A Maldição do Faraó

8 Capítulo VIII ― Adormecer


Notas iniciais
Bem, primeiramente, muito obrigada à Nana por dar mais uma recomendação à fic!! E segundo, que tenho para dizer que finalmente venho postar! A pessoa que falou que traria um cap. mais rápido demorou três vezes mais hahaha. Esse cap tava pronto no começo da semana, mas eu acabei perdendo metade desse bostinha e tive que refazer ugh! Enfim, para compensar, esse capítulo que vem aí é dois em um! Era originalmente o oito e o nove, mas eu resolvi juntar, ele está enorme e espero realmente que gostem!

Capítulo VIII

Adormecer

O grande deserto do Vale dos Reis poderia confundir os mais atentos olhos. Suas sucessões de dunas de areia carregadas por toda uma grande extensão do território egípcio – além da cidade de Luxor, trazia suas rentes por mais cidades – permitiam uma facilidade em perder-se. Ou, pelo menos, não ser capaz de encontrar algum artefato.

Como um palácio crescido nos tempos de Amon-Rá.

Uma construção não tão rica para um Rei-Deus e agora desgastada o bastante para que sua estrutura antes erguida em uma das mais belas fortalezas, agora derretesse em uma estrutura irregular, misturando-se à areia.

Porém, uma entrada alta se destacava. Recentemente descoberta de toda a areia e gesso, distinguindo-a da terra, ela revelava uma porta dupla com formas em alto relevo saindo dela.

Tutankhamun passou por ela como o próprio Faraó que em seu tempo era. Por dentro, depois de um corredor caindo aos pedaços e uma porta mais firme feita completamente de ouro, caminhou entre as duas fileiras laterais de estatuetas representativas e objetos valiosos de homenagem que ornamentavam o salão real. Objetos sem brilho, carregados em teias, pó e restos.

No fim do salão, depois de três degraus, um trono acinzentado pela sujeita, mas que em sua época parecia irradiar raios que faziam de Tutankhamun o próprio sol do Egito, apresentava-se, largo e alto.

Ele caminhou até lá. As teias que pisava mal sentia através de seus pés desgastados. Ao lado do trono, pergaminhos da idade de seu corpo, porém restaurados, descansavam em cima de um apoio, que também segurava uma lança junto de um chicote. Seus olhos vívidos encararam os papéis antes de virar-se e sentar em seu trono, que antes apenas aceitava seu pai, Aquenáton.

Ao sentar-se foi como se sua presença expulsasse a poeira que voou para longe do recinto, voltando com seu brilho e diante de seus olhos, viu seu palácio novo tal como era quando lhe foi apresentado pela primeira vez, quando ainda vivia como um príncipe.

A porta foi aberta por soldados fiéis quando um homem passou pela entrada. Vestido com um cinto coberto de pingentes de jade, que apenas não tiravam a atenção de seus olhos incomuns que poderiam o confundir com o Deus Hórus, a divindade dos céus, ele aproximou-se e fez uma reverência.

― Majestade ― disse o homem, quando sua cabeça subiu, exibia um sorriso largo.

Com uma tremida de olhos, a imagem desfez-se, mas Tutankhamun ainda sorriria se fosse capaz.

Pois seu Vizir ainda estava vivo. E nunca sentiu-se tão imponente como agora para fazer exatamente o que sempre quis.

~x~

Naruto estava de bruços, os braços segurando o travesseiro que deitava a cabeça, de um modo que parecia desconfortável, mas ele babava na fronha fazendo ruídos nasais, enquanto dormia.

Sasuke, pelo contrário, estava de barriga para cima, e o rosto caído para o lado no travesseiro quando acordou.

Piscou lentamente, sonolento e acertou a cabeça no travesseiro até seus ouvidos acostumarem-se e então captarem o barulho de Naruto. Seus olhos correram para o chão e observou por alguns segundos a criatura sonolenta.

Então, sentou-se passando a mão pelos cabelos amassados e direcionou o olhar para a janela, olhando o céu claro.

Bem, conseguiram sobreviver pela noite, pensou tentando soar positivo para si mesmo.

Levantou-se devagar, procurando os chinelos com os pés e foi até o banheiro, lutando contra a vontade de acordar Naruto e mandá-lo embora de seu pequeno recinto alugado, mas não sentia-se inclinado a fazer isso diretamente, então apenas colocou um pouco de força extra contra a porta do banheiro, fazendo-a bater com um baque ao fechar.

Naruto abriu os olhos com o barulho. Demorou algum tempo para levantar a cabeça apenas para coçar os olhos e então virou para o outro lado, fechando os olhos novamente e soltando o pescoço para deitar.

Até lembrar aonde encontrava-se.

Levantou a cabeça novamente, agora para espiar a cama ao lado, e com isso percebeu como praticamente todos os seus ossos e músculos doíam. Dormir no chão não foi uma boa ideia, mas pelo menos, seus olhos não estavam tão pesados agora e a boa notícia é que não teve um sonho estranho com o futuro ou o passado ou o que seja e bem, sem visitas de mortos inesperadas.

Sasuke não estava na cama e quando decidiu que iria aproveitar e dormir mais um pouco, o bendito saiu do banheiro, caminhando até a cômoda. Ele notou logo a cabecinha de Naruto o espiando enquanto pegava algo para vestir junto de uma toalha.

― Está na hora de voltar para o seu quarto ― disse Sasuke. Sua voz soou controlada, fria, sem brechas para discussões, mas isso não impedia Naruto.

― Eu ainda não terminei de dormir.

― Termine de dormir em outro lugar.

Naruto bufou, mas levantou o tronco, esticando os braços o quanto podia antes que a dor o travasse para sempre. Sasuke passou por ele, rápido, voltando ao banheiro.

― Vá logo, Sadiki.

― O quê? ― fez Naruto.

― O quê? ― repetiu Sasuke.

O Uzumaki franziu os sobrancelhas, formando uma careta para o que ouvira, imediatamente.

― Meu nome é Naruto.

Sasuke o olhou. Ele parecia surpreendido e seus olhos arregalaram-se minimamente, mas Naruto percebeu.

― … Eu sei disso ― disse o Uchiha em um tom de voz baixo e incerto, adentrando o banheiro.

A porta bateu com mais força que anteriormente.

~x~

Carter suspirou depois de não receber respostas quando já havia batido na porta pelo menos três vezes. Pensou que teria que chamar a recepcionista e inventar que Naruto era suicida, como das outras vezes, para conseguir abrir a porta de seu quarto.

Quando decidiu-se, mesmo que o amigo ficasse nervoso depois, porém, Naruto surgiu pela porta de trás e ele observou a cara amassada do amigo enquanto ele fechava a porta atrás de si.

