Cristopher era um rapaz de 24 anos, magro, alto, de cabelos loiros bagunçados que quase sempre estavam fugindo do rabo de cavalo que ficava preso junto a nuca. Seus olhos eram de um azul tão claro que beirava o cinza e brilhavam sempre que ele ouvia ou contava uma historia.

Aquele ano em particular não estava sendo nada agradável para o rapaz, ele procurava emprego desesperadamente na esperança de ajudar a mãe a sustentar a casa pois seu pai falecera no ano anterior e as dividas só cresciam.

Em meio ao desespero após chegar em casa depois de mais uma entrevista de emprego Cristopher se trancou no quarto bagunçado que ficava no final no corredor, arrumou uma caneta e algumas folhas e começou a escrever freneticamente sobre sua frustração até que as palavras foram se juntando e se juntando até formar uma historia.

Submerso em sua criatividade o rapaz se viu em uma floresta em meio a guerra de dois enormes monstros cinzentos que ele mesmo denominou "Trolls". Era uma luta e tanto, os dois gigantes levantavam troncos de arvores e arremessavam uns contra os outros até que avistaram o menino com a caneta na mão e se voltaram para ele.

Cristopher tentou fugir, correu desesperado entre arvores grossas, passando tão rápido que ele mal pôde acreditar em suas pernas. Passou pela floresta verdejante até chegar a um pântano fedorento, avistar uma caverna meio coberta por plantas viscosas e se esconder lá dentro.

Com o coração acelerado, as mãos tremulas e um gosto incomum de suor nos lábios ele apenas conseguiu se escorar na parede cheia de lodo e suspirar aliviado.

Foi quando ele percebeu que não estava mais no seu quarto, ou mesmo em sua casa ou bairro. Alias, ele não estava em lugar algum cuja o qual ele já houvesse visto ou lido na vida.

O coração de Cristopher se acelerou, seus olhos brilharam e enfim em meio a excitação da experiência nova ele olhou para o interior da caverna na esperança de encontrar mais algum ser fantástico e de fato ele encontrou. Forçando a visão ao fundo da caverna ele enxergou mais dois trolls, gosmentos, cinzentos e fedorentos juntando lenha em um canto que parecia ligeiramente menos úmido do que o resto da caverna.

Curioso com o que aqueles seres poderiam estar fazendo ele foi adentrando sorrateiro pela caverna segurando com força a caneta na mão até que ele destingiu o cheiro podre de carne velha e avistou sob seus pés dois coelhos parcialmente mastigados.

Para infelicidade de Cristopher os trolls que se enfrentaram lá fora a pouco tempo atrás agora estavam entrando na caverna com um porco nas costas e grunhindo para chamar a atenção dos companheiros que juntavam a lenha. O rapaz tentou se esconder atrás de uma rocha grande mas era tarde de mais e os quatro monstros já seguiam correndo em sua direção quando um ser pequenino do tamanho de uma criança de 6 anos, magrelo, com grandes olhos e orelhas pontudas que iam caindo até a altura dos joelhos ossudos apareceu junto de um feixe de luz em cima da pedra e segurou Cristopher pelos cabelos.

— Você não pode morrer! — O serzinho disse enquanto sumiu junto com o loiro daquela caverna nojenta deixando para trás quatro trolls confusos.

Quando chegaram ao destino o jovem mal pôde reparar na decoração do lugar pois seu estômago se mexia, sua cabeça doía e o cheiro forte do lodo impregnava suas calças.

— Vomitar fazer no balde, Sr. Morning. — A voz do ser pequeno invadiu as orelhas de Cristopher, era uma voz feminina calma e tranquila que conseguiu distrai-lo por dois segundos a tempo dele encontrar o balde.

— Parabéns! Acertar o balde! Felícia orgulhosa! — A pequenina se aproximou ajeitando o vestido verde musgo muito cheio de babados coloridos e então sorrindo com sua boca enorme que parecia um precipício de dentes que separava os gigantescos e redondos olhos do pescoço fino que mal parecia aguentar sua cabeça.

Cristopher então pôde olhar ao seu redor com o sentimento da náusea desaparecendo e enfim prestou atenção ao local que estava. Era um quarto, mas infelizmente não o seu, era rústico com moveis de madeira talhada a mão, uma cama de casal, uma mesa com duas cadeiras, uma estante muito organizada com livros, pergaminhos e roupas pequeninas.

Todos os moveis comportavam o tamanho de Felicia então Cristopher deduziu que fosse o quarto dela.

— Mais tarde Felícia trazer torta, Sr. Morning. Agora você esperar, Felícia tem mais visitas.

E mais uma vez o pequeno ser sumiu como em um passe de mágica.

Notas finais
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