A Maldição do Faraó

7 Capítulo VII ― Possibilidades


Notas iniciais
Primeiro, queria dizer muito obrigada para a linda da ThalitaMegaCrazy pela recomendação! Fiquei muito feliz s2 Segundo, gente amada, um pouco de paciência rs Eu queria ter postado esse capítulo antes, mas férias acabando, responsabilidades voltando... Já viram. Paciência também pelo cap. que é meio blablablá, mas é importante, vocês sabem como é, esses moços tem que conversar bastante para tentar chegar a algum lugar. O próximo vai ter mais emoção (eu acho rs)! Vou ver se ele vem mais rápido. É isso, boa leitura! E ah, não está devidamente revisado, desculpem rs Avisem qualquer coisa pfvr~

Capítulo VII

Possibilidades

Naruto fingia que não olhava para a cabeça de Sasuke a cada três segundos.

Apertado junto com os outros homens que acreditavam ter salvo, e com uma múmia pronta para vir atrás dele, o que mais o deixava desconfortável era o fato de não conseguir desviar os olhos de Sasuke por muito tempo. O que o deixava cada vez mais puto do que poderia imaginar, já que o moreno, depois do momento há pouco com a múmia, assim como depois da visão nos aposentos de Sakura, não parecia dar a mínima para si, com aquele postura altiva, como se não tivesse marcas no pescoço de que fora recentemente quase enforcado.

Já escurecia quando chegaram ao hotel. Sasuke percebeu que a recepcionista olhou desconfiada para aquele bando de homens que há poucos dias tinha feito check out daquele lugar. Sem contar que ela estava vendo bastante movimentação vindo de Sasuke, Naruto e Carter. E agora, o Uchiha não só tinha um curativo no braço, como marcas no pescoço alvo que só demarcava-as mais. Mesmo assim, quando a moça o pegou olhando-a, não percebendo que perdera-se em sua mente, os olhos opacos mirando a frente, ela sorriu tímida, logo sendo chamada a atenção para arrumar quartos para os homens que estavam de volta.

Naruto percebeu muito bem aquilo e achou que Sasuke estaria correspondendo ao flerte. O loiro o olhou de baixo a cima com os braços cruzados e uma expressão que julgou ser neutra, apesar das sobrancelhas arqueadas em um ar presunçoso.

O que aquele jornalista tinha de especial para atrair as mulheres? E a si?

Opa.

Que território perigoso.

Apesar de alguma coisinha ser bonita aqui ou ali no japonês, ele não tinha nada demais e Naruto não sentia-se nem um pouco atraído por Sasuke, pensou convincente, enquanto imagens de quando checava discretamente os braços ou a traseira do Uchiha lhe encheram a cabeça.

Talvez Naruto estivesse apenas há muito tempo longe de um contato feminino. Balançou a cabeça positivamente com o pensamento.

― Naruto, Uchiha ― Carter aproximou-se dos dois. Conversava com a recepcionista, dizendo que por conta de aparecer mais trabalho pela frente precisaria de seus homens, e que ela os colocasse em seus quartos novamente, por favor e obrigado. ― O carro da srta. Haruno está aí, vão até o quarto dela ver o que ela tem para nós e perguntem de Lady Evelin, ele ainda não fez check out.

Carter tinha sempre essa mania de algum modo colocar Naruto junto de Sasuke. O Uzumaki fez uma careta, mas quando percebeu, Sasuke nem mais estava ao seu lado, caminhando até a porta de Sakura.

Sakura e Evelin estavam sentadas uma de frente para a outra, na mesa, conversando quando Naruto, ultrapassando Sasuke, simplesmente abriu a porta para entrarem.

― Naruto, onde estão suas boas maneiras? ― disse sua amiga de infância. Evelin observou quietamente o homem entrar junto de Sasuke em sua cola. ― Vocês tiveram sorte?

― Porque nós certamente não tivemos ― comentou a inglesa.