― O que estava fazendo? ― chamou a atenção do loiro. ― O que estava fazendo no quarto do Uchiha? Ainda está de pijama, andando pelos corredores. Já está tarde.

Naruto quase suspirou. O que menos precisava agora era ficar dando explicações. Tinha acabado de acordar depois de muitas horas imóvel no chão, não funcionava bem ainda.

― Eu fui acordar o Sasuke, como você disse, já que está tarde.

Howard não pareceu achar que Naruto indo acordar Sasuke, ainda de pijama, fazia muito sentido, mas não era o momento de tirar explicações dele, Naruto ainda estava meio lerdo e ele sem paciência.

― Se troque, vá tomar um café e depois vá para o nosso local de encontro: Os aposentos da srta. Haruno.

Naruto assentiu, entrando no quarto enquanto o egiptólogo voltava para as escadas.

~x~

Quando Naruto abriu a porta dos aposentos de Sakura, dessa vez, depois de anunciar-se, sentiu-se uma criança de sete anos de idade que alguma coisa errada fez e seus pais agora estariam chamando-o para que se explicasse.

Sakura e Carter estavam sentados a mesa e os dois o olhavam, sérios. Sasuke estava encostado na parede, no outro canto.

― Er... Onde está Lady Evelin?

― Em seu quarto, entretida com alguns livros daqui ― a Haruno apontou para sua estante. O tom que sua voz saiu parecia que o avisava, do tipo “não tente mudar de assunto”.

― Naruto, precisamos conversar ― disse Howard, exatamente como um pai para o seu filho encrencado.

Naruto começava a achar que ficaria de castigo.

~x~

― O quê?! ― Naruto levantou-se abruptamente de sua poltrona, quase a virando para o outro lado, com o impulso que fez com os braços, fazendo Sakura soltar um “cuidado”. ― Uma coisa é H.C. querer me dizer que o morto-vivo importava-se comigo, o que já é absurdo! Outra coisa é vocês quererem me dizer agora que eu, na verdade, conheço o cara, de uma vida passada!

Sakura ainda tentou dizer algumas palavras, apenas tentar primeiramente convencer o amigo de que não era tão absurdo. Carter apenas concordava com a cabeça. Sasuke não comportou-se diferente das outras 'reuniões'; quietamente, ele observava a discussão, mas dessa vez ele apertou os lábios ansioso, por algum motivo.

― Naruto, não estamos querendo dizer nada ― disse Sakura. ― Estamos apenas considerando. E para que consigamos enfrentar a múmia, o que acontecerá, cedo ou tarde, precisamos tentar de todas as formas entender seu propósito.

Naruto andou pelo quarto, as mãos inquietas.

― Olha, eu admito que passei por sonhos e visões estranhas, eu já aceitei isso, diferente de alguns ― sussurrou a última parte quando passou ao lado de Sasuke. ― Mas eu estava mais inclinado para a versão que sou vidente, de H.C., sabe.

― Como você pode se considerar um vidente se não vê o futuro e sim o passado? ― perguntou Carter.

― Talvez eu seja... passadente, não sei.

― Isso nem existe ― respondeu Carter.

― Talvez exista, você não sabe. Talvez eu veja o passado e só.

― Naruto... ― chamou Sakura. ― Nem você acredita nisso.

O Uzumaki olhou aborrecido para a amiga. Desviou os olhos para os próprios pés enquanto continuava rondando a sala. A Haruno fez uma pausa para que ele aliviasse um pouco a cabela.

― Bem... ― ela começou quando o silêncio começou a irritá-la. ― Isso vai soar estranho, mas eu gostaria de hipnotizá-lo.

― Eu? ― Naruto apontou para si mesmo.

― Sim.

― Como é?

― É o que ouviu. Conheço um método egípcio não convencional.

― Você e esses seus feiticinhos egípcios, Sakura-chan ― resmungou.

― Bom, estamos no Egito e foi o que eu estudei minha vida inteiro, o que esperava?― ela retrucou. ― O que importa é que os egípcios acreditavam na vida após a morte e muitos tentavam alcançá-la de algum modo, o que era proibido, mas acho que não nos importamos com isso, certo? Lady Evelin está lendo sobre isso agora, na verdade.

― Legal, vocês, na verdade, já combinaram tudo.

― Conversamos com ela pela manhã. Você e o Uchiha ficaram na cama até mais tarde hoje ― Carter disse.

― E o que vocês estão pretendendo com isso?

― Na verdade, nem sabemos. Apenas quero confirmar, Naruto. Se essa nossa pequena teoria for verdade, você está em perigo de ser pego para um ritual que te ligará ao seu morto-vivo para sempre.

Com uma careta, Naruto não falou nada, continuando andando em círculos.

― Só uma sessão. Se não der em nada, você não precisa seguir fazendo.

― E se nem funcionar?

― Aí não teremos o que fazer senão seguir em frente, não acha? Pensar em algum outra coisa que possa nos ajudar.

O Uzumaki não tinha certeza se isso os ajudaria, não sabia porque ela estaria tão certa que poderia.

Parou no meio do quarto, a cabeça baixa fazendo alguns fios de cabelos caírem por sobre os seus olhos que estavam direcionado para baixo, pensativos. Quando voltou o olhar para cima, tinha um brilho ríspido.

― Então por que não fazer isso com o Sasuke também?

Os olhos do Uchiha se esbugalharam ao passo que os olhos de Carter e Sakura estreitaram-se, confusos.

― O que está―

― Bem, vocês podem até não saber, mas esse enfezado aqui já teve pelo menos uma dessas visões estranhas.

― Naruto... ― rosnou Sasuke.

― É verdade, Sasuke-kun? O que você viu?

― Nada ― respondeu virando o rosto em uma expressão fria para a mulher. ― Naruto não sabe o que fala, simplesmente colocou isso na cabeça. O ignorem, ele é um idiota, como já devem saber.

Carter fez um trejeito com a boca, como se admitisse o fato.

― E você é um maldito de um mentiroso! ― berrou Naruto, virando-se para si. ― Ele só está se fazendo de difícil ― apontou.

Sakura estreitou os olhos para a discussão quando sua mente tentava a iluminar.

E ela foi atrás de Sasuke-kun, ela parecia saber o que fazia.” Lembrou-se dizendo ainda em outra conversa de reunião, depois do encontro na tumba.

― Acalmem-se, não quero nenhuma briga física por aqui, já temos problema o suficiente ― Carter interviu, empurrando Naruto, pois os homens encontravam-se agora em uma proximidade alarmante enquanto rangiam os dentes.

― Isso tudo é estúpido ― Sasuke disse, de repente. ― Se querem perder tempo tentando encontrar uma lógica para o retorno de um defunto e falar de visa passada, eu fico quieto, mas não me meta nisso ― encarou Naruto, antes de retirar-se do recinto.

Todos tiveram de dar um tempo para a surpresa de ver o jornalista falando tanto. Uma, duas, três palavras, ok. Todos essas que soltara em um fôlego... Estaria realmente frustrado.

Naruto socou a porta quando o Uchiha se foi e Sakura amaciou a testa.

― Naruto, tente não aborrecer-se com Sasuke-kun, concentre em nossa conversa agora. Aceitará passar por uma sessão?

Naruto jogou-se sentado na cama, passando a mão do cabelo para o rosto e de volta, em um gesto exasperado.

― Lembre-se, estamos só considerando.

Naruto abriu os olhos devagar, encarando o chão. Passou os olhos pela poltrona que lhe era tão confortável e concentrou-se no vão escuro que os pés da poltrona faziam com o chão, o que o fez arregalar os olhos depois de segundos.

Nesse aqui temos algumas frases” comentou Sakura e ela passou a mão pelo relevo das letras, como se lesse em braile.

Você sabe ler essa escrita antiga egípcia?”

Sim, é minha especialidade” disse Sakura sorrindo. Então, concentrou-se nos símbolos cravados no ouro. Naruto que havia sentado na chão pra regularizar a respiração, viu que logo abaixo do túmulo preso havia uma sorte de pergaminhos, mas quando Sakura começou a falar, ele levantou para primeiro prestar atenção.

― Ow! ― ele quase saltou da cama. ― Vocês viram os pergaminhos embaixo do túmulo?

― Do que está falando, Naruto? ― Carter exprimiu.

― Eu acabei de lembrar! Eu vi, escondido bem embaixo do túmulo, alguns pergaminhos, ninguém viu?

Os outros dois balançaram a cabeça.

― É, mas está lá. E já que vocês dois estão nesse papo de conhecer o morto-vivo, de uma coisa que eu sei é... Se você acha papéis dentro da tumba de um morto―

― Eles podem contar quem foi o morto ― completou Sakura e Naruto balançou a cabeça.

― Ok, mas ir atrás desses pergaminhos nos traz um pequeno problema... ― interferiu Howard. ― Teremos que sair da nossa proteção e voltar a um lugar amaldiçoado e provavelmente é onde Tut nos espera para o ataque!

― Você pode levar sua arminha ― disse Naruto e Carter estreitou os olhos para si, sentindo o tom zombador. Não o zombaria de fosse a 'arminha' dele que tivesse salvado sua vida em uma ocasião.

― Eu acho um bom motivo para arriscar. E da última vez que fomos, ela não estava lá, por que estaria de guarda agora?

― Sim, mas ele apareceu depois.

― É só sermos rápidos.

― Meu Deus, nunca imaginei que eu seria morto por meu trabalho ― desesperou-se. ― Minha mulher sempre me dizia isso, nunca acreditei que seria, na verdade... Verdade.

― Naruto, você fica. Quero prevenir, mesmo que não acredite na possibilidade ― a mulher falou. Ela prendeu o cabelo enquanto seguia para a porta. ― Vou falar com Lady Evelin e já vamos, sr. Carter.

― Talvez seja bom chamar o assassino... O tal de Sai, não é? Será que ele ainda está por aqui? Não o vi mais.

― Eu não confio nesse cara, H.C..

― Naruto, você não tem nada que confiar em ninguém.

O arqueólogo virou-se para o amigo.

― Seu... alma-gêmea de múmia sortudo ― disse antes de retirar-se para o que acreditava ser seu destino fatal.

Naruto parou com a boca aberta de indignação.

~x~

― Fantástico! ― foi a resposta de Evelin quando Sakura explicou a situação. ― Como eu e meu pai deixamos passar esses pergaminhos? Ele mesmo estava com os olhos esbugalhados quando entramos ― ela divagou um pouco, enquanto ajeitava um chapéu e arrumava o cabelo para acompanhar Sakura e Carter.

Sakura apenas sorriu e espiou do corredor, a porta de Sasuke. Achou melhor não chamá-lo já que ele provavelmente ainda estaria aborrecido e Evelin apenas estava indo, pois conhecendo-a por poucos dias, Sakura ainda conseguia dizer que ela não gostaria de ser deixada para trás ou não ser ao menos avisada.

A Haruno observou Evelin recolher um envelope de sua cama, com uma expressão séria, antes de sair do quarto.

― Está tudo bem? ― perguntou a japonesa.

― Minha mãe ― ela apontou antes de suspirar. ― Ela está preocupada... Eu ainda não contei sobre meu pai.

Sakura demorou um segundo.

― O quê?!

― Eu sei, eu sei ― fez Lady Evelin. ― Mas eu não quero soltar isso assim por telegrama, quero estar com ela e eu tinha planos de voltar imediatamente e fazer o enterro do meu pai, mas vocês atrapalharam isso.

Ela fez uma pausa acariciando o papel.

― Eu quero realmente ajudar vocês e saber que tudo está bem antes de passar por um funeral em minha casa, será algo grande ― ela contou. ― E afinal, estou presa, não estou? Vocês mesmo disseram que o monstro está rastreando cada envolvido.

― Mas... E o corpo de seu pai?

― No hospital. Eu telefonei para eles e bem... Eu tenho dinheiro o suficiente para manter meu pai no quarto do melhor hotel dessa cidade por dias, se eu bem quiser.

~x~

Pelo caminho até a tumba, os olhos de Carter estavam tão abertos quanto conseguiriam estar, atentos em toda a extensão que deixavam para trás, por baixo do chapéu coco cinza escuro.

Quando chegaram até a entrada da tumba, agora um pouquinho coberta de areia novamente, Carter nunca achou que teria ímpetos de correr para o lado oposto, e segurou firme sua lanterna enquanto entrava na frente das damas, ele mesmo candidatando-se.

Passou devagar pelos objetos antigos que deixaram totalmente desprotegidos de ladrões, lembrou-se agora. Mas talvez a múmia fosse proteção suficiente.

Ou talvez não, já que o espaço estava um bocado diferente do que gravara tão vividamente em sua memória desde a primeira vez que entrou. Conseguia definitivamente saber que pelo menos o maior objeto dali, o carro de guerra de madeira dourada não estava ali, posicionado bem ao lado da entrada após o corredor, lembrava-se.

Soltou um palavrão por entre a respiração.

― E se selarmos a tumba com a múmia dentro, será que funciona? ― perguntou Lady Evelin no meio do caminho.

Como se Carter fosse deixar seu trabalho de dez anos ir por água abaixo desse jeito.

― Ela simplesmente some em areia quando bem entende, duvido bastante que uma portinha a impediria.

Quando os três pisaram na próxima saleta onde ficava o túmulo envolto por ilustrações, Sakura não perdeu tempo em correr para procurar os pergaminhos no fim do túmulo. Carter olhou para a tampa de ouro que tiraram de cima do corpo de Tutankhamun e depositaram bem ao lado. Os olhos pretos e opacos da máscara agora eram ainda mais aterrorizantes, sabendo que o dono poderia estar em qualquer lugar com a iminência de atacá-los até a morte.

Depois, espiou a sala dos tesouros e lembrou-se dos passos ambicioso de Lorde Carnarvon para lá, o que o deixou desconfortável lembrar-se tão mal de seu patrocinador e, pelo menos era o que achava, amigo. Mas Sai, o moço estranho, estava no hotel como prova de que ele não importava tanto assim para o falecido aristocrata.

Quando virou-se de volta, Sakura havia aberto um dos cinco pergaminhos e estava apoiada no túmulo com Evelin espiando também e ele zangou-se.

― Isso não é lugar! Vamos logo, não podemos perder tempo ― apressou já dirigindo-se para a porta.

Como era ele quem estava com a lanterna, as mulheres recolheram os papéis e apressaram-se atrás dele.

O corredor que levava até sua melhor descoberta não parecia ser tão longo quanto parecia agora que corria por ele, ansioso para conseguir sentir o ar fresco e escapar para a boa proteção mágica do hotel.

Quando o ar puro os atingiu e a areia tocou seus pés, Carter quase deu um suspiro aliviado.

Quase.

Logo antes de o fazer, os três foram surdos com um rugido. Howard não precisou de outro incentivo para disparar como um louco até o carro estacionado há alguns metros; nem ao menos olhou, não gostaria de dar esse segundo de vantagem para o corpo que provavelmente os perseguia agora.

― Corram!

Sakura, porém, olhou.

Há vários metros de onde estava, longe o suficiente para conseguir apenas distinguir uma figura humana, apesar de saber que de perto, não seria o caso. Ela aproximava-se rodeado por pequenas ondas de areia que circundavam seu corpo e Sakura sentia o movimento de alguns grãos ainda embaixo de seus pés e outros voavam naquela direção, como um imã, batendo em suas panturrilhas descobertas pela saia creme.

Lady Evelin, parecendo acordar depois de um grito vindo de Carter, também gritou antes de puxar Sakura pelo braço até que ela a acompanhasse até o carro, uma corrida difícil com os saltos baixos que usavam parecendo afundarem em areia movediça e agora, a Haruno sentia um redemoinho formar-se mais perto, fazendo seu cabelo e roupas balançarem com o vento e a areia batia perto de sua orelha quando chegou ao carro.

― Dirige, Sakura-chan, dirige! ― Carter gritou imitando a maneira como Naruto a chamaria. Seu pavor a faria rir, se Tutankhamun não estivesse tão logo atrás.

~x~

Quando aproximaram-se o suficiente para conseguirem enxergar o hotel, Carter já foi abrindo a porta do carro e quando estacionou, ele foi o primeiro a jogar-se na entrada, virando alguns rostos curiosos que passavam para ele e a recepcionista fez uma careta achando o comportamento no mínimo estranho. Carter não podia importar-se menos.

― Todos vivos ― disse Lady Evelin ao passar pela porta.

Sakura os guiou novamente para seus aposentos. Uma dupla de moças vendo a situação pela segunda vez fizeram seus cochichos serem ouvidos pelo grupo que tratou de apressar o passo.

A Haruno afastou algumas coisas de sua mesa para conseguir postar o primeiro grande pergaminho, enquanto Evelin corria para o seu lado e Carter fechava a porta.

A imagem egípcia que projetava a cabeça para o lado com o corpo ereto de frente revelou, na primeira imagem, um homem com uma coroa alcançando o teto sentado em uma cadeira áurea, como um trono, projetada em uma superfície mais alta.

― Meu precioso Tut ― sussurrou Carter que junto de Evelin espiava por sobre o ombro da japonesa.

O próximo mostrou agora uma mulher coberta com uma túnica e joias, a peruca de fios negros em corte reto acima do ombro dando volume acima de sua cabeça e os olhos bem marcados com tinta preta e verde. Ela estava ao lado da representação do faraó e os dois estendiam-se em frente ao trono.

― A esposa dele ― disse Carter novamente. ― É irmã também, contei pra vocês? Era comum o casamento entre irmãos e não foi diferente com Tut, casou-se ainda com oito anos com a irmã mais nova.

Evelin virou-lhe uma careta.

― Tão lindos ― ainda comentou o arqueólogo.

Sakura abriu o próximo pergaminho que espantou Carter o bastante para que dessa vez ficasse quieto.

― Loiro! ― exclamou Evelin, no entanto. ― Que estranho. Ele parece o moço bonito, sr. Naruto, é? O que sempre lhe acompanha, sr. Carter.

A imagem tinha de fundo novamente o trono, mas estava fora do foco. Tut estava lado a lado com o outro homem, de cabelos da cor da cadeira real, os olhos representados com tinta azul, e este tinha o desenho das mãos juntas em frente ao peito desnudo, como se estivesse amarrado pelos pulsos.

― É verdade! ― sussurrou Howard. ― É Naruto!

Sakura balançou a cabela abrindo o próximo novamente. O homem loiro não mais aparecia. Eram dois homens desconhecidos até agora, em uma ambientação diferente, mais escura e um deles estava ajoelhado com uma espada, do tipo cimitarra ao lado do pescoço, empunhada pelo outro homem, que era vestido como um soldado daqueles tempos, uma proteção nos ombros e peito, de ouro, e um saiote branco, provavelmente linho, diferente do pano que o homem ajoelhado carregava na cintura.

― Uh, parece ser o outro homem bonito, o mais sério ― Lady Evelin inseriu novamente suas palavras, apontando para aquele em que a arma era apontada para o pescoço e tinha o cabelo negro representado de forma diferente, com uma mecha visível ao lado do rosto e algum bagunçado atrás, distinto de toda a representação lisa dos cabelos de peruca daqueles tempos, ou ainda, a careca. E os olhos estavam limpos de delineadores.

A Haruno olhou para Carter enquanto pegava o último pergaminho.

O fundo novamente foi mudado para um mais conhecido para todos ali, carregando as mesmas ilustrações da tumba de Tutankhamun e o homem loiro voltara nessa ilustração. Agora era ele quem estava ajoelhado carregando uma arma afiada ao lado do pescoço.

Quando Evelin olhou para a expressão dos outros dois, conseguiu finalmente dar-se conta do porque lia livros de rituais que poderiam trazer sua vida passada diante de seus olhos.

― Bem ― começou Sakura, a voz meio rouca. ― Acho que teremos de arranjar uma sessão dupla.

~x~

Naruto mostrou algumas caretas indiscretas para a porta do quarto de Sasuke como se fosse o próprio moreno, antes de abrir a palma da mão e bater três vezes.

Quando a porta foi aberta, Naruto entrou antes que a porta fechasse em sua cara, o que era provável de acontecer.

Ouviu um suspiro longo de Sasuke quando passou por ele e virou-se.

O moreno não fechou a porta.

― Foi mal, ok? ― disse Naruto, ― Eu estava exaltado e te entreguei, porque começaram a dizer que eu―

― Você não me entregou ― cortou o Uchiha. ― Você mentiu.

A boca de Naruto parou em um 'o' indignado.

― Você que mentiu, seu bastardo! Eu vim humildemente dizer desculpa e tudo e você―

― Naruto?

Os dois viraram para Carter, que de repente surgiu pelo corredor, com o corpo virado na direção da porta do quarto de Naruto.

― O que está fazendo aí?

Naruto não respondeu já que o amigo distraiu-se olhando os dois de cima a baixo.

― Que é que você está me analisando?

― Vamos os dois descer comigo, por favor.

De novo aquele tom de pai chato que o Uzumaki respondeu com um trejeito de sobrancelhas, irritado, porém seguiu o amigo que fez um sinal para que o acompanhassem. Sasuke estancou na porta segurando o impulso enorme de recolher tudo o que tinha naquele quarto e correr para o próximo navio de volta à Londres. De volta ao seu jornal, seu trabalho normal.

― Uchiha ― Carter insistiu.

Sasuke fechou a porta vagarosamente antes de ir atrás.

― Achei que vocês iam até a tumba ― Naruto comentou.

― Nós fomos.

― Já?! Deu tudo certo?

― Hum... pode-se dizer.

― Que cara é essa?

― Espere um pouco ― Carter ralhou. Ele queria fazer um pequeno mistério, evitar perguntas, mas Naruto era um moço curioso. Tentou dar um gelo até chegar lá embaixo e conseguir abrir a porta de Sakura.

― E como eu pronuncio essa coisa aqui? ― ouviram Evelin. Estava entretida em um pergaminho, os olhos grandes como se admirasse algo.

― Que isso? ― a voz de Naruto fez-se presente.

― Oi de novo, Naruto ― Sakura sorriu. ― Pronto para a sua sessão? Nós estamos quase.

Naruto parou em meio caminho, a expressão fechada e ao mesmo tempo duvidosa. Sasuke revirou os olhos discretamente enquanto apoiava-se na parede ao lado da porta que Carter agora fechava.

― Você também, Sasuke-kun.

O Uchiha ergueu uma sobrancelha em surpresa enquanto Naruto virava o rosto para si. Ele também parecia confuso com aquela reviravolta, já que achava que a conversa seria nada menos do que sua amiga de novo lhe falando de toda a história da vida passada. A viciada em Egito, virara uma das antigas em crença, pensava o loiro.

― Eu achei que vocês tinham ido para a tumba? ― tentou Naruto.

― Nós fomos e eu sei que estou parecendo persistente ― respondeu Sakura. ― Mas aqueles pergaminhos que você mencionou, Naruto, você tinha razão, eles nos trouxeram coisas bastante importantes para a discussão.

Apesar de não gostar de todo aquele tom enigmático que a Haruno falava consigo, Naruto gostava bastante de estar certo, para variar, e deu um sorriso convencido que não tentou disfarçar. Carter deu um tapa em sua cabeça quando passou por si, lhe dizendo que não era “nada para se gabar.”

― Que pergaminhos? ― Sasuke perguntou e sua voz saiu um pouquinho irritada.

― Naruto não te contou? ― e ele lá parecia estar com cara de que isso aconteceu? ― No dia que entramos na tumba, Naruto viu pergaminhos escondidos no túmulo.

― E a cabeça oca dele lembrou-se só agora ― completou Carter.

― E o que tem neles? ― voltou a falar o Uchiha.

― Essa é a parte interessante, senhores ― Evelin pronunciou enquanto levantava-se. Sua postura ereta e o nariz empinado fizeram o sorrisinho dela assustar um pouco os dois homens que não entendiam o que estava acontecendo.

Ela pegou os cinco pergaminhos recolhidos de cima da mesa e estendeu para Naruto.

― Pegue.

― O morto-vivo não está aqui dentro, né? ― brincou o loiro, mas no fundo um pouquinho sério, enquanto seus braços hesitantes seguravam os pergaminhos.

― Não, ele provavelmente está rondando a tumba e não saíra mais de lá. Tem certeza que isso é a única coisa que esqueceu, né? ― disse Howard.

― O que, vocês o encontraram? Esse puto está em todos os lugares.

― Aparentemente sim, mas Tut, com suas pernas acabadas, não é páreo para os pneus de srta. Haruno.

Ele sorriu para Sakura e ela retribuiu o sorriso, mas pensava em como, na verdade, nada impedia do tão precioso Tut estar rondando aquele prédio que encontravam-se, nesse momentinho.

― Veja logo ― impacientou-se Carter.

Naruto seguiu para a cama, depositando os papéis em cima da colcha. Ele abriu devagar o primeiro pergaminho e pendeu a cabeça para um lado com um bico e as sobrancelhas franzidas.

― E o que isso significa? ― ele perguntou olhando para o desenho de um homem e uma mulher lado a lado.

Quando piscou, portanto teve a impressão que algo no papel antigo moveu-se e piscou de novo para ter, por alguns segundos, uma imagem passando diante de seus olhos. Uma imagem parecida com a do papel, porém bem mais real. Sentiu-se como estivesse diante do cenário e das pessoas antes de serem passadas para o papel em uma ilustração.

Piscando novamente, a impressão sumiu e o desenho estava tão imóvel e concreto quanto deveria estar.

―... E a esposa.

― O quê? ― perguntou Naruto. Pareceu perder o presente por poucos segundos para que não ouvisse a frase inteira de Carter.

― É Tutankhamun ― Carter enfatizou novamente. ― Ele e sua esposa.

― Hum...

Naruto ponderou e depois quase pulou para o lado notando agora a presença de Sasuke por perto, analisando o pergaminho que segurava, assim como ele.

― E o que isso tem? ― Naruto perguntou fechando o papel e pegando o próximo.

― Custa continuar olhando? ― rebateu Howard.

Sakura e Evelin entreolharam-se. Eram um pouco mais objetivas e quando falaram para chamar os homens, já tinham em mente que simplesmente falariam-lhes a verdade. Ou o que pensavam ser a verdade.

Carter, por outro lado, gostaria de ver as reações, principalmente do amigo, ao que veriam.

Naruto desenrolou o próximo pergaminho e agora pendeu a cabeça para o outro lado. Via diante de seus olhos dois homens e pelos segundos em que olhava o desenho, seus olhos caíram sobre um deles, que parecia em algum tipo de sentença, já que era carregado uma arma em seu pescoço. Ele apertou os olhos mais para aquela imagem específica e depois os abriu de uma vez, esbugalhando-os.

Virou a cabeça discretamente para Sasuke e os olhos do moreno estavam bastante concentrados, porém sem foco, e de repente ele pareceu voltar para si, pegando o olhar do Uzumaki. Pigarreou, voltando a olhar para o desenho, com uma expressão neutra demais para ser natural.

Naruto voltou os olhos para o homem do desenho e de repente ficou ciente do olhar de Carter. Ele olhava diretamente para Sasuke, quietamente, e logo atrás as duas moças do ambiente também o olhavam.

― Ei ― Naruto chamou a atenção de todos. ― Esse aqui é Sasuke, não é?

Os três perto da mesa entreolharam-se.

― Se você diz ― disse Carter.

Naruto conseguiu apenas ouvir o longo suspiro ao seu lado. Sasuke talvez tinha perdido a vontade de lutar contra aquele grupo que de algum modo ele pertencia, mas nunca desistiria de suspirar ou rodar os olhos com as ideias.

Mas por algum motivo, seu suspiro agora pareceu muito mais conformador do que irritadiço, para Naruto, o que talvez tivesse a ver com os olhos dele que desfocaram segundos atrás.

― Você viu alguma coisa ― ele sussurrou para o Uchiha, pegando o próximo pergaminho.

Sasuke não negou.

O próximo desenho pegou um pouco mais a atenção de Naruto, quando de repente, um homem de cabelos dourados surgiu, também carregando uma arma no pescoço. Por algum motivo lembrou-se da tumba, mas observando aquele pergaminho, passou a mão no pescoço impulsivamente.

― Ugh, ser degolado não deve ser agradável ― ele comentou casualmente, tentando disfarçar o acelerar de seu coração quando sabia que quatro pares de olhos estariam bem atentos em si, esperando alguma reação a mais. ― Por que foi que eu lembrei desses malditos pergaminhos?

Ele levantou o rosto e Carter lhe sorriu.

― Por que não contar logo o que era? Fazendo todo esse mistério, H.C., que coisa mais chata.

― Foi mal, eu só achei necessário mostrar, já você e o Uchiha ― ele deu uma enfatizada no último nome, lembrando-se de mais cedo. ― Estavam um pouco hesitantes.

― Você também estaria ― Naruto ouviu Sasuke resmungar enquanto ele saia de perto de si e encostava-se na parede, como de costume.

― Sasuke-kun, Naruto ― Sakura chamou. ― Eu não me importo nem se vocês ainda não acreditam que de algum modo vocês estejam conectados à múmia...

― Mas que faz sentido, faz, já que vocês dois estão no meio da descoberta do monstro ― insinuou Lady Evelin, casualmente.

― É ― Sakura fez, tentando não parecer tão bruta. ― Eu só quero mesmo tirar a dúvida com o nosso pequeno ritual, só isso. É que eu estou realmente sem opções aqui.

― Eu não me importo mais ― Naruto disse, tratando de abrir os dois pergaminhos que ainda sobraram. Sasuke perdera o interesse. ― Eu posso fazer.

Vendo outra imagem de um homem de cabelos loiros o fez apertar os lábios, parando de prestar atenção na conversa entre os outros e balançou a cabeça quando outra dispersão em forma de visão insinuava-se em seus olhos. Desviou o olhar para o outro pergaminho, aberto em uma única imagem de um homem com uma coroa alta e um dos olhos negros visível, o lembrando da máscara dourada no túmulo.

“Tutankhamun...”

― … Eu posso tentar ― voltou a realidade quando ouviu a voz de contragosto de Sasuke. Virou-se para o moreno e ele apertava a mão no braço cruzado. Os olhos tão escuros quanto aqueles do morto, também lhe davam calafrios, mas de um tipo diferente. ― Eu posso tentar ― ele repetiu.

~x~

Sasuke demorou um bom tempo para conseguir fechar o envelope que carregava sua resposta para seu irmão em Londres, pois seus olhos estavam distraídos e sua mente estava bem longe, fazendo seus movimentos serem superficiais. Nem lembrava-se exatamente o que contava a Itachi, mas provavelmente falara alguma mentira, do tipo que estaria em breve de volta, com a matéria pronta para a próxima edição. Mas nem sabia mais se poderia sair do Egito vivo.

Pensava em como aquela viagem desenrolou-se de um modo não muito agradável para si. Já passara da fase de querer negar que realmente algo ali existia, agora apenas temia o que existia.

Pensando desde de seu primeiro sonho com olhos azuis eu cheiro distinto de Naruto, para sua visão com o mesmo e todo o sentimento forte que sentiu quando viu aquele corpo andante que despertaram tratando Naruto gentilmente, ele começava a se desesperar quando alguns pontos tentavam se ligar em sua cabeça.

Três batidas ocas na porta fizeram voltar sua atenção e o jornalista suspirou. Já devia esperar por isso.

Naruto não conseguiu ficar inquieto sozinho, ele expandiria sua ansiedade para alguém próximo que talvez o entendesse e nesse caso, esse alguém era Sasuke.

O Uzumaki, nos dias que conviveram juntos, fazia “alguns comentários” perto dele, olhava-o de cara feia e Sasuke tentava apenas ignorar, achando que era mais um idiota com raiva de qualquer midiático, porém agora pensava em como Naruto poderia estar sabendo desde o princípio desse suposto passado que compartilhavam, pois até agora vinha aceitando parcialmente bem todas aquelas informações, diferente de Sasuke. E agora teria com quem conversar sobre, já que em uma reviravolta tão repentina que poderia fazer o Uchiha passar mal, todos achavam abertamente que ser reencarnação de algum egípcio dos tempos antigos era algo natural.

Sasuke provavelmente negaria na própria cara da múmia se ela lhe dissesse. Mas também era algo que explicaria o seu interesse particular em Naruto, outra coisa que negava desde o navio e agora tinha uma desculpa. Uma desculpa absurda, mas uma desculpa.

Sasuke demorou o bastante para Naruto bater novamente, com mais ênfase e poderia imaginar o rosto contorcido dele com a demora.

Levantou-se vagarosamente e abriu a porta com uma expressão de alguém que não tinha mais escolhas.

Dessa vez, Naruto não forçou sua entrada. Ficou bem ali há um passo da porta, vestido em seu short e camiseta de dormir, de um laranja que chamava mais a atenção com o pequeno uniforme escuro que Sasuke usava para dormir como calça e camiseta.

― E aí, Sasuke ― Naruto cumprimentou. ― Então, como estão as coisas sendo amigo íntimo de um cara de três mil anos?

O Uchiha soltou um barulho revoltado, antes de puxar o homem pelo braço para dentro do quarto.

― Naruto, não fale essas em aberto assim. Ou mesmo no privado, não fale.

― Foi mal, eu só vim mesmo retirar minhas desculpas de mais cedo, porque no fim eu estava certo, e não vou ficar sendo o único chamado de alma-gêmea de múmia.

Sasuke apoiou uma mão na cintura e a outra, abriu em frente aos olhos, em um gesto impaciente, abaixando a cabeça de leve.

― Você é muito chato, aceite logo, Sakura-chan disse que podemos ajudar em alguma coisa. Mais cedo fazemos a tal sessão, mais cedo colocamos o morto-vivo no túmulo e podemos sair daqui e nunca mais vou ver essa sua cara pálida.

Sasuke apenas apertou as sobrancelhas.

― Ei, Sasuke, está me escutando? ― reclamou Naruto, tentando espiar seus olhos por entre os dedos do outro homem. ― Tira essa mão!

Ele pegou o pulso alvo e puxou para conseguir ver o rosto de Sasuke, porém o que conseguiu foi ver um pouco mais do que realmente queria.

O rosto do moreno pareceu mais próximo e com discretas mudanças, como aconteceu quando o viu de outro modo nos aposentos de Sakura.

Naruto não imaginava como sua expressão parecia de fora, mas sentia seus olhos caídos e os lábios esticados em um sorriso pequeno e estúpido e de novo, aproximou-se do outro com intenções que nunca imaginaria e dessa vez, não pôde controlar a tempo.

Foi o seu eu estranho que tocou os lábios daquele Sasuke estranho, mas o outro que avançou em seus lábios com uma fúria que o forçou a fechar os olhos, com um ofego e agarrar-se a ele tentando encontrar um balanço. Subiu as mãos pelos braços nus, passou pelo peito liso até o cabelo negro e não mais lutou por controle, não conseguiria mais.

A língua de Sasuke contornou seus lábios e encontrou a sua em meio caminho, as mãos firmes agarraram-lhe o quadril para que ficasse mais próximo. Sentiu os dedos dele cravarem diretamente em sua pele, já que o que sentia apenas era algo cobrindo-lhe a parte de baixo.

Puxou ele mais para si, pelo pescoço e os dois arfaram nos lábios um do outro e as línguas trocaram carícias mais urgentes e sentia os carinhos de Sasuke mais ousados ao redor de sua cintura, descendo aos poucos.

Quando moveu-se os braços para abraçar o homem pelo pescoço, porém, sentiu o tecido de uma camiseta que não deveria estar ali e abriu os olhos, sobressaltado.

Quando deu-se conta, Naruto era prensado contra a porta do quarto do hotel onde Sasuke ficava com aquela vista sem-graça para a cidade, como ele já dissera algumas vezes.

Ofegou de susto em meio ao beijo forte e demandador de Sasuke que sugou-lhe as forças e isso pareceu o suficiente para que o Uchiha também voltasse ao seu senso.

O beijo foi quebrado abruptamente e os dois olharam-se próximos o suficiente para dividirem a respiração forte e ofegante.

Tentando ter certeza de qual era a realidade, Naruto desceu os olhos para as suas mãos pousadas nos ombros do jornalista e Sasuke olhou para as suas próprias mãos, tão urgentes quanto nunca estiveram segurando alguém antes.

Afastou-se quase imediatamente e Naruto só não o fez também, pois a porta o impedia. Conseguiu apenas grudar as mãos na madeira e olhou para Sasuke por dois segundos antes de decidir lhe dar as costas antes que alguma outra visão os induzisse a algo ainda pior.

Abriu a porta com as mãos trêmulas e as pernas fracas e fez o que pôde para conseguir chegar na porta do outro lado, fechando-a o mais rápido possível quando entrou em seu quarto.

Depois olhou para a porta fechada, com estranhamento.

― Puta que o―

Sasuke andou de costas até a cama até sentir suas pernas baterem na beirada e ele cair sentado. Apoiando os cotovelos nos joelhos, segurou a cabeça entre as mãos.

O que estava fazendo?

~x~

O céu não estava muito estrelado, deixando a noite ainda mais escura, principalmente ao redor do pequeno hotel perto do Vale dos Reis, deixando quase imperceptível o movimento de um corpo escuro aproximando-se por trás, pelo deserto.

Tutankhamun aproximava-se com uma vagareza agonizante, sem pressa para as suas visitas noturnas. Todos os envolvidos em sua busca estavam agora naquele hotel. Para fortalecer seu corpo adormecido por muitos anos, precisaria sugar a vida de cada um.

Porém, em algum momento, quando aproximou-se demais, foi como se uma redoma surgisse e o impedisse de ir adiante. Seus olhos vivos enxergaram o brilho fraco de várias letras serpeando o prédio.

Deixaria clara sua presença ali, com um grito selvagem se sua atenção não desviasse para uma janela bem acima, uma das poucas com a luz ainda acessa. Na janela aberta, Naruto esgueirou-se deitando a cabeça nos braços, bagunçando o próprio cabelo, acirrado.

Tut prestou atenção com os olhos mais abertos e com a voz que suas cordas formavam quando estava ainda vivo, sussurrou:

― Sadiki...

~x~

― Você está bem, Naruto? ― Sakura chamou a atenção do amigo para si. ― Não conseguiu dormir bem?

― É, mais ou menos isso ― respondeu sem vontade.

― Eu te disse que precisava de você descansado.

― Eu vou dormir de todo o jeito, não vou? ― retrucou. Estava sentado na cama de Sakura até ouvir alguma instrução, enquanto ela ainda parecia dar uma revisada no procedimento.

― Não exatamente, isso aqui não é um exercício de descanso, e eu não quero que você durma antes que eu consiga o induzir a isso.

Naruto apenas fez um gesto distraído mostrando que entendia e que ficasse relaxada, pois ele não dormiria em meio ao processo.

Ele não poderia ter certeza, mas sabia que não queria discutir.

― Onde está H.C.?

― Pelo hotel, achou que seria melhor me deixar sozinha com você, pois você tende a distrair-se muito fácil.

Naruto estava sem vontade até de rebater o comentário.

― Provavelmente ele está no bar ― foi o que disse, ao contrário. ― Bebendo aquele uísque ruim dele, já aguentou bastante tempo sem, até.

Sakura olhou para o Uzumaki de canto de olho. Ele mexia nos fios que caíam nos bordas da colcha da cama. Parecia estranhamente quieto e ela suspirou.

― Naruto... Quer adiar um pouco isso aqui? ― Isso atraiu os olhos azuis. ― Eu vou precisar muito que você se concentre para que isso tenha uma chance de dar certo, mas você parece um pouco fora do ar.

― Não, ei! ― exclamou, voltando melhor ao seu estado natural. Estava sim cansado e distraído, mas não queria adiar mais aquela sessão depois do acontecimento vergonhoso que passou com Sasuke. Queria apenas ir logo com isso, acabar com aquela bagunça e ir o quanto antes para sua casa e dessa vez, apenas dessa vez, pensou em como não importaria-se com crédito algum na descoberta da tumba. ― Eu consigo me concentrar, Sakura-chan! Confie em mim, se isso não der certo, não vai ser por minha causa.

― Ok... Estou pronta, deite-se.

Naruto de repente estancou, os olhos temerosos em Sakura. Ele parecia ter sido molhado com a água fria de realização que estaria seguindo em algum tipo de ritual estranho porque seus amigos acreditavam que na verdade, ele poderia conhecer o morto-vivo.

― Naruto?

Ele tentou não mostrar sua apreensão, mas quando deitou seu corpo, suas articulações estavam travadas e ele pareceu um robô movimentando-se.

Sakura aproximou-se devagar com as sobrancelhas franzidas em estranhamento, trazendo um pedaço de papel consigo.

― Feche os olhos, fique imóvel e não pense em nada.

Oh, isso seria difícil. Conseguia fechar os olhos e ficar imóvel, mas seus pensamentos estavam borbulhando desde a noite anterior e não sabia como ficaria se tentasse parar de colher pensamentos aleatórios que divergiam na direção de Sasuke. Parar de pensar não era uma boa opção.

Ele fez uma careta involuntária e ouviu Sakura suspirando novamente.

― Algum problema, Naruto?

― Não ― ele forçou que os olhos continuassem fechados. ― Só estou tentando me concentrar.

― Está difícil pra você?

Naruto fez um gesto com os ombros.

― Não, está tudo bem.

― Me avise quando estiver pronto.

~x~

― Você está confortável, sr. Uchiha?

Sasuke apenas balançou a cabeça afirmativamente para Evelin, mas seu corpo retesado dizia que confortável era a última coisa que estava no momento.

Quando a manhã chegou, ele mal saiu de seu quarto. Ele não queria de jeito nenhum ter a possibilidade de esbarrar com Naruto por aquele prédio. Seria desastroso e apenas constrangedor. Pensou mais uma vez em apenas recolher suas coisas e basicamente voar dali, se pudesse, mas sabia que não adiantaria muita coisa.

Era um adulto, poderia muito bem lidar com a situação.

Foi o que se repetiu quando, com os passos tão apressados que quase corria, chegou ao restaurante pedindo basicamente qualquer tipo de pão, o que ficasse pronto mais rapidamente, apenas para enganar o estômago que tomou o café da manhã.

De volta ao seu quarto, quase impulsionou-se para fora da janela quando Sakura bateu em sua porta, o lembrando da sessão. Aquela que, segundo a japonesa, o faria lembrar da vida passada onde conhecera não só a múmia andante, como Naruto. O homem que amassara contra a porta de seu quarto noite passada.

Suspirou, lembrando-se de seu, agora, pequeno mantra.

Era um adulto.

Abriu a porta para a Sakura e segurou um suspiro de alívio quando ela lhe informou que estaria fazendo aquilo com Lady Evelin e ela estaria lá embaixo com Naruto. Porém sua expressão estava um pouco mal-humorada demais e a Haruno foi obrigada a perguntá-lo se ele estava tudo bem com a situação.

E agora ali estava, bem ou não, no quarto de Lady Evelin, o que o fez sentir-se ainda menos confortável com tudo. Ele não estava achando muito adequado estar ali, mas a moça Carnarvon não parecia importar-se, apesar de perceber que estava agitado, mesmo que a falasse o contrário.

― Sr. Uchiha, eu preciso que relaxe. Srta. Haruno me disse que eu vou precisar de toda a sua concentração aqui e vou enfatizar que faça isso, se concentre.

O tom duro dela fez Sasuke a olhar mais desconfortável ainda. Nunca trocara uma palavra com aquela inglesa e não importava-se com seu tom alto e às vezes arrogante, mas agora ela direcionava para si.

― Se isso é algo que possa nos ajudar de alguma forma, e eu acho que pode ― ela voltou a falar logo em seguida. ― Se esforce, pois aquele monstro é perigoso. Matou meu pai.

Oh, isso só fazia o Uchiha ficar mais desconfortável. O papo emocional o atingia de um modo que não sabia como reagir, então apenas tentou mudar sua postura, sentado na cama com lençóis caros, provavelmente trazidos de Londres, para que ela entendesse que estava a ouvindo e tentando seguir suas palavras.

Ela pareceu ficar contente e depositou um papel no móvel pequeno ao lado da cama.

― Deite-se.

Sasuke olhou de canto de olho para o lençol macio e para o travesseiro arrumado atrás de si. Tentou deitar-se como melhor pôde enquanto Evelin trouxe uma cadeira acolchoada para perto.

― Feche os olhos, moço bonito, vamos começar.

Notas finais
Aêeee galera, um beijinho entre eles pra animar! O que acharam? *ansiosa e insegura rs* O próximo capítulo é o primeiro que conta a história deles no Antigo Egito! Eu planejei uns três capítulos desses que voltam no tempo, mas não postarei seguidamente, eles vão ser intercalados com caps. deles no presente ainda, e então quando eles terminarem suas sessões, vou partir para a pequena aventurazinha clímax da fanfic! Maaaas como escrever sempre foge um pouco dos planejamentos, isso aqui tudo pode vir a mudar hahaha Obrigada, como sempre, a todos que comentaram cap. passado: Lara, Ayaka Cha, Ciene Uzumaki, ClaraKeynes, ThalitaMegaCrazy, Uzumaki Menma, Zah, Lett-chan, safiramundo, Gaía e Buneary! E pessoas que ficam no silêncio, custa nada dar umas palavrinhas e dizer o que estão achando, né? Acho que dos que acompanham, um quinto da galera deixa comentário! Tenham voz, gentee hahaha Eu sei que às vezes não dá pra comentar em todo cap., mas aparecer de vez em quando seria legal! Espero que tenham gostado, pessoal, até o próximo e qualquer erro por aí, avisem pfvr s2