A Maldição dos 10.
3 Elyn EvenTide.

— Ele vai voltar logo. — Elyn respondeu chorosa.— Aonde está o papai? — A menina tornou a perguntar sem emoção alguma na voz enquanto tirava os adesivos do gesso e olhava fixamente para parede.— Ele está resolvendo uma coisa importante. — Respondeu agitada secando as lágrimas.— Está de noite. Aonde está o papai? Então antes que a moça pudesse terminar de suspirar um grito ecoou no quarto aonde as duas conversavam:— Elyn, desça para comer e traga sua irmã, vocês ainda não jantaram e está tarde.— Aonde está o papai? — A menina tornou a perguntar insistentemente.— ... — Dessa vez Elyn não respondeu, mas levantou-se e pegou a menina pela mão livre.— Aonde está o papai? — Perguntou mais uma vez enquanto seguia a irmã para fora do quarto.— ...— Elyn, aonde está o papai? — A mais nova continuava.— O papai não está em casa.— Aonde está o papai?— Eliane! O papai está preso! — Elyn berrou desolada e chamou a atenção da mãe que a olhou irritada do andar de baixo. A reação padrão da irmã seria perguntar mais vezes, mas aparentemente ficou satisfeita com a resposta mesmo sem saber o que queria dizer "preso". Elyn olhou fundo nos olhos da irmã e largou a mão da mesma. Eliane tinha autismo e nunca entendia as coisas com tanta facilidade, apesar de que a mais velha chegou a histeria agoniada com a pergunta repetida e delicada da irmã ela não entendeu como pôde a mais nova ter se dado por satisfeita tão facilmente. Será que ela entendeu? Não parecia triste ou abalada.A garotinha correu escada abaixo ao encontro da mãe que encarava Elyn com o semblante raivoso, certamente porque ela havia berrado. A moça simplesmente deu as costas e voltou para o seu quarto batendo os pés e a porta.Assim que a jovem esquisita ficou sozinha um feixe de luz iluminou o quarto e de repente Felicia apareceu no centro do cômodo.— O que diabos é você? — Elyn berrou ainda mais alto dessa vez e lançou um travesseiro sobre o ser de orelhas pontudas que caiam sob os joelhos ossudos que por sua vez se esquivou e se escondeu em baixo da cama de maneira incrivelmente veloz.— Talvez você devesse morrer, sabe? — A elfa resmungou.— Como é que é? — Elyn enfiou a mão em baixo da cama agressivamente e quando finalmente encostou na criaturinha elas duas foram transportadas para outro local. Elyn estava tonta e nem se controlou quando sentiu uma vontade louca de vomitar deixando o chão emporcalhado assim que chegou, e cheia de náuseas continuou berrando:— Quem você pensa que é, coisinha feia? Para aparecer na minha casa e dizer que eu deveria morrer? Eu... nem sei que tipo de coisa é você! Deve ser algum ser demoníaco! — A raiva foi se esvaindo enquanto ela notava que não estava mais em seu quarto. — Que diabos de lugar bizarro é esse!?— Felicia vai buscar torta! — E a elfa sumiu novamente como todas as outras vezes apesar de que dessa vez estava apreensiva.
Fale com o autor