― O que aconteceu? ― perguntou Naruto.

― O que aconteceu é que eu testemunhei a tal múmia que achamos há alguns dias, em pé no museu.

― Ela estava no museu?!

Sasuke fechou a porta rapidamente antes que uma discussão nada comum começasse ali e atraísse algumas pessoas curiosas.

― A gente topou com a maldita também, mas não faz sentido ela aparecer por lá, como vocês saíram vivas?

― Foi bem fácil, ela não pareceu ligar pra gente, na verdade. E vocês? Estão todos bem? Sasuke-kun? ― ela fez menção para o pescoço marcado dele, que encolheu-se em um reflexo.

― Não exatamente ― Naruto olhou para Sasuke. ― Perdemos mais um, mas conseguimos escapar, H.C. Está 'acomodando' todo mundo. Não sei como ele vai convencer esse povo a ficar por muito tempo.

― Quem disse que será por muito tempo?

― Por quê? Você já tem alguma solução, Sakura-chan? ― a mulher murchou ao ver o brilho esperançoso nos olhos de Naruto.

― Não...

Ele bufou voltando para a sua tão boa e confortável poltrona e Sakura achou-o com um mau-humor palpável que sobressaia seu medo.

― Espera, onde vocês estavam? ― perguntou Lady Evelin. Howard entrou no quarto no momento em que Naruto respondia.

― Precisávamos buscar os escavadores, aparentemente o morto-vivo quer fazer uma roda com todos que estiveram na tumba.

― O quê?! ― exclamou a moça.

― Naruto! ― chamou Carter surpreso.

― Isso quer dizer que ela pode muito bem me matar? É por isso que querem que eu fique? Mas... Ela não tentou nada no museu ― ela olhou para a outra mulher.

― O quê? Você viu a múmia, Lady Evelin? ― perguntou Carter ainda mais desesperado.

― Ela esteve no museu ― respondeu Sakura.

― Bem no quartinho apertado que srta. Haruno queria entrar, na verdade ― disse Evelin.

― Oh, meu Deus... Que bom que estão bem.

― Pois é, eu... ― subitamente a inglesa arregalou os olhos e olhou para Carter, temerosa. ― Ela vai atrás de todos que entraram na tumba... Quer dizer que...

― Oh ― soltou Carter, apenas, percebendo aonde aquilo o levaria.

― … Meu pai? ― perguntou a moça em um fio de voz.

O ambiente foi cercado por um silêncio que machucou os ouvidos de todos observando os olhos de Evelin encherem-se de lágrimas.

― Aquele monstro... Matou meu pai...? Por que ele faria isso?

― Ainda não sabemos de nada que ele possa querer, desculpe ― disse-lhe o egiptólogo.

― Então tratem de descobrir! ― explodiu ela. ― Alguma coisa ela quer! Mostre os papéis a eles! ― exigiu para Sakura.

― Que papéis? ― perguntou Naruto.

― É, a múmia pegou alguns pergaminhos do museu ― Sakura direcionou o olhar para dois rolos ao seu lado na mesa. ― Ela pegou os originais. No museu, temos o cômodo onde guardamos algumas antiguidades e outro que é uma cópia de seu tamanho e ordem dos documentos. Para evitar roubos e tudo mais, claro que nesse caso não foi possível. Mas pelo menos, poderemos saber o que foi que a múmia pegou.

― Mas o que ela queria―

― Com licença ― Sai intrometeu-se, sua cabeça entrou por uma fresta na porta e ele espiou o quarto. Todos o olharam com estranhamento, menos Evelin que o olhou de cima a baixo, não reconhecendo aquele homem. Era um escavador?

― Desculpe, sr. Carter, mas temos que conversar, sobre aquela arma que o senhor―

― Opa! ― o egiptólogo exclamou empurrando o rapaz para fora e fechando a porta atrás de si, sussurrando, como se falasse de um crime. Em partes, falava. ― Você não pode sair falando sobre isso assim!

