem você? – Perguntava Bruna.
Jojo pensou por um momento e logo respondeu:
- Não, tem mais um homem de guarda na cabana. Vamos indo?
…
Ana e Tiago ainda não haviam acordado porem Jason não se prendeu a isso e — fazendo o maior barulho — acendeu as luzes e com ajuda de Bruna e Enrike, começaram a arrumar suas roupas para finalmente poder tomar um banho e almoçar. Havia uma fonte termal na ilha, então os três poderiam tomar banho na mesma hora — claro, respeitando a divisão da fonte que os moradores fizeram: um lado para as mulheres e o outro para os homens.
O tempo estava ótimo para um banho demorado. Os três saíram quase que na mesma hora e se aprontaram rapidamente para o almoço... A mesa fora arrumada da mesma maneira do dia anterior. As pessoas mais importantes da vila se sentaram à mesa, pois os outros moradores já haviam comido mais cedo.
— Bom dia meus caros exploradores! Bom, hoje nossa mesa não esta farta como era posteriormente, todavia ainda é capaz de satisfazer nossos moradores — dizia Ziro, porem com uma feição estranha, como quem esconde algo.
- Bom dia chefe. Agradecemos pelo almoço preparado, digo, vocês nos acolheram sem ao menos nos conhecerem... – Agradecia Bruna.
- "Não vos vi e não vos questionei nada, todavia sei que a presença deles aqui é legitima" foi meu veredicto para acolhê-los. Vocês se ofereceram para ajudar com os nossos problemas, certo? Então devo tratá-los de maneira especial — Concluía Ziro com um sorriso no velho rosto.
O almoço estava tão delicioso que ninguém da mesa ousou abrir a boca para falar. Enquanto almoçavam, a vila estava meio vazia... No meio da refeição um morador saiu gritando para todos que quisessem ouvir:
- CHEFE, CHEFE! Nossa plantação foi praticamente devastada! Das ultimas vezes conseguíamos recuperar algumas coisas, o suficiente para alimentar a maioria dos moradores, mas agora é diferente! Conseguimos salvar um terço do que conseguíamos nas ultimas colheitas. É o nosso FIM!!
- Se acalme! Já que nossas plantações não serão o suficiente, mande os homens improvisarem algumas varas para tentar pescar alguns peixes. Se acalme, tudo vai dar certo... — disse Ziro em voz alta, tentando acalmar a todos que escutavam o desesperador anuncio. — Sim meus jovens, antes eu disse que nossa mesa apensar de não tão farta poderia alimentar a todos, mas isso não é verdade. Sempre perdemos alguns moradores todos os meses! Não temos comida o suficiente... Nossas plantações apodrecem, nossos peixes morrem, nossos animais desaparecem — ou aparecem mortos. Rogo que nos ajude. Estamos caindo — concluía Ziro enquanto uma pequena lágrima escorria em seu rosto.
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