Seria desastroso se Lady Evelin descobrisse a conexão de um assassino com seu pai, pensou o restante.

― Desculpe, senhor, mas eu tenho que ir embora depois de meu serviço falhar aqui e o senhor pegou uma arma sem o devido pagamento.

― Para de falar em arma em voz alta ― advertiu Carter novamente. ― Quando você vai embora?

― Eu pretendia pegar o próximo nav―

― Oh, não! ― de repente Carter percebeu. ― Fiquei ainda mais alguns dias, talvez precisaremos de seu serviço.

Aquele homem além de ter uma pequena coleção de armas que trouxe junto, ele poderia muito bem ser também um alvo da múmia e não queria deixar nem mesmo um assassino à mercê de seu amado Tut, serial cruel.

― Meu serviço? Pretendem matar alguém?

― Mais ou menos ― respondeu desconfortável com a fluidez que ele dizia aquilo. ― Não lembra-se da situação na tumba? Aquele monstro marrom...

― Oh ― fez Sai. ― Mas eu já o matei.

― Não, não matou. Nós o vimos depois disso.

― Hum... Tudo bem. Mas, sr. Carter, não se esqueça do pagamento que me deve.

Sai virou as costas e saiu andando até o restaurante dando um sorriso simpático para a recepcionista.

Ele era um sujeito estranho. Não sabia se eram ofícios da profissão, mas ele não parecia tão assustado assim. E duvidava que em algum momento da profissão dele, algo como um morto saiu de seu caixão, mas tudo parecia muito natural para aquele cara. Pensando bem, ele poderia muito bem ser uma boa chance contra a múmia. Talvez precisassem de alguém assim, um pouco mais... Destemido.

Então Carter revirou os olhos pensando em como pagaria aquele homem. Não poderia nem ao menos ganhar com o que descobrira, e a estadia ali em Luxor estava ficando cara a cada dia, não, a cada minuto que passava. Seu patrocinador morreu e a filha dele estava ali, mas não tinha certeza de suas intenções para com a múmia e com ele próprio.

Quando entrou no quarto, a voz da inglesa foi o que ouviu.

― E acho que a partir disso poderíamos destruir aquele monstro!

Carter olhou para Sasuke, o mais próximo de si, com as sobrancelhas erguidas e o jornalista deu de ombros.

― O que foi?

― Sr. Carter, estou falando como estamos subestimando o que lemos na tumba. Você se lembra das palavras? Elas expõe as intenções do monstro e acho que é importante para descobrirmos como acabar com ele.

Howard precisou de um momento para processar.

― Eu não me lembro exatamente das palavras, na verdade.

― Eu também não, perfeitamente, mas sei que dizia sobre vingança, vocês comentaram sobre isso, lembra? Além de tudo, falava que ele só voltaria a dormir quando cumprisse a vingança. Queremos saber o que isso tem a ver com os papéis que o monstro pegou e se descobrirmos de quem ele quer essa vingança, podemos fazer com que ele volte a dormir.

Os olhos cor de carvão de Sasuke encontraram-se com os olhos do homem marcado nas bochechas quando as palavras terminaram de sair dos lábios avermelhados de batom e inundaram a sala.

― Vocês sabem o conteúdo dos papéis? ― perguntou Carter.

― Nós descobrimos que é um tipo de ritual.

― Um ritual?

― É, deixa eu te explicar, eu fiz minha pesquisa ― ela disse, virando-se para ele. Seus olhos estavam avermelhados, talvez tenha soltado algumas lágrimas ainda, mas tinha ânimo e isso era bom. ― O ritual explica como tornar-se imortal.

― Ah, isso é novo ― comentou Naruto. Sasuke sentou-se na cama ao lado e ele precisou vocalizar alguma coisa para distraí-lo de ser distraído pelo moreno.

― A história é de um feiticeiro egípcio dos tempos mais antigos que nosso monstro, já que ele parece ter uns três mil anos, sim? Bem, basicamente, o homem se apaixonou e é toda aquela história de quererem viver felizes para sempre. Ele fez esse ritual para conectar sua alma à da sua amada egípcia. Para isso, precisa de algumas palavrinhas mágicas ― ele apontou para o pergaminho, cópia do original. ― E um sacrifício.

― E no que isso pode nos ajudar exatamente?

― Bem, é óbvio que ele quer tornar-se imortal.

― E ele já não é? Você acabou de nos lembrar que na tumba dizia que ele só voltaria a dormir depois da vingança.

― Sim, mas pegar esse papéis... Isso pode querer dizer que ele é mortal, mesmo não convencionalmente. Não podemos deixar que ele avance com o ritual, precisamos buscar uma maneira de fazê-lo dormir antes disso, já que não sabemos da vingança.

― Esse é o nosso problema, não é? E Lady Evelin, como esse ritual é uma preocupação nossa? Se funcionasse mesmo, não teríamos soltos por aí vários casaizinhos que não morrem?

― Não é como se pudéssemos saber, certo? E afinal, é um ritual que só pode ser realizado por um egípcio ― ela disse.

A expressão de Howard continuou cética.

― E no antigo Egito eles proibiram o ritual ainda quando os documentos não estavam escondidos. Na verdade, isso é interessante, eles foram escondido há cerca de mil e quatrocentos anos a.C.

― Eu continuo dizendo que isso― Ah, essa é a época em que Tut era faraó.

Evelin assentiu. Naruto bufou.

― Qual é a diferença que isso faz? É um texto antigo de magia e a gente sabe que isso não existe.

― Até anteontem eu sabia que mortos não voltavam a vida ― replicou Lady Evelin.

Naruto bufou de novo. Cansou-se de não poder não acreditar nas coisas só porque tinha uma múmia a solta. Só porque...

― A única coisa é que esse pequeno ritual só pode ser feito mesmo com alguém que você se importe muito e eu posso estar errada, mas qualquer esposa, amantes ou amigos que o monstro teve estão mortos. Assim como alguém para vingar-se, falando nisso.

Howard passou os olhos pelo ambiente pensativo e sem querer seus olhos caíram em seu ajudante, os olhos pesados tentando prestar atenção. Seu olhar ficou mais duro e passou bastante tempo o encarando para incomodá-lo e fazer Naruto ajeitar-se na poltrona. Quando ia perguntar o que estava de errado, a voz de Sakura interrompeu:

― Ele pode querer voltar alguém à vida ― comentou e todos a olharam assustados com a possibilidade de outra múmia por aí. ― Só uma ideia.

― Bem, eu... ― começou Howard. Ele olhou novamente para Naruto e tomou cuidado com as palavras que sairiam da sua boca agora. ― Ele reagiu muito estranhamente à Naruto.

Naruto desencostou da poltrona olhando boquiaberto para o amigo.

― O que você está dizendo, H.C.?

O inglês continuou virado para as moças, porém mais do que nunca tinha a atenção de Naruto e Sasuke.

― Bem, eu senti como se Tut não tivesse intenções tão ruins em relação ao Naruto, como tem com o resto de nós.

― O que...? ― sussurrou Naruto incrédulo.

― Como assim, sr. Carter?

― Eu não sei porque estou dizendo isso, mas só quis dizer que... Bem, Tut pareceu importar-se com Naruto.

O queixo do loiro caiu ao ponto que Sasuke teria fechado sua boca se não estivesse tão atento às palavras do egiptólogo. Teve vontade de não estar ali quando Carter virou para si.

― Não é verdade, Uchiha?

Naruto virou-se para ele e sentiu-se como se fosse um marido tendo as palavras cuidadosamente articuladas para não ferir sua mulher que acabou de perguntar-lhe se estava gorda.

Só deu de ombros levemente, tentando fazer o foco sair de si.

― Ah, como você está falando besteiras, H.C. ― reclamou Naruto. ― Se não tivesse a possibilidade de ter um morto-vivo por aqui, eu subiria para o meu quarto agora. Dormir é o melhor que podemos fazer agora. E eu to morto ― estendeu.

― Na verdade, você pode ir dormir ― disse Sakura. Percebeu que seu amigo estava agitado e não era bom continuar aquele assunto que Carter começou. ― Foi por isso que fomos ao museu.

― Falando em feitiços... ― começou a filha de Carnarvon.

― Outro feitiço? ― perguntou Sasuke, neutro, bastante convidativo a mudar de assunto, por algum motivo.

― É, uma coisinha que busquei dos livros antigos para nos ajudar nessa pequena situação que nos encontramos. Tem um que diz livrar o ambiente de presenças agourentas. Tutankhamun não é nada, mas uma presença agourenta.

― Na verdade, ele é o grande faraó que desenterrei também ― tentou Carter. Não tentou mais quando as moças o olharam.

― Não custa nada tentar ― continuou a japonesa.

― Não, não custa ― disse Naruto. ― Seria muito bom que fizemos logo, então, já escureceu.

Sakura levantou-se e quando todos também o fizeram, com a intenção de sair, ela aproximou-se de Naruto.

― Vá deitar ― lhe disse.

― Ei, Uchiha ― Howard chamou quando passaram pela porta. Sasuke virou-se para ele quando Naruto passou. O loiro não falou nada para nenhum, andando com a cabeça erguida até a escadas. Carter o olhou, estranhando. Sasuke o olhou... por alguns outros motivos.

― O que foi? ― voltou-se ao homem.

― Eu só queria dizer que eu vi que você tentou ajudar Naruto com o Tut, aquela hora ― ele disse. Sasuke achava estranho como o inglês ainda tratava a múmia com o apelido carinhosos adquirido antes da descoberta. ― Eu sou agradecido. Ele também é, apesar dos apesares.

Sasuke assentiu. Ele não achava que tinha realmente feito algo incrível, mas resolveu não dizer nada. Virou-se pronto para voltar a andar mas Carter o impediu novamente.

― Seu irmão mandou uma correspondência, está na recepção.

― Obrigado.

― E outra coisa, Uchiha... Agradeço também por não ter de alguma forma tentado espalhar isso. Como um jornalista, achava que talvez você pudesse... Sabe, aproveitar-se da história e isso seria desastroso, obrigada por não o fazer.

Sasuke apenas assentiu novamente achando que Carter o fazia mais nobre do que era. Nem dera tempo para ele pensar em sua situação de jornalista ali. Ainda que não fosse publicar uma história dessas, por seu próprio zelo, o tal Tut não lhe dera tempo para pensar em sua escolha.

~x~

Carter observava admirado Sakura construindo aqueles símbolos todos com aquela rapidez enquanto andavam ao redor dos muros do hotel. Ele viera junto com ela, segurando um pequeno suporte de tinta que ela usava para escrever, ou melhor, copiar os desenhos de seu pergaminho.

Naruto foi dispensado pelas olheiras que carregava. Lady Evelin, pois era uma Lady e Sasuke, Carter achou, já enfrentara o bastante por hoje, precisava tomar um banho para talvez tirar o cheiro e as marcas da múmia.

― Você acha que isso pode dar certo? ― perguntou o homem.

― Tenho esperanças grandes.

― Como a gente vai saber que vai dar certo?

― Acho que teremos de esperar, na verdade. Manter uma vigilância, pois quando Tutankhamun for fazer suas visitas a casa de cada um, não vai demorar para vir atrás deles por aqui.

Carter achou aquilo longe de ser tranquilizador. Tinham mandado todos os outros para seus quartos, confiantes que estariam protegidos de Tut e agora Sakura lhe dizia que teriam que esperar mais um pouco, para ter certeza.

Porém, quando a mulher de cabelos róseos deslizou o dedo sujo de tinta terminando o último traço do último hieróglifo, uma luz enraizou-se deles, desaparecendo logo.

Carter e Sakura foram deixados surpresos.

― Ou, na verdade, acho que temos nossa resposta aqui ― comentou a mulher.

Howard olhou para os lado atrás de alguém que presenciara a mesma coisa, mas à noite, ali, distante da cidade, estava limpo.

― Agora eu estou feliz. Vamos entrar e ficar seguros de Tut. Isso é uma coisa que eu nunca imaginei dizer, literalmente.

Sakura pegou o paninho que trouxera para limpar os dedos e Carter olhou para os lados novamente, incerto, como se houvesse a possibilidade de alguém aparecer depois de dois segundos de sua última espiada.

― Srta. Haruno... ― seu tom baixo e cauteloso dez Sakura o olhar. ― Você sabe, sobre aquilo que eu falei do Naruto mais cedo...

― Sim?

― Sabe, eu não sei se ele ficaria feliz que eu estive contando, mas... Ele... Ele achou a tumba. E ele me disse que conseguiu achar por causa de uma visão que teve.

― Naruto teve uma visão?

― Sim, foi o que ele disse, sem dizer exatamente. Eu achava que ele era um vidente ou sei lá, mas depois como Tut o tratou, eu achei...

Os dois ficaram em um pouco de silêncio, sem conseguir trabalhar com a informação.

― Tem certeza, sr. Carter?

― Tenho sim, ele mesmo me disse.

― Bem... Preciso descansar também, essas informações só mexem mais ideias malucas na minha cabeça.

Carter também tinha ideias, por isso partilhara daquilo, mas também estava bastante cansado, admitiria. Talvez depois de uma noite de sono as coisas ficassem mais claras.

~x~

Sasuke observava com a expressão vazia as marcas em seu pescoço, no espelho do pequeno banheiro. Depois olhou para a carta de seu irmão, em cima da cômoda. Ele lhe perguntava do andamento e para deixá-lo atualizado.

Maldito Itachi por mandá-lo para lá. Queria saber como seu querido irmão mais velho gostaria de saber que estava bastante ocupado tentando não ser morto por um morto.

Então viu um flash adentrar pela janela de seu quarto. Mas foi tão rápido que julgou não ter sido real. Caminhou até a janela, abrindo-a. Lá embaixo conseguia ver Carter e Sakura conversando. Talvez eles tivessem conseguido e com a respiração caminhando melhor, ele os observou.

Sua atenção foi desviada ao ouvir três fortes batidas na porta, feitas de mão aberta que provavelmente os hóspedes dos quartos ao lado ouviram.

Sasuke abriu a porta para Naruto.

O loiro o olhou com olhos sérios que não conseguiu desvendar o que lhe diziam, e a postura rija. Ele estava vestido com o pijama e Sasuke perguntou-se o que diabos ele queria consigo, já vestido para dormir.

Naruto entrou sem cerimônias, não parecia importar-se em não ter trocado uma palavra com Sasuke, do tipo “Você pode entrar” “Obrigado”. O Uchiha apenas observou-o, segurando a porta ainda aberta, não tinha certeza se queria fechá-la.

― Loucura isso tudo, né? ― Naruto finalmente disse. Ele estava de costas, observando o quarto como se o seu não fosse parecido e Sasuke franziu a testa em sua direção, ainda imóvel. ― Eu fico me perguntando se eu 'to sonhando toda essa volta daquele cara da tumba, mas meus sonhos ultimamente parecem mais reais.

A língua de Sasuke coçou no próximo silêncio de Naruto, para que pudesse lhe dizer algo, mas não sabia o que poderia falar e era melhor não o interromper quando parecia meio em transe, os gestos inseguros. Ele nem ao menos o olhava. O moreno resolveu fechar a porta, mas continuou parado no mesmo círculo.

― Eu lembro que eu comecei a ter sonhos esquisitos quando H.C. veio me chamar pra expedição, mas eu estava ansioso, talvez fosse isso. Mas agora eu nem preciso dormir pra ver essas coisas estranhas e eu não paro de pensar que tudo isso tem alguma conexão com o motivo que o morto está vivo novamente ― Naruto virou-se para Sasuke, o brilho úmido do seu olhar atacando o Uchiha. ― E você, Sasuke... você está envolvido.

O outro homem retesou-se na hora, com o olhar duro.

― Do que está falando?

― Eu cansei de fingir que aquela visão não aconteceu! Você viu também!

Os lábios de Sasuke apertaram-se em uma linha, e ele não conseguiu dizer algo em sua defesa.

― Eu estava achando que eu estava bem louco. H.C. me veio dizendo que talvez eu fosse um vidente ou coisa do tipo depois que eu achei a tumba ― ele murmurou para o Uchiha que prestou atenção na informação nova. ― Mas você também teve um desse momentos comigo lá nos aposentos de Sakura-chan, você também teve uma visão. E Sasuke... você já teve sonhos estranhos?

― Não ― respondeu sem hesitar. ― Eu nem sei do que você está falando. Você não dorme bem há bastante tempo, Naruto.

O loiro olhou furioso.

― Não tenta me dizer que eu 'to louco! Porque agora eu sei que eu não estou!

Os próximos segundos foram permeados apenas com o som da respiração de Naruto e o ar cortado pelos olhares enraivecidos que os dois homens trocaram. Até que o Uzumaki suspirou desviando o olhar.

― Ok ― ele disse, caminhando até Sasuke. ― Eu não vou insistir no assunto.

O Uchiha assentiu enquanto sua mão foi até a porta para dar passagem para Naruto, mas ele apenas parou em sua frente, ainda com o olhar obstinado.

― Mas você vai ter que me dar um espaço pra dormir aqui.

― O quê? ― Sasuke fez, confuso.

― Eu... ― Naruto baixou o olhar. ― Eu ainda 'to meio inseguro, compreende? Você não deve duvidar da múmia a solta por aí, pelo menos, né? Eu não vou conseguir dormir sozinho.

Sasuke pensou em chamá-lo de medroso e irritá-lo, mas sabia que também estava com medo. Porém a presença dele o incomodara em algum grau e quase saiu de seus lábios que ele poderia muito vem ir atrás de dormir no quarto de Carter, seu bom amigo.

Naruto nunca admitiria e caso Sasuke dissesse isso mesmo, seria provavelmente que ele faria, mas o loiro, mesmo depois de vê-lo quase sendo morto duas vezes em um mesmo dia pela mesma múmia vagante, ainda assim sentia-se melhor com sua presença. Lembrou-se que quando aquela múmia estava em cima de si e conseguiu focar Sasuke em sua visão, ele quase esqueceu da presença dela junto do cheiro impregnante.

Sasuke apenas observou quando Naruto virou-lhe as costas como se já tivesse recebido uma resposta sua e pegou de sua cama um dos dois travesseiros. Ele deu a volta, jogou o travesseiro no chão e acomodou-se no piso, sem mais olhar para o moreno.

O Uchiha fechou a porta novamente, apenas depois de alguns segundos. Começara a abrir quando achou que Naruto iria embora, mas não parecia o caso. Caminhou lentamente até sua cama, com cautela como se Naruto fosse o atacar caso o tirasse de seu sono. Observou as costas dele e o movimento de sua respiração e olhou para a porta, talvez ele pudesse ir embora.

Mas apesar da perturbação, deitou-se em sua cama e evitou desviar olhares para o chão.

Notas finais
Agradecimentos para quem comentou cap. passado: Lara, Uzumaki Menma, ThalitaMegaCrazy, safiramundo, Ciene Uzumaki, Buenary, Lett-chan, Ayaka Cha, UzumakiCat, ClaraKeynes e Zah. Obrigada, gente